{"id":688,"date":"2024-02-25T15:36:20","date_gmt":"2024-02-25T18:36:20","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/02\/25\/feira-internacional-do-livro-de-havana-uma-trincheira-de-ideias\/"},"modified":"2024-02-25T15:36:20","modified_gmt":"2024-02-25T18:36:20","slug":"feira-internacional-do-livro-de-havana-uma-trincheira-de-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=688","title":{"rendered":"Feira Internacional do Livro de Havana: uma trincheira de ideias"},"content":{"rendered":"<p>Com o Brasil como convidado de honra, foi realizada a 32\u00aa edi\u00e7\u00e3o da feira<\/p>\n<div class=\"author\">Gabriel Vera Lopes<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato | Havana (Cuba) |<\/div>\n<p><time class=\"date\" datetime=\"2024-02-25T12:36:53 -03\">25 de fevereiro de 2024 \u00e0s 12:36<\/time><\/div>\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/cd99668f232e25d867ee7d7aa2f850d1.webp\" alt=\"\"><\/div>\n<p>Prensa Latina &#8211; Feria Internacional del Libro de La Habana<\/p>\n<p>&#8220;A pergunta n\u00e3o deveria ser por que ir a Cuba, mas <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/21\/escritor-cubano-celebra-marxismo-no-dia-do-livro-vermelho-como-sendo-responsabilidade-pela-humanidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por que n\u00e3o ir a Cuba<\/a>? Fora daqui, h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o que praticamente nos nega informa\u00e7\u00f5es sobre o pa\u00eds&#8221;, fala Emicida para o p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<p>Sua voz calma faz uma pausa enquanto ele espera que a tradutora repita suas respostas em espanhol. Sentados ao lado de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo no estande do Brasil na <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/22\/unidade-solidariedade-e-denuncia-do-capitalismo-sao-destaque-no-primeiro-dia-da-jornada-latino-americana-e-caribenha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">32\u00aa Feira Internacional do Livro de Havana<\/a>, os dois artistas n\u00e3o deixaram nenhum tema sem resposta: da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria at\u00e9 as mem\u00f3rias das lutas e hist\u00f3rias do povo negro passando pela atual situa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica cultural no Brasil. A palestra teve o t\u00edtulo &#8220;E tudo pra Ontem&#8221;, uma das composi\u00e7\u00f5es do rapper. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Um convite como esse foi irrecus\u00e1vel. N\u00e3o s\u00f3 por estar acompanhado de escritores que admiro, em um momento de reconstru\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o em que acredito. Mas tamb\u00e9m para fazer um movimento de rela\u00e7\u00f5es exteriores com Cuba, que tamb\u00e9m acredito. Eu realmente creio que o embargo imposto a Cuba \u00e9 uma das pol\u00edticas mais covardes da hist\u00f3ria&#8221; reflete enquanto os aplausos se multiplicam no sal\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>{youtube}https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xgMP2EOxUXk{\/youtube}<\/p>\n<p>A Feira Internacional do Livro de Havana \u00e9 um dos eventos culturais mais populares e aguardados em Cuba. Inaugurada no dia 15 de fevereiro, durante dez dias as ruas da capital caribenha receberam convidados de 45 pa\u00edses que participaram de apresenta\u00e7\u00f5es de livros, conversas com autores, col\u00f3quios, cerim\u00f4nias de entrega de pr\u00eamios, al\u00e9m de atividades musicais, filmes e pe\u00e7as teatrais.\u00a0<\/p>\n<p>Este ano, o Brasil foi o convidado de honra desta edi\u00e7\u00e3o da feira. A delega\u00e7\u00e3o brasileira foi composta por mais de sessenta artistas, entre escritores, quadrinistas e m\u00fasicos, escolhidos por uma curadoria tripartite formada por membros do Minist\u00e9rio, da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional (FBN) e do Instituto Guimar\u00e3es Rosa (IGR), unidade vinculada ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MRE).