{"id":679,"date":"2024-01-16T17:23:44","date_gmt":"2024-01-16T20:23:44","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/01\/16\/as-criancas-indigenas-vao-adiar-o-fim-do-mundo-diz-educadora-rita-potiguara\/"},"modified":"2024-01-16T17:23:44","modified_gmt":"2024-01-16T20:23:44","slug":"as-criancas-indigenas-vao-adiar-o-fim-do-mundo-diz-educadora-rita-potiguara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=679","title":{"rendered":"As crian\u00e7as ind\u00edgenas v\u00e3o adiar o fim do mundo, diz educadora Rita Potiguara"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong>, a educadora falou sobre os desafios da <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/627517-pisando-em-pantufas-o-desconforto-da-educacao-escolar-indigena-em-mato-grosso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">educa\u00e7\u00e3o para os ind\u00edgenas<\/a>, a luta para proteger as crian\u00e7as pertencentes aos povos origin\u00e1rios. Ela tamb\u00e9m destacou o alerta para o futuro dos <strong>Yanomami<\/strong>.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de&nbsp;<strong>Leanderson Lima<\/strong>, publicada por <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/as-criancas-vao-adiar-o-fim-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Amaz\u00f4nia Real<\/a>, 12-01-2024.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/582061-indios-a-tragica-educacao-ofertada-pelo-estado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena<\/a> nas pol\u00edticas p\u00fablicas do pa\u00eds \u00e9 um dos maiores desafios nas demandas dos povos origin\u00e1rios. Apesar de iniciativas e projetos implementados no passado, muitas reivindica\u00e7\u00f5es ainda precisam ser atendidas. Nesta luta por um ensino escolar ind\u00edgena est\u00e1 a professora <strong>Rita Potiguara<\/strong>, de 54 anos, cujo povo origin\u00e1rio vive no sert\u00e3o do <strong>Cear\u00e1<\/strong>. <strong>Rita<\/strong> nasceu na aldeia <strong>S\u00e3o Jos\u00e9<\/strong>, em <strong>Crat\u00e9us<\/strong>. A cidade, como ela define, tem uma face multi\u00e9tnica, povoada por ciganos, quilombolas e povos ind\u00edgenas de diferentes etnias, como <strong>Guarani<\/strong>, <strong>Tabajara<\/strong>, <strong>Tupinamb\u00e1<\/strong>, al\u00e9m dos pr\u00f3prios <strong>Potiguara<\/strong>.<\/p>\n<p>Em final de 2023, <strong>Rita Potiguara<\/strong> participou do <strong>10\u00ba Simp\u00f3sio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Inf\u00e2ncia<\/strong>, um evento promovido pelo <strong>N\u00facleo Ci\u00eancia pela Inf\u00e2ncia<\/strong>, uma organiza\u00e7\u00e3o composta por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. Durante o evento, do qual a <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong> tamb\u00e9m esteve presente, <strong>Rita<\/strong> falou sobre sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a <strong>educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena<\/strong>. Ela tamb\u00e9m concedeu uma entrevista \u00e0 ag\u00eancia durante o simp\u00f3sio. Em janeiro de 2014, <strong>Rita<\/strong> voltou a conversar com a reportagem. As duas partes da entrevista est\u00e3o reunidas nesta reportagem.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2024\/01\/16_01_rita_potiguara_sentada_foto_pedro_franca_amazonia_real.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Sentada e com as m\u00e3os cruzadas sobre as pernas, a educadora Rita Potiguara participa do10\u00ba Simp\u00f3sio<br \/>(Foto: Pedro Fran\u00e7a | Amaz\u00f4nia Real).<\/p>\n<\/div>\n<p>Na conversa, ela falou sobre como come\u00e7ou sua atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, o pioneirismo em v\u00e1rias \u00e1reas e as dificuldades e desafios que enfrenta e da necessidade de continuar lutando para derrubar barreiras. <strong>Rita<\/strong> tamb\u00e9m destacou sobre a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/630744-crise-sanitaria-e-humanitaria-na-ti-yanomami-seis-meses-apos-a-declaracao-de-emergencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crise humanit\u00e1ria que impacta o povo Yanomami<\/a> causada pela atividade de garimpo. \u201cEu acompanho a situa\u00e7\u00e3o dos <strong>Yanomami<\/strong> h\u00e1 muito tempo. Desde que sou gestora das pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Rita Potiguara<\/strong> se descreve como \u201cmulher ind\u00edgena, m\u00e3e, tia, tia-av\u00f3, professora, gestora de pol\u00edticas p\u00fablicas e pesquisadora\u201d. Ela lembra que foi na educa\u00e7\u00e3o que encontrou a voca\u00e7\u00e3o de sua vida. O caminho foi longo.