{"id":3412,"date":"2026-05-19T17:40:01","date_gmt":"2026-05-19T20:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3412"},"modified":"2026-05-19T17:42:14","modified_gmt":"2026-05-19T20:42:14","slug":"jornadas-de-autocuidado-e-cuidado-coletivo-entre-cfemea-e-mulheres-do-movimento-de-trabalhadoras-e-trabalhadores-rurais-sem-terra-mst-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3412","title":{"rendered":"Jornadas de autocuidado e cuidado coletivo entre CFEMEA e Mulheres do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"675\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025.jpg\" alt=\"Cfemea no Acampamento Ana Primavesi\" class=\"wp-image-3401\" srcset=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025.jpg 900w, https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025-300x225.jpg 300w, https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025-768x576.jpg 768w, https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025-16x12.jpg 16w, https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-primavesi5-2025-640x480.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>19 de maio de 2026<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/ulfa.org.br\/category\/sem-categoria\/\">Sem categoria<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As jornadas de&nbsp;<a href=\"https:\/\/cfemea.org.br\/autocuidado-e-cuidado-entre-ativistas\/o-que-e-autocuidado-e-cuidado-entre-ativistas.html\">autocuidado e cuidado coletivo<\/a>&nbsp;s\u00e3o espa\u00e7os seguros com tempos reservados para que cada participante possa se conhecer melhor, encontrar conforto, seguran\u00e7a, energia, prazer, prote\u00e7\u00e3o consigo mesma<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gabriela Fidelis e Guacira Oliveira \u2013 Cfemea 4\/5\/2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cResist\u00eancia para mim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00c9 me cuidar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Milit\u00e2ncia para muitas \u00e9 viver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cansei dessa conversa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>De ter que agradar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Para merecer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Eu quero \u00e9 ser\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Trecho da poesia Autocuidado,<br>de Cidinha Oliveira, em seu livro:<br>Quarta-feira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O percurso tem ponto de partida no&nbsp;<a href=\"https:\/\/cfemea.org.br\/autocuidado-e-cuidado-entre-ativistas\/territorios-de-cuidado-luta-e-sustentacao-da-vida.html\">Laborat\u00f3rio Organizacional Feminista para Sustenta\u00e7\u00e3o da Vida<\/a>, uma experi\u00eancia pr\u00e1tica que propicia viver fora dos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos da explora\u00e7\u00e3o, do individualismo, da competi\u00e7\u00e3o e da exaust\u00e3o. \u00c9 ter \u201coutras condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o\u201d para vivenciar, experimentar, pensar-sentindo outras possibilidades de compartilhar a vida, de coletivamente prover a exist\u00eancia, de cuidar de si, do coletivo e do nosso planeta. Experimentar outros v\u00ednculos, imaginar e vislumbrar possibilidades fora da senten\u00e7a do cada uma por si, realizar coletivamente outras possibilidades novas, in\u00e9ditas, para sustentar a vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/ilustracao-cuidado_entre_activistas1.jpg\" alt=\"ilustracao cuidado entre activistas1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Laborat\u00f3rio Organizacional Feminista para Sustenta\u00e7\u00e3o da Vida do Distrito Federal e Goi\u00e1s \u00e9 o resultado de uma parceria entre o Centro Feminista de Estudos e Assessoria \u2013 CFEMEA e o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores Sem Terra \u2013 MST da regional do DF\/GO\/MG \u2013 RIDE. Aconteceu durante um tempo de 70 dias e nessa trajet\u00f3ria realizamos as jornadas de autocuidado e cuidado coletivo, que est\u00e3o divididas em tr\u00eas ciclos durante todo o processo. Cada ciclo dentro da jornada acontece em dois dias consecutivos, abrindo um espa\u00e7o necess\u00e1rio para recompor e oxigenar o processo do laborat\u00f3rio, ventilar as rela\u00e7\u00f5es e fortalecer os v\u00ednculos coletivos com cuidado e outra qualidade na presen\u00e7a de cada mulher na experi\u00eancia de criar juntas uma cooperativa feminista para sustenta\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As jornadas de autocuidado e cuidado coletivo s\u00e3o espa\u00e7os seguros com tempos reservados para que cada participante possa se conhecer melhor, encontrar conforto, seguran\u00e7a, energia, prazer, prote\u00e7\u00e3o consigo mesma e, sobre esta base de autoconhecimento, gerar outras possibilidades de se relacionar com as demais, reconhec\u00ea-las e ser por elas reconhecida, vivenciar o reconhecimento m\u00fatuo, a reciprocidade do cuidado, a satisfa\u00e7\u00e3o da coletividade.