{"id":739,"date":"2024-09-26T11:08:17","date_gmt":"2024-09-26T14:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/09\/26\/abdias-nascimento-110-filosofo-da-afrodiaspora\/"},"modified":"2024-09-26T11:08:17","modified_gmt":"2024-09-26T14:08:17","slug":"abdias-nascimento-110-filosofo-da-afrodiaspora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=739","title":{"rendered":"Abdias Nascimento, 110: Fil\u00f3sofo da afrodi\u00e1spora"},"content":{"rendered":"<p>Intelectual negro fundou o Teatro Experimental do Negro, denunciando a segrega\u00e7\u00e3o nas artes brasileiras. Foi perseguido pela ditadura. E tornou-se a voz pan-africanismo no pa\u00eds, propondo a uni\u00e3o de rebeldias dos dois lados do Atl\u00e2ntico<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"channel\"><strong class=\"text-outrasmidias\">Outras<\/strong>M\u00eddias<\/div>\n<div class=\"category\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/category\/historia-e-memoria\/\" rel=\"category tag\">Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria<\/a><\/div>\n<div class=\"author\">por <a title=\"Posts de Ag\u00eancia Brasil\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/agenciabrasil\/\" rel=\"author\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado 14\/03\/2024 \u00e0s 16:55<\/p>\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3093152\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/photo_5159387489784409127_x.jpg\" sizes=\"(max-width: 608px) 100vw, 608px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/photo_5159387489784409127_x.jpg 608w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/photo_5159387489784409127_x-300x190.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"386\"><\/figure>\n<p>Por <strong>Rafael Cardoso<\/strong>, na <em><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/em><\/p>\n<p>O ano era 1974. Abdias Nascimento participava do 6\u00ba Congresso Pan-Africano em Dar-es-Salaam, na Tanz\u00e2nia, como \u00fanico representante da Am\u00e9rica do Sul. Durante o evento, o intelectual brasileiro foi convidado pelo embaixador de\u00a0Uganda para conhecer a fonte do Rio Nilo. Ao lado de outros ativistas, artistas e intelectuais, Abdias experimentou um banho transformador.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1585595&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1585595&amp;o=node\"><\/p>\n<p>\u201cAquelas \u00e1guas que alimentaram tantas antigas civiliza\u00e7\u00f5es negras me emocionaram extremamente; elas encharcaram a minha alma. Banhei-me nelas como num batismo primordial, como se de fato estivesse nascendo de novo\u201d, escreveu Abdias em testemunho de 1976.<\/p>\n<div id=\"outra-1668513475\" class=\"outra-oq23-texto\">\n<div id=\"outra-781464782\" style=\"margin-bottom: 15px;\"><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1.png\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1-300x75.png 300w\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"171\" loading=\"lazy\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Homem negro, era natural de Franca, no interior de S\u00e3o Paulo. Foi ator, dramaturgo, poeta, escritor, artista pl\u00e1stico, professor, pol\u00edtico e ativista antirracista. H\u00e1 exatos 110 anos, nascia Abdias, um dos maiores intelectuais do Brasil. Nessa trajet\u00f3ria extensa, ele\u00a0se destacou como o principal difusor do pan-africanismo no pa\u00eds. Em termos simples, um movimento em defesa da unidade pol\u00edtica dos povos africanos, que tem origem\u00a0no s\u00e9culo 19, mas ganha for\u00e7a no s\u00e9culo 20, no contexto da descoloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e das lutas antirracistas em todo o mundo.<\/p>\n<p>O \u201cbatismo\u201d de Abdias no Nilo representava essa reconex\u00e3o com a \u00c1frica, que\u00a0dizia ser a verdadeira terra natal dele, o \u00fanico lugar em que havia se sentido em casa. Com o Brasil, a rela\u00e7\u00e3o era \u201ccheia de revolta\u201d e \u201cparadoxal\u201d, por entender que a sociedade recusava as ra\u00edzes africanas do povo negro e tentava silenci\u00e1-las.