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/feira_livro_cuba2024_conceicao_evaristo.jpg\" width=\"800\" height=\"450\" loading=\"lazy\" data-path=\"local-images:\/Cultura\/feira_livro_cuba2024_conceicao_evaristo.jpg\"><br \/>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e Emicida \/ Brasil de Fato<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O principal local de realiza\u00e7\u00e3o da Feira \u00e9 a emblem\u00e1tica Fortaleza de <em>San Carlos de La Caba\u00f1a<\/em>. Um local privilegiado onde, ao entardecer, \u00e9 poss\u00edvel assistir ao p\u00f4r do sol de Havana. Constru\u00edda no s\u00e9culo 18 como uma das fortalezas que defendiam a cidade contra ataques inimigos e saques piratas, <em>La Caba\u00f1a<\/em> foi declarada Patrim\u00f4nio Mundial pela UNESCO<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/18\/conheca-a-historia-da-reconstrucao-de-havana-velha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">, juntamente com a cidade velha de Havana<\/a>, em 1982. No mesmo ano, foi realizada a primeira Feira Internacional do Livro de Havana.<\/p>\n<p>Desde sua constru\u00e7\u00e3o, <em>La Caba\u00f1a<\/em> tem sido o cen\u00e1rio de grandes eventos que marcaram a hist\u00f3ria. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/30\/conheca-a-historia-de-jose-marti-um-dos-maiores-herois-cubanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Considerado o Ap\u00f3stolo da P\u00e1tria em Cuba<\/a>, Jos\u00e9 Mart\u00ed conheceu as celas de <em>La Caba\u00f1a<\/em> em sua juventude como prisioneiro pol\u00edtico por sua atividade revolucion\u00e1ria. Mart\u00ed foi um dos maiores poetas e escritores da cultura hisp\u00e2nica. Seu compromisso pol\u00edtico permeou toda a sua obra e, em 1891, ele escreveu que &#8220;as trincheiras de ideias valem mais do que as trincheiras de pedra&#8221;. Uma ideia que Fidel repetia com frequ\u00eancia em seus discursos. Sem d\u00favida, a Feira Internacional do Livro de Havana faz parte da &#8220;trincheira de ideias&#8221; de que falava Mart\u00ed.\u00a0<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da maioria das feiras de seu tipo, a <em>Feria Intencionalidad del Libro de La Habana<\/em> foi concebida como um espa\u00e7o que facilita o acesso \u00e0 cultura para toda a popula\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana considerou, como parte do projeto socialista que pretendia construir, que a cultura e a arte deveriam ser um direito inalien\u00e1vel de todas as pessoas, e n\u00e3o apenas daqueles que podem pagar para ter acesso a elas.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o dizemos \u00e0s pessoas: &#8216;Acreditem! Dizemos a eles: leiam!&#8221;, disse Fidel Castro em um famoso discurso em 1961, o mesmo ano em que <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/25\/memoria-e-batalhas-de-fidel-castro-permanecem-vivas-sete-anos-apos-a-morte-do-lider-cubano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi declarado o car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o<\/a>. &#8220;E a Revolu\u00e7\u00e3o diz ao povo: aprenda a ler e escrever, estude, informe-se, medite, observe, pense. Por qu\u00ea? Porque esse \u00e9 o caminho da verdade: fazer o povo raciocinar, fazer o povo analisar.