{"id":612,"date":"2023-10-18T18:13:43","date_gmt":"2023-10-18T21:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2023\/10\/18\/violar-mulheres-e-uma-tactica-de-guerra\/"},"modified":"2023-10-18T18:13:43","modified_gmt":"2023-10-18T21:13:43","slug":"violar-mulheres-e-uma-tactica-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=612","title":{"rendered":"Violar mulheres \u00e9 uma t\u00e1ctica de guerra"},"content":{"rendered":"<p>Torturar mulheres \u00e9 separar fam\u00edlias e espalhar o horror nas comunidades. N\u00e3o \u00e9 um devaneio dos militares, \u00e9 uma arma de guerra. Assim \u00e9 em Israel, assim foi no Ruanda, na Lib\u00e9ria ou no Congo.<\/p>\n<div class=\"story__meta\">\n<div class=\"avatar-list\" aria-hidden=\"true\">\n<div class=\"flex-media flex-media--square\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1847090?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=72&amp;h=72&amp;act=cropResize\" sizes=\"4.5em\" srcset=\"https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1847090?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=72&amp;h=72&amp;act=cropResize 72w,\n                                                        https:\/\/imagens.publico.pt\/imagens.aspx\/1847090?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;type=PNG&amp;w=114&amp;h=114&amp;act=cropResize 144w\" alt=\"Catarina Marques Rodrigues\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"byline\">\n<address class=\"byline__author\"><a title=\"Mais artigos de Catarina Marques Rodrigues\" href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www.publico.pt\/autor\/catarina-marques-rodrigues\" target=\"_parent\" rel=\"author\"><span class=\"byline__name\">Catarina Marques Rodrigues<\/span><\/a><\/address>\n<p class=\"byline__description\">Jornalista especialista em direitos das mulheres e fundadora do Gender Calling. Autora da TED Talk &#8220;Na Primeira P\u00e1gina&#8221; e formadora em igualdade de g\u00e9nero na Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde.<\/p>\n<\/div>\n<p><time class=\"dateline\" datetime=\"Wed, 18 Oct 2023 07:05:00 GMT\">18 de Outubro de 2023, 8:05<\/time><\/div>\n<div class=\"alerts-toggle\">\u00a0<\/div>\n<figure class=\"story__media story__media media media--image media--action\" data-media-action=\"modal\" aria-label=\"media\">\n<p>H\u00e1 muitas formas de martirizar uma popula\u00e7\u00e3o. Uma das mais antigas \u2014 e mais eficazes \u2014 \u00e9 torturar as suas mulheres, com aquilo que h\u00e1 de mais abjecto, miser\u00e1vel e desumano: a viol\u00eancia sexual. Assim nos dita o historial de alguns dos conflitos mais sangrentos da hist\u00f3ria. Segundo dados de ag\u00eancias da ONU, foram violadas entre 100 mil e 250 mil mulheres e raparigas no genoc\u00eddio de 1994 no Ruanda, mais de 60 mil mulheres foram violadas durante a guerra civil na Serra Leoa (1991-2002), mais de 40 mil na Lib\u00e9ria e, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, s\u00e3o pelo menos 200 mil as mulheres violadas desde 1996.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o os dados existentes, mas sabemos que o\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www.publico.pt\/2023\/05\/04\/sociedade\/entrevista\/violacao-materia-interesse-publico-nao-apenas-dominio-vida-privada-vitimas-2048271?ref=violacao&amp;cx=page__content\" target=\"_parent\">crime de viola\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 um dos que mais beneficia do sil\u00eancio das v\u00edtimas\/sobreviventes. Muitos dos casos nunca chegam a ser acrescentados \u00e0s estat\u00edsticas, devido ao choque, \u00e0 vergonha, ao estigma social, ao medo e a tantas quest\u00f5es que aprisionam as mulheres a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi no s\u00e1bado, 7 de Outubro, que o grupo terrorista Hamas bombardeou Israel, deixando centenas de mortos. Logo come\u00e7aram as buscas por v\u00edtimas, sobreviventes, por n\u00fameros e\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www.publico.pt\/2023\/10\/11\/p3\/perguntaserespostas\/explicador-comecou-conflito-israelpalestina-sao-colonatos-2066347\" target=\"_parent\">contexto<\/a>. E era s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 come\u00e7ar a barb\u00e1rie de sacrificar mulheres e crian\u00e7as para desestabilizar fam\u00edlias, grupos de amigos e para espalhar o horror.