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3093148\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-43-08-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-43-08-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png 653w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-43-08-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes-300x225.png 300w\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"490\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto\u00a0<strong>Acervo do Ipeafro\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em 1968, Abdias viajou aos Estados Unidos para\u00a0um interc\u00e2mbio com movimentos que promoviam\u00a0os direitos civis e humanos da popula\u00e7\u00e3o negra. Ao perceber o aumento da repress\u00e3o e da viol\u00eancia na ditadura militar brasileira, decidiu autoexilar-se. Durante 13 anos, viveu nos Estados Unidos e na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo T\u00falio Cust\u00f3dio, mestre e doutor pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), pesquisou o per\u00edodo de ex\u00edlio de Abdias e explica que as experi\u00eancias internacionais tiveram influ\u00eancia grande no pensamento pol\u00edtico e intelectual dele. Como professor universit\u00e1rio,\u00a0participou de v\u00e1rios eventos nos Estados Unidos, na Am\u00e9rica Central e na \u00c1frica. E p\u00f4de aprofundar cr\u00edticas \u00e0 ideia do Brasil como uma democracia racial, al\u00e9m estreitar os la\u00e7os internacionais com pensamentos e intelectuais africanos.<\/p>\n<p>\u201cO foco dele continua sendo o Brasil. \u00c9 a partir do pa\u00eds que pensa a quest\u00e3o racial. Mas ele entende que as ra\u00edzes negras brasileiras est\u00e3o diretamente associadas a uma no\u00e7\u00e3o de cultura africana, que d\u00e1 respaldo a uma vis\u00e3o de pan-africanismo e de di\u00e1spora. O intelectual alarga a dimens\u00e3o de resist\u00eancia e de revolta que j\u00e1 estava presente no pensamento dele nos anos 1960, e as conecta com o pan-africanismo. Conecta a luta do negro brasileiro com o movimento de descoloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e com o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos\u201d, explica T\u00falio Cust\u00f3dio.<\/p>\n<p>No contexto da persegui\u00e7\u00e3o dos militares aos opositores e de outros ex\u00edlios, Abdias fez quest\u00e3o de marcar a diferen\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o dele em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0de outros intelectuais e militantes brancos.<\/p>\n<p>\u201cMeu ex\u00edlio \u00e9 de outra natureza. N\u00e3o come\u00e7ou em 1968 ou 1964, nem em momento algum dos meus 62\u00a0anos de vida. Hoje, mais do que nunca, compreendo que nasci exilado, de pais que tamb\u00e9m nasceram no ex\u00edlio, descendentes de gente africana trazida \u00e0 for\u00e7a para as Am\u00e9ricas\u201d, escreveu.<\/p>\n<div id=\"outra-812612634\" class=\"outra-meio-do-texto\">\n<div id=\"outra-1826928521\" style=\"text-align: center; margin: 30px auto 30px auto;\"><a href=\"https:\/\/editoramundareu.com.br\/product\/uma-saida-honrosa\/\" aria-label=\"Banner\u2014Uma-saida-honrosa\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: inline-block;\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Banner-Uma-saida-honrosa.gif\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\" loading=\"lazy\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pan-africanismo<\/strong><\/h3>\n<p>Quando chegou aos Estados Unidos, Abdias j\u00e1 trazia um curr\u00edculo longo: havia fundado o Teatro Experimental do Negro (TEN) em 1944, que denunciava a segrega\u00e7\u00e3o nas artes brasileiras e promovia os direitos civis e humanos dos negros; participara da organiza\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Nacional do Negro, em 1945 e 1946, e do 1\u00ba Congresso do Negro Brasileiro, em 1950; editara o jornal Quilombo: Vida, Problemas e Aspira\u00e7\u00f5es do Negro; e era o curador fundador do Museu de Arte Negra.<\/p>\n<p>Como professor universit\u00e1rio no exterior, teve a oportunidade de conhecer intelectuais e militantes de v\u00e1rios pa\u00edses\u00a0e entrar em contato com as diferentes vertentes do pan-africanismo, como explica o soci\u00f3logo T\u00falio Cust\u00f3dio.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3093149\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-22-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png\" sizes=\"(max-width: 655px) 100vw, 655px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-22-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png 655w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-22-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes-300x224.png 300w\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"488\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto\u00a0<strong>Acervo do Ipeafro\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cAntes da minha pesquisa, tinha expectativa de que o Abdias estaria em di\u00e1logo com as teorias norte-americanas e o movimento negro de l\u00e1. E n\u00e3o \u00e9 o caso. Na verdade, ele acaba se conectando mais com os intelectuais de origem africana. E mesmo quando dialoga com intelectuais dos EUA, \u00e9 mais com aqueles que est\u00e3o envolvidos na discuss\u00e3o do pan-africanismo ou do nacionalismo negro. Casos de Molefi Asante, Maulana Karenga, Cheikh Anta Diop e Anani Dzidzienyo\u201d.