{"id":726,"date":"2024-07-18T10:01:11","date_gmt":"2024-07-18T13:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/07\/18\/destinos-escritos-a-negro-cor-de-pele\/"},"modified":"2024-07-18T10:01:11","modified_gmt":"2024-07-18T13:01:11","slug":"destinos-escritos-a-negro-cor-de-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=726","title":{"rendered":"Destinos escritos \u00e0 negro (cor de pele)"},"content":{"rendered":"<p>A discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 uma realidade insidiosa que permeia a sociedade de forma profunda, criando divis\u00f5es e desigualdades que prejudicam a todos.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-4391099 elementor-widget elementor-widget-post-info\" data-id=\"4391099\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"post-info.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<ul class=\"elementor-inline-items elementor-icon-list-items elementor-post-info\">\n<li class=\"elementor-icon-list-item elementor-repeater-item-29a86dd elementor-inline-item\"><a href=\"https:\/\/opais.co.mz\/author\/nilsa-magaia\/\"> <span class=\"elementor-icon-list-text elementor-post-info__item elementor-post-info__item--type-author\">\u00a0Publicado na coluna de Nilsa Magaia em O Pa\u00eds<\/span> <\/a><\/li>\n<li class=\"elementor-icon-list-item elementor-repeater-item-7014203 elementor-inline-item\"><span class=\"elementor-icon-list-text elementor-post-info__item elementor-post-info__item--type-date\"> 17\/07\/2024 <\/span><\/li>\n<li class=\"elementor-icon-list-item elementor-repeater-item-e65e4d7 elementor-inline-item\"><span class=\"elementor-icon-list-text elementor-post-info__item elementor-post-info__item--type-time\">O Pa\u00eds (Mo\u00e7ambique)<br \/><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span class=\"elementor-icon-list-text elementor-post-info__item elementor-post-info__item--type-time\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/meninas-mocambique_ASCHA2a.jpg\" width=\"900\" height=\"514\" loading=\"lazy\" data-path=\"local-images:\/Mocambique\/meninas-mocambique_ASCHA2a.jpg\"><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-09e5f61 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"09e5f61\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sou Filomena Matusse, nasci em Mo\u00e7ambique, sendo assim, mo\u00e7ambicana e negra, com a pele muito escura, marcada pelo sol cuja intensidade aumenta a cada dia. A exposi\u00e7\u00e3o solar \u00e9 inevit\u00e1vel, agravando a minha negritude, uma vez que tenho de ficar exposta a ele para garantir sustento para a minha fam\u00edlia; e n\u00e3o posso arcar com os custos dos protetores solares, que j\u00e1 ouvi falar por ai, pois s\u00e3o caros demais para o n\u00edvel em que me encontro, pois, minha situa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o \u00e9 boa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nasci em meio \u00e0 pobreza, um facto que procuro aceitar diariamente, mas que n\u00e3o me impede de sonhar com um futuro diferente<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Entretanto,\u00a0 n\u00e3o quero falar no momento da minha pobreza, pois n\u00e3o \u00e9 culpa minha ter nascido nesta condi\u00e7\u00e3o, quero falar de outra quest\u00e3o que inquieta-me e\u00a0 \u00e9 ainda pior que a pobreza a mau ver\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde jovem, fui testemunha da press\u00e3o imposta \u00e0s mulheres da minha comunidade, prov\u00edncia e pa\u00eds, que tentam clarear a pele. Eu pr\u00f3pria, num determinado momento, sucumbi a essa tend\u00eancia, utilizando cremes clareadores acess\u00edveis, dispon\u00edveis inclusive nos mercados locais por 100 meticais. Inicialmente, julgava e condenava essas pr\u00e1ticas, pois n\u00e3o compreendia a motiva\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s delas. Contudo, ap\u00f3s reflex\u00f5es e experi\u00eancias pessoais, a minha vis\u00e3o mudou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mo\u00e7ambique \u00e9 um pa\u00eds africano e a ra\u00e7a que predomina \u00e9 a negra, entretanto n\u00e3o tenho paz na minha pr\u00f3pria terra onde tenho o direito de ser negra e deveria viver a vontade\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma\u00a0 experi\u00eancia dolorosa foi a de uma gestora s\u00e9nior negra de certa empresa, que, embora competente, foi