&nbsp;Cada jornada acumula um tanto para a seguinte. Estar consigo mesma, ganhando mais consci\u00eancia de si, \u00e9 um passo importante para poder estar com a outra e reconhec\u00ea-la, e assim estabelecer limites confort\u00e1veis, prazerosos e seguros para as constru\u00e7\u00f5es coletivas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c\u2026Vou seguir o meu caminho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Quero mesmo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u00e9 pagar pra ver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ser livre como um passarinho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Descolonizar,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Desaprender.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Meu corpo pode at\u00e9<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>ser sonho capital,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>mas minha mente<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>ningu\u00e9m vai prender\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Trecho da poesia Autocuidado,<br>de Cidinha Oliveira, em seu livro:<br>Quarta-feira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viv\u00eancia das jornadas de cuidado acontece a cada encontro entre as mulheres que agitam suas \u00e1guas para despertar a aten\u00e7\u00e3o interna de cada uma, conectadas por uma atmosfera coletiva, ressonante e vibrante de seguran\u00e7a que faz confiar no processo de entrega, presen\u00e7a e do reconhecimento para florescer autoconhecimento. \u00c9 uma andan\u00e7a que se inicia com passos suaves, pedindo licen\u00e7a \u00e0s hist\u00f3rias vivas e pulsantes no corpo de cada mulher que diz: Eu quero conhecer\u2026 Eu quero cuidar\u2026 Eu quero proteger \u2026 Eu quero curar\u2026 Eu quero viver\u2026<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/ilustracao-Ananda_Santana.jpeg\" alt=\"ilustracao Ananda Santana\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro passo da jornada, olhamos para tr\u00e1s como quem pega f\u00f4lego para girar a cabe\u00e7a em torno de si mesma, num giro coletivo de m\u00e3os dadas, com os p\u00e9s no ch\u00e3o, convidando quem veio antes de todas n\u00f3s a se fazer presente como vozes que guiam o movimento da continuidade. Em seguida, abrimos os trabalhos inaugurando o varal do reconhecimento e da ancestralidade camponesa com diversas lideran\u00e7as, refer\u00eancias na luta pela terra, pela reforma agr\u00e1ria no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. Fazemos uma caminhada olhando cada foto e cada hist\u00f3ria inspiradora de mulheres que marcaram a hist\u00f3ria de ontem, de hoje e do porvir, nos convidando a firmar agora os passos para a caminhada com momentos de muitos sorrisos, para reconhecimento das companheiras conhecidas das lutas e do movimento comum, das mem\u00f3rias de momentos que viveram juntas ou que impulsionaram organiza\u00e7\u00f5es em outros territ\u00f3rios. Nos surpreendemos com aquelas n\u00e3o conhecidas at\u00e9 ent\u00e3o e que v\u00e3o sendo apresentadas e visibilizadas naquele ato de cuidado ancestral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Convidamos as mulheres para nutrir a terra do nosso primeiro territ\u00f3rio, o de cuidado no corpo ancestral e pol\u00edtico das mulheres: M\u00e3e Bernadete, Rigoberta Mench\u00fa, Margarida Alves, Elizabeth Teixeira, Marina Silva, Rosa Amorim, Ana Primavesi, Roseli Nunes, Dandara, Tereza de Benguela, Berta C\u00e1ceres, Haydee Santamar\u00eda, Frida Kahlo, Tu\u00edre Kayap\u00f3 e todas as mulheres sem terra do MST, para serem as guardi\u00e3s da jornada de autocuidado e cuidado coletivo entre as mulheres do MST preservando as hist\u00f3rias do passado, do presente, do futuro, no agora que se faz no Centro de Educa\u00e7\u00e3o Popular e Agroecologia Gabriela Monteiro, s\u00edtio P\u00e9 na Terra, do MST, Brazl\u00e2ndia \u2013 Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cVamos nos juntar e seguir com esperan\u00e7a, defendendo e cuidando o sangue da terra e os esp\u00edritos. O reconhecimento dos direitos das mulheres n\u00e3o \u00e9 um favor: \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o do Estado.