<\/p>\n<p>Do come\u00e7o como monitora de creche at\u00e9 chegar ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (<strong>MEC<\/strong>), onde foi conselheira entre os anos de 2010 a 2016; al\u00e9m de ter atuado como gestora na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o (<strong>Secadi MEC<\/strong>), como coordenadora de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena e diretora de pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e de educa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00f5es etno-raciais, o que fez dela uma lideran\u00e7a do povo <strong>Potiguara<\/strong>.<\/p>\n<p>Atualmente, <strong>Rita<\/strong> \u00e9 diretora da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (<strong>Flacso<\/strong>), em <strong>Bras\u00edlia<\/strong>. Na Flacso, ela \u00e9 coordenadora do programa de estudos e pesquisas sobre povos ind\u00edgenas, que estuda <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/600569-proteger-os-direitos-das-criancas-indigenas-e-garantir-a-demarcacao-dos-territorios-afirma-jovem-guarani-kaiowa-na-onu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">inf\u00e2ncias ind\u00edgenas<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar dos problemas que a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena enfrenta, <strong>Rita<\/strong> n\u00e3o desanima. \u201c\u00c9 um sonho, \u00e9 um desejo. \u00c9 um \u2018esperan\u00e7ar\u2019 que eu tenho. Que n\u00f3s todos cuidemos das crian\u00e7as, de todas as crian\u00e7as, e no meu caso, especialmente, cuidemos das crian\u00e7as ind\u00edgenas\u201d, diz <strong>Rita<\/strong>. Leia a seguir trechos da entrevista concedida \u00e0 <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong>.<\/p>\n<h2>Eis a entrevista.<\/h2>\n<p><strong>Como a senhora tem acompanhado a situa\u00e7\u00e3o dos Yanomami, que \u00e9 um assunto frequente nas suas discuss\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s ficamos bastante otimistas com a interven\u00e7\u00e3o do governo federal. O governo federal, na pessoa do presidente <strong>Lula<\/strong> e toda a sua equipe, est\u00e1 empreendendo esfor\u00e7os para, de fato, ajudar a resolver esse problema que \u00e9 <strong>hist\u00f3rico<\/strong>. Esse problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos \u00faltimos anos, ele vem se arrastando h\u00e1 muito tempo. N\u00f3s ficamos [contentes] tamb\u00e9m com a cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625228-como-funcionara-o-inedito-ministerio-dos-povos-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas<\/a> e de uma atua\u00e7\u00e3o de uma ind\u00edgena na <strong>Funai<\/strong> [Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas]. <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/635153-sonia-guajajara-diz-que-posicao-da-frente-agropecuaria-sobre-lei-do-marco-temporal-esta-na-contramao-dos-acordos-climaticos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00f4nia Guajajara<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/630746-vida-e-batalhas-de-joenia-wapichana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Joenia Wapichana<\/a>, respectivamente. \u00c9 importante que tenha a atua\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os que tocam a <strong>pol\u00edtica indigenista<\/strong>, mas esses \u00f3rg\u00e3os sozinhos n\u00e3o v\u00e3o poder fazer muita coisa.