<\/p>\n<p>O pan-africanismo estava dividido ente grupos pr\u00f3-comunistas, pr\u00f3-capitalistas e de uma chamada terceira via. Abdias se identificou com o \u00faltimo grupo, por entender que comunismo e capitalismo n\u00e3o apresentavam solu\u00e7\u00f5es para os problemas espec\u00edficos da popula\u00e7\u00e3o negra. Para ele, o mundo africano deveria buscar a pr\u00f3pria identidade ideol\u00f3gica, com base na experi\u00eancia hist\u00f3rica do continente, mas tamb\u00e9m nas experi\u00eancias das di\u00e1sporas nas Am\u00e9ricas e Pac\u00edfico. Foi o que ele defendeu no discurso do 6\u00ba Congresso Pan-Africano de 1974, aquele citado no in\u00edcio da reportagem, do emblem\u00e1tico banho no Rio Nilo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3093150\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-55-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-55-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png 657w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-44-55-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes-300x196.png 300w\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"430\" loading=\"lazy\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Rio de Janeiro \u2013 A diretora do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, Elisa Larkin Nascimento \u2013\u00a0<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Foi nesse mesmo ano\u00a0que Abdias conheceu Elisa Larkin nos Estados Unidos. Ela havia participado de movimentos estudantis e pol\u00edticos contra a guerra do Vietn\u00e3, contra empresas americanas que sustentavam o regime do<em> apartheid<\/em> na \u00c1frica do Sul e de outros embates contra o racismo no pr\u00f3prio pa\u00eds. Elisa conta que houve uma afinidade imediata, por terem tantos pontos em comum\u00a0na vida pessoal e intelectual. Das trocas entre os dois, aprendeu mais sobre a hist\u00f3ria das filosofias e culturas africanas\u00a0e acompanhou de perto a atua\u00e7\u00e3o incisiva do companheiro nos c\u00edrculos internacionais.<\/p>\n<p>\u201cO Abdias vai ter uma voz muito maior dentro desses c\u00edrculos do pan-africanismo. No Brasil, crescia a consci\u00eancia entre a popula\u00e7\u00e3o negra sobre essa dimens\u00e3o internacional e pan-africana de luta. E a mesma coisa acontecia do lado de l\u00e1. Os movimentos pan-africanos no exterior n\u00e3o tomavam conhecimento de uma popula\u00e7\u00e3o negra que era a maior do mundo fora da Nig\u00e9ria. Quando Abdias come\u00e7ou a dizer isso no in\u00edcio dos anos 70, as pessoas achavam um absurdo: \u2018esse cara est\u00e1 enlouquecendo\u2019. Ele era recha\u00e7ado. Os ativistas do exterior n\u00e3o tinham a consci\u00eancia dessas outras popula\u00e7\u00f5es\u201d, diz Elisa.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Volta ao Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Quando voltou ao Brasil em 1981 definitivamente, Abdias fundou com Elisa o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). A institui\u00e7\u00e3o organizou o 3\u00ba Congresso de Cultura Negra das Am\u00e9ricas, em S\u00e3o Paulo, em 1982). A revista Afrodi\u00e1spora, lan\u00e7ada no ano seguinte pelo Ipeafro, traz na capa men\u00e7\u00e3o ao congresso e diz que os negros reunidos nele buscavam a pr\u00f3pria identidade, impor respeito \u00e0 condi\u00e7\u00e3o comum de descendentes dos povos africanos.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, se manteve ativo na defesa do pan-africanismo e contra a desigualdade racial em congressos e semin\u00e1rios internacionais, al\u00e9m de publicar dezenas de livros em ingl\u00eas e portugu\u00eas. Entre eles\u00a0est\u00e3o <em>O genoc\u00eddio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado<\/em>, <em>O quilombismo<\/em>\u00a0e <em>O<\/em>\u00a0<em>Brasil na mira do pan-africanismo<\/em>.<\/p>\n<p>Na vida pol\u00edtica, Abdias Nascimento assumiu o cargo de deputado federal em 1983, eleito suplente pelo PDT-RJ. Como integrante da Comiss\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, prop\u00f4s medidas contra o <em>apartheid<\/em>, de apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC) da \u00c1frica do Sul e ao movimento pela independ\u00eancia da Nam\u00edbia.