&#8221;<\/p>\n<p>A ideia surgiu no discurso da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, que na abertura da feira, destacando o trabalho que vem sendo realizado pelo Minist\u00e9rio da Cultura, disse que &#8220;estamos aprendendo que a leitura \u00e9 um ato revolucion\u00e1rio. Por meio da leitura de livros e da literatura, podemos ter contato com o nosso mundo e com o mundo dos outros&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar das graves <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/27\/cuba-projeta-mudancas-em-2024-para-superar-crise-economica-iniciada-na-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dificuldades econ\u00f4micas da ilha<\/a>, o Estado mant\u00e9m uma pol\u00edtica de fortes subs\u00eddios para a venda de livros, al\u00e9m de distribui\u00e7\u00e3o gratuita. Al\u00e9m disso, sob a mesma premissa, assim que o evento terminar na capital, a Feira ser\u00e1 estendida a diferentes partes do pa\u00eds durante todo o m\u00eas de mar\u00e7o para que aqueles que moram longe da capital tamb\u00e9m possam aproveitar o evento.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Embora as circunst\u00e2ncias n\u00e3o sejam as melhores e n\u00e3o sejamos um dos pa\u00edses mais privilegiados do mundo, somos privilegiados nesse aspecto&#8221;, diz Melody Zamora, uma jovem estudante ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Todos os anos viemos aqui para nos refugiar nos livros, na literatura, no mar maravilhoso. Porque este lugar \u00e9 hist\u00f3rico e muitas pessoas v\u00eam aqui exatamente para isso, para simplesmente apreciar a vista maravilhosa&#8221;.<\/p>\n<p>Melody fala enquanto dezenas de livros de diversos tipos. A maioria deles s\u00e3o pequenos romances, muitos de autores cubanos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 livros sobre musicologia e hist\u00f3ria da arte. Ela diz que, como todos os anos, veio \u00e0 feira com seus amigos para passar o dia. A maioria deles est\u00e1 esperando para entrar em uma palestra sobre quadrinhos que ocorrer\u00e1 horas depois, com a participa\u00e7\u00e3o de Luisa de Souza, mais conhecida nas redes sociais como Ilustralu, a jovem autora brasileira do multipremiado Arlindo.\u00a0<\/p>\n<p>No in\u00edcio, Ilustralu sentencia o tom de toda a sua palestra: &#8220;esta n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria apenas para aqueles que podem pagar por ela&#8221;. Arlindo nasceu como uma <em>webcomic<\/em>, mas sua incr\u00edvel popularidade fez com que pudesse ser publicada em formato de livro. No entanto, Ilustralu diz que \u00e9 importante para ela que o livro esteja dispon\u00edvel na Internet para download gratuito.\u00a0<\/p>\n<p>Durante sua fala, um estudante de arte cubano a retrata em um desenho no papel. &#8220;As pra\u00e7as brasileiras t\u00eam o poder de mostrar que toda hist\u00f3ria particular \u00e9 uma hist\u00f3ria universal&#8221;, diz ela em tom convicto, como se fosse um manifesto pol\u00edtico.\u00a0<\/p>\n<p>Ao longo dos dias, as diferentes atividades que acontecem s\u00e3o uma oportunidade de interc\u00e2mbio cultural. O Brasil gera uma atra\u00e7\u00e3o especial para o p\u00fablico cubano. &#8220;Crescemos assistindo as novelas brasileiras, talvez seja por isso&#8221;, ri uma mulher sentada sob uma \u00e1rvore no jardim da fortaleza.<\/p>\n<p>Apesar do tom de brincadeira, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o g\u00eanero desempenhou um papel importante na cultura popular. Mas as conex\u00f5es culturais tamb\u00e9m t\u00eam ra\u00edzes profundas, at\u00e9 mesmo ancestrais, nas semelhan\u00e7as entre os dois pa\u00edses na religiosidade popular, nos ritmos musicais e na semelhan\u00e7a dos pratos tradicionais, em que a presen\u00e7a da matriz africana \u00e9 indel\u00e9vel. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, diferentes institui\u00e7\u00f5es culturais de ambos os pa\u00edses mantiveram uma rela\u00e7\u00e3o estreita. Na hist\u00f3ria de ambos os pa\u00edses, foi somente ap\u00f3s o golpe contra Dilma e depois o governo Bolsonaro que as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre os dois pa\u00edses foram interrompidas. Com o retorno de Lula \u00e0 presid\u00eancia, iniciou-se o trabalho de restabelecimento da rela\u00e7\u00e3o que sempre atravessou os dois pa\u00edses. O convite de Cuba ao Brasil como convidado de honra \u00e9 um passo nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a visita oficial do Brasil a Cuba, foi assinado um memorando de entendimento entre as Bibliotecas Nacionais dos dois pa\u00edses para promover a colabora\u00e7\u00e3o e o interc\u00e2mbio m\u00fatuos. \u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma grande e \u00fanica configura\u00e7\u00e3o polif\u00f4nica. H\u00e1 muitas vozes que vibram nesta costa e as mesmas quest\u00f5es est\u00e3o em jogo, por exemplo, a polifonia, o multilinguismo, a busca de ra\u00edzes e a busca de justi\u00e7a, para promover uma cultura de justi\u00e7a em nossos pa\u00edses&#8221;, explica Marco Am\u00e9rico Lucchesi, poeta e romancista que atualmente preside a Biblioteca Nacional do Brasil, ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/p>\n<p>Os acordos culturais, ressalta Lucchesi, surgem dessa busca por justi\u00e7a e interc\u00e2mbio. Ao mesmo tempo, ele destaca o papel de Cuba no estabelecimento do que ele chama de <em>soft power<\/em>\u00a0na busca pela paz, com o programa &#8220;mais m\u00e9dicos&#8221; como exemplo.\u00a0<\/p>\n<p>A &#8220;trincheira de ideias&#8221; de que falava Mart\u00ed faz parte das atuais lutas pela paz. Nesse caminho, o Brasil, por seu peso geopol\u00edtico, pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel. Por um mundo onde haja mais livros e menos guerras, mais fantasias e menos sofrimento.<\/p>\n<p>&#8220;Estar aqui me d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de estar de volta \u00e0 adolesc\u00eancia, a um compromisso que precisa ser reconstru\u00eddo e reestruturado o mais r\u00e1pido poss\u00edvel&#8221;, diz Luchessi sorrindo, lembrando-se de suas primeiras leituras, ainda adolescente, sobre Cuba.\u00a0<\/p>\n<p>Essas leituras, marcadas pela ideia da Utopia, deram uma perspectiva da possibilidade de construir um mundo em que a condi\u00e7\u00e3o humana estivesse no centro das preocupa\u00e7\u00f5es sociais.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Se pensarmos na hist\u00f3ria da utopia no S\u00e9culo 19, vemos que os poetas, os movimentos sociais e as pessoas interessadas na constru\u00e7\u00e3o do futuro n\u00e3o estavam desunidos. Portanto, podemos pensar em um grande poeta que tamb\u00e9m \u00e9 um profeta. Ele est\u00e1 olhando para o futuro e esse olhar para o futuro \u00e9, como se diz, &#8216;tener saudade del futuro'&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Um f\u00edsico italiano chamado Carlo Rovelli se pergunta por que s\u00f3 nos lembramos do passado e n\u00e3o conseguimos nos lembrar do futuro?. \u00c9 um belo exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o. \u00a0No dia em que conseguirmos nos lembrar desse futuro, estaremos construindo aquele futuro. As for\u00e7as do campo popular, prof\u00e9ticas e po\u00e9ticas, quando se unem, podem trazer essa lembran\u00e7a do futuro para tornar a utopia mais pr\u00f3xima&#8221;.<\/p>\n<p class=\"editor\">Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Dur\u00e3o Coelho<\/p>\n<p class=\"editor\">fonte: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/25\/feira-internacional-do-livro-de-havana-uma-trincheira-de-ideias\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/25\/feira-internacional-do-livro-de-havana-uma-trincheira-de-ideias<\/a><\/p>\n<p class=\"editor\">\u00a0<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_688\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"688\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 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