{"id":686,"date":"2024-02-23T13:01:41","date_gmt":"2024-02-23T16:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/02\/23\/literatura-africana-em-sala-de-aula-uma-proposta-didatica\/"},"modified":"2024-02-23T13:01:41","modified_gmt":"2024-02-23T16:01:41","slug":"literatura-africana-em-sala-de-aula-uma-proposta-didatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=686","title":{"rendered":"BRASIL: Literatura africana em sala de aula: uma proposta did\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Diante da implementa\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n. 11.645\/2008<\/a>, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da hist\u00f3ria e cultura africana, afro-brasileira e ind\u00edgena, o desafio hoje no Brasil \u00e9 o de ir al\u00e9m da mera inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Enviado para o Portal Geled\u00e9s, por <strong>Tathiana Cassiano<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"float-none\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Tathiana_Cassiano.jpg\" width=\"800\" height=\"450\" loading=\"lazy\" data-path=\"local-images:\/Brasil\/Tathiana_Cassiano.jpg\"><br \/><\/strong><span style=\"font-size: 12px;\">Tathiana Cassiano \u00e9 Doutoranda em Hist\u00f3ria, Universidade do Estado de Santa Catarina\/ AYA Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre hist\u00f3ria e literatura vem de longa data. A narrativa liter\u00e1ria \u00e9 considerada uma das fontes de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento hist\u00f3rico sobre a experi\u00eancia humana em v\u00e1rios tempos, espa\u00e7os e contextos \u2013 socioculturais e pol\u00edticos. Esse tipo de narrativa traduz, a seu modo, aspectos da realidade vivida e representa importante meio de reflex\u00e3o hist\u00f3rica. E quando se trata da hist\u00f3ria de \u00c1frica, campo afetado pela perman\u00eancia do legado colonial, a literatura se apresenta como uma possibilidade de analisar processos hist\u00f3ricos sob a perspectiva africana.<\/p>\n<p>Diante da implementa\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n. 11.645\/2008<\/a>, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da hist\u00f3ria e cultura africana, afro-brasileira e ind\u00edgena, o desafio hoje no Brasil \u00e9 o de ir al\u00e9m da mera inser\u00e7\u00e3o de conte\u00fados. Mas oportunizar uma reflex\u00e3o e letramento cr\u00edticos sobre din\u00e2micas hist\u00f3ricas e contempor\u00e2neas que envolvem as popula\u00e7\u00f5es negras (africanas e afrodiasp\u00f3ricas) e ind\u00edgenas. Neste sentido, avalio que a literatura africana pode ser um excelente instrumento para proporcionar uma vis\u00e3o acerca de \u00c1frica que rompa os diversos estere\u00f3tipos e generaliza\u00e7\u00f5es negativas e reducionistas sobre o continente, seus povos e suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Tomando essa dire\u00e7\u00e3o como eixo de discuss\u00e3o do texto, gostaria de trazer aspectos sobre a hist\u00f3ria da \u00c1frica e suas abordagens no ensino de Hist\u00f3ria atrav\u00e9s de uma importante escritora nigeriana: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Flora_Nwapa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Flora Nwapa<\/a>. Essa autora africana e suas obras liter\u00e1rias fornecem alguns caminhos, como enfatizo no texto, para uma aprendizagem hist\u00f3rica plural e antirracista. Para tanto, apresento aqui algumas reflex\u00f5es a partir de minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado e do produto did\u00e1tico desenvolvido no \u00e2mbito do Mestrado Profissional em Ensino de Hist\u00f3ria, o <a href=\"http:\/\/site.profhistoria.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PROFHist\u00f3ria<\/a>, na Universidade do Estado de Santa Catarina (<a href=\"https:\/\/www.udesc.br\/faed\/profhist%C3%B3ria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UDESC<\/a>), por meio de um di\u00e1logo com a literatura de Flora Nwapa.<\/p>\n<p>A nigeriana Flora Nwapa (1931-1993) \u00e9 considerada a primeira mulher africana a ganhar reconhecimento internacional como escritora, em fins dos anos 1960. Tamb\u00e9m foi a primeira mulher a fundar e comandar uma editora no continente africano, a Tana Press, em 1974. Flora escreveu v\u00e1rios romances, contos, poemas e obras para o p\u00fablico infantil. Sua primeira e mais conhecida obra \u00e9 <a href=\"https:\/\/editoramoinhos.com.br\/loja\/efuru\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Efuru<\/em><\/a> (1966), que foi traduzida para o portugu\u00eas somente em 2023.