<\/p>\n<p>Eles v\u00e3o ter que estar extremamente articulados com os outros \u00f3rg\u00e3os, por exemplo, na quest\u00e3o espec\u00edfica da educa\u00e7\u00e3o, com o <strong>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, com as secretarias estaduais e municipais de Educa\u00e7\u00e3o, porque n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, elegemos a educa\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia importante para a nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. \u00c9 atrav\u00e9s da <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/589252-cerca-de-18-mil-indigenas-de-roraima-estao-sem-ir-a-escola-este-ano-e-diretor-do-mec-fala-em-contingenciamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">educa\u00e7\u00e3o<\/a> que a gente, de fato, pode exercer o <strong>protagonismo<\/strong> no sentido de que a gente, quando passa pela escola, adquire as habilidades necess\u00e1rias para estar em p\u00e9 de <strong>igualdade<\/strong> com as pessoas n\u00e3o ind\u00edgenas, sobretudo quando se ocupa lugares de poder que s\u00e3o estrat\u00e9gicos, que s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Sobre as inf\u00e2ncias ind\u00edgenas, especialmente as inf\u00e2ncias do povo <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/612903-sob-bolsonaro-yanomami-tem-o-maior-indice-de-mortes-por-desnutricao-infantil-do-pais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Yanomami<\/a>, todos n\u00f3s ficamos extremamente comovidos, doloridos e revoltados com a situa\u00e7\u00e3o de <strong>descaso<\/strong> e de abandono em que as <strong>crian\u00e7as<\/strong> ianom\u00e2mis estiveram durante esse tempo inteiro. \u00c9 necess\u00e1rio ter de fato um envolvimento no caso, n\u00e3o s\u00f3 do governo, mas de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com os Yanomami?<\/strong><\/p>\n<p>Acompanho a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/635829-fotos-ineditas-mostram-que-desnutricao-ainda-atinge-criancas-yanomami\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">situa\u00e7\u00e3o dos Yanomami<\/a> h\u00e1 muito tempo. Desde que eu sou gestora das pol\u00edticas de <strong>educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena<\/strong>, ent\u00e3o eu conhe\u00e7o a realidade <strong>Yanomami<\/strong>. Fui em reuni\u00e3o com eles, fui em reuni\u00e3o representando o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, fui em reuni\u00e3o representando universidades, na condi\u00e7\u00e3o de pesquisadora. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a minha trajet\u00f3ria de gestora p\u00fablica e de pesquisadora e tamb\u00e9m de lideran\u00e7a no campo da educa\u00e7\u00e3o, por parte do <strong>F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/strong>, que eu sou uma das coordenadoras. Conhe\u00e7o a realidade Yanomami. O que me deixou mais [chocada] \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/631402-nos-ainda-estamos-sofrendo-seis-meses-da-emergencia-sanitaria-associacoes-yanomami-e-ye-kuana-analisam-acoes-do-novo-governo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00e3o assist\u00eancia<\/a>, na verdade. A gente tem escola criada que n\u00e3o funciona, que n\u00e3o tem estrutura. A gente tem v\u00e1rias comunidades que n\u00e3o t\u00eam escola. Eles [<strong>Yanomami<\/strong>] solicitam que as escolas sejam criadas, ou que as escolas criadas, que j\u00e1 tem, funcionem de fato.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 poss\u00edvel apoiar as crian\u00e7as Yanomami?<\/strong><\/p>\n<p>Os <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/626440-os-yanomami-continuam-morrendo-emergencia-completou-1-mes-longe-de-acabar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Yanomami<\/a> est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de crise e no momento de crise somente a coparticipa\u00e7\u00e3o, a colabora\u00e7\u00e3o de todos os setores da sociedade, de todas as pessoas individualmente tamb\u00e9m, porque cada um de n\u00f3s temos um poder, um <strong>micro poder<\/strong>, como diz <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/620946-o-poder-os-valores-morais-e-o-intelectual-entrevista-com-michel-foucault\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Michel Foucault<\/a> (1926-1984), pensador franc\u00eas, a gente tamb\u00e9m pode ajudar a resolver essa situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 de fato muito gritante, muito violenta e que leva de fato com que a comunidade <strong>Yanomami<\/strong> venha a sofrer e a ter esse cen\u00e1rio que n\u00f3s pudemos acompanhar de forma bastante cr\u00edtica, de forma bastante. Que not\u00edcias temos tido nos \u00faltimos anos de como estamos cuidando das crian\u00e7as? Por exemplo, que 70 <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625972-criancas-yanomami-foram-as-maiores-vitimas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crian\u00e7as ind\u00edgenas Yanomami<\/a> morreram nos \u00faltimos quatro anos. Morrem quase 13 vezes mais, por causas evit\u00e1veis, do que a m\u00e9dia nacional. A mortalidade infantil entre os <strong>Yanomami<\/strong> se compara \u00e0s maiores taxas do mundo, por exemplo, como a da <strong>\u00c1frica subsaariana<\/strong>.