substitu\u00edda por uma colega\u00a0 de pele branca, revelando uma hierarquia baseada na cor da pele. Estas situa\u00e7\u00f5es evidenciam a desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o persistentes, influenciando at\u00e9 mesmo o crescimento profissional e pessoal. Passo a expor: Uma jovem altamente capacitada foi contratada por empres\u00e1rios asi\u00e1ticos em Mo\u00e7ambique para actuar como gestora s\u00e9nior\u00a0 na sua empresa, onde os funcion\u00e1rios eram maioritariamente mo\u00e7ambicanos e negros. A conviv\u00eancia inicial entre todos era harmoniosa e produtiva. Todavia, tudo mudou quando o chefe da jovem decidiu contratar duas raparigas tamb\u00e9m asi\u00e1ticas para a mesma empresa. Embora as novas funcion\u00e1rias fossem fluentes em portugu\u00eas e simp\u00e1ticas, o chefe come\u00e7ou a introduzir divis\u00f5es entre os colaboradores, separando-os pela cor da pele. Ele instituiu regras segregacionistas, tais como direcionar os negros para um lado e os brancos para outro, inclusive designando utens\u00edlios diferentes para uso de acordo com a cor da pele. Esta atitude discriminat\u00f3ria gerou desconforto no ambiente de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gestora, injustamente, foi removida do cargo sem motivo aparente para que uma das novas funcion\u00e1rias brancas assumisse a posi\u00e7\u00e3o, embora a gestora negra fosse mais competente. Esta era respons\u00e1vel por treinar as novas funcion\u00e1rias e ensinar o sistema de contabilidade e gest\u00e3o da empresa, inclusive as duas raparigas asi\u00e1ticas foram instru\u00eddas por ela. Esta situa\u00e7\u00e3o levou a jovem negra a concluir que, infelizmente, naquele contexto, a cor da pele parecia determinar a hierarquiza\u00e7\u00e3o e as oportunidades de trabalho, acima das qualifica\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias acad\u00e9micas. Este triste desfecho levanta a quest\u00e3o de como as desigualdades e preconceitos raciais ainda influenciam significativamente o ambiente profissional, mostrando que, para algumas pessoas, a pigmenta\u00e7\u00e3o da pele pode influenciar injustamente as suas carreiras e oportunidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este foi apenas um relato de muitos que poder\u00edamos trazer, porque a discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 uma realidade na nossa sociedade, \u00e9 f\u00e1cil de ver as varias manifesta\u00e7\u00f5es no nosso dia a dia, desde o acesso as oportunidades, at\u00e9 as suas formas mais graves.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O preconceito baseados na cor da pele e a discrimina\u00e7\u00e3o geram divis\u00f5es e desigualdades profundas na sociedade. Observa-se que, mesmo dentro da comunidade negra, a tonalidade da pele frequentemente determina a hierarquia e o tratamento recebido, perpetuando padr\u00f5es de opress\u00e3o. Estas experi\u00eancias refletem a complexidade e as feridas causadas pela discrimina\u00e7\u00e3o racial, questionando se a opress\u00e3o vivenciada resulta, em alguns casos, na perpetua\u00e7\u00e3o do ciclo de discrimina\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o entre os pr\u00f3prios indiv\u00edduos de uma mesma comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 uma realidade insidiosa que permeia a sociedade de forma profunda, criando divis\u00f5es e desigualdades que prejudicam a todos. \u00c9 imperioso reconhecer e confrontar activamente o racismo em todas as suas formas, desde os actos mais evidentes at\u00e9 as estruturas institucionais que perpetuam a injusti\u00e7a. Apenas com consci\u00eancia, empatia e ac\u00e7\u00e3o conjunta podemos construir um mundo mais justo e inclusivo, onde a cor da pele n\u00e3o determine o valor ou as oportunidades de um indiv\u00edduo. Fa\u00e7amos a nossa parte para promover a igualdade e a diversidade e lutemos juntos contra o racismo em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es!<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">fonte: <a href=\"https:\/\/opais.co.mz\/destinos-escritos-a-negro-cor-de-pele\/\">https:\/\/opais.co.mz\/destinos-escritos-a-negro-cor-de-pele\/<\/a><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_726\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"726\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 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