{"id":750,"date":"2024-11-05T10:07:25","date_gmt":"2024-11-05T13:07:25","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2024\/11\/05\/chimurenga-maitu-feminismo-africano-decolonial-e-as-vidas-revolucionarias-de-tres-maes-do-quenia\/"},"modified":"2024-11-05T10:07:25","modified_gmt":"2024-11-05T13:07:25","slug":"chimurenga-maitu-feminismo-africano-decolonial-e-as-vidas-revolucionarias-de-tres-maes-do-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=750","title":{"rendered":"Chimurenga Mait\u0169 &#8211; Feminismo africano decolonial e as vidas revolucion\u00e1rias de tr\u00eas m\u00e3es do Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"<p>Feminismo africano decolonial e as vidas revolucion\u00e1rias de tr\u00eas m\u00e3es do Qu\u00eania.<\/p>\n<div>\n<\/div>\n<div class=\"post-header\">\n<h1 class=\"post-title\">\u00a0<\/h1>\n<div class=\"post-byline\"><span class=\"preauthor\">POR <\/span><span class=\"autores\">Julie MacArthur<\/span><\/div>\n<div class=\"post-traduccion\">Tradu\u00e7\u00e3o<br \/>Priscilla Marques<br \/>Jacobin<\/div>\n<p class=\"post-excerpt\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<aside id=\"sidebar-nota-right\" class=\"sidebar sidebar-right\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\n<section id=\"block-7\" class=\"widget widget_block\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cfemea.org.br\/images\/Africa\/Chimurenga_Maitu.jpg\" alt=\"Chimurenga Maitu\" width=\"732\" height=\"512\"><\/section>\n<\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"post-content\">\n<p class=\"has-drop-cap\">Este n\u00e3o \u00e9 um ensaio; n\u00e3o \u00e9 uma reflex\u00e3o. \u00c9 uma express\u00e3o inadequada de luto e gratid\u00e3o, um ato de lembran\u00e7a, um memorial a tr\u00eas <em>Chimurenga Mait\u0169<\/em>: m\u00e3es da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2023, o mundo perdeu tr\u00eas legend\u00e1rias m\u00e3es quenianas da liberta\u00e7\u00e3o (da esquerda para a direita, na ordem de falecimento): M\u0169kami K\u0129mathi (que faleceu em 5 de maio, aos 101 anos), a Professora M\u0129cere G\u0129thae M\u0169go (30 de junho, aos 80 anos) e a Marechal de Campo Mau Mau M\u0169thoni wa K\u0129r\u0129ma (5 de setembro, aos 92 anos). Tive o humilde privil\u00e9gio de compartilhar momentos e de ocupar um espa\u00e7o repleto de conhecimento vivo e afeto comprometido com cada uma dessas mulheres not\u00e1veis ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Ao longo de suas vidas, cada uma dessas mulheres foi frequentemente, ou at\u00e9 mesmo exclusivamente, referenciada em rela\u00e7\u00e3o aos homens imponentes com quem lutaram e criaram: o luminar liter\u00e1rio Ng\u0169g\u0129 wa Thiong\u2019o no caso de M\u0129cere, e Dedan K\u0129mathi Waci\u0169ri, l\u00edder do Ex\u00e9rcito da Terra e da Liberdade do Qu\u00eania, durante a Revolta Mau Mau, marido de M\u0169kami e l\u00edder revolucion\u00e1rio ao lado de M\u0169thoni. Minha <a href=\"https:\/\/africasacountry.com\/2016\/03\/the-hunt-for-the-trial-of-dedan-kimathi\">busca<\/a> pelos resqu\u00edcios arquiv\u00edsticos da vida de<a href=\"https:\/\/www.ohioswallow.com\/9780896803176\/dedan-kimathi-on-trial\/\"> Dedan K\u0129mathi<\/a>, inspirada, em grande parte, pela pe\u00e7a seminal de M\u0129cere e Ng\u0169g\u0129, <a href=\"https:\/\/www.dkut.ac.ke\/downloads\/The%20Trial%20of%20Dedan%20Kimathi%20-%20Ngugi%20wa%20Thiong%27o.pdf\"><em>The Trial of Dedan K\u0129mathi<\/em><\/a>, me levou a essas tr\u00eas mulheres, monumentos vivos da luta. E, no entanto, conhecer essas mulheres, aprender com elas e ouvir suas hist\u00f3rias, mesmo que brevemente, revelou algo muito al\u00e9m de seu valor relacional para homens poderosos e abriu outro conjunto de rela\u00e7\u00f5es: entre mulheres, entre m\u00e3es e seus filhos, entre parentes e camaradas nas lutas do dia a dia. Para esta lembran\u00e7a, escolhi usar os primeiros nomes dessas mulheres em vez de seus t\u00edtulos honor\u00e1rios ou sobrenomes, n\u00e3o para reivindicar uma rela\u00e7\u00e3o excessivamente familiar ou reduzir seus status arduamente conquistados, mas para honrar como elas solicitaram que eu as chamasse e nos trazer a um espa\u00e7o de parentesco comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em um e-mail em junho de 2022, antes da minha primeira visita \u00e0 casa de M\u0169thoni wa K\u0129r\u0129ma em Nyeri, M\u0129cere me pediu para cumprimentar o Marechal de Campo como sua <em>Chimurenga Mait\u0169<\/em> \u2013 sua \u201cm\u00e3e da luta pela liberta\u00e7\u00e3o.