{"id":648,"date":"2023-11-07T13:58:39","date_gmt":"2023-11-07T16:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2023\/11\/07\/portugues-como-acolhimento-pertencer-pelo-idioma\/"},"modified":"2023-11-07T13:58:39","modified_gmt":"2023-11-07T16:58:39","slug":"portugues-como-acolhimento-pertencer-pelo-idioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=648","title":{"rendered":"Portugu\u00eas como acolhimento: pertencer pelo idioma"},"content":{"rendered":"<p>Essa expans\u00e3o de horizontes havia sido iniciada, anteriormente, com a descoloniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de territ\u00f3rios africanos e o consequente fluxo diasp\u00f3rico rumo \u00e0 ex-metr\u00f3pole lusitana<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-rasgado-1\" class=\"pub-hor\" data-google-query-id=\"CNXFxPCssoIDFTSblQId6LoDTA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/opiniao\/internas_4__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"responsive-img\"><picture><source media=\"(max-width: 767px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/01\/360x240\/1_element5_digital_jcimcopfhig_unsplash-6592444.jpg?20230704124702?20230704124702 360w\" \/><source media=\"(max-width: 1365px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/01\/675x450\/1_element5_digital_jcimcopfhig_unsplash-6592444.jpg?20230704124702?20230704124702 675w\" \/><source media=\"(min-width: 1366px)\" data-srcset=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/01\/360x240\/1_element5_digital_jcimcopfhig_unsplash-6592444.jpg?20230704124702?20230704124702 820w\" \/><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/01\/675x450\/1_element5_digital_jcimcopfhig_unsplash-6592444.jpg?20230704124702?20230704124702\" alt=\"Com o ingresso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, Portugal recebe mais grupos da regi\u00e3o oriental da Europa, na compara\u00e7\u00e3o com as na\u00e7\u00f5es africanas -  (cr\u00e9dito: Element5 Digital\/Unsplash)\" width=\"685\" height=\"470\" class=\"cb-article-destaque\" title=\"Com o ingresso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, Portugal recebe mais grupos da regi\u00e3o oriental da Europa, na compara\u00e7\u00e3o com as na\u00e7\u00f5es africanas -  (cr\u00e9dito: Element5 Digital\/Unsplash)\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2021\/04\/01\/675x450\/1_element5_digital_jcimcopfhig_unsplash-6592444.jpg?20230704124702?20230704124702\" loading=\"eager\" \/><\/picture>\n<div class=\"responsive-img-caption\"><small>Com o ingresso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, Portugal recebe mais grupos da regi\u00e3o oriental da Europa, na compara\u00e7\u00e3o com as na\u00e7\u00f5es africanas &#8211; (cr\u00e9dito: Element5 Digital\/Unsplash)<\/small><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"orientacao_autor\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"item\">\n<div class=\"sigla\"><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/Sebasti%C3%A3o-Rinaldi---opini%C3%A3o\/page\/1\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/frontend\/dist\/assets\/img\/icons\/apple-touch-icon-76x76.png\" alt=\"Foto de perfil do autor(a) Sebasti\u00e3o Rinaldi - opini\u00e3o\" class=\"foto-autor-responsivo\" \/><\/a><\/div>\n<div id=\"2750\" class=\"name\">Sebasti\u00e3o Rinaldi &#8211; Correio Braziliense<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"date\"><small>postado em 07\/11\/2023 06:01<\/small><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">Em 1986, Portugal passava a fazer parte da Uni\u00e3o Europeia (\u00e0 \u00e9poca, CEE), o que aproximava a na\u00e7\u00e3o ib\u00e9rica desse bloco, tornando-se, ainda mais, um destino para migrantes do continente antigo em busca de nova resid\u00eancia. Essa expans\u00e3o de horizontes havia sido iniciada, anteriormente, com a descoloniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de territ\u00f3rios africanos e o consequente fluxo diasp\u00f3rico rumo \u00e0 ex-metr\u00f3pole lusitana.<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-1\" class=\"pub-ret\" data-google-query-id=\"CIHW2fGssoIDFVaFlQIdiXoDqw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/opiniao\/internas_9__container__\">Paralelamente, no fim dos anos de 1980, com a queda do Muro de Berlim e a dissolu\u00e7\u00e3o do regime sovi\u00e9tico, muitos cidad\u00e3os do Leste Europeu partiram rumo ao norte e ao oeste. Portugal passou a acolher nacionalidades de origens distintas e, como o dom\u00ednio de um novo idioma \u00e9 um dos anseios comuns aos migrantes, ao lado da empregabilidade e do acesso \u00e0 moradia, passou-se a falar, ainda nos anos de 1990, sobre o conceito de l\u00edngua de acolhimento.