<\/p>\n<p>Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social,<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/middle-east\/israeli-forensic-teams-describe-signs-torture-abuse-2023-10-15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0surgem not\u00edcias<\/a>\u00a0de raparigas israelitas violadas ao lado dos corpos dos seus amigos, de mulheres mortas mutiladas e nuas da cintura para baixo. Um cen\u00e1rio de terror, de redu\u00e7\u00e3o da mulher a um objecto a ser pisado, a quem \u00e9 retirada toda e qualquer dignidade.<\/p>\n<aside class=\"story__callout story__callout--quote \" aria-hidden=\"true\">\n<blockquote>\n<div>\u201cO medo da viola\u00e7\u00e3o deixa as mulheres ref\u00e9ns de homens e das suas ordens insanas\u201d<\/div>\n<footer><\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p>A viol\u00eancia sexual n\u00e3o \u00e9 um acaso nem \u00e9 um devaneio dos soldados\u00a0\u2014\u00a0\u00e9 uma t\u00e1ctica de guerra. Recordando alguns relat\u00f3rios internacionais, encontrei esta frase de Patrick Cammaert, antigo comandante da ONU na opera\u00e7\u00e3o na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo: \u201cNum conflito armado, \u00e9 provavelmente mais perigoso ser mulher do que ser soldado\u201d.<\/p>\n<aside class=\"ad-slot ad-slot--sticky show-for-small\">\n<div class=\"ad-slot--sticky-wrapper\">\n<div id=\"pub_4\" class=\"pubVert pubtxt show-for-small\" data-ad-pos=\"BTFVert1\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Al\u00e9m do trauma f\u00edsico, psicol\u00f3gico e emocional deixado pelo acto, o impacto estende-se \u00e0 comunidade e \u00e9 aqui que os violadores actuam. Estes actos levam a gravidezes indesejadas, infec\u00e7\u00f5es com VIH e outras doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, colocam um enorme estigma nestas mulheres e, na jun\u00e7\u00e3o de tudo isto, destroem fam\u00edlias, separam comunidades, aterrorizam a popula\u00e7\u00e3o. O medo da viola\u00e7\u00e3o deixa as mulheres ref\u00e9ns de homens e das suas ordens insanas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Guerra da Ucr\u00e2nia h\u00e1 relatos do uso da viola\u00e7\u00e3o como forma de espalhar o terror: circulou no in\u00edcio de Janeiro deste ano uma hist\u00f3ria de soldados russos que tinham violado uma mulher de 22 anos, m\u00e3e, abusaram sexualmente do seu marido e obrigaram o casal a ter rela\u00e7\u00f5es sexuais em frente a eles, antes de violarem a filha de quatro anos. Faltam-me palavras para descrever este cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?ref=&amp;q=https:\/\/www.publico.pt\/2022\/04\/23\/mundo\/entrevista\/violacao-crime-guerra-mulheres-disseram-preferiam-morrido-2003409\" target=\"_parent\">viola\u00e7\u00e3o em contexto de conflito<\/a>\u00a0\u00e9 considerada um crime de guerra, mas \u00e9 um factor poucas vezes referido nas negocia\u00e7\u00f5es de paz, por exemplo. Ao longo dos anos, vemos o reconhecimento de v\u00e1rios tribunais internacionais e at\u00e9 algumas acusa\u00e7\u00f5es a serem feitas, quase sempre sem puni\u00e7\u00e3o. O impacto arrasta-se no tempo e estende-se por gera\u00e7\u00f5es. Vive na mulher abusada e vive naqueles que est\u00e3o \u00e0 volta dela.<\/p>\n<footer id=\"story-footer\" class=\"story__footer\">\n<div class=\"ad-slot ad-slot--double\">\n<div class=\"ad-slot__wrapper\">\n<div class=\"pubVert BtnFixo\" data-ad-pos=\"BTFVert99\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>fonte: https:\/\/www.publico.pt\/2023\/10\/18\/p3\/cronica\/violar-mulheres-tactica-guerra-2067006<\/p>\n<\/figure>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_612\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"612\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Torturar mulheres \u00e9 separar fam\u00edlias e espalhar o horror nas comunidades. N\u00e3o \u00e9 um devaneio dos militares, \u00e9 uma arma de guerra. Assim \u00e9 em Israel, assim foi no Ruanda, na Lib\u00e9ria ou no Congo.<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[483],"tags":[536,577,579,578],"class_list":["post-612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-direitos-humanos","tag-estupro","tag-guerra","tag-violencia-sexual"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/612\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}