\u201d As vidas entrela\u00e7adas dessas tr\u00eas mulheres \u2013 M\u0169kami, M\u0129cere e M\u0169thoni \u2013 encarnavam uma \u00e9tica libertadora e um feminismo africano radicalmente decolonial, comprometido com a liberta\u00e7\u00e3o de seu povo, suas terras e seus corpos e esp\u00edritos. Sylvia Tamale convocou esse feminismo africano decolonial a desconstruir n\u00e3o apenas nossas no\u00e7\u00f5es conceituais de colonialidade e g\u00eanero, mas tamb\u00e9m nossas compreens\u00f5es relacionais de fam\u00edlia, do corpo em seus prazeres e dores, e da liberta\u00e7\u00e3o. Como M\u0129cere exclamou, essa maternidade revolucion\u00e1ria \u00e9 tanto intensamente local (<em>Mait\u0169<\/em>, a palavra G\u0129k\u0169y\u0169 para \u201cm\u00e3e\u201d), quanto pan-africanista (<em>Chimurenga<\/em>, uma palavra Shona \u2013 variosamente traduzida como \u201cluta coletiva,\u201d \u201clevantamento,\u201d \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 cujo chamado \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o se tornou uma linguagem da luta al\u00e9m das fronteiras ilus\u00f3rias de tribo ou na\u00e7\u00e3o), as matriarcas das reescritas hist\u00f3rias do pan-africanismo e da M\u00e3e \u00c1frica, em Tamale (Gana).<\/p>\n<p>A maternidade revolucion\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um conceito novo, nem limitado aos discursos feministas africanos. Enquanto escrevo isso, ativistas, artistas e acad\u00eamicas, todas m\u00e3es, em Gaza, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Sud\u00e3o, Haiti e al\u00e9m, gritam e carregam o fardo do mart\u00edrio e da perda: de seu povo, de seus filhos e de sua terra. Diante de tal desumaniza\u00e7\u00e3o absoluta, a pr\u00f3pria maternidade \u201cse tornou uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria.\u201d Como capturado pela jornalista palestina <a href=\"https:\/\/www.palestine-studies.org\/en\/node\/1654522\">Lama Ghosheh<\/a>: \u201cA maternidade \u00e9 um ato instintivo coletivo, sua for\u00e7a n\u00e3o conhece limites, e nenhuma prosa pode descrev\u00ea-la adequadamente. Por tr\u00e1s de todas as m\u00e3es palestinas exaustas, h\u00e1 a m\u00e3e que suportou todos os nossos fardos e suportou todas as nossas dores, em uma jornada que remonta a mais de dois mil anos. Ela \u00e9 a guardi\u00e3 de nossas mem\u00f3rias, e por causa dela, nosso sangue foi derramado. Ela \u00e9 nossa grande m\u00e3e, e nossa terra, a Palestina, do rio ao mar.\u201d<\/p>\n<p>Constru\u00eddo junto com o trabalho de <a href=\"https:\/\/www.pmpress.org\/index.php?l=product_detail&amp;p=746\">Alexis Pauline Gumbs<\/a>, <a href=\"https:\/\/keguro.substack.com\/p\/the-woman-king\">K\u2019eguro Macharia<\/a>, <a href=\"https:\/\/us.macmillan.com\/books\/9780374531157\/loseyourmother\">Saidiya Hartman<\/a> e outros, <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/13696815.2023.2186383\">Serawit B. Debele<\/a> definiu a maternidade revolucion\u00e1ria como uma \u201cpr\u00e1tica disruptiva\u201d capaz de \u201cefetuar a transforma\u00e7\u00e3o social por meio do cuidado\u201d, de imaginar futuros alternativos e de realizar a \u201cpr\u00e1tica suprema do amor que torna poss\u00edvel a vida para aqueles cuja exist\u00eancia foi alterada por for\u00e7as como o estado\u201d.