{"id":656,"date":"2023-11-13T10:46:07","date_gmt":"2023-11-13T13:46:07","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2023\/11\/13\/brasil-projeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradicionais\/"},"modified":"2023-11-13T10:46:07","modified_gmt":"2023-11-13T13:46:07","slug":"brasil-projeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=656","title":{"rendered":"BRASIL: Projeto valoriza brincadeiras de comunidades tradicionais"},"content":{"rendered":"<p>Ao todo, oito escolas p\u00fablicas e comunit\u00e1rias s\u00e3o atendidas em quatro cidades baianas<\/p>\n<div class=\"mw-article-head-info\"><span class=\"mw-article-data mw-default-gray\"><abbr title=\"mw-article-date\"><strong>Publicado&nbsp;<\/strong>segunda-feira, 13 de novembro de 2023<\/abbr>&nbsp;<abbr title=\"mw-article-update\" data-last-version-date=\"&quot;2023-11-12T19:51:22-03:00&quot;\">\u00e0s 05:00 h&nbsp;<\/abbr><abbr title=\"mw-article-author\">| Autor:&nbsp;<strong>Renato Alban &#8211; jornal A TARDE (Salvador, Bahia, Brasil)<\/strong><\/abbr><\/span><\/p>\n<div>\n<div class=\"mw-social\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1248597\" data-wf-figure=\"1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1240000\/1200x0\/Projeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradi0124859700202311121949-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1240000%2FProjeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradi0124859700202311121949.jpg%3Fxid%3D6015117%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1699862414&amp;xid=6015117\" alt=\"No Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas, crian\u00e7as aprendem sobre o bacund\u00ea-bacund\u00ea, que parece pique-esconde\" data-cls \/><\/figure>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">No Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas, crian\u00e7as aprendem sobre o bacund\u00ea-bacund\u00ea, que parece pique-esconde &#8211;&nbsp;<label class=\"mw-image-author\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o | Joelma Antunes<\/label><\/span><\/div>\n<div class=\"mw-article-general-options\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mw-ad mw-ad2x2 fix2x2\">\n<div id=\"banner-300x250-area\">&nbsp;<\/div>\n<div id=\"dp-h-dimagem\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CPyoiZCNwYIDFRtPuAQdm3gMrg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_1__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<section class=\"mw-article-body\">\n<article data-article-id=\"1248597\">\n<p>Pula-macaco, bacund\u00ea-bacund\u00ea, jaca pir\u00e3o e corrida de marac\u00e1 s\u00e3o algumas das brincadeiras que o projeto Ciranda do Brincar busca valorizar e difundir. Criado no ano passado por um coletivo social, a iniciativa escuta idosos de comunidades tradicionais e passa o aprendizado das pr\u00e1ticas a crian\u00e7as dos grupos e tamb\u00e9m de fora.&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, brincadeiras de povos ind\u00edgenas, quilombolas, pesqueiros e de comunidades de terreiro foram catalogadas numa cartilha pedag\u00f3gica, replicadas em oficinas e registradas em uma webs\u00e9rie. O projeto atende oito escolas p\u00fablicas e comunit\u00e1rias em quatro cidades baianas. As atividades come\u00e7aram no dia 1\u00ba de novembro e seguem at\u00e9 o fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 do coletivo Assessoria Cirandas, que tem 14 anos de atua\u00e7\u00e3o no combate ao racismo e na defesa de povos tradicionais. A proposta \u00e9 utilizar a brincadeira como pr\u00e1tica pedag\u00f3gica e, assim, promover a valoriza\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o das culturas das comunidades tradicionais. Al\u00e9m da Bahia, o coletivo tem projetos no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Para\u00edba.