<\/p>\n<p>Outra not\u00edcia tamb\u00e9m que fica dif\u00edcil a gente alcan\u00e7ar esse esperan\u00e7ar que eu tenho, esse desejo, quando a gente diz que a maioria das <strong>escolas Yanomami<\/strong> n\u00e3o tem pr\u00e9dio, que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 precar\u00edssima. De acordo com relat\u00f3rio do <strong>MEC<\/strong>, publicado na <strong>Folha de S. Paulo<\/strong>, a maior parte das escolas dos Yanomami est\u00e1 fechadas. As escolas s\u00e3o criadas, t\u00eam professores, inclusive contratados, mas n\u00e3o funcionam por algum motivo, e o motivo \u00e9 a precariedade.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora analisa hoje a situa\u00e7\u00e3o os modelos e a implementa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em todo o territ\u00f3rio brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>Lamentavelmente a gente tem acompanhado atrav\u00e9s do <strong>F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/strong>\u2026 Eu sou uma das coordenadoras nacionais do f\u00f3rum e, em que pese a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena que o pa\u00eds inteiro vem construindo ao longo dos \u00faltimos mais de 30 anos, a gente ainda n\u00e3o tem os resultados satisfat\u00f3rios como a gente merece.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o esses resultados? Eu n\u00e3o estou falando de testes padr\u00f5es, de <strong>Ideb<\/strong> (\u00cdndice de Desenvolvimento de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica), eu estou falando de <strong>qualidade de vida<\/strong>. Porque n\u00f3s achamos que as <strong>escolas ind\u00edgenas<\/strong> s\u00e3o lugares importantes dentro de uma comunidade no seguinte sentido: \u00e9 atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o que a gente pode lutar por outros <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/635268-em-novo-ataque-a-direitos-indigenas-congresso-nacional-derruba-maioria-dos-vetos-de-lula-ao-pl-2903\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">direitos<\/a>. \u00c9 na educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 na escola, que a gente aprende que temos direitos espec\u00edficos, direitos como todos os demais brasileiros e que a gente desenvolve tamb\u00e9m estrat\u00e9gias para lutar por esses direitos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a escola \u00e9 fundamental, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Mas a gente tem, infelizmente, ouvido relatos e acompanhado dados de que a qualidade da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficientemente boa, e que nem em quantidade e nem em qualidade. A gente tem ainda comunidades em que existe apenas o <strong>ensino fundamental<\/strong>, n\u00e3o existem escolas de <strong>ensino m\u00e9dio<\/strong> em todas as aldeias, em todas as comunidades. Muitos jovens ind\u00edgenas, para cursar o ensino m\u00e9dio, t\u00eam que se deslocar da sua comunidade e ir para centros urbanos e para cidades pr\u00f3ximas. Ou seja, <strong>esvazia o territ\u00f3rio<\/strong>. Sendo que o nosso desejo \u00e9 que quem gostaria e deve permanecer na comunidade que permane\u00e7a para que fa\u00e7a com que esse territ\u00f3rio seja vivo, seja pulsante.<\/p>\n<p>Entretanto, a <strong>escola<\/strong> ainda \u00e9 um dos fatores que deixa esse territ\u00f3rio enfraquecido, esse territ\u00f3rio <strong>desassistido<\/strong> porque muitas fam\u00edlias migram para outras cidades fora da sua aldeia para poder cursar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Ent\u00e3o, a gente ainda tem muito que caminhar na nossa <strong>pol\u00edtica educacional<\/strong> no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora descreve a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dentro de um contexto diferente das realidades n\u00e3o ind\u00edgenas?