<\/p>\n<p>As mulheres quenianas lembradas aqui, liberaram a maternidade de suas precondi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e de g\u00eanero para abranger uma <a href=\"https:\/\/archivaria.ca\/index.php\/archivaria\/article\/view\/13557\">\u00e9tica de cuidado<\/a>, acolhimento e cura como uma pr\u00e1tica cotidiana e uma reordena\u00e7\u00e3o radical. Em \u201c<a href=\"https:\/\/www.africanbookscollective.com\/books\/my-mothers-poem-and-other-songs\">O Poema da Minha M\u00e3e<\/a>\u201d, M\u0129cere escreveu:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ent\u00e3o vieram<br \/>palavras de cura<br \/>palavras embalsamadas<br \/>com amor materno<br \/>palavras pesadas<br \/>com sabedoria da oralitura<br \/>palavras faladas<br \/>no dia seguinte<br \/>meu pai<br \/>foi enterrado<br \/>Filha, n\u00e3o<br \/>romantize o lar<br \/>N\u00e3o, filha<br \/>Pois muitos que est\u00e3o em casa<br \/>t\u00eam pris\u00e3o<br \/>como lar<br \/>\u2026<br \/>Toda a terra<br \/>est\u00e1 chorando<br \/>por casa<br \/>\u2026<br \/>N\u00e3o, filha<br \/>Voc\u00ea que tem<br \/>escolheu o caminho<br \/>da luta do povo<br \/>deve encontrar a coragem<br \/>para construir novos lares<br \/>para come\u00e7ar novas vidas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em outro verso, M\u0129cere escreveu que ser feminista era \u201cser a filha \/ da minha m\u00e3e \/ \u00e9 \/ ser mais do que \/ uma sobrevivente \/ \u00e9 \/ ser uma criadora \/ \u00e9 \/ ser uma mulher\u201d. \u201cO Poema da Mulher\u201d proclamou os potenciais globais da maternidade revolucion\u00e1ria:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Imagine (apenas imagine) que<br \/>nossos \u00fateros<br \/>criassem<br \/>uma popula\u00e7\u00e3o<br \/>uma fam\u00edlia global<br \/>de mulheres<br \/>combatentes<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O trabalho criativo e a cr\u00edtica cultural de M\u0129cere abrem para a produ\u00e7\u00e3o intelectual de uma comunidade mais ampla de produtoras e de pr\u00e1ticas de conhecimento por meio da \u201cadequa\u00e7\u00e3o\u201d da <a href=\"https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/29179666.pdf\">oralitura feminista africana<\/a>: \u201ca arte criativa imaginativa da composi\u00e7\u00e3o que se baseia na arte verbal para a comunica\u00e7\u00e3o e que culmina na performance\u201d \u2013 redonda em vez de linear, relacional em vez de extrativista. Os mundos criativos de M\u0129cere, suas contribui\u00e7\u00f5es intelectuais e seus compromissos pol\u00edticos foram impregnados de uma concep\u00e7\u00e3o expansiva, inclusiva e militante de maternidade e de ser m\u00e3e. No entanto, n\u00e3o demorou muito ap\u00f3s seu falecimento para que \u201ccolegas\u201d homens, aparentemente entusiasmados, espalhassem <a href=\"https:\/\/www.standardmedia.co.ke\/entertainment\/opinion\/article\/2001478777\/micere-mugo-article-fallout-indangasi-squandered-a-chance-to-be-great\">rumores, ataques pessoais e insinua\u00e7\u00f5es<\/a> sobre sua sa\u00fade mental, com a inten\u00e7\u00e3o de minar seu imenso legado intelectual e pol\u00edtico. Outros, no entanto, como <a href=\"https:\/\/www.theelephant.info\/reflections\/2023\/10\/20\/remembering-shujaa-micere-githae-mugo-my-sister-in-the-struggle\/\">Dr. Achola Pala Okeyo<\/a>, responderam a tais ataques: sobre sua irmandade intelectual, sua maternidade revolucion\u00e1ria, seus ensinamentos rebeldes e sua coragem destemida diante da persegui\u00e7\u00e3o pessoal, profissional e governamental.<\/p>\n<p>M\u0169kami K\u0129mathi estendeu a maternidade revolucion\u00e1ria \u00e0 viuvez revolucion\u00e1ria: \u201c<a href=\"https:\/\/www.africanbookscollective.com\/books\/mukami-kimathi-mau-mau-woman-freedom-fighter\">Eu tinha apenas vinte e seis anos, mas era a vi\u00fava mais famosa do Qu\u00eania em um pa\u00eds cheio de vi\u00favas<\/a>\u201d. Ela, juntamente com in\u00fameras mulheres e m\u00e3es, lutou para libertar o Qu\u00eania durante a Rebeli\u00e3o Mau Mau: alimentando, cuidando, lutando ao lado e sofrendo em luta compartilhada com outros lutadores pela liberdade. Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de seu marido, o Marechal de Campo Dedan K\u0129mathi, ela honrou seu pedido de manter seu nome vivo, mantendo em todos os seus filhos com seu nome. Wanjugu K\u0129mathi (nascida de M\u0169kami na d\u00e9cada de 1970) d\u00e1 continuidade aos legados de Dedan e M\u0169kami por meio de sua lideran\u00e7a na Funda\u00e7\u00e3o Dedan K\u0129mathi, sua incans\u00e1vel busca pelos <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/249237290_The_Search_for_the_Remains_of_Dedan_Kimathi_The_Politics_of_Death_and_Memorialization_in_Post-Colonial_Kenya\">restos mortais<\/a> do corpo desaparecido de K\u0129mathi, sua luta incans\u00e1vel pela restaura\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 terra para os veteranos Mau Mau e outros deslocados pela desapropria\u00e7\u00e3o colonial e pelos interesses corporativos p\u00f3s-coloniais.\u00a0<\/p>\n<p>Trabalhei como consultora hist\u00f3rica e criativa no document\u00e1rio recentemente estreado <a href=\"https:\/\/festival.idfa.nl\/en\/film\/9bbfe517-7a17-4647-b8e2-3d663a2e4cb6\/our-land-our-freedom\/\"><em>Our Land, Our Freedom<\/em><\/a>, com as diretoras Zippy Kimundu e Meena Nanji, fui testemunha da for\u00e7a de Wanjugu, da determina\u00e7\u00e3o e humor de M\u0169kami e das hist\u00f3rias entrela\u00e7adas de luta familiar e liberta\u00e7\u00e3o nacional. Assim como no falecimento de M\u0169kami, enquanto comentaristas e acad\u00eamicos quenianos discutiam se ela \u201crealmente\u201d lutou nas florestas do Qu\u00eania Central como parte do Ex\u00e9rcito da Liberdade da Terra do Qu\u00eania ou se foi apenas uma esposa e eventual detida na \u201cala passiva\u201d nas aldeias, n\u00e3o pude deixar de sentir novamente esse legado sendo diminu\u00eddo, questionado e colocado em seu lugar. Em sua <a href=\"https:\/\/www.africanbookscollective.com\/books\/mukami-kimathi-mau-mau-woman-freedom-fighter\">biografia<\/a>, escrita com a participa\u00e7\u00e3o oral colaborativa de Wairim\u0169 Nderit\u0169, que cresceu chamando-a de \u201cMait\u0169 wa K\u0129mathi,\u201d M\u0169kami ofereceu sua hist\u00f3ria: de sofrimento sem se curvar, de maternidade de gera\u00e7\u00f5es daqueles nascidos nas convuls\u00f5es da luta libertadora, da natureza de g\u00eanero da luta e de seu papel como \u201cesposa e m\u00e3e\u201d do movimento: \u201cOs corpos das mulheres eram teatros de guerra\u2026 As mulheres Mau Mau pagaram caro por seus pap\u00e9is reais e percebidos na guerra.\u201d<\/p>\n<p>Os corpos das mulheres carregam os arquivos de liberta\u00e7\u00e3o. M\u0169thoni foi a \u00fanica mulher que alcan\u00e7ou a mais alta patente de Marechal de Campo no Ex\u00e9rcito da Liberdade da Terra do Qu\u00eania, a vida de M\u0169thoni desafiou as expectativas de g\u00eanero e revelou novas formas de maternidade durante a liberta\u00e7\u00e3o, embora tenham sido marcadas por <a href=\"https:\/\/searchworks.stanford.edu\/view\/5797474\">sil\u00eancios, apagamentos e manipula\u00e7\u00f5es<\/a>, como M\u0129cere havia previsto.\u00a0 M\u0169thoni nunca foi capturada ou se rendeu, deixando a floresta somente depois que a independ\u00eancia pol\u00edtica foi arrancada das m\u00e3os dos brit\u00e2nicos, mas mesmo assim deu sua vida \u00e0 causa da liberta\u00e7\u00e3o. Sozinha, ela embarcou na perigosa jornada pela floresta para se juntar aos campos rebeldes sem o marido ou guias e, durante esses muitos anos, sofreu v\u00e1rios abortos espont\u00e2neos. Sem filhos biol\u00f3gicos, ela adotou outra forma de ser m\u00e3e. Desde seus primeiros dias entregando intelig\u00eancia e suprimentos para as tropas de K\u0129mathi, at\u00e9 se tornar uma das mais pr\u00f3ximas confidentes e principais generais de K\u0129mathi, M\u0169thoni ganhou um apelido especial de K\u0129mathi: Thonjo, ou \u201co p\u00e1ssaro tecel\u00e3o\u201d, pequenos p\u00e1ssaros conhecidos por sua engenhosidade e capacidade de navegar e resistir em ambientes adversos, construindo novas casas e se camuflando contra predadores. Depois de alguns meses, K\u0129mathi reconheceu o horizonte ilimitado da lideran\u00e7a de M\u0169thoni, atualizando seu apelido para <em>Ng\u2019ina wa Thonjo<\/em> \u2013 \u201cm\u00e3e dos p\u00e1ssaros tecel\u00f5es\u201d, invocando seu papel no treinamento de um grupo de espi\u00f5es especializados em coletar informa\u00e7\u00f5es, mover-se furtivamente pelas florestas e em transformar o ambiente natural em uma <a href=\"https:\/\/antipodeonline.org\/2023\/10\/27\/decolonial-crossroads\/\">paisagem<\/a> decolonial.