<em> Efuru<\/em> \u00e9 um romance considerado marco na literatura contempor\u00e2nea produzida em \u00c1frica, por ser pioneiro em conferir centralidade \u00e0 experi\u00eancia e perspectiva de mulheres na escrita liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como uma mulher <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ibos#:~:text=Os%20ibos%20ou%20igbos%20(em,e%20falam%20a%20l%C3%ADngua%20ibo.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">igbo<\/a>, um dos mais numerosos grupos \u00e9tnico-lingu\u00edsticos que vivem no territ\u00f3rio da Nig\u00e9ria, Flora destacou em <em>Efuru<\/em> aspectos espec\u00edficos da vida em uma comunidade igbo na primeira metade do s\u00e9culo XX, durante o per\u00edodo colonial nigeriano. Tanto que Efuru \u00e9 o nome da personagem principal do romance, filha de um l\u00edder da comunidade. E os dilemas que ela enfrenta diante do papel social da mulher numa sociedade em transi\u00e7\u00e3o s\u00e3o o fio condutor de toda a hist\u00f3ria de <em>Efuru<\/em>.<\/p>\n<p>Conforme defende <a href=\"https:\/\/oikoseditora.com.br\/files\/Nossa%20africa%20-%20ensino%20e%20pesquisa%20-%20E-BOOK.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Claudia Mortari<\/a>, a narrativa liter\u00e1ria como fonte hist\u00f3rica permite ao leitor\/a perceber as formas de ser, estar e viver no mundo na perspectiva de seu autor\/a e das personagens criadas por ele\/a em suas obras. Neste caso, os escritos de Flora Nwapa refletem as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia dessa autora, seu lugar social, as hist\u00f3rias e <em>modus vivendi <\/em>de seu povo (igbo) etc. E eles nos fazem enxergar os mundos africanos a partir da vis\u00e3o dessa escritora igbo. Assim, considerando a literatura enquanto fonte de evid\u00eancia hist\u00f3rica, propus a sua utiliza\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia did\u00e1tica para o ensino de Hist\u00f3ria sobre \u00c1frica na sala de aula da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica.<\/p>\n<p>A escolha e uso desse recurso se d\u00e1 a partir de duas importantes dimens\u00f5es. A primeira: ao apresentar as caracter\u00edsticas de uma comunidade igbo da Nig\u00e9ria, a literatura permite romper com uma no\u00e7\u00e3o generalista de \u201csociedades africanas\u201d que reduz as caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas, lingu\u00edsticas, sociais e pol\u00edticas de centenas de povos e culturas em uma s\u00f3. A segunda: ao colocar uma personagem feminina como centro de sua narrativa liter\u00e1ria, a autora buscou evidenciar o protagonismo das mulheres e o seu papel nos diferentes setores da sociedade igbo.<\/p>\n<p>Trazer esse enfoque sobre a ativa din\u00e2mica social envolvendo as mulheres africanas e seu protagonismo, tomando o espa\u00e7o de enuncia\u00e7\u00e3o da personagem Efuru, tem uma relevante marca\u00e7\u00e3o na obra de Flora Nwapa. Em uma das entrevistas que concedeu \u00e0 pesquisadora <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/3820268\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marie Umeh<\/a>, Flora considerava que seus colegas africanos, escritores homens, negligenciaram em suas obras o papel das mulheres. Isso, segundo ela, auxiliou na constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o que inferiorizava (e ainda inferioriza) as mulheres africanas em sua totalidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos aspectos apontados acima, a hist\u00f3ria de <em>Efuru<\/em> possibilita aos estudantes analisar os impactos da presen\u00e7a colonial em \u00c1frica, uma vez que a trama do romance se passa durante o per\u00edodo do colonialismo europeu (brit\u00e2nico) na Nig\u00e9ria \u2013 contexto hist\u00f3rico do avan\u00e7o de na\u00e7\u00f5es imperialistas da Europa sob outros continentes, sobretudo \u00c1frica e \u00c1sia, entre os s\u00e9culos XIX e XX. Ou seja, essa obra liter\u00e1ria em si possibilita uma reflex\u00e3o hist\u00f3rica sobre a forma como essa din\u00e2mica colonial afetou a rotina das pessoas nesse territ\u00f3rio hoje conhecido como Nig\u00e9ria e as formas de rea\u00e7\u00e3o das comunidades locais a essas mudan\u00e7as impostas pelo colonizador europeu.<\/p>\n<p>Assim, o ensino e aprendizagem da hist\u00f3ria na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica ganha novos sentidos ao permitir o entrela\u00e7amento desses acontecimentos, personagens e a percep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de sua autora. Aspectos que corroboram um letramento hist\u00f3rico atrav\u00e9s da literatura. Para isso, com apoio financeiro da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Capes<\/a> e ilustra\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.behance.net\/tarikassis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tarik Assis<\/a>, produzi um material did\u00e1tico intitulado <em>Efuru: a hist\u00f3ria das mulheres Igbo na literatura de Flora Nwapa<\/em>, o qual \u00e9 voltado para estudantes do Ensino Fundamental (anos finais) e do Ensino M\u00e9dio e que pode ser adquirido gratuitamente no portal do <a href=\"https:\/\/ayalaboratorio.com\/2023\/08\/04\/efuru-a-historia-das-mulheres-igbos-na-literatura-de-flora-nwapa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AYA \u2013 Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial<\/a>.