{"id":682,"date":"2024-02-02T13:05:17","date_gmt":"2024-02-02T16:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/02\/02\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/"},"modified":"2024-02-02T13:05:17","modified_gmt":"2024-02-02T16:05:17","slug":"menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=682","title":{"rendered":"Menosprezada pela hist\u00f3ria, heran\u00e7a banto \u00e9 um pilar central da forma\u00e7\u00e3o do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Livro da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP mergulha na presen\u00e7a banto na hist\u00f3ria, cultura, l\u00edngua e religi\u00e3o<\/p>\n<ul class=\"meta ospm-default clr\">\n<li class=\"meta-cat\"><span class=\"screen-reader-text\">Post category:<\/span><i class=\"icon-folder\" aria-hidden=\"true\"><\/i><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/editorias\/diversidade\/\" rel=\"category tag\">Diversidade<\/a> <span class=\"owp-sep\">\/<\/span> <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/editorias\/diversidade\/etnico-racial\/\" rel=\"category tag\">\u00c9tnico-Racial<\/a><\/li>\n<li class=\"meta-comments\"><i class=\"icon-link\" aria-hidden=\"true\"><\/i><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/?p=719942\"><\/a><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/?p=719942\">https:\/\/jornal.usp.br\/?p=719942<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"caixad\">\n<div id=\"post-data-id\"><span class=\"post-data-css\">Publicado no Jornal da USP: 01\/02\/2024<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content clr\" itemprop=\"text\"><span class=\"autor\">Por <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/author\/laura-pereira-lima\/\" rel=\"author\" title=\"Posts de Laura Pereira Lima*\" itemprop=\"author\" itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/Person\">Laura Pereira Lima*<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"entry-content clr\" itemprop=\"text\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/attachment\/20240129_bantu-formacao-brasil\/\" rel=\"attachment wp-att-720020\" class=\"no-lightbox\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/20240129_bantu-formacao-brasil.jpg?resize=1200,630&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/20240129_bantu-formacao-brasil.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, &lt;a href=\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"420\" wp-content=\"\" 20240129_bantu-formacao-brasil=\"\" \/><br \/><\/a>Arte sobre reprodu\u00e7\u00e3o parcial da capa do livro <em>Atrav\u00e9s das \u00e1guas: os bantu na forma\u00e7\u00e3o do Brasil<\/em><\/div>\n<div class=\"entry-content clr\" itemprop=\"text\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Corcunda, leque, samba, marimbondo, moleque, carimbo, cachimbo. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem tra\u00e7os e fonemas de uma heran\u00e7a africana historicamente menosprezada pelo meio acad\u00eamico: a cultura banto. Para al\u00e9m das trocas lingu\u00edsticas, a heran\u00e7a banto pode ser percebida nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais, religiosas e pol\u00edticas no Brasil, do s\u00e9culo 16 at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das culturas banto na forma\u00e7\u00e3o do Brasil s\u00e3o discutidas ao longo dos 22 cap\u00edtulos que comp\u00f5em o livro <a href=\"https:\/\/www.livrosabertos.sibi.usp.br\/portaldelivrosUSP\/catalog\/book\/1189\"><i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas: os bantu na forma\u00e7\u00e3o do Brasil<\/i><\/a>, publicado em dezembro de 2023 e dispon\u00edvel gratuitamente no<a href=\"https:\/\/www.livrosabertos.abcd.usp.br\/portaldelivrosUSP\"> Portal de Livros Abertos da USP<\/a>. A obra \u00e9 organizada por Vagner Gon\u00e7alves da Silva, professor do Departamento de Antropologia da USP, Rosenilton Silva de Oliveira, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FE) da USP, Jos\u00e9 Pedro da Silva Neto, doutorando em Antropologia Social, e Tata Katuvanjesi, jornalista e lideran\u00e7a do terreiro de candombl\u00e9 banto Inzo Tumbansi, e re\u00fane artigos de pesquisadores como o antrop\u00f3logo Kabengele Munanga e a linguista Yeda Pessoa de Castro.<\/p>\n<p>\u201cA colet\u00e2nea buscou fazer esse contato nacional e internacional, n\u00e3o s\u00f3 com acad\u00eamicos, mas tamb\u00e9m com lideran\u00e7as tradicionais de v\u00e1rios lugares\u201d, explica Jos\u00e9 Pedro da Silva Neto, um dos organizadores. Colaboradores como o pesquisador congol\u00eas Bunseki Fu Kiau e a antrop\u00f3loga portuguesa Clara Saraiva contribuem para uma vis\u00e3o ampla e internacional da heran\u00e7a banto, articulando Brasil, Cuba e Portugal nas redes hist\u00f3ricas que envolvem os povos da \u00c1frica Central. <i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas<\/i> faz parte da <a href=\"https:\/\/www.livrosabertos.abcd.usp.br\/portaldelivrosUSP\/catalog\/series\/colecaoviramundo\">cole\u00e7\u00e3o Viramundo<\/a>, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, e comp\u00f5e a s\u00e9rie Di\u00e1logos da Di\u00e1spora, <a href=\"https:\/\/lojahucitec.com.br\/produto\/atraves-das-aguas-os-bantu-na-formacao-do-brasil-vagner-goncalves-da-silva-tata-nkisi-katuvanjesi-walmir-damasceno-rosenilton-silva-de-oliveira-jose-pedro-da-silva-neto-org\/\">publicada pela Hucitec<\/a>, editora que vende uma vers\u00e3o impressa da obra.