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s deixar a floresta, ela viveu o resto de sua vida cercada por gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es, a quem convidou a considerar sua <em>mait\u0169 <\/em>com inflex\u00f5es familiares e libertadoras, uma maternidade militante libertada das amarras das fic\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e dos controles patriarcais. Ela era conhecida por dizer que havia sido m\u00e3e da na\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e dos resilientes tecel\u00f5es que lutaram por sua sobreviv\u00eancia e pela pr\u00f3pria exist\u00eancia da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dreadlocks caracter\u00edsticos de M\u0169thoni, n\u00e3o foram cortados desde que ela entrou na floresta no final de 1952, fios emaranhados que \u201c<a href=\"https:\/\/rune.une.edu.au\/web\/handle\/1959.11\/29158\">ganham<\/a>\u201d uma hist\u00f3ria que varre o ch\u00e3o com rever\u00eancia, s\u00e3o um arquivo e um monumento vivo \u00e0 luta. Embora M\u0169thoni tenha me contado que seus dreadlocks n\u00e3o tinham a inten\u00e7\u00e3o de ser uma declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas sim uma consequ\u00eancia pr\u00e1tica da vida na floresta, eles passaram a ter significados pol\u00edticos, assim como no Qu\u00eania, na <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/comparative-studies-in-society-and-history\/article\/abs\/mau-mau-are-angels-sent-by-haile-selassie-a-kenyan-war-in-jamaica\/A1BFE93CFE28EB8320E8B32B016CE047\">Jamaica<\/a> e em outros pa\u00edses. Ela dizia com frequ\u00eancia que n\u00e3o cortaria seus dreadlocks at\u00e9 que o Qu\u00eania fosse realmente livre. Muitos ficaram chocados quando as manchetes internacionais divulgaram a hist\u00f3ria da raspagem dos<a href=\"https:\/\/nation.africa\/kenya\/counties\/nyeri\/mama-ngina-shaves-freedom-fighter-dreadlocks-3769932\"> dreadlocks de M\u0169thoni em uma cerim\u00f4nia p\u00fablica<\/a> em 2022 pela m\u00e3e da na\u00e7\u00e3o, Mama Ngina Kenyatta, esposa do primeiro presidente do Qu\u00eania, Jomo Kenyatta, e m\u00e3e do ent\u00e3o presidente Uhuru Kenyatta. Os rumores sobre se esse espet\u00e1culo perform\u00e1tico ocorreu por sua pr\u00f3pria vontade:\u00a0<\/p>\n<p>Talvez alguns de seus filhos ou parentes oportunistas estivessem usando o espet\u00e1culo para obter ganhos financeiros ou vantagem pol\u00edtica; talvez a raspagem dos dreadlocks de M\u0169thoni at\u00e9 a cintura, carregados com as dores da hist\u00f3ria, fosse um s\u00edmbolo poderoso que envergonharia o Estado a fim de restituir a fam\u00edlia e outros veteranos do Mau Mau; ou, <a href=\"https:\/\/africasacountry.com\/2022\/04\/sanitizing-the-kenyattas\">mais cinicamente<\/a>, talvez os Kenyattas estivessem tentando refor\u00e7ar sua dinastia pol\u00edtica em decl\u00ednio antes de uma temporada eleitoral acirrada.