Zombaria como arma antifeminista: instrumento conservador entre libertários

Zombaria como arma antifeminista: instrumento conservador entre libertários

Nos anos 1960, em meio à rebelião contracultural, acompanhada pela luta dos negros norte-americanos em busca dos direitos civis e pelos protestos contra a guerra do Vietnam, emerge a rebelião das mulheres. Irrompe uma nova vaga feminista nos Estados Unidos e na Europa, a qual também se manifestou vivamente no Brasil. Apontavam tais mulheres como uma mistificação a separação entre o público e o privado, entre o pessoal e o político, insistindo sobre o caráter estrutural da dominação, expresso nas relações da vida cotidiana. Dominação cujo caráter sistemático apresentava-se obscurecido, como se fosse produto de situações pessoais. No momento, o Brasil via-se acossado pela ditadura militar, destacando-se o empenho de alguns, inspirados nos ideais da contracultura, em opor-se ao regime, combatendo o autoritarismo e promovendo a crítica de costumes. A ridicularização era a sua arma, ressaltandose, nesse particular, os membros do jornal O Pasquim. Paradoxalmente, porém, a mordacidade de muitos de seus articulistas voltou-se, igualmente, contra as mulheres que lutavam por direitos ou que assumiam atitudes consideradas inadequadas ao modelo tradicional de feminilidade e às relações estabelecidas entre os gêneros. Ridicularizavam as militantes, utilizando-se dos rótulos de “masculinizadas, feias, despeitadas”, quando não de “depravadas, promíscuas”, no que conseguiam tais articulistas grande repercussão. Depreende-se dessa conduta o temor da perda do predomínio masculino nas relações de poder entre os gêneros, no que evidenciavam forte conservadorismo, contrastante com a atitude vista como libertária de alguns desses elementos em outras situações.

Gênero, Sexualidade e Violência na Escola e na Família: Experiências de Jovens-Mulheres de Planaltina/ DF

Gênero, Sexualidade e Violência na Escola e na Família: Experiências de Jovens-Mulheres de Planaltina/ DF

As mulheres têm conquistado vários espaços ocupados anteriormente somente por homens, o que representa uma mudança significativa na estrutura da sociedade. Mesmo com as mudanças alcançadas pelo movimento feminista e com as transformações sociais e culturais que levaram muitas mulheres a denunciarem atos de violência sofridos em casa, as jovens-mulheres, muitas
vezes, são excluídas destes estudos. Nesse sentido, julga-se necessário investigar como essas mudanças vêm sendo percebidas pelas juventudes e como são constituídas as representações sobre o feminino e o masculino. O presente trabalho apresenta a visão de jovens-mulheres do ensino médio sobre relações de gênero, sexualidade e violência tanto na escola como na família, assim como suas experiências no meio social em que vivem. Para tanto foram realizados grupos de discussão com meninas na faixa etária de 14 a 21 anos de idade em uma escola localizada em Planaltina, DF. Durante a pesquisa de campo observou-se que muitas alunas vivenciam casos de violência, descrevem experiências de discriminação por ser mulher e demonstram conhecer políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades de gênero e para o combate da violência contra a mulher.