{"id":711,"date":"2024-06-11T14:42:23","date_gmt":"2024-06-11T17:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/06\/11\/como-e-a-vida-para-as-mulheres-no-ultimo-pais-da-africa-sob-colonizacao\/"},"modified":"2024-06-11T14:42:23","modified_gmt":"2024-06-11T17:42:23","slug":"como-e-a-vida-para-as-mulheres-no-ultimo-pais-da-africa-sob-colonizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=711","title":{"rendered":"Como \u00e9 a vida para as mulheres no \u00faltimo pa\u00eds da \u00c1frica sob coloniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Saara Ocidental est\u00e1 ocupado pelo Marrocos desde 1976, depois de quase 90 anos de invas\u00e3o espanhola<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/bianca-santana\/2024\/06\/como-e-a-vida-para-as-mulheres-no-ultimo-pais-da-africa-sob-colonizacao.shtml\" rel=\"nofollow\">Folha de S\u00e3o Paulo, por Bianca Santana<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/bianca-santana.jpg\" width=\"768\" height=\"512\" loading=\"lazy\" data-path=\"local-images:\/Brasil\/bianca-santana.jpg\"><\/p>\n<p><span class=\"tdb-caption-text\" style=\"font-size: 12px;\">Bianca Santana &#8211; Doutora em ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, mestra em educa\u00e7\u00e3o e jornalista. Autora de &#8220;Quando me Descobri Negra&#8221; &#8211; Jo\u00e3o Benz\/Divulga\u00e7\u00e3o\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_content tdi_58 td-pb-border-top td_block_template_1 td-post-content tagdiv-type\" data-td-block-uid=\"tdi_58\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<p>Ainda hoje h\u00e1 um pa\u00eds africano colonizado. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2020\/12\/saara-ocidental-e-novo-dano-colateral-dos-acordos-de-paz-de-israel.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Saara Ocidental<\/a>\u00a0est\u00e1 ocupado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/tag\/marrocos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marrocos<\/a>\u00a0desde 1976, depois de quase 90 anos de invas\u00e3o espanhola, e esteve em guerra por independ\u00eancia at\u00e9 1991, quando uma miss\u00e3o da ONU foi instalada com a promessa de realizar um plebiscito para a determina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Os quase 266 mil km\u00b2 de deserto no norte da \u00c1frica, \u00e0 beira do Atl\u00e2ntico, s\u00e3o ricos em fosfato. At\u00e9 hoje o povo saaraui \u2014cerca de 600 mil pessoas divididas entre o territ\u00f3rio ocupado, campos de refugiados na\u00a0Arg\u00e9lia\u00a0e o ex\u00edlio\u2014 clama pelo plebiscito. Quarenta e seis pa\u00edses reconhecem a soberania do pa\u00eds. <strong>O Brasil n\u00e3o \u00e9 um deles.<\/strong><\/p>\n<p>Em outubro de 2023, visitei Laayoune, capital do Saara Ocidental, a pedido da ativista Mahfouda Lefkir. Nos conhecemos no Qu\u00eania, em 2022, no Festival Rep\u00fablica Feminista. Nascida em 1984, como eu, ela havia estado na cadeia por ter protestado contra a pris\u00e3o arbitr\u00e1ria de seu tio, membro da Frente Polis\u00e1rio, organiza\u00e7\u00e3o de luta por liberta\u00e7\u00e3o. Pediu que eu a visitasse e contasse sua hist\u00f3ria. Quase um ano depois, participei de uma atividade no Marrocos e, gra\u00e7as ao financiamento da Thousand Currents para a Casa Sueli Carneiro, aproveitei a oportunidade para chegar ao Saara Ocidental.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/mulheres-saara.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;w=2560&amp;ssl=1\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-190736\" style=\"width: 612px; height: auto;\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/mulheres-saara.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;quality=90&amp;webp=90&amp;avif=80&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\"  alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\"><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Saarauis deslocados chegam para participar de encontro da Frente Polis\u00e1rio no campo de refugiados de Dakhla, que fica a cerca de 170 km da cidade argelina de Tindouf, em 13 de janeiro de 2023 \u2013\u00a013.jan.2023\/AFP<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse a liberdade que nos foi tirada, eu estaria agora caminhando com voc\u00ea no deserto, onde olhar\u00edamos as estrelas e lhe apresentar\u00edamos os costumes de nossos ancestrais\u201d, ela me disse em \u00e1rabe, no apartamento onde passamos cerca de 36 horas, intercalando entrevista, cozinha e descanso. Por seis horas tivemos a tradu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe-ingl\u00eas do jornalista Mayara Mohamed, membro do Coletivo Equipe Media. No restante do tempo, sua cunhada e tamb\u00e9m jornalista Salha Boutngiza interpretava algumas frases, quando o Google Tradutor era insuficiente. \u201cA primeira coisa que faria seria construir uma tenda. A tenda \u00e9 uma das nossas tradi\u00e7\u00f5es e fomos banidos dela.\u201d<\/p>\n<p>Mahfouda explica a estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o do colonialismo marroquino: apagamento da identidade saaraui; incentivo \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio por cidad\u00e3os do Marrocos; persegui\u00e7\u00e3o de ativistas. Quando foi presa, teve a roupa arrancada por homens que a espancaram e interrogaram depois de acessarem todos os arquivos de seu celular. Dormia no ch\u00e3o e passava longos per\u00edodos sem receber comida ou bebida. \u201cNunca me deixaram ler livros, jornais ou escrever. Tive crises de asma sem acesso a medicamentos. Podia receber visitas por no m\u00e1ximo sete minutos.\u201d<\/p>\n<p>O principal medo de Mahfouda, que teve um irm\u00e3o assassinado na adolesc\u00eancia, \u00e9 ver os filhos atacados pela ocupa\u00e7\u00e3o marroquina. Ela deseja que sua menina e seu menino sejam educados com liberdade em um pa\u00eds independente, que n\u00e3o obrigue seu povo a estar dividido.<\/p>\n<p>Clandestinamente, o movimento de mulheres saarauis promove encontros formativos sobre direitos humanos e feminismo, al\u00e9m de organizarem atos, costurarem bandeiras e produzirem panfletos denunciando arb\u00edtrios. Esses s\u00e3o os motivos das pris\u00f5es e torturas. As ativistas n\u00e3o conseguem trabalho, e se tentam empreender, o governo marroquino acaba com a iniciativa imediatamente. Vivem da solidariedade de familiares. \u201cTenho me dedicado a sistematizar coletivos, associa\u00e7\u00f5es e grupos de mulheres que n\u00e3o possuem apoio de nenhum tipo\u201d, compartilhou Mahfouda.<\/p>\n<p>Na coluna que estreio hoje, pretendo contar hist\u00f3rias de mulheres e movimentos de diferentes regi\u00f5es do mundo, que tive a oportunidade de conhecer nos \u00faltimos dez anos. Al\u00e9m de resistir ao patriarcado racista cisheteronormativo neoliberal, as mulheres t\u00eam produzido formas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de cuidado, respeito \u00e0s pessoas e \u00e0 natureza, amor. Revolu\u00e7\u00f5es em que podemos dan\u00e7ar.<\/p>\n<\/div>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/como-e-a-vida-para-as-mulheres-no-ultimo-pais-da-africa-sob-colonizacao\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/como-e-a-vida-para-as-mulheres-no-ultimo-pais-da-africa-sob-colonizacao\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_711\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"711\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 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