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2013, quando perguntada sobre o presidente Uhuru Kenyatta, M\u0169thoni respondeu com refer\u00eancia a um conhecido prov\u00e9rbio Kikuyu: \u201cNda imwe yumaga muici na murogi\u201d \u2013 traduzido de v\u00e1rias maneiras como \u201c<a href=\"https:\/\/www.degruyter.com\/document\/doi\/10.1515\/fabl.2002.025\/html\">O \u00fatero produz [d\u00e1 \u00e0 luz] um ladr\u00e3o e uma bruxa<\/a>\u201d \u2013 mas na reformula\u00e7\u00e3o de M\u0169thoni para a <em>The Economist<\/em>, \u201c<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/middle-east-and-africa\/2013\/04\/06\/historic-hair\">Do \u00fatero vem um guerreiro, um rei, um homem rico, um criminoso e um assassino<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Assim como o falecimento de M\u0129cere e M\u0169kami quase imediatamente trouxe \u00e0 tona aqueles que questionariam e diminuiriam seus legados, muitos questionaram a raspagem dos dreadlocks de M\u0169thoni quase um ano antes de seu falecimento, em uma tentativa de reduzir e roubar sua ag\u00eancia e voz: Neste mesmo blog, dois acad\u00eamicos, Nicholas Githuku e Lotte Hughes, escreveram: \u201c\u00c9 tr\u00e1gico que Muthoni talvez n\u00e3o conhecesse ou n\u00e3o se lembrasse da hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o tensa entre Kenyatta e Mau Mau, e n\u00e3o poderia se opor a ser usada dessa forma por uma figura t\u00e3o poderosa. \u201d Al\u00e9m disso, eles questionaram \u201cse ela [Mama Ngina] conheceu pessoas como o Marechal de Campo Muthoni antes de 2022? Muito provavelmente n\u00e3o. Por que agora?\u201d Tendo passado algum tempo com M\u0169thoni em 2022, \u00e9poca em que os autores anteriores claramente n\u00e3o tinham passado, posso atestar que ela falava com frequ\u00eancia n\u00e3o apenas de sua afei\u00e7\u00e3o pela \u201cm\u00e3e da na\u00e7\u00e3o\u201d Mama Ngina, mas tamb\u00e9m de seu relacionamento de d\u00e9cadas que, embora n\u00e3o sem contendas, era sustentado e significativo. Mesmo depois de citar o lembrete da acad\u00eamica Margaret Gachihi sobre as palavras de M\u0169thoni no in\u00edcio daquele ano, de que ela sentia que \u201co fim estava pr\u00f3ximo\u201d e que raspar os dreadlocks pode ter sido uma forma de transferir simbolicamente \u201cseu fardo para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o\u201d, Githuku e Hughes optaram por descartar e diminuir a pr\u00f3pria ag\u00eancia, a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e as motiva\u00e7\u00f5es profundamente pessoais de M\u0169thoni. A for\u00e7a, o intelecto, o sacrif\u00edcio e a cont\u00ednua maternidade da luta de M\u0169thoni tornaram-se v\u00edtimas desse argumento partid\u00e1rio, se n\u00e3o totalmente novo ou injustificado.\u00a0<\/p>\n<p>Em minhas conversas com M\u0169thoni nos meses que se seguiram \u00e0 cerim\u00f4nia, ela foi direta: a decis\u00e3o de raspar seus dreadlocks, por mais dolorosa que fosse, e presente\u00e1-los embrulhados na bandeira do Qu\u00eania para sua \u201camiga\u201d Mama Ngina, que a havia ajudado a obter uma licen\u00e7a de marfim nos primeiros anos da independ\u00eancia, era exclusivamente dela. Ela acrescentou que o peso de carregar essa hist\u00f3ria em seus dreadlocks estava causando muita dor f\u00edsica e ps\u00edquica, apenas um ano antes de se juntar aos ancestrais, e que o trabalho inacabado de liberta\u00e7\u00e3o deveria agora ser assumido por seus \u201cfilhos\u201d. Al\u00e9m disso, seus dreadlocks n\u00e3o eram o \u00fanico arquivo afetivo e corporal que M\u0169thoni mantinha: ela exibia com orgulho sua famosa jaqueta usada na floresta, tecida com as peles e os couros dos thuni-dik-diks encontrados na floresta de Nyandarua \u2013 e me convidou a tocar seus restos desgastados. Em um momento particularmente \u00edntimo, ela pegou minha m\u00e3o e a levou at\u00e9 a carne dura em seu ombro, onde uma bala permaneceu alojada depois que ela foi baleada pelas for\u00e7as coloniais enquanto escapava por pouco da seguran\u00e7a do dossel da floresta. Como argumentou <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/hwj\/article\/doi\/10.1093\/hwj\/dbad010\/7259627\">Rose Miyonga<\/a>, muitos veteranos criaram seus pr\u00f3prios arquivos, \u201cgerados pela preserva\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias em arquivos pessoais e nos pr\u00f3prios corpos dos sobreviventes\u201d. Esses arquivos carregam tanto mem\u00f3rias nost\u00e1lgicas quanto um \u201carquivo de dor\u201d literal em cicatrizes, defici\u00eancias e perdas imensur\u00e1veis. Quaisquer que fossem suas motiva\u00e7\u00f5es, M\u0169thoni nunca foi uma mulher a ser usada, silenciada ou ignorante dos contextos pol\u00edticos mais amplos nos quais suas decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es poderiam ser interpretadas e compreendidas.