&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Atrav\u00e9s das \u00e1guas: da \u00c1frica para o Brasil<\/b><\/h2>\n<p>O termo \u201cbanto\u201d designa de forma abrangente uma gama de povos e culturas da \u00c1frica Central. A denomina\u00e7\u00e3o surge a partir do grupo lingu\u00edstico banto, que inclui diversas l\u00ednguas africanas com determinadas caracter\u00edsticas comuns \u2014 entre elas, o uso da palavra <em>bantu<\/em> para designar \u201cpessoas\u201d. O grupo lingu\u00edstico engloba mais de 400 l\u00ednguas, como o sua\u00edle e o zulu, dispersas no Camar\u00f5es, Gab\u00e3o, Congo, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Uganda, Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia, Mo\u00e7ambique, Malau\u00ed, Z\u00e2mbia, Angola, Nam\u00edbia, Botsuana, Zimb\u00e1bue, Suazil\u00e2ndia, Lesoto e \u00c1frica do Sul.&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 1580 e 1850, cerca de<a href=\"https:\/\/www.palmares.gov.br\/?p=2889#:~:text=A%20assessora%20t%C3%A9cnica%20em%20L%C3%ADn-guas,banto%2Dfalante%2C%20de%20territ%C3%B3rios%20situados%3E\"> 75% dos africanos<\/a> escravizados levados para o Brasil eram bantos, dos quais a maioria advinha da Angola e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, e posteriormente, de Mo\u00e7ambique. Al\u00e9m de serem os primeiros africanos a desembarcar no Brasil, os bantos tamb\u00e9m foram os primeiros exemplos de resist\u00eancia, a partir da reconstru\u00e7\u00e3o, em solo brasileiro, do modelo africano do quilombo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cTodos n\u00f3s, brasileiros, mergulhamos e estamos mergulhados nessa \u00e1gua banto\u201d \u2013 Jos\u00e9 Pedro da Silva Neto<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do Brasil e para o movimento abolicionista, a cultura banto reverbera at\u00e9 hoje no portugu\u00eas brasileiro, tanto nas palavras como na entona\u00e7\u00e3o e na sintaxe. No campo religioso, o candombl\u00e9 banto e o catolicismo negro marcaram n\u00e3o s\u00f3 a cultura brasileira dos \u00faltimos s\u00e9culos, mas tamb\u00e9m a resist\u00eancia negra no pa\u00eds. \u201cOs terreiros de matriz banto garantiram a presen\u00e7a dessas \u2018cosmodin\u00e2micas\u2019 banto no Brasil\u201d, explica Vagner. A capoeira e o jongo tamb\u00e9m s\u00e3o destacados no livro em meio a uma gama de heran\u00e7as banto na cultura brasileira, que inclui o maracatu e a congada.<\/p>\n<p>\u201cOs bantos foram a base da constitui\u00e7\u00e3o da cultura nacional\u201d, sintetiza o docente. Uma mudan\u00e7a no fluxo migrat\u00f3rio durante o s\u00e9culo 17, contudo, condenou os bantos \u00e0s margens do meio acad\u00eamico, condi\u00e7\u00e3o questionada ao longo dos 22 artigos presentes em <i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas<\/i>.<\/p>\n<div class=\"su-pullquote su-pullquote-align-right\">+&nbsp;Mais<\/p>\n<div class=\"su-posts su-posts-default-loop\">\n<div id=\"su-post-720106\" class=\"su-post\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/pos-doutorandos-negros-trazem-a-usp-perguntas-de-pesquisa-afrocentradas\/\" class=\"su-post-thumbnail no-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/20240131_pos-doutorandos_negros.jpg?resize=1200,630&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/20240131_pos-doutorandos_negros.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, &lt;a href=\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"420\" wp-content=\"\" 20240131_pos-doutorandos_negros=\"\" \/><\/a><\/p>\n<h5 class=\"su-post-title\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/pos-doutorandos-negros-trazem-a-usp-perguntas-de-pesquisa-afrocentradas\/\">P\u00f3s-doutorandos negros trazem \u00e0 USP perguntas de pesquisa afrocentradas<\/a><\/h5>\n<\/div>\n<div id=\"su-post-714809\" class=\"su-post\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/das-igrejas-aos-ritmos-musicais-documentario-resgata-influencia-africana-nos-sinos-do-brasil\/\" class=\"su-post-thumbnail no-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thumb_sinos-brasileiros-1.png?resize=1200,675&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thumb_sinos-brasileiros-1.