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">Uma das precursoras dessa terminologia \u00e9 Maria Helena An\u00e7\u00e3 (Universidade de Aveiro), ao defender que \u201co dom\u00ednio da l\u00edngua \u00e9 seguramente a via mais poderosa para a integra\u00e7\u00e3o social, para a igualdade de oportunidades e para o exerc\u00edcio da plena cidadania\u201d. Com o ingresso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, Portugal recebe mais grupos da regi\u00e3o oriental da Europa, na compara\u00e7\u00e3o com as na\u00e7\u00f5es africanas. Independente da nacionalidade, falamos aqui de fluxos diasp\u00f3ricos com um fundo pol\u00edtico \u2014 e em muitos casos, involunt\u00e1rios. Ou seja, a l\u00edngua a ser aprendida n\u00e3o \u00e9 necessariamente desejada ou sequer conhecida, adotando para si a fun\u00e7\u00e3o de uma tecnologia de acolhida humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"texto\">Trazendo o eixo para os tr\u00f3picos, o Brasil \u00e9 uma das economias mais estabelecidas da Am\u00e9rica Latina e, a despeito de suas turbul\u00eancias sist\u00eamicas, tornou-se destino de muitos vizinhos de continente, como venezuelanos, bolivianos, peruanos, haitianos, colombianos, e de refugiados do outro lado do Atl\u00e2ntico, como afeg\u00e3os, congoleses, nigerianos e marroquinos. No Instituto Adus, onde sou professor de Portugu\u00eas como L\u00edngua de Acolhimento (PLAc) desde 2017, mais de 65 nacionalidades e 17.000 pessoas foram atendidas desde 2010, ano de funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Como o eixo pedag\u00f3gico \u00e9 um dos pilares que norteiam a Ong, a ado\u00e7\u00e3o de bons materiais did\u00e1ticos n\u00e3o pode decepcionar. Desde meu ingresso, usamos uma apostila pr\u00f3pria, intitulada Conectadus, elaborada por uma pesquisadora de PLAc, a Giselda Pereira. Para al\u00e9m desse conte\u00fado, emprego outros livros, como o Pode entrar (publica\u00e7\u00e3o do Acnur), o Portas abertas, elaborado pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo, a cartilha de exerc\u00edcios Fala &amp; A\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m de Giselda Pereira, e o Entre n\u00f3s \u2013 Portugu\u00eas com refugiados (grifo para o uso da preposi\u00e7\u00e3o \u201ccom\u201d e n\u00e3o \u201cpara\u201d).<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-2\" class=\"pub-ret\" data-google-query-id=\"CN7osvSssoIDFeeDlQIdZhwJmA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/opiniao\/internas_10__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">Na pr\u00e1tica, para quem se interessa em enveredar-se pelo campo, h\u00e1 nuances a serem consideradas, como dar aulas com \u00eanfase em situa\u00e7\u00f5es reais e contextualizadas (compras em mercados e farm\u00e1cias, recorr\u00eancia a servi\u00e7os de sa\u00fade, acesso \u00e0 moradia e ao transporte) e refor\u00e7ar aspectos culturais e peculiaridades, mantendo uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 gram\u00e1tica, \u00e0 fon\u00e9tica e ao vocabul\u00e1rio. Ademais, o uso de jogos pode ser eficaz, bem como a indica\u00e7\u00e3o de aplicativos gratuitos de not\u00edcias e de aprendizagem gamificada.<\/p>\n<p class=\"texto\">Um dos pontos mais imprescind\u00edveis em uma aula de PLAc \u00e9, possivelmente, o emprego de refer\u00eancias customizadas. Em uma turma com nigerianos, pode ser interessante introduzir algumas palavras originadas do iorub\u00e1, como ca\u00e7ula, cochilar, moleque e ca\u00e7amba, que usamos em nosso portugu\u00eas. Se o grupo for de s\u00edrios, vale citar que existe uma vasta comunidade dessa nacionalidade no Brasil, fazendo com que eles se sintam mais acolhidos.<\/p>\n<div id=\"cb-publicidade-teads-inread-1x1\" data-google-query-id=\"CPzavPSssoIDFXSilQIdqSQDaA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/teads-inread-1x1_0__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">Ainda nessa rela\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias emp\u00edricas, faz-se importante listar cuidados a serem tomados e comportamentos a serem combatidos, como perguntar o motivo que lhes trouxe ao Brasil ou quest\u00f5es mais \u00edntimas sobre seus familiares, valer-se de refer\u00eancias \u00e0s quais me refiro como capitalizadas (por exemplo, dar uma aula sobre um restaurante que seja menos acess\u00edvel ou sobre atividades culturais, como um show de um artista renomado, que tenham marcadores sociais envolvidos), aceitar ou conceder qualquer tipo de bonifica\u00e7\u00e3o material \u2014 salvo raras situa\u00e7\u00f5es, como mutir\u00f5es para arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos \u2014 e evitar uma abordagem piedosa \u2014 afinal, as pessoas querem ser acolhidas e n\u00e3o se sentirem ainda mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>*Sebasti\u00e3o Rinaldi&nbsp;\u00e9 Jornalista e professor de Portugu\u00eas como L\u00edngua de Acolhimento (PLAc) no Instituto Adus&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2023\/11\/6651339-portugues-como-acolhimento-pertencer-pelo-idioma.html\">https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2023\/11\/6651339-portugues-como-acolhimento-pertencer-pelo-idioma.html<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_648\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"648\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 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