<\/p>\n<p>As formula\u00e7\u00f5es transcendentes da maternidade revolucion\u00e1ria e p\u00fablica que essas tr\u00eas mulheres quenianas incorporaram se basearam em longas tradi\u00e7\u00f5es encontradas em todo o continente. Tomando emprestado o conceito do estudioso liter\u00e1rio Chikwenye Okonjo Ogunyemi, as acad\u00eamicas Lorelle Semley, Elizabeth Jacob, Nakanyike Musisi, Rhiannon Stephens e Meghan Healy-Clancy empregaram a \u201cmaternidade p\u00fablica\u201d nos contextos da \u00c1frica Ocidental, Uganda e \u00c1frica do Sul para contextualizar a maternidade como \u201c<a href=\"https:\/\/onlinelibrary-wiley-com.myaccess.library.utoronto.ca\/doi\/pdfdirect\/10.1111\/j.1468-0424.2012.01698.x\">experi\u00eancia, institui\u00e7\u00e3o e discurso<\/a>\u201d, que extrai a autoridade moral do maternalismo literal e simb\u00f3lico e \u201c<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/services\/aop-cambridge-core\/content\/view\/7AC5DC9D263DB0CBA4798520A719DCDF\/S0021853722000524a.pdf\/div-class-title-militant-mothers-gender-and-the-politics-of-anticolonial-action-in-cote-d-ivoire-div.pdf\">desvincula as conota\u00e7\u00f5es biologizantes de \u2018maternidade\u2019 das express\u00f5es sociais e pol\u00edticas da lideran\u00e7a e do poder das mulheres<\/a>\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>No Qu\u00eania, o protesto das<a href=\"https:\/\/www.khrc.or.ke\/index.php\/2015-03-04-10-37-01\/blog\/770-1992-mothers-of-political-prisoners-protest-retraced\"> M\u00e3es de Prisioneiros Pol\u00edticos de 1992<\/a> se baseou em movimentos hist\u00f3ricos e globais que tornaram p\u00fablico o poder simb\u00f3lico e pol\u00edtico das m\u00e3es como cuidadoras e protetoras da vida moral da na\u00e7\u00e3o. No entanto, como demonstra a vida de <a href=\"https:\/\/africasacountry.com\/2018\/09\/winnie-madikizela-mandela-and-the-historians\">Winnie Madikizela-Mandela<\/a>, as \u201cm\u00e3es da na\u00e7\u00e3o\u201d muitas vezes sofrem fardos hist\u00f3ricos e san\u00e7\u00f5es p\u00fablicas espec\u00edficas \u2013 seus pr\u00f3prios ventres tornam-se uma quest\u00e3o de Estado, como <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/history-in-africa\/article\/abs\/personal-journey-into-custom-identity-power-and-politics-researching-and-writing-the-life-and-times-of-bugandas-queen-mother-irene-drusilla-namaganda-189619571\/78DE429C4D520108255CA8D0E972F8E2\">Nakanyike Musisi<\/a> examinou com tanta eloqu\u00eancia na vida da Rainha M\u00e3e Baganda Irene Namaganda. As interven\u00e7\u00f5es militantes, criativas, pol\u00edticas e morais da maternidade p\u00fablica ligam essas tr\u00eas mulheres quenianas a um parentesco intelectual, afetivo e revolucion\u00e1rio que \u00e9 levado adiante no trabalho e nas lutas de seus \u201cfilhos\u201d.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um ensaio; \u00e9 um ato de lembran\u00e7a. Ainda posso sentir o l\u00edquido quente de suas b\u00ean\u00e7\u00e3os aquosas quando cuspiam em suas m\u00e3os, seguravam as minhas e, com a saliva pressionada em minha palma, convidavam-me a entrar em seus mundos. Minha contribui\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 insignificante em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que viveram ao lado dessas mulheres e aprenderam aos seus p\u00e9s em comunh\u00e3o di\u00e1ria. Para muitos, elas ofereceram interven\u00e7\u00f5es intelectuais e solidariedade afetiva com uma generosidade cautelosa, por\u00e9m avassaladora. As <a href=\"https:\/\/www.ubcpress.ca\/braiding-histories\">hist\u00f3rias entrela\u00e7adas<\/a> e os legados imensur\u00e1veis dessas tr\u00eas mulheres persistem, e suas vidas e a\u00e7\u00f5es merecem ser lembradas e citadas, como singulares, mas sempre relacionais, salve nossa <em>Chimurenga Mait\u0169<\/em>.