\u201d Berta C\u00e1ceres,&nbsp;mulher, latina, ind\u00edgena e lideran\u00e7a.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/ilustracao-cuidado_entre_activistas5.jpg\" alt=\"ilustracao cuidado entre activistas5\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meu corpo territ\u00f3rio de cuidado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 no corpo que tudo acontece, na casa ancestral onde est\u00e1 guardada a sabedoria da exist\u00eancia. Com aten\u00e7\u00e3o abrimos os olhos internos, ao fechar os olhos f\u00edsicos para meditar, realizar exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o, se abrir para alongar e movimentar o corpo com consci\u00eancia. Aprendemos a nomear as experi\u00eancias que o corpo nos oferece na jornada de cuidado, sentir e pensar os sentimentos, pensamentos, sensa\u00e7\u00f5es e habitar lugares da imagina\u00e7\u00e3o e criatividade. As pr\u00e1ticas de cuidado s\u00e3o convites para constru\u00e7\u00e3o de autonomia plena e a cada tempo da jornada damos passos de encontro ao ch\u00e3o interno f\u00e9rtil e firme, de dentro para fora, de corpo inteiro, tudo vivo, pulsante e presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada corpo desenha e manifesta a sua pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o, toca no seu ar entrando e saindo do corpo, percebe seu movimento natural, espont\u00e2neo e dan\u00e7a com vivacidade e alegria as descobertas das emo\u00e7\u00f5es soltas a contar suas hist\u00f3rias. \u00c9 a festa do corpo no movimento de existir com cuidado. A fala das hist\u00f3rias nascem junto as bonecas de papel, suas formas e coloridos refletem as cores do reconhecimento, de como cada mulher se v\u00ea. Adentramos o importante caminho da autodefini\u00e7\u00e3o, o que as mulheres acham e dizem sobre si mesmas, quem elas s\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Constru\u00edmos a boneca EU SOU e nos despimos da vigil\u00e2ncia permanente da opress\u00e3o patriarcal e racista que imp\u00f5e padr\u00f5es e imagens dominadoras de controle sobre nossas vidas e corpos. Na jornada, levamos o EU para o centro da an\u00e1lise e da roda de cuidado para enxergar com nitidez quais s\u00e3o os pensamentos, as certezas e as defini\u00e7\u00f5es de cada uma sobre si mesma e fazemos o exerc\u00edcio da autodefini\u00e7\u00e3o. Como sugere Patricia Hill Collins:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201ca afirma\u00e7\u00e3o da individualidade n\u00e3o como mera afirma\u00e7\u00e3o verbal ou conversa (algo que fica no plano do discursivo) mas como uma a\u00e7\u00e3o concreta para autodeterminar a vida das mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Autodefini\u00e7\u00f5es que promovem a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<em>Das m\u00ednimas liberdades que temos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>tem uma que gosto de me apegar:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>aquela de ser eu mesma,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>n\u00e3o importa qual seja o lugar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E lhe digo com sinceridade:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>a preocupa\u00e7\u00e3o anda pouca<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 bem pouca!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>De todo mundo querer agradar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Liberdades, poesia de<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>&nbsp;Cidinha Oliveira<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas rodas de autocuidado e cuidado coletivo e jornadas de cuidado temos combinados valiosos que s\u00e3o exercitados nas partilhas realizadas em sequ\u00eancia \u00e0s pr\u00e1ticas de cuidado de sentir e pensar. O momento da fala circula entre aquelas que desejam expressar sua experi\u00eancia na roda e convidamos cada mulher a falar na primeira pessoa quando for expressa suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, pensamentos, sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos pr\u00f3prios. Convidamos o EU para o centro da roda com aten\u00e7\u00e3o e cuidado