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w, &lt;a href=\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" wp-content=\"\" thumb_sinos-brasileiros-1=\"\" \/><\/a><\/p>\n<h5 class=\"su-post-title\"><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/das-igrejas-aos-ritmos-musicais-documentario-resgata-influencia-africana-nos-sinos-do-brasil\/\">Das igrejas aos ritmos musicais, document\u00e1rio resgata influ\u00eancia africana nos sinos do Brasil<\/a><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2><b>Mudan\u00e7a na mar\u00e9<\/b><\/h2>\n<p>Outro grupo africano ganhou relev\u00e2ncia no final do s\u00e9culo 17. Os sudaneses, termo que engloba os iorub\u00e1s, os hauss\u00e1s e os jejes, povos da \u00c1frica Ocidental, foram trazidos para o Brasil em grandes contingentes nos s\u00e9culos 18 e 19, em um processo que culminou no esquecimento da cultura banto.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma desqualifica\u00e7\u00e3o dos bantos nas literaturas antropol\u00f3gica e historiogr\u00e1fica, e eles passaram a ser vistos como menos evolu\u00eddos, se comparados aos povos da \u00c1frica Ocidental\u201d, explica Vagner Silva, ressaltando que pesquisadores da \u00e9poca, como Nina Rodrigues e Arthur Ramos, consideravam a cultura banto \u201crudimentar\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falsa hierarquia que condenava a tradi\u00e7\u00e3o banto, esses povos tamb\u00e9m foram menosprezados pela academia por estarem muito inseridos na cultura local. \u201cA cultura banto j\u00e1 estava t\u00e3o presente na cultura brasileira que ela n\u00e3o era t\u00e3o contrastiva, o que dificultava os estudos\u201d, aponta o professor,&nbsp; complementando que o livro buscou reverter essa ideia de inferioridade banto ao mostrar sua forte presen\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/attachment\/mapa_delimitacao_bantu_niger-congo\/\" rel=\"attachment wp-att-720016\" class=\"no-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mapa_delimitacao_Bantu_Niger-Congo.png?resize=800%2C755&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mapa_delimitacao_Bantu_Niger-Congo.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" mapa_delimitacao_bantu_niger-congo=\"\" \/><br \/><\/a>Mapa: Kimdime\/Wikimedia Commons\/CC by 3.0<\/p>\n<h2><b>Para al\u00e9m da academia<\/b><\/h2>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o da cultura banto no Brasil passa pela educa\u00e7\u00e3o e pela forma\u00e7\u00e3o de professores, segundo Rosenilton. Por isso, a quinta parte do livro <i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas<\/i> \u00e9 dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o antirracista. \u201cTentamos mostrar como podemos produzir uma pedagogia antirracista, a partir da presen\u00e7a das culturas de matriz africana em geral, e banto especificamente, nos curr\u00edculos escolares\u201d, explica o docente da FE, defendendo a import\u00e2ncia de se ensinar Hist\u00f3ria da \u00c1frica a partir de uma perspectiva m\u00faltipla. \u201cNo meu artigo, fa\u00e7o uma reflex\u00e3o sobre os desafios da transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica; ou seja, como os<br \/> saberes desenvolvidos nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o traduzidos em a\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas em sala de aula, na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d, conta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/attachment\/livro_atraves-das-aguas\/\" rel=\"attachment wp-att-720021\" class=\"no-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/livro_atraves-das-aguas.jpg?resize=200%2C314&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/livro_atraves-das-aguas.jpg?w=255&amp;ssl=1 255w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" livro_atraves-das-aguas=\"\" \/><br \/><\/a>\u201c<i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas<\/i> ajuda a gente a sair desse lugar-comum de pensar uma \u00c1frica \u00fanica\u201d, afirma Rosenilton, acrescentando a import\u00e2ncia de se compreender a multiplicidade de matrizes africanas presentes no Brasil. Segundo Vagner, o livro tamb\u00e9m convida a repensar as narrativas oficiais, que frequentemente colocam as culturas africanas como culturas sem ag\u00eancia, puramente dominadas. \u201cOs povos africanos bantos eram sujeitos&nbsp; da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, n\u00e3o apenas v\u00edtimas colonizadas e dominadas\u201d, finaliza.<\/p>\n<h3><b>Servi\u00e7o<\/b><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.livrosabertos.sibi.usp.br\/portaldelivrosUSP\/catalog\/book\/1189\"><i>Atrav\u00e9s das \u00e1guas: os bantu na forma\u00e7\u00e3o do Brasil<\/i><\/a><\/p>\n<p>471 p\u00e1ginas. Dispon\u00edvel gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP<\/p>\n<p><em>*Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o de Antonio Carlos Quinto e Tabita Said<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/\">https:\/\/jornal.usp.br\/diversidade\/menosprezada-pela-historia-heranca-banto-e-um-pilar-central-da-formacao-do-brasil\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_682\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"682\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; 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