<\/p>\n<div class=\"molongui-clearfix\">\u00a0<\/div>\n<div id=\"mab-3890721115\" class=\"m-a-box\" data-box-layout=\"slim\" data-box-position=\"below\" data-multiauthor=\"false\" data-author-id=\"6777\" data-author-type=\"user\" data-author-archived=\"\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-header m-a-box-headline\">\n<h3><span class=\"m-a-box-header-title m-a-box-string-headline\">Sobre a autora<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box-container\">\n<div class=\"m-a-box-tab m-a-box-content m-a-box-profile\" data-profile-layout=\"layout-1\" data-author-ref=\"user-6777\">\n<div class=\"m-a-box-content-top\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"m-a-box-content-middle\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-data\">\n<div class=\"m-a-box-name m-a-box-title\">\n<h5><a class=\"m-a-box-name-url\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/julie-macarthur\/\"> Julie MacArthur<\/a><\/h5>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box-bio\">\n<p>\u00e9 autora de Cartography and the Political Imagination (2016) e editora de Dedan Kimathi on Trial (2017), ambas publicadas pela Ohio University Press.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<aside id=\"sidebar-nota-left\" class=\"sidebar sidebar-left\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\n<section id=\"block-9\" class=\"widget widget_block\">Nossa nova <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/revista\/\">edi\u00e7\u00e3o impressa sobre &#8220;ra\u00e7a e classe&#8221;<\/a> j\u00e1 foi lan\u00e7ada. <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/assine\/\">Assine um de nossos planos<\/a> ou <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/revista\/\">compre ela avulsa hoje<\/a>.<\/section>\n<\/div>\n<\/aside>\n<aside id=\"sidebar-nota-right\" class=\"sidebar sidebar-right\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\n<section id=\"yarpp_widget-2\" class=\"widget widget_yarpp_widget\">\n<div class=\"yarpp yarpp-related yarpp-related-widget yarpp-template-yarpp-template-jaco\">\n<div class=\"inner\">\n<ul>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Um dos maiores revolucion\u00e1rios anticoloniais do mundo\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/09\/um-dos-maiores-lideres-revolucionarios-anticoloniais-do-mundo\/\" rel=\"bookmark norewrite\"> Um dos maiores revolucion\u00e1rios anticoloniais do mundo<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"> <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/marcelamagalhaesepaula\/\" rel=\"bookmark norewrite\"> Marcela Magalh\u00e3es de Paula <\/a> <\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Como as professoras conquistaram o direito de engravidar\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/04\/como-as-professoras-conquistaram-o-direito-de-engravidar\/\" rel=\"bookmark norewrite\"> Como as professoras conquistaram o direito de engravidar<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"> <a class=\"molongui-disabled-link\" rel=\"bookmark norewrite\"> Christopher Phelps <\/a> <\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Conhe\u00e7a a feminista antifascista que impulsionou o Dia Internacional da Mulher\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/03\/conheca-a-feminista-antifascista-que-impulsionou-o-dia-internacional-da-mulher\/\" rel=\"bookmark norewrite\"> Conhe\u00e7a a feminista antifascista que impulsionou o Dia Internacional da Mulher<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"> <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/caueamenigmail-com\/\" rel=\"bookmark norewrite\"> Cau\u00ea Seignemartin Ameni <\/a> <\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" 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