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par1\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CPm-iZCNwYIDFZiIlQIdtkgCiA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_2__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cO Ciranda do Brincar nasce de uma escuta de comunidades tradicionais desses estados com a inten\u00e7\u00e3o de saber como contribuir com o fortalecimento delas\u201d, afirma o coordenador do coletivo, o assistente social Jo\u00e3o Paulo Diogo. Segundo ele, ao conversar com as pessoas mais idosas das comunidades, o coletivo percebeu a import\u00e2ncia das brincadeiras.<\/p>\n<p>\u201cOs mais velhos comentaram como essas pr\u00e1ticas tinham gerado repert\u00f3rio para serem o que s\u00e3o hoje em dia, como aprenderam mais sobre lideran\u00e7a e sobre os c\u00f3digos culturais do territ\u00f3rio. Entendemos isso como uma ferramenta muito potente\u201d, diz Jo\u00e3o Paulo. Com o aux\u00edlio de educadores, o coletivo criou o projeto.<\/p>\n<p>As oficinas com brincadeiras tradicionais das comunidades est\u00e3o sendo desenvolvidas em escolas no Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas; na aldeia ind\u00edgena Patax\u00f3-H\u00e3h\u00e3h\u00e3e, no munic\u00edpio de Pau Brasil; nos terreiros Banda L\u00ea Kongo e Abasi de Yans\u00e3, ambos em Juazeiro; e na comunidade pesqueira Quilombo Alto do Toror\u00f3, em Salvador.<\/p>\n<p><strong>Heran\u00e7a cultural<\/strong><\/p>\n<div id=\"dp-v-par2\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"COnQiZCNwYIDFR-ElQId9psKZQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_3__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p>L\u00edder do Quilombo Quingoma, o primeiro do Brasil, Rejane Rodrigues reconhece a import\u00e2ncia da retomada das pr\u00e1ticas l\u00fadicas. \u201cS\u00e3o viv\u00eancias do cotidiano que, se as crian\u00e7as n\u00e3o tiveram, os pais vivenciaram e, dessa forma, essas brincadeiras se tornam imortais. Atrav\u00e9s delas podemos perpetuar a nossa cultura\u201d, afirma Rejane.<\/p>\n<p>Para a educadora quilombola, \u201co conhecimento liberta\u201d: \u201cPor meio do conhecimento, podemos nos reafirmar e entender o sujeito preto, qual \u00e9 essa identidade e preservar a heran\u00e7a cultural\u201d. Para Rejane, com crian\u00e7as, esse trabalho \u00e9 mais f\u00e1cil de ser realizado do que com adultos. \u201cEles brincam no barro e entendem de onde vieram\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAqui, n\u00f3s forjamos as crian\u00e7as para que sejam o bichinho da goiaba, aquele que diverge, o elo transformador\u201d, diz a l\u00edder quilombola. O trabalho, afirma, resulta em uma invers\u00e3o de pap\u00e9is. \u201cN\u00e3o s\u00f3 o adulto transforma a crian\u00e7a, mas o contr\u00e1rio tamb\u00e9m acontece\u201d. Para Rejane, o principal resultado do projeto \u00e9 o senso comunit\u00e1rio que une e fortalece os membros dessas culturas.<\/p>\n<p>Coordenadora pedag\u00f3gica do Ciranda do Brincar, a psicopedagoga Sonia Dias tem aplicado a cartilha do projeto na escola comunit\u00e1ria Luiza Mahin, em Salva dor, onde trabalha h\u00e1 20 anos. \u201cAs brincadeiras do Ciranda foram pensadas para realizar um resgate em territ\u00f3rios, inclusive para professores\u201d, diz ela.<\/p>\n<div id=\"dp-v-par3\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"COneiZCNwYIDFWmFlQId8wAPsw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100,22666819895\/atarde_multize_4__container__\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p>Para a psicopedagoga, um dos principais impactos do projeto na Luiza Mahin em um ano de aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o de estudantes com alguma defici\u00eancia, seja ela intelectual, auditiva, psicossocial, visual ou m\u00faltipla. \u201cEspecialmente com crian\u00e7as com autismo, \u00e9 atrav\u00e9s da brincadeira que a gente se apresenta e que vemos a mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo explica que a inclus\u00e3o e a acessibilidade no brincar foram discutidas no desenvolvimento do projeto. \u201cDesenvolvemos uma metodologia que pensa e conta a hist\u00f3ria desses territ\u00f3rios de comunidades tradicionais e permite trazer a narrativa de inclus\u00e3o\u201d, destaca o coordenador.