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3093151\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-45-38-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-45-38-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes.png 656w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Screenshot-2024-03-14-at-16-45-38-Abdias-Nascimento-110-anos-a-luta-para-unir-africanos-e-descendentes-300x212.png 300w\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"463\" loading=\"lazy\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Abdias Nascimento deixou legado de luta antirracista \u2013 Foto\u00a0<strong>Acervo do Ipeafro\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201c\u00c9 o Abdias que traz essa discuss\u00e3o sobre o <em>apartheid<\/em> e a necessidade de rompimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do Brasil com o regime sul-africano do <em>apartheid<\/em>. E tamb\u00e9m vai incluir isso al\u00e9m do Congresso, como\u00a0item importante de luta para todos os negros, inclusive o brasileiro\u201d, afirma Fabiana Vieira, historiadora que pesquisa as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e \u00c1frica do Sul, no que diz respeito \u00e0\u00a0atua\u00e7\u00e3o do movimento negro.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Legado<\/strong><\/h3>\n<p>Abdias Nascimento morreu em 2011, aos 97 anos. Deixou um legado de luta antirracista, vasta publica\u00e7\u00e3o intelectual, acad\u00eamica e art\u00edstica. Mas os pesquisadores ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil dizem que, apesar dos esfor\u00e7os para difundir o pan-africanismo no pa\u00eds, a doutrina ainda tem pouca influ\u00eancia sobre o movimento negro.<\/p>\n<p>A historiadora Fabiana Vieira entende que falta projeto pol\u00edtico de integra\u00e7\u00e3o com pautas do exterior.<\/p>\n<p>\u201cO movimento negro atual perdeu essa ideia de internacionaliza\u00e7\u00e3o. O que me parece \u00e9 que a conex\u00e3o hoje \u00e9 mais acad\u00eamica e pontual, quando tem algum evento ou acontecimento no exterior que mere\u00e7a maior aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 um projeto pol\u00edtico cont\u00ednuo de internacionaliza\u00e7\u00e3o do movimento negro, como pretendia Abdias Nascimento\u201d.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo T\u00falio Cust\u00f3dio entende que intelectuais e pensamentos do movimento negro dos Estados Unidos s\u00e3o mais influentes sobre os brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cApesar de toda a contribui\u00e7\u00e3o que uma parte do movimento negro teve, o que inclui o Abdias, de pensar uma identidade negra a partir da \u00c1frica, quem leva o jogo, vou colocar nesses termos, \u00e9 a perspectiva norte-americana. Impacto dela na realidade brasileira vem pelas roupas, pelos movimentos culturais, musicais, e que v\u00e3o trazer uma for\u00e7a de influ\u00eancia na identidade negra. Quando a \u00c1frica aparece, \u00e9 quase numa perspectiva et\u00e9rea, menos conectada com os elementos culturais que est\u00e3o no pensamento de Abdias. As reflex\u00f5es para lidar com os problemas concretos do Brasil partem de ferramentas te\u00f3ricas mobilizadas no debate estadunidense\u201d.<\/p>\n<p>Quem continua na luta pela valoriza\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes africanas e defende o legado de Abdias \u00e9 o Ipeafro, hoje sob dire\u00e7\u00e3o da vi\u00fava Elisa Larkin Nascimento.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho\u00a0\u00e9 fazer com que o pict\u00f3rico, o acervo museol\u00f3gico, as obras de arte e o acervo documental do Abdias possam ajudar a pensar e a criar maneiras de trazer esse legado ao conhecimento das novas gera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o apenas de crian\u00e7as e adolescentes e pessoas negras, mas do pa\u00eds inteiro, para a gente entender melhor a hist\u00f3ria do povo negro e como ela se relaciona \u00e0\u00a0dos povos origin\u00e1rios africanos\u201d, disse Elisa.<\/p>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p>{youtube}https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9_7nRLyReX4{\/youtube}<\/p>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--subshare\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"post-content--author\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/agenciabrasil\/\"><\/p>\n<h4 class=\"post-content--author-name\">Ag\u00eancia Brasil<\/h4>\n<div class=\"post-content--author-biography\">Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; EBC<\/div>\n<div class=\"post-content--author-biography\">\u00a0<\/div>\n<p><\/a><\/p>\n<div class=\"post-content--author-biography\">fonte: <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/abdias-nascimento-110-filosofo-da-afrodiaspora\/\">https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/abdias-nascimento-110-filosofo-da-afrodiaspora\/<\/a><\/div>\n<div class=\"post-content--author-biography\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_739\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"739\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intelectual negro fundou o Teatro Experimental do Negro, denunciando a segrega\u00e7\u00e3o nas artes brasileiras. Foi perseguido pela ditadura. 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