<\/p>\n<p>O processo detalhado de constru\u00e7\u00e3o desse material, desde a quest\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o (j\u00e1 que o produto foi desenvolvido a partir da vers\u00e3o original da obra, em ingl\u00eas) at\u00e9 as escolhas te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas que fundamentaram o seu desenvolvimento, est\u00e1 bem apresentado na <a href=\"https:\/\/ayalaboratorio.files.wordpress.com\/2020\/10\/cassiano.-tathiana-c.-s.-a.-_-vai-haver-outra-guerra.-a-guerra-das-mulheres_-o-protagonismo-das-mulheres-igbos-na-escrita-literaria-de-flora-nwapa-nigeria-1960.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disserta\u00e7\u00e3o de mestrado<\/a>, tamb\u00e9m dispon\u00edvel no portal do laborat\u00f3rio AYA.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/01.-Capa-do-produto-didatico.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;w=2560&amp;ssl=1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/01.-Capa-do-produto-didatico.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;resize=696%2C494&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\"  alt=\"\"><\/a><br \/><span style=\"font-size: 12px;\"><em>Capa do produto did\u00e1tico \u201cEfuru: a hist\u00f3ria das mulheres Igbo na literatura de Flora Nwapa\u201d<\/em>. Autoria de Tathiana Cristina Cassiano. AYA \u2013 Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial, Universidade do Estado de Santa Catarina, 2020. Fonte: <a href=\"https:\/\/ayalaboratorio.files.wordpress.com\/2020\/10\/efuru-_material-didatico.-tathiana-cassiano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do laborat\u00f3rio AYA<\/a>.<\/span><\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\u00a0<\/div>\n<p>O material did\u00e1tico est\u00e1 dividido em quatro partes: \u201cApresentando Flora Nwapa\u201d, \u201cAs personagens\u201d, \u201cTextos did\u00e1ticos\u201d e \u201cFontes de pesquisa\u201d. Essas partes s\u00e3o independentes entre si. Ele foi estruturado dessa forma para que o\/a professor\/a possa utiliz\u00e1-lo como material de consulta ou de leitura. Com isso, tal produto pode se adaptar \u00e0 metodologia e proposta de ensino na qual essas partes estar\u00e3o inseridas dentro de sala de aula.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7a com uma apresenta\u00e7\u00e3o geral sobre a autora, Flora Nwapa, e o povo igbo \u2013 do qual ela e suas personagens fazem parte \u2013, de modo que os alunos e alunas compreendam a riqueza social, cultural e hist\u00f3rica desse grupo a partir daqui. Em seguida, foram escolhidas seis personagens da obra <em>Efuru<\/em> (Efuru, Ajanupu, Ossai, Nwabata, Ogea e Uhamiri \u2013 a deusa do lago azul), sendo apresentadas em pequenos textos narrativos que enfatizam importantes elementos do protagonismo dessas mulheres igbo a partir das complexas rela\u00e7\u00f5es sociais e experi\u00eancias de vida na Nig\u00e9ria colonial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/02.-Secao-As-personagens.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;w=2560&amp;ssl=1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/02.-Secao-As-personagens.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;resize=696%2C496&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\"  alt=\"\"><\/a><br \/><span style=\"font-size: 12px;\"><em>Se\u00e7\u00e3o \u201cAs personagens\u201d, em que se conta a hist\u00f3ria de Efuru<\/em>. Autoria de Tathiana Cristina Cassiano. AYA \u2013 Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial, Universidade do Estado de Santa Catarina, 2020. Fonte: <a href=\"https:\/\/ayalaboratorio.files.wordpress.com\/2020\/10\/efuru-_material-didatico.-tathiana-cassiano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do laborat\u00f3rio AYA<\/a>.