{"id":765,"date":"2025-03-06T11:02:54","date_gmt":"2025-03-06T14:02:54","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/03\/06\/sueli-carneiro-se-torna-a-primeira-brasileira-cidada-do-benin\/"},"modified":"2025-03-06T11:02:54","modified_gmt":"2025-03-06T14:02:54","slug":"sueli-carneiro-se-torna-a-primeira-brasileira-cidada-do-benin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=765","title":{"rendered":"Sueli Carneiro se torna a primeira brasileira cidad\u00e3 do Benin"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;<strong>Mulheres Negras em Rotas de Liberdade<\/strong>&#8220;, document\u00e1rio produzido pela cineasta Ur\u00e2nia Munzanzu, que leva ativistas brasileiras ao continente africano<\/p>\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\"><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/foi-o-nosso-pedido-e-a-parceria-com-a-luanda-que-possibilitou-a-cidadania-de-benim-a-sueli-carneiro\/\" rel=\"nofollow\">Katia Mello &#8211;\u00a0<\/a>katiamello@geledes.org.br<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_categories tdi_40 td-pb-border-top td_block_template_1\" data-td-block-uid=\"tdi_40\">\n<div class=\"tdb-category td-fix-index\"><a class=\"tdb-entry-category\" href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/artigos-exclusivos\/geledes-no-debate\/\">Geled\u00e9s no Debate<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013\u00a0<\/strong><em>Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre as experi\u00eancias de mulheres pretas ressignificando as rotas originais do tr\u00e1fico de escravos itinerantes atrav\u00e9s de pa\u00edses africanos?<\/em><\/p>\n<p>Venho fazendo este trabalho desde 2009, quando desenhei a primeira rota de retorno que se cumpriu em 2012, ap\u00f3s uma longa batalha por recursos. Nesta primeira jornada, levei as sacerdotisas de vodum da Bahia que \u00e0 \u00e9poca estavam, e at\u00e9 hoje est\u00e3o, \u00e0 frente das mais importantes casas de Jeje-Mahi do Brasil, dentre elas o Terreiro do Bogum, uma casa cuja funda\u00e7\u00e3o \u00e9 anterior a 1835, matriz do culto Jeje Mahi, e que foi representada por sua vodunoon, Naandojhi \u00cdndia. Esta jornada foi ao Benim e visitamos mais de dez cidades beninenses. O registro desta jornada \u00e9 o curta metragem Mer\u00ea, um filme premiado que inaugurou minha carreira de cineasta. A palavra escolhida para dar nome ao filme pertence ao vocabul\u00e1rio do culto jeje e significa \u201cmulher\u201d para pessoas iniciadas no culto. Foi nesta jornada, l\u00e1 em2012, que iniciamos nossa aproxima\u00e7\u00e3o com o Benim, com o firme prop\u00f3sito de fazer la\u00e7os com o pa\u00eds a partir da luta pol\u00edtica de mulheres negras de l\u00e1 e de c\u00e1 do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013\u00a0<\/strong><em>Qual foi seu crit\u00e9rio de escolha dessas mulheres e dos pa\u00edses a serem visitados?<\/em><\/p>\n<p>O primeiro crit\u00e9rio foi reverenciar quem veio antes de mim, com trabalho e coragem, e que fez um caminho para que eu pudesse existir enquanto mulher negra, de vodum, sapat\u00e3o e artista. Pensei nas velhas como uma forma de dizer obrigada a cada uma delas que sacudiu o Brasil e botou em p\u00e9 as pautas raciais e de g\u00eanero. Assim, decidi levar pelo menos duas mais velhas que pudessem representar a luta de mulheres negras e suas vit\u00f3rias em diferentes setores. Mulheres da velha escola da milit\u00e2ncia negra, mulheres cujas vidas estivessem dedicadas a fabricar liberdade para o povo negro, sobretudo para as mulheres negras.<\/p>\n<p>As outras foram escolhidas pelo caminho que o filme percorreu e meu encontro com o trabalho e a jornada de cada uma delas \u2013 importante ressaltar que\u00a0<em>Mulheres Negras em Rotas de Liberdade<\/em>\u00a0nasce em 2012 quando estive pela primeira vez diante da Porta do N\u00e3o Retorno, em Ouidah. Era a minha primeira vez pisando em \u00c1frica e eu decidi que iria voltar muitas vezes e que n\u00e3o voltaria sozinha. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/mirtes-de-souza-mae-de-miguel-se-fosse-ao-contrario-com-certeza-eu-estaria-presa-desde-o-primeiro-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mirtes<\/a>\u00a0\u00e9 uma escolha especial dentre as mais jovens. Eu queria que o cinema que fa\u00e7o, e que dei o nome de \u2018cinema de cozinha\u2019, pudesse de alguma forma abra\u00e7ar a causa que \u00e9 de Mirtes e a de todas n\u00f3s. Eu queria que no meu lugar de militante e cineasta, meu trabalho pudesse fazer ecoar o grito de Mirtes. Queria lev\u00e1-la ao que chamo de \u201d lugar do crime\u201d que muita gente conhece como \u201cPorta do N\u00e3o Retorno\u201d. A meu ver o racismo que matou nosso menino Miguel come\u00e7ou naquela travessia maldita, que como bem nos disse Dona Sueli Carneiro: \u201cn\u00f3s n\u00e3o vamos esquecer e n\u00e3o vamos deixar que eles esque\u00e7am\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5_Urania_Ilhade-Goree_FotoAlileDaraOnawale-scaled.