<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena, quando a gente fala de <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/630865-durante-governo-bolsonaro-mais-de-3-5-mil-criancas-indigenas-de-ate-4-anos-morreram-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crian\u00e7as ind\u00edgenas<\/a>, a gente tem que considerar as crian\u00e7as ind\u00edgenas em diferentes contextos. A gente tem crian\u00e7as ind\u00edgenas vivendo em terras ind\u00edgenas, tem crian\u00e7as ind\u00edgenas vivendo em comunidades que s\u00e3o urbanas, mas est\u00e3o em comunidades. Temos crian\u00e7as ind\u00edgenas que est\u00e3o ali apenas com suas fam\u00edlias frequentando escolas n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o primeiro ponto \u00e9 esse: a gente tem que pensar nessas situa\u00e7\u00f5es, em que essas crian\u00e7as se encontram, e que tipo de escola, que tipo de educa\u00e7\u00e3o, que tipo de educa\u00e7\u00e3o infantil, que tipo de <strong>cuidado<\/strong> n\u00f3s devemos ter com essas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A primeira delas \u00e9 a que a gente diz que a <strong>educa\u00e7\u00e3o infantil<\/strong> e a <strong>alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/strong> devem ser assentadas no paradigma da <strong>interculturalidade<\/strong>, porque a interculturalidade \u00e9 o projeto que n\u00f3s escolhemos para nos relacionar bem com o outro, conosco, porque n\u00f3s somos muitas etnias, aqui \u00e9 um pa\u00eds multi\u00e9tnico. O \u00faltimo <strong>Censo<\/strong> deu conta de 305 etnias, falantes de 274 <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/628046-as-linguas-indigenas-estao-adormecidas-nao-foram-extintas-diz-linguista-kokama\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">l\u00ednguas<\/a>, mas a gente escolheu o paradigma do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/608336-semana-dos-povos-indigenas-2021-povos-originarios-lutando-pela-paz-justica-e-bem-viver\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viver bem<\/a> para todo mundo, que \u00e9 a interculturalidade.<\/p>\n<p>A gente quer se relacionar, quer trocar, quer aprender com o outro. Ent\u00e3o, o tratamento adequado, o cuidado, a educa\u00e7\u00e3o com carinho, com cuidado, que todas as crian\u00e7as ind\u00edgenas merecem, \u00e9 uma <strong>educa\u00e7\u00e3o intercultural<\/strong>. Esses aspectos da interculturalidade s\u00e3o aspectos amplamente garantidos na lei, desde a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a <strong>LDB<\/strong>, as diretrizes do <strong>Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Toda a legisla\u00e7\u00e3o brasileira vai falar desse direito a essa educa\u00e7\u00e3o intercultural, embora essa interculturalidade n\u00e3o seja garantida na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Durante sua palestra no simp\u00f3sio, a senhora citou o l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak sobre como \u201cadiar o fim do mundo\u201d, que \u00e9 t\u00edtulo de um dos livros dele. Qual \u00e9 o papel das crian\u00e7as ind\u00edgenas nesta tentativa de adiar o fim do mundo que o Ailton alerta?<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as ind\u00edgenas desempenham dentro de uma comunidade e, sobretudo, dentro de uma comunidade ind\u00edgena, um papel. As crian\u00e7as ind\u00edgenas s\u00e3o importantes n\u00e3o s\u00f3 do que elas v\u00e3o se tornar, mas do que elas j\u00e1 s\u00e3o de fato. As <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/610522-criancas-indigenas-tem-o-dobro-de-risco-de-morrer-de-covid-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crian\u00e7as ind\u00edgenas<\/a>, assim como os maiores s\u00e1bios da comunidade, como s\u00e3o os paj\u00e9s, como s\u00e3o os xam\u00e3s, elas s\u00e3o <strong>portadoras de conhecimentos<\/strong>. E esses conhecimentos s\u00e3o necess\u00e1rios para o equil\u00edbrio de toda a comunidade, o equil\u00edbrio inclusive <strong>ambiental<\/strong>. A gente sabe que as crian\u00e7as Yanomami, por exemplo, s\u00e3o as maiores conhecedoras da diversidade, da <strong>fauna<\/strong> e da <strong>flora<\/strong> daquela comunidade. E elas t\u00eam essa liga\u00e7\u00e3o muito grande com o <strong>cosmo<\/strong> de