coletivo para a escuta interessada e acolhedora, entendendo tamb\u00e9m o EU no contexto coletivo da fam\u00edlia e da comunidade e n\u00e3o como separa\u00e7\u00e3o das outras pessoas que integram o c\u00edrculo de afeto e pertencimento, como Paule Marshall descreve: \u201cA habilidade de reconhecer a continuidade de algu\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a uma comunidade maior. Focar no&nbsp;<em>EU pessoal<\/em>&nbsp;porque existe um&nbsp;<em>EU mais abrangente<\/em>. \u201cEu sou porque n\u00f3s somos\u201d, nos ensina a sabedoria Ubuntu. Ao inv\u00e9s de definir o EU em oposi\u00e7\u00e3o aos outros, a conectividade entre indiv\u00edduos permite que as mulheres negras possam ter autodefini\u00e7\u00f5es mais profundas e mais significativas\u201d e transcender o confinamento das opress\u00f5es de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e sexualidade que se intersecionam. Assim, internalizando para externalizar a sua verdade sobre si mesma, a partir de uma consci\u00eancia autodefinida enquanto uma esfera de liberdade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/mulheres_ilustracao_Lidia_Rodrigues.jpeg\" alt=\"mulheres ilustracao Lidia Rodrigues\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica da escuta cuidadosa e presente, esvaziada de julgamentos e aconselhamentos, cultivamos o ambiente interno e entre n\u00f3s na rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, seguran\u00e7a que sustenta o campo energ\u00e9tico da jornada e fortalece os v\u00ednculos pol\u00edticos afetivos dentro do movimento de mulheres feministas, reconhecendo o autocuidado e cuidado coletivo como uma semente que alimenta o corpo das mulheres, gerando e renovando a for\u00e7a vital para mais coes\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e unidade na luta popular feminista e camponesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O v\u00ednculo \u00e9 fortalecido na conviv\u00eancia e maior proximidade umas das outras, realizamos pr\u00e1ticas de cuidado em duplas, sustentando o olhar, olhos nos olhos, cora\u00e7\u00e3o com cora\u00e7\u00e3o, formando uma linha conectiva atrav\u00e9s do contato visual, do toque com permiss\u00e3o, das m\u00e3os energizadas e da respira\u00e7\u00e3o sincronizada, conduzimos juntas um processo profundo de reconhecimento. Acolhimento de si mesma e das outras transmite confian\u00e7a, alivia tens\u00f5es e constr\u00f3i apoio m\u00fatuo ao encostar uma costa na outra e soltar o corpo cuidando de si e sem sobrecarregar a outra. \u00c9 criado um contato fino e delicado onde prestamos aten\u00e7\u00e3o a nossa respira\u00e7\u00e3o e da companheira e sentimos os movimentos dos corpos respirando juntos, no contato apraz\u00edvel que ressoa a satisfa\u00e7\u00e3o e o prazer de cuidado de si e cuidar da outra sem sobrecarga, sem obriga\u00e7\u00e3o, sem opress\u00e3o. Por amor, com respeito e reconhecimento profundo do que somos juntas, somos mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Temos transformado n\u00f3s mesmas e as rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cada encontro, as mulheres se envolvem e se permitem mais nas pr\u00e1ticas de cuidado, gostam muito dos conte\u00fados propostos. Superam dificuldades emocionais, de intera\u00e7\u00e3o social e de limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas moment\u00e2neas e permanentes. Participam de todas as atividades, se sentindo mais confiantes com o aprendizado do pr\u00f3prio corpo durante a jornada de cuidado. A intera\u00e7\u00e3o nas atividades com todas unidas tr\u00e1s motiva\u00e7\u00e3o, se encontram felizes, renovadas, motivadas e mais decididas.&nbsp;&nbsp;As mulheres relatam estarem dormindo melhor, melhorado o humor e reproduzindo tamb\u00e9m em casa os exerc\u00edcios e pr\u00e1ticas de cuidados di\u00e1rias, trazendo&nbsp;benef\u00edcio&nbsp;a sa\u00fade f\u00edsica, emocional, mental e igualmente ao controle f\u00edsico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/ilustracao_cuidado_entre_activistas2.jpg\" alt=\"ilustracao cuidado entre activistas2\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crescente consci\u00eancia corporal estimula o autoconhecimento e traz as mulheres para a a\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da autorregula\u00e7\u00e3o emocional e f\u00edsica atrav\u00e9s do contato mais presente e atencioso com a respira\u00e7\u00e3o.