{"id":675,"date":"2023-12-20T14:10:53","date_gmt":"2023-12-20T17:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2023\/12\/20\/o-racismo-e-uma-presenca-real-na-medicina-brasileira-e-mundial\/"},"modified":"2023-12-20T14:10:53","modified_gmt":"2023-12-20T17:10:53","slug":"o-racismo-e-uma-presenca-real-na-medicina-brasileira-e-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=675","title":{"rendered":"O racismo \u00e9 uma presen\u00e7a real na medicina brasileira e mundial"},"content":{"rendered":"<p>M\u00f4nica Mendes Gon\u00e7alves repercute pesquisa cujos resultados mostraram que, entre os anos de 2010 e 2021, as pessoas negras foram as que mais sofreram algum tipo de incidente durante procedimentos m\u00e9dicos<\/p>\n<ul class=\"meta ospm-default clr\">\n<li class=\"meta-cat\"><span class=\"screen-reader-text\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/span><\/li>\n<li class=\"meta-comments\"><i class=\"icon-link\" aria-hidden=\"true\"><\/i><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/?p=713850\"><\/a><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/?p=713850\">https:\/\/jornal.usp.br\/?p=713850<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"caixad\">\n<div id=\"post-data-id\"><span class=\"post-data-css\">Publicado: 20\/12\/2023<\/span><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p><strong><span class=\"autor\">Por <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/author\/felipe-bueno\/\" rel=\"author\" title=\"Posts de Felipe Bueno*\" itemprop=\"author\" itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/Person\">Felipe Bueno*<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-racismo-e-uma-presenca-real-na-medicina-brasileira-e-mundial\/attachment\/20231219_saude_populacao-negra\/\" rel=\"attachment wp-att-714046\" class=\"no-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231219_saude_populacao-negra.jpg?resize=1200%2C630&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231219_saude_populacao-negra.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" 20231219_saude_populacao-negra=\"\" \/><\/a><br \/><span style=\"font-size: 10pt;\">Capa do programa de Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (PNSIPN) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no combate \u00e0s<\/span><br \/><span style=\"font-size: 10pt;\">desigualdades no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u2013 Ilustra\u00e7\u00e3o: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/ieps.org.br\/boletim-care-ieps-03-2023\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa<\/a>&nbsp;realizada pelo <a href=\"https:\/\/ieps.org.br\/quem-somos-ieps-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade (IEPS),<\/a> em conjunto com o <a href=\"https:\/\/www.institutocare.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto \u00c7ar\u00ea,<\/a> apontou que, entre os anos de 2010 e 2021, as pessoas negras foram as que mais sofreram algum tipo de incidente durante procedimentos m\u00e9dicos. Esses incidentes s\u00e3o caracterizados como condi\u00e7\u00f5es hospitalares adquiridas de forma indesej\u00e1vel e n\u00e3o intencional durante a interna\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>Com base no recorte \u00e9tnico-racial, o Boletim \u00c7ar\u00ea-IEPS apontou a queda no n\u00famero geral desses acontecimentos ao longo dos anos, o que pode indicar melhorias na gest\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o ou, ent\u00e3o, um aumento na subnotifica\u00e7\u00e3o. Por conta de desigualdades nas taxas, \u00e9 destacada a necessidade de maior atua\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas promovidas pela <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (PNSIPN)<\/a>, a fim de tratar das disparidades e promover o acesso equitativo \u00e0 sa\u00fade \u2014 independentemente de ra\u00e7a ou cor.&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00f4nica Mendes Gon\u00e7alves, doutoranda na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da Universidade de S\u00e3o Paulo, afirma que o racismo na medicina \u00e9 realizado a partir de um conjunto de normas e regras burocr\u00e1ticas, que n\u00e3o dizem respeitar \u00e0 ra\u00e7a, mas que incidem sobre esses grupos sociais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<h2><b>O racismo velado<\/b><\/h2>\n<p>Segundo M\u00f4nica, a identifica\u00e7\u00e3o de casos de racismo na medicina \u00e9 realizada a partir da jun\u00e7\u00e3o de duas ferramentas, uma quantitativa e outra qualitativa. A primeira se d\u00e1 por meio do advento da epidemiologia \u2014 an\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o e dos fatores determinantes das enfermidades \u2014 que com as estat\u00edsticas das popula\u00e7\u00f5es, cruzadas com as estat\u00edsticas em sa\u00fade, permite entender quais indiv\u00edduos adoecem mais e os motivos para tal.