modo geral e que s\u00e3o important\u00edssimas para o equil\u00edbrio dessas comunidades e para o mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>A senhora tamb\u00e9m citou outras obras, al\u00e9m do livro do Ailton Krenak: \u201cA Queda do C\u00e9u\u201d, do l\u00edder Davi Yanomami, em parceria com o antrop\u00f3logo Bruce Albert, e \u201cCrian\u00e7as ind\u00edgenas: ensaios antropol\u00f3gicos\u201d, organizado por Aracy Lopes [antrop\u00f3loga e pioneira em educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena], para ajudar a entender a import\u00e2ncia de cuidar melhor da inf\u00e2ncia ind\u00edgena. Como essas leituras ajudaram na sua forma\u00e7\u00e3o, na sua percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia das crian\u00e7as e no apoio para transmitir conhecimento?<\/strong><\/p>\n<p>O que trago dessas leituras e tamb\u00e9m da viv\u00eancia como gestora de pol\u00edticas p\u00fablicas, e pesquisadora que eu sou, tr\u00eas afirmativas: A primeira delas \u00e9 que as <strong>crian\u00e7as ind\u00edgenas<\/strong>, assim como os xam\u00e3s, evitam a \u2018<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/570809-o-incomparavel-olhar-yanomami-de-davi-kopenawa-entrevista-especial-com-jose-antonio-kelly-luciani\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">queda do c\u00e9u<\/a>\u2019. A queda do c\u00e9u \u00e9 inevit\u00e1vel, principalmente, por conta do modelo de desenvolvimento que n\u00f3s escolhemos. Precisamos pensar em um outro modelo de desenvolvimento socioambiental que considere todos os seres na sua plenitude. As crian\u00e7as ind\u00edgenas v\u00e3o ajudar a \u201c<strong>adiar o fim do mundo<\/strong>\u201d. E o terceiro, n\u00e3o menos importante, \u00e9 que cuidar das crian\u00e7as ind\u00edgenas \u00e9 garantir o nosso <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/592947-em-edicao-cacique-raoni-minha-fala-e-para-o-bem-viver-nao-ofendo-ninguem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bem viver<\/a>. Voc\u00eas sabem que a gente est\u00e1 aqui na terra para viver bem e viver bem \u00e9 o objetivo de todos n\u00f3s, e todos n\u00f3s temos uma grande <strong>responsabilidade<\/strong> na constru\u00e7\u00e3o desse bem viver e as crian\u00e7as ind\u00edgenas t\u00eam um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o desse bem viver e na presen\u00e7a cotidiana que \u00e9 esse bem viver para todo o mundo, para todos n\u00f3s\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na obra da <strong>Aracy<\/strong> tem estudos do pessoal da antropologia que pesquisam sobre a tem\u00e1tica das <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/593561-quase-30-das-criancas-indigenas-com-menos-de-5-anos-sofrem-de-desnutricao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">inf\u00e2ncias ind\u00edgenas<\/a>, das crian\u00e7as ind\u00edgenas, t\u00eam experi\u00eancias de realidades de como \u00e9 que vivem determinadas crian\u00e7as em determinados contextos. S\u00e3o estudos te\u00f3ricos e tamb\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o contextual de determinado povo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Como iniciou sua jornada na educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Comecei como monitora de creche, da\u00ed fui cursando a <strong>\u00fanica faculdade<\/strong> que n\u00f3s t\u00ednhamos na cidade, que era uma faculdade de pedagogia. Me formei como professora, passei no concurso p\u00fablico e passei a ingressar nos quadros do magist\u00e9rio do estado do <strong>Cear\u00e1<\/strong>, como professora concursada. E da\u00ed fui para a <strong>Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Cear\u00e1<\/strong>, onde assumi, junto com um grupo de profissionais, a equipe de <strong>educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena<\/strong> e ainda na d\u00e9cada de 1990 a gente organizou a <strong>pol\u00edtica<\/strong> por l\u00e1. E depois disso fiz mestrado, doutorado com a tem\u00e1tica <strong>ind\u00edgena<\/strong>, pesquisei forma\u00e7\u00e3o de professores, pr\u00e1tica pedag\u00f3gica de professores.