<\/span><\/p>\n<p>Os textos narrativos sobre cada uma das personagens s\u00e3o acompanhados de trechos da obra liter\u00e1ria e de imagens, que aqui s\u00e3o entendidas como textos em si articulados com a hist\u00f3ria e com o objetivo proposto no material; n\u00e3o apenas como meras ilustra\u00e7\u00f5es dentro do texto. Cada personagem possui cores associadas a elas, desenvolvidas a partir de um banco de imagens composto por fotografias de comunidades igbos do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Na terceira parte, s\u00e3o apresentados textos did\u00e1ticos a serem trabalhados em sala de aula, de acordo com as propostas do\/a professor\/a, com algumas categorias de an\u00e1lise e letramento hist\u00f3rico retiradas da pr\u00f3pria narrativa liter\u00e1ria de <em>Efuru<\/em>. Esses textos est\u00e3o organizados nos seguintes temas: \u201cCosmogonia e ancestralidade\u201d, \u201cLa\u00e7os de linhagem\u201d, \u201cColonialismo\u201d, \u201cTrabalho\u201d e \u201cEduca\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d. Cada um deles possui sugest\u00f5es de atividade ao final do texto, com quest\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado apresentado. Vale destacar que esses textos foram constru\u00eddos em di\u00e1logo com intelectuais de diferentes campos do conhecimento, que debatem sobre os temas centrais destacados acima, cujas refer\u00eancias est\u00e3o apresentadas ao final do material.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/03.-Secao-Textos-didaticos.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;w=2560&amp;ssl=1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/03.-Secao-Textos-didaticos.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;resize=696%2C489&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\"  alt=\"\"><\/a><br \/><span style=\"font-size: 12px;\"><em>Se\u00e7\u00e3o \u201cTextos did\u00e1ticos\u201d, com categorias de an\u00e1lise e atividades que podem ser utilizadas pelo\/a professor\/a<\/em>. Autoria de Tathiana Cristina Cassiano. AYA \u2013 Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial, Universidade do Estado de Santa Catarina, 2020. Fonte: <a href=\"https:\/\/ayalaboratorio.files.wordpress.com\/2020\/10\/efuru-_material-didatico.-tathiana-cassiano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do laborat\u00f3rio AYA<\/a>.<\/span><\/div>\n<p>Na quarta e \u00faltima parte desse produto did\u00e1tico, s\u00e3o apresentados trechos da literatura que servem como fontes de pesquisa. Eles est\u00e3o organizados a partir dos temas utilizados nos textos da se\u00e7\u00e3o anterior. Essas duas partes, \u201cTextos did\u00e1ticos\u201d e \u201cFontes de pesquisa\u201d, possibilitam aos alunos e alunas compreender sobre os conceitos-chave apresentados pelo\/a professora\/a em sala de aula e como eles podem ser localizados no texto liter\u00e1rio, ainda que de forma dilu\u00edda. Isso refor\u00e7a entre os\/as estudantes o papel da literatura como fonte na produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre uma dada realidade, hist\u00f3rica e\/ou contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Assim, quando falamos em uma educa\u00e7\u00e3o com compromisso antirracista, reivindicamos tamb\u00e9m um necess\u00e1rio movimento de ruptura com uma tradi\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica que insiste em colocar os sujeitos da hist\u00f3ria \u2013 sobretudo mulheres, ind\u00edgenas e negros \u2013 numa condi\u00e7\u00e3o de espectadores passivos dos acontecimentos e processos que os afetam. Por d\u00e9cadas, a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento hist\u00f3rico pautou-se no olhar do colonizador, tendo em vista \u00e0 prioridade dada \u00e0s fontes obtidas a partir das bibliotecas coloniais, como denominado por <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/%C3%81frica-Negra-Hist%C3%B3ria-Civiliza%C3%A7%C3%B5es-Tomo\/dp\/8523207554#:~:text=O%20Tomo%20II%2C%20por%20sua,estat%C3%ADsticos%2C%20mapas%20e%20outros%20recursos.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Elikia M\u2019Bokolo<\/a>, cujas narrativas estavam marcadas pelo discurso colonial imperialista, racista e sexista, mesmo que ocultado sob uma suposta objetividade descritiva.<\/p>\n<p>E para compreender essas hist\u00f3rias profundas ocultadas pela tal \u201cobjetividade oficial\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio buscar outras fontes de informa\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o passado \u2013 e o presente \u2013 de tais sociedades. Aqui, a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria africana contempor\u00e2nea, que ganhou corpo a partir da d\u00e9cada de 1940, se une a outras fontes materiais e orais para compor um rol de instrumentos que ampliam as possibilidades de entendimento da experi\u00eancia de sujeitos em \u00c1frica. Isso porque essa literatura \u00e9 tecida atrav\u00e9s de uma apropria\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o feita pelos povos africanos da linguagem colonial e da escrita, para fins de consolida\u00e7\u00e3o de uma identidade local (\u00e9tnica) em contraponto \u00e0quelas forjadas pelo colonizador de forma impositiva.