<\/p>\n<p>Por exemplo, durante a pandemia da covid-19 no Brasil, a taxa de letalidade da doen\u00e7a nos negros foi de 55%, enquanto nos brancos foi de 38%. Outro dado que evidencia esse cen\u00e1rio \u00e9 o que indica que o risco de uma pessoa negra apresentar quadro de depress\u00e3o no Pa\u00eds \u00e9 praticamente o dobro de uma pessoa branca.<\/p>\n<p>J\u00e1 as produ\u00e7\u00f5es qualitativas, desenvolve a doutoranda, s\u00e3o um conjunto de ferramentas e de narrativas que investigam os itiner\u00e1rios em sa\u00fade \u2014 o caminho percorrido pelo indiv\u00edduo durante o tratamento, desde a identifica\u00e7\u00e3o da enfermidade. \u201cQuando soma-se esse conjunto de ferramentas e de evid\u00eancias, que vem desses dois tipos de pesquisas, tem-se muitas evid\u00eancias que mostram que o racismo \u00e9 um dos determinantes primordiais da sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo todo\u201d, discorre.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dela, o erro m\u00e9dico \u00e9 um evento racial e a pessoa submetida a isso tem dificuldade em conseguir argumentar o contr\u00e1rio. Ela diz que o sujeito pobre, da periferia, que n\u00e3o possui direitos trabalhistas, costuma ser atendido por profissionais que n\u00e3o esclarecem a sua condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e \u00e9 o racismo que determina essa realidade.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica utiliza, como exemplo, um caso de seu doutorado, sobre um jovem da zona norte de S\u00e3o Paulo, que teve seus dedos amputados por conta de um acidente no local de trabalho: \u201cO rapaz vai para um hospital, depois de uma hora o m\u00e9dico diz que n\u00e3o pode fazer nada, porque n\u00e3o tem raio X. Vai para outro, em que ocorre a mesma coisa de n\u00e3o ter o aparelho. Por fim, ele vai para um terceiro, em que a\u00ed ele \u00e9 acolhido e fazem pela primeira vez um curativo nele\u201d. No entanto, ela complementa que, neste \u00faltimo hospital, havia pessoas esperando por cirurgias a meses e, diante desse cen\u00e1rio, o jovem fugiu.<\/p>\n<p>A especialista ainda comenta sobre relatos que apontam que pessoas negras n\u00e3o conseguem mobilizar cuidados na sa\u00fade da mesma forma que as brancas conseguem. Ela discorre sobre pesquisas que evidenciam o cen\u00e1rio em que, ao realizar um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico de um indiv\u00edduo, de modo geral o negro \u00e9 dirigido para um servi\u00e7o substitutivo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental e, para o n\u00e3o negro, apenas s\u00e3o receitados medicamentos \u2013 mesmo que possuam o mesmo diagn\u00f3stico.<\/p>\n<h2><b>Mudan\u00e7as no paradigma<\/b><\/h2>\n<p>\u201cAcho que \u00e9 correto dizer que uma das principais vias a partir da quais as pol\u00edticas raciais se estruturam na sa\u00fade \u00e9 a omiss\u00e3o.\u201d M\u00f4nica explica que isso ocorre pelo fato de n\u00e3o existir um olhar privilegiado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas e vulner\u00e1veis nos processos de distribui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Ela cita o maior investimento na aten\u00e7\u00e3o hospitalar em detrimento da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, que propicia a precariza\u00e7\u00e3o desse servi\u00e7o no qual a maior parte dos indiv\u00edduos pobres possui acesso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/20210809_monicamendes.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/20210809_monicamendes.png?w=400&amp;ssl=1 400w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" \/><\/p>\n<p>M\u00f4nica Mendes Gon\u00e7alves \u2013 Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>Segundo a doutoranda, \u00e9 uma burocracia estabelecida que inviabiliza que a maioria dos trabalhadores pretos e pobres tenha acesso \u00e0 sa\u00fade. Isso se d\u00e1 desde o trato interpessoal at\u00e9 os arranjos institucionais \u2014 hor\u00e1rio de funcionamento dos servi\u00e7os, tr\u00e2mite para realiza\u00e7\u00e3o de exames, arranjos pol\u00edticos, localiza\u00e7\u00e3o de pronto-socorro, presen\u00e7a de maquin\u00e1rio, tudo isso \u00e9 em benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o branca elitizada.<\/p>\n<p>\u201cO que significa que 80% dos transplantados no Brasil sejam homens brancos? Contr\u00e1rio ao fato de que, por exemplo, transplante de cora\u00e7\u00e3o ocorre, basicamente, s\u00f3 nesses indiv\u00edduos, mas as pessoas que mais sofrem de doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o os homens negros\u201d, questiona a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de M\u00f4nica, para mudar o racismo na sa\u00fade \u00e9 necess\u00e1rio mudar todas as esferas sociais em todo o mundo, visto que, assim como no Brasil, essas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o identificadas nos Estados Unidos, \u00c1frica do Sul, na Am\u00e9rica Latina e em outros continentes. Al\u00e9m disso, outras popula\u00e7\u00f5es, como os povos origin\u00e1rios, tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nessa desigualdade racial, inserida na educa\u00e7\u00e3o e no mercado de trabalho, igualmente.