<\/p>\n<p>Assumi como representante ind\u00edgena, o <strong>Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, fui conselheira, representando os professores ind\u00edgenas. Tivemos no meu conselho a defini\u00e7\u00e3o de diretrizes importantes para a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena. Fiquei de 2012 at\u00e9 2019, data da exist\u00eancia da <strong>Secadi<\/strong> [Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o]. Em 2019 a Secadi foi extinta, como diretoria de pol\u00edticas p\u00fablicas, e uma dessas pol\u00edticas era a educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena. Ent\u00e3o tem uma trajet\u00f3ria no campo da educa\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena muito grande.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora analisa o cabo de guerra que se tornou a quest\u00e3o do Marco Temporal das terras ind\u00edgenas?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s entendemos que \u00e9 cen\u00e1rio de disputa. Quando o <strong>Partido dos Trabalhadores<\/strong> saiu do poder e entrou a <strong>extrema direita<\/strong>, gestando o Pa\u00eds, as discuss\u00f5es ficaram mais polarizadas. Os lugares de debate, os lugares de di\u00e1logo e de trocas foram <strong>extintos<\/strong>. Com esse cen\u00e1rio atual estamos tendo muitas dificuldades porque, de fato, a gente est\u00e1 recompondo lugares, inclusive lugares de negocia\u00e7\u00e3o, que para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, s\u00e3o muito importantes, e que foram nos tirados.<\/p>\n<p>De modo geral, o resultado do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/635723-marco-temporal-volta-ao-stf-com-tres-acoes-diferentes-e-gilmar-mendes-relator-entenda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">marco temporal<\/a>, \u00e9 o resultado ainda do cen\u00e1rio brasileiro pol\u00edtico que a gente est\u00e1 vivendo. Ainda tem muita <strong>luta<\/strong> e n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, estamos firmes e fortes e resistentes para continuar no <strong>di\u00e1logo<\/strong> e na luta, que \u00e9 uma luta cotidiana, \u00e9 uma luta de <strong>resist\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p>As nossas organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, o que chamamos de <strong>movimento ind\u00edgena<\/strong>, tem que continuar a apresentar as suas demandas e, portanto, v\u00e3o tentar questionar essa lei.. O movimento n\u00e3o pode parar em uma situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel aos povos ind\u00edgenas. A <strong>Apib<\/strong> (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil) est\u00e1 cumprindo o seu papel pol\u00edtico e institucional de recorrer, de criticar, de tentar construir alian\u00e7as que possam reverter essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Leia mais<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/627517-pisando-em-pantufas-o-desconforto-da-educacao-escolar-indigena-em-mato-grosso\">Pisando em pantufas: o desconforto da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena em Mato Grosso<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/582061-indios-a-tragica-educacao-ofertada-pelo-estado\">\u00cdndios: a tr\u00e1gica Educa\u00e7\u00e3o \u201cofertada\u201d pelo Estado<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/169-noticias-2015\/549837-professores-indigenas-criam-forum-nacional-de-educacao-escolar-indigena\">Professores Ind\u00edgenas criam F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/589252-cerca-de-18-mil-indigenas-de-roraima-estao-sem-ir-a-escola-este-ano-e-diretor-do-mec-fala-em-contingenciamento\">Cerca de 18 mil ind\u00edgenas de Roraima est\u00e3o sem ir \u00e0 escola este ano e diretor do MEC fala em contingenciamento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/607095-estudantes-indigenas-querem-uma-universidade-que-valorize-diversidade-coletividade-e-espiritualidade\">Estudantes ind\u00edgenas querem uma universidade que valorize diversidade, coletividade e espiritualidade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/630865-durante-governo-bolsonaro-mais-de-3-5-mil-criancas-indigenas-de-ate-4-anos-morreram-no-brasil\">Durante governo Bolsonaro, mais de 3,5 mil crian\u00e7as ind\u00edgenas de at\u00e9 4 anos morreram no Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/593561-quase-30-das-criancas-indigenas-com-menos-de-5-anos-sofrem-de-desnutricao\">Quase 