<\/p>\n<p>A cataloga\u00e7\u00e3o das brincadeiras durou quatro meses. \u201cPassamos esse tempo nos territ\u00f3rios escutando os mais velhos e vendo as crian\u00e7as brincando. Os mais velhos contavam as brincadeiras que queriam no livro e n\u00f3s registr\u00e1vamos\u201d.<\/p>\n<p>Entre as brincadeiras, Jo\u00e3o Paulo cita a bacund\u00ea-bacund\u00ea, que \u00e9 semelhante a um pique-esconde, no Quilombo do Quingoma. \u201c\u00c9 uma brincadeira que surge na \u00e9poca da escraviza\u00e7\u00e3o, quando os mais velhos ensinavam as crian\u00e7as a fugir e a se esconder\u201d. J\u00e1 na brincadeira Petrolina x Juazeiro, o \u201cvivo ou morto\u201d d\u00e1 lugar \u00e0 alus\u00e3o da famosa fronteira entre Pernambuco e Bahia.<\/p>\n<p>Na cartilha, ap\u00f3s a explica\u00e7\u00e3o da brincadeira, o coletivo traz sugest\u00f5es para acessibilidade e inclus\u00e3o. Na corrida de marac\u00e1s, por exemplo, o revezamento do instrumento tradicional dos povos patax\u00f3s n\u00e3o pode ter obst\u00e1culos, para incluir estudantes cadeirantes, e os locais de passagem do objeto devem ser sinalizados com bandeiras, para informar a quem tem defici\u00eancia auditiva. \u201cSe o brincar \u00e9 direito das crian\u00e7as, ent\u00e3o todas devem ter esse direito\u201d, defende a psicopedagoga Sonia.<\/p>\n<p><strong>Fora do campo virtual<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto importante que estimulou a cria\u00e7\u00e3o do projeto foi gerar experi\u00eancias fora do campo virtual para as crian\u00e7as. \u201cHoje, as pessoas pouco brincam, pouco t\u00eam contato, o aprendizado de ganhar e perder, por exemplo, est\u00e1 se apagando, hoje est\u00e1 muito associado aos jogos virtuais\u201d, analisa Jo\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para o assistente social, os celulares e outras m\u00eddias, abundantes dentro das comunidades tradicionais, devem servir como via para o aprendizado e n\u00e3o como objetivo final. \u201cO mundo virtual n\u00e3o compromete a din\u00e2mica comunit\u00e1ria, o contato pessoal ainda \u00e9 muito forte\u201d, conta o coordenador do coletivo. Essa din\u00e2mica, assim como as brincadeiras, foram registradas numa webs\u00e9rie.<\/p>\n<p>Com o mesmo nome do projeto, Ciranda do Brincar, a s\u00e9rie de quatro v\u00eddeos foi lan\u00e7ada no Quilombo do Quingoma no \u00faltimo dia 1\u00ba e est\u00e1 dispon\u00edvel no YouTube. A diretora, Dayse Porto, explica que o objetivo do registro foi \u201cdocumentar mem\u00f3rias interagindo com a atualidade\u201d.<\/p>\n<p>Na webs\u00e9rie, \u00e9 destacada a rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas mais idosas das comunidades com as crian\u00e7as, \u201cfazendo essa ponte entre os tempos\u201d, diz Dayse. No filme, a protagonista, a atriz-mirim Mayanna Aleixo, apresenta as brincadeiras junto com educadores e lideran\u00e7as das comunidades tradicionais. \u201cEla fez amizade em todos os lugares que visitamos\u201d, conta a diretora.<\/p>\n<p>Com a veicula\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios em unidades escolares, o objetivo do coletivo \u00e9 que as brincadeiras de comunidades tradicionais cheguem a mais crian\u00e7as. \u201cA ideia \u00e9 que seja exibido em escolas p\u00fablicas e d\u00ea suporte para professores em sala de aula\u201d, afirma a diretora da webs\u00e9rie.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/atarde.com.br\/muito\/projeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradicionais-1248597\">https:\/\/atarde.com.br\/muito\/projeto-valoriza-brincadeiras-de-comunidades-tradicionais-1248597<\/a><\/p>\n<\/article>\n<\/section>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_656\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"656\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 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