<\/p>\n<p>De acordo com ela, deve ser implementado um conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas que direcione sa\u00fade para essas popula\u00e7\u00f5es e pense a sua l\u00f3gica a partir dos territ\u00f3rios vulnerabilizados. No Brasil, nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, menos de 40% da sociedade possui saneamento b\u00e1sico \u2014 item necess\u00e1rio para a qualidade de vida de um indiv\u00edduo.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe a gente investe em um hospital de verdade, n\u00e3o em um hospital enorme que por dentro n\u00e3o tem nada, e coloca equipamento dentro desse local, essa popula\u00e7\u00e3o negra consegue ser assistida\u201d, garante a doutoranda, que ressalta que o racismo tem o car\u00e1ter de englobar um aglomerado de setores, portanto, as a\u00e7\u00f5es devem ser articuladas; \u201cpor exemplo, a sa\u00fade n\u00e3o funciona sem educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2><b>Alian\u00e7a estrutural<\/b><\/h2>\n<p>O racismo institucional, de acordo com a especialista, funciona a partir da alian\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o branca, na qual o monop\u00f3lio de poder ocupa todas as inst\u00e2ncias sociais \u2014 um pacto social coletivo \u2013 para exclus\u00e3o dos negros. Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina apontou que somente 3% dos m\u00e9dicos no Brasil s\u00e3o negros. \u201cV\u00e3o sendo institu\u00eddos para que isso funcione como mecanismo de exclus\u00e3o, porque, se um deles come\u00e7a a falhar, a arquitetura toda se abala. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o desimportante assim que esses profissionais sejam brancos e muito racistas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica utiliza o termo \u201cburaco negro\u201d ao se referir a casos nos quais o indiv\u00edduo, por conta dos tr\u00e2mites que n\u00e3o s\u00e3o explicados a ele, perdura por determinado tempo estagnado no tratamento e muitas vezes n\u00e3o consegue realizar o exame que lhe \u00e9 necess\u00e1rio. Diante disso, a pessoa desiste do procedimento e adoece cada vez mais.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista da comprova\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno, isso j\u00e1 est\u00e1 absolutamente confirmado e ratificado. Se tiver um m\u00ednimo conhecimento de cren\u00e7a nas perspectivas cient\u00edficas e estiver minimamente atento ao mundo, j\u00e1 tem isso confirmado, n\u00e3o nos faltam dados pol\u00edtica, estat\u00edstica e cientificamente fundamentados para entender\u201d, desenvolve M\u00f4nica.<\/p>\n<p>Por fim, ela disserta que o racismo est\u00e1 sendo constru\u00eddo, fomentado e rearticulado h\u00e1 cinco s\u00e9culos, por meio do conjunto de tecnologias sociais implementadas em diferentes lugares do mundo, com o objetivo de subordinar e dominar as popula\u00e7\u00f5es negras: \u201cA gente deve pensar nisso como uma transforma\u00e7\u00e3o global, que precisa levar tempo e precisa de muita a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, radical e incans\u00e1vel direcionada para isso\u201d.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/enfrentar-o-racismo-na-medicina-passa-pelo-acolhimento-imediato-das-vitimas\/\"><\/a><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/enfrentar-o-racismo-na-medicina-passa-pelo-acolhimento-imediato-das-vitimas\/\">https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/enfrentar-o-racismo-na-medicina-passa-pelo-acolhimento-imediato-das-vitimas\/<\/a><\/p>\n<p><em>*Sob supervis\u00e3o de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira<\/em><\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<p><strong>Jornal da USP no Ar&nbsp;<\/strong><br \/><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/editorias\/radio-usp\/jornal-da-usp-no-ar\/\">Jornal da USP no Ar<\/a>&nbsp;\u00e9 uma parceria da <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/radio\/\">R\u00e1dio USP<\/a> com a Escola Polit\u00e9cnica e o Instituto de Estudos Avan\u00e7ados. No ar, pela Rede USP de R\u00e1dio, de segunda a sexta-feira: 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o das 7h30 \u00e0s 9h, com apresenta\u00e7\u00e3o de Roxane R\u00e9, e demais edi\u00e7\u00f5es \u00e0s 14h, 15h e \u00e0s 16h45. Em Ribeir\u00e3o Preto, a edi\u00e7\u00e3o regional vai ao ar das 12 \u00e0s 12h30, com apresenta\u00e7\u00e3o de Mel Vieira e Ferraz Junior. Voc\u00ea pode sintonizar a R\u00e1dio USP em S\u00e3o Paulo FM 93.7, em Ribeir\u00e3o Preto FM 107.9, pela internet em <a href=\"https:\/\/www.jornal.usp.br\">www.jornal.usp.br<\/a> ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-racismo-e-uma-presenca-real-na-medicina-brasileira-e-mundial\/\">https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-racismo-e-uma-presenca-real-na-medicina-brasileira-e-mundial\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_675\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"675\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 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