30% das crian\u00e7as ind\u00edgenas com menos de 5 anos sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/610522-criancas-indigenas-tem-o-dobro-de-risco-de-morrer-de-covid-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Crian\u00e7as ind\u00edgenas t\u00eam o dobro de risco de morrer de Covid no Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/630744-crise-sanitaria-e-humanitaria-na-ti-yanomami-seis-meses-apos-a-declaracao-de-emergencia\">Crise sanit\u00e1ria e humanit\u00e1ria na TI Yanomami: seis meses ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/626073-pode-se-falar-de-crime-de-genocidio-no-quadro-de-mortandade-atual-yanomami-em-roraima\">Pode-se falar de crime de genoc\u00eddio no quadro de mortandade atual Yanomami em Roraima?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625781-yanomamis-em-pele-e-ossos-chocam-o-mundo\">Yanomamis em pele e ossos chocam o mundo. Artigo de Edelberto Behs<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625944-rolex-tiffany-bulgari-e-o-ouro-do-sangue-yanomami\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rolex, Tiffany, Bulgari e o \u2018ouro do sangue\u2019 Yanomami<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/617755-garimpo-ilegal-traz-fome-doenca-e-exploracao-sexual-para-territorio-yanomami-diz-estudo\">Garimpo ilegal traz fome, doen\u00e7a e explora\u00e7\u00e3o sexual para Territ\u00f3rio Yanomami, diz estudo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625907-yanomami-ontem-hoje-e-amanha-artigo-de-missionarios-do-cimi\">Yanomami ontem, hoje e amanh\u00e3. Artigo de mission\u00e1rios do Cimi<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625903-por-um-tribunal-russel-sobre-o-genocidio-yanomami-artigo-de-tarso-genro-e-marcelo-carneiro-da-cunha\">Por um \u2018Tribunal Russel\u2019 sobre o genoc\u00eddio Yanomami. Artigo de Tarso Genro e Marcelo Carneiro da Cunha<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625897-etnocidio-yanomami-e-ecocidio-amazonico\">Etnoc\u00eddio Yanomami e Ecoc\u00eddio Amaz\u00f4nico<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625845-genocidio-yanomami-gera-primeiro-movimento-humanitario-de-reconstrucao-do-brasil\">Genoc\u00eddio Yanomami gera primeiro movimento humanit\u00e1rio de reconstru\u00e7\u00e3o do Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625839-yanomamis-o-papel-do-autoritarismo-e-dos-militares\">Yanomamis: o papel do autoritarismo e dos militares<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/625820-yanomami-tragedia-humanitaria-anunciada-nota-da-associacao-brasileira-de-antropologia\">Yanomami: trag\u00e9dia humanit\u00e1ria anunciada. Nota da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/612903-sob-bolsonaro-yanomami-tem-o-maior-indice-de-mortes-por-desnutricao-infantil-do-pais\">Sob Bolsonaro, Yanomami tem o maior \u00edndice de mortes por desnutri\u00e7\u00e3o infantil do pa\u00eds<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/636013-as-criancas-indigenas-vao-adiar-o-fim-do-mundo-diz-educadora-rita-potiguara\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/636013-as-criancas-indigenas-vao-adiar-o-fim-do-mundo-diz-educadora-rita-potiguara\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/636013-as-criancas-indigenas-vao-adiar-o-fim-do-mundo-diz-educadora-rita-potiguara<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_679\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"679\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong>, a educadora falou sobre os desafios da <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/627517-pisando-em-pantufas-o-desconforto-da-educacao-escolar-indigena-em-mato-grosso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">educa\u00e7\u00e3o para os ind\u00edgenas<\/a>, a luta para proteger as crian\u00e7as pertencentes aos povos origin\u00e1rios. Ela tamb\u00e9m destacou o alerta para o futuro dos <strong>Yanomami<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[467],"tags":[576,545,683,684,682,685,686],"class_list":["post-679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-brasil","tag-amazonia","tag-brasil","tag-crianca","tag-flacso","tag-indigena","tag-primeira-infancia","tag-yanomami"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}