<\/p>\n<p>Levar essas dimens\u00f5es socioculturais e pol\u00edticas, ligadas ao g\u00eanero liter\u00e1rio, para a sala de aula significa reconhecer e valorizar a diversidade africana, de seus povos, hist\u00f3rias e modos de ver e agir sobre o mundo e suas realidades. Tamb\u00e9m \u00e9 reconhecer a complexidade das rela\u00e7\u00f5es humanas que foram (e s\u00e3o) estabelecidas em \u00c1frica, no passado e no presente. E como isso est\u00e1 conectado \u00e0s nossas hist\u00f3rias, em face da di\u00e1spora. Desse modo, colaboramos com uma pr\u00e1tica educadora que emancipa os sujeitos e acolhe as diferen\u00e7as, al\u00e9m de ampliar perspectivas sobre o exerc\u00edcio da cidadania, segundo disp\u00f5em as diretrizes da Lei n. 11.645\/2008.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo da historiadora Tathiana Cassiano no Acervo Cultne sobre este artigo: <\/strong><\/p>\n<p>{youtube}https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rRgmn8XWJjE{\/youtube}<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Nossas Hist\u00f3rias na Sala de Aula<\/strong><\/p>\n<p><strong>O conte\u00fado desse texto atende ao previsto na Base Nacional Comum Curricular (<\/strong><a href=\"http:\/\/basenacionalcomum.mec.gov.br\/images\/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>BNCC<\/strong><\/a><strong>):\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ensino Fundamental:<\/strong> EF07HI03 (7\u00ba ano: Identificar aspectos e processos espec\u00edficos das sociedades africanas e americanas antes da chegada dos europeus, com destaque para as formas de organiza\u00e7\u00e3o social e o desenvolvimento de saberes e t\u00e9cnicas); EF08HI23 (8\u00ba ano: Estabelecer rela\u00e7\u00f5es causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus impactos na \u00c1frica e na \u00c1sia); EF08HI24 (8\u00ba ano: Reconhecer os principais produtos, utilizados pelos europeus, procedentes do continente africano durante o imperialismo e analisar os impactos sobre as comunidades locais na forma de organiza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica); EF08HI26 (8\u00ba ano: Identificar e contextualizar o protagonismo das popula\u00e7\u00f5es locais na resist\u00eancia ao imperialismo na \u00c1frica e \u00c1sia); EF09HI14 (9\u00ba ano: Caracterizar e discutir as din\u00e2micas do colonialismo no continente africano e asi\u00e1tico e as l\u00f3gicas de resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es locais diante das quest\u00f5es internacionais).<\/p>\n<p><strong>Ensino M\u00e9dio:<\/strong> EM13CHS101 (Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas \u00e0 compreens\u00e3o de ideias filos\u00f3ficas e de processos e eventos hist\u00f3ricos, geogr\u00e1ficos, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais, ambientais e culturais); EM13CHS102 (Identificar, analisar e discutir as circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, geogr\u00e1ficas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolu\u00e7\u00e3o, modernidade, cooperativismo\/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado hist\u00f3rico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos); EM13CHS504 (Analisar e avaliar os impasses \u00e9tico-pol\u00edticos decorrentes das transforma\u00e7\u00f5es culturais, sociais, hist\u00f3ricas, cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas no mundo contempor\u00e2neo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indiv\u00edduos, grupos sociais, sociedades e culturas).<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<p><strong>Tathiana Cassiano<\/strong><\/p>\n<p>Telefone: +55 (47) 98867-7439<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Doutoranda em Hist\u00f3ria, Universidade do Estado de Santa Catarina\/\u00a0<\/p>\n<p>AYA Laborat\u00f3rio de Estudos P\u00f3s-Colonial e Decolonial;\u00a0<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:tathi.leandro@gmail.com\">tathi.leandro@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>Instagram @tathianacassiano<\/p>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/literatura-africana-em-sala-de-aula-uma-proposta-didatica\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/literatura-africana-em-sala-de-aula-uma-proposta-didatica\/<\/a><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_686\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"686\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" 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implementa\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n. 11.645\/2008<\/a>, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da hist\u00f3ria e cultura africana, afro-brasileira e ind\u00edgena, o desafio hoje no Brasil \u00e9 o de ir al\u00e9m da mera inser\u00e7\u00e3o de 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