&nbsp;A entrega total nas atividades propostas traz tamb\u00e9m retornos pessoais incr\u00edveis a cada uma das mulheres que garante e transparece&nbsp;livre, leve e solta o prazer que o autocuidado e cuidado coletivo possibilita e cultiva entre n\u00f3s. Algumas afirmam ser quase um orgasmo de t\u00e3o bom e relaxante. Relatam ter melhorado a diurese, a intimidade e o conhecimento das limita\u00e7\u00f5es do corpo, quebrando tabus e autoconfian\u00e7a \u201cperdendo a vergonha e se entregando\u201d. Todas dizem da vontade de aprender mais, memorizar os exerc\u00edcios e seguir praticando para tamb\u00e9m poder repassar o aprendizado e a experi\u00eancia para outras mulheres. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante toda a jornada, composta por tr\u00eas ciclos, somando seis encontros durante os 70 dias de Laborat\u00f3rio, estabelecemos a T\u00e9cnica de Redu\u00e7\u00e3o de Estresse entre Mulheres, a TREM, como pr\u00e1tica permanente realizada em todos os encontros da jornada de cuidado. A inten\u00e7\u00e3o foi que a TREM ficasse memorizada e experimentada de forma coletiva para que de forma aut\u00f4noma cada mulher possa praticar em casa e no MST entre as companheiras de luta. Levar a TREM para a vida enquanto um recurso de autocuidado e cuidado coletivo e pr\u00e1tica de forma aut\u00f4noma e independente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a jornada de cuidado, a cada encontro, era oferecido dois espa\u00e7os simult\u00e2neo para realiza\u00e7\u00e3o da TREM \u2013 um grupo que praticou a sequ\u00eancia de exerc\u00edcios de p\u00e9 e deitada e outro grupo que praticou a TREM sentada, direcionada para acolher necessidades de aten\u00e7\u00e3o e movimentos mais suaves, devagar e com adapta\u00e7\u00f5es importantes para cada corpo. Os dois espa\u00e7os funcionaram conectados, trazendo al\u00edvio e abrindo espa\u00e7os de seguran\u00e7a para relaxar o corpo, confiando no apoio e nos tremores com seus poderosos efeitos de libera\u00e7\u00e3o para permitir que o fluxo da vida siga naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 na rela\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s que tudo se experimenta. Celebramos a colheita. Celebramos a autotransforma\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, celebramos os aprendizados que o corpo trouxe a cada mulher, celebramos o sentir, celebramos nossas preciosidades garimpadas e reconhecidas em n\u00f3s mesmas, celebramos o al\u00edvio que sentimos juntas atrav\u00e9s do cuidado com partilha e escuta das experi\u00eancias vivenciadas, celebramos a cria\u00e7\u00e3o coletiva e poderosa da varinha que faz circula o poder da fala e a certeza da escuta e emana entre n\u00f3s confian\u00e7a, amor compassivo, mobiliza a for\u00e7a do grupo, da coopera\u00e7\u00e3o, da realiza\u00e7\u00e3o, da generosidade, traz habilidade de conduzir processos, reunir esfor\u00e7os, energia de renova\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o. Celebramos a jornada de cuidado. Celebramos a n\u00f3s mesmas, nossas amizades, nossas conex\u00f5es, o carinho que buscamos e que recebemos de cada uma de n\u00f3s. Na verdade, as mulheres n\u00e3o mais existiriam se n\u00e3o cont\u00e1ssemos umas com as outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reconhecemos o corpo territ\u00f3rio pol\u00edtico de cuidado!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cEm sil\u00eancio, duas mulheres ensimesmadas sonham com uma cadeira de balan\u00e7o sob a luz do sol. O stress delas \u00e9 como o blues, como uma melancolia. Tem p\u00e9s e dentes. Enquanto elas se balan\u00e7am levemente, sempre devagarzinho, movendo-se suavemente para frente e para tr\u00e1s, o stress pisa de mansinho nos pr\u00f3prios joanetes e deixa as mulheres em paz. Elas tiram um cochilo. Doces sorrisos d\u00e3o contorno \u00e0s suas bocas; rugas em suas testas se alisam com suavidade. Elas sonham que caminham sobre a \u00e1gua, atirando flechas como faziam suas ancestrais que eram guerreiras. Esse balan\u00e7o prossegue enquanto as mulheres continuam sonhando\u201d. Opal Palmer Adisa<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Territorios%20de%20Cuidado%20Luta%20e%20Sustentacao%20da%20Vida\/LAB-DF-MST\/ana-primavesi5-2025.jpg\" alt=\"ana primavesi5 2025\"\/><\/figure>\n\n\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_3412\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3412\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 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