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5_Urania_Ilhade-Goree_FotoAlileDaraOnawale-1920x1280.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5_Urania_Ilhade-Goree_FotoAlileDaraOnawale-1920x1280.jpg 1920w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\"><br \/><\/a>Ur\u00e2nia na Ilha de Gor\u00e9e\/Foto alile dara onawale<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013\u00a0<\/strong><em>H\u00e1 um movimento revelador no\u00a0document\u00e1rio que faz com que essas mulheres pretas contrariem a predi\u00e7\u00e3o da Porta do N\u00e3o Retorno, em Gor\u00e9e, no Senegal. O que significa essa contrarrea\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o negra e para essas mulheres, em especial?<\/em><\/p>\n<p>Sim. N\u00f3s extirpamos a maldi\u00e7\u00e3o do \u201cn\u00e3o retorno\u201d, materializada na porta da Casa dos Escravos em Gor\u00e9e e em outros portais de n\u00e3o retorno existentes no continente africano. Fizemos isso n\u00e3o apenas ao fazer essa viagem ao continente. Fizemos isso com nossos corpos adentrando uma porta que para nossos antepassados foi apenas de sa\u00edda.<\/p>\n<p>Essas portas de n\u00e3o retorno s\u00e3o um ponto crucial quando falamos do massacre que fabricou a di\u00e1spora africana no mundo. Dona Sueli nos fez entender que precis\u00e1vamos como ato ancestral e pol\u00edtico construir uma \u201cponte\u201d para fabricarmos este retorno por nossa pr\u00f3pria conta e risco. Um retorno pol\u00edtico, espiritual, em mem\u00f3ria daqueles que nunca puderam retornar e que agora retornavam atrav\u00e9s de n\u00f3s. E assim fizemos!<\/p>\n<p>Dona Sueli Carneiro nos revelou e fez entender que dever\u00edamos insurgir contra essa senten\u00e7a de \u201cn\u00e3o retorno\u201d, retornando. Entramos pela porta que ningu\u00e9m, at\u00e9 onde sabemos, ousou entrar. Inclusive, porque a porta do n\u00e3o retorno de Gor\u00e9e tem sua frente para o mar, sobre um muro de concreto com um abismo de uns dois metros e meio de profundidade. Dali, a \u00fanica ponte que existia era a de sa\u00edda para os negreiros. Como diretora, entendi a miss\u00e3o que ela me deu e mais velho a gente respeita e obedece. (risos)<\/p>\n<p>A meu pedido, ent\u00e3o, a nossa equipe de produ\u00e7\u00e3o do Senegal passou a madrugada construindo uma ponte de madeira para pud\u00e9ssemos entrar por aquela porta, que at\u00e9 ent\u00e3o era somente de sa\u00edda. E assim fizemos. A ponte ficou pronta no meio da madrugada. No dia seguinte, por volta das 6h da manh\u00e3, antes da entrada dos turistas, em um momento particular onde a casa dos escravos estava aberta somente para a nossa equipe, algo s\u00f3 nosso, entramos, enfileiradas. Todas as personagens (do filme), uma a uma, seguiram as mais velhas que foram nos guiando. Na sequ\u00eancia, a equipe do filme tamb\u00e9m p\u00f4de adentrar em Gor\u00e9e pela porta que agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais de \u201cn\u00e3o retorno \u201c, afinal n\u00f3s retornamos por ela.<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013\u00a0<\/strong><em>De que maneira o filme refaz os la\u00e7os ancestrais e culturais em uma recomposi\u00e7\u00e3o da afrodi\u00e1spora?<br \/>Enquanto artista meu plano sempre foi pol\u00edtico. Sempre foi um movimento radical a partir da arte, em nossa defesa, da nossa vida e pleno direito.<\/em><\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, o filme refaz esses la\u00e7os dizendo de forma inequ\u00edvoca ao Estado brasileiro e aos pa\u00edses africanos, que nossos ancestrais que fizeram a travessia maldita nos por\u00f5es dos navios negreiros n\u00e3o morreram. Eles est\u00e3o vivos em n\u00f3s, e sim, n\u00f3s retornaremos \u00e0 nossa casa \u00c1frica tantas vezes quanto quisermos e Orix\u00e1 nos permita. A sanha da coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos fez sucumbir e dizer isso atrav\u00e9s das vozes de mulheres negras da arte e da pol\u00edtica, a meu ver, \u00e9 uma forma de refazer la\u00e7os reconhecendo as feridas do passado para avan\u00e7armos a um futuro de dignidade aos descendentes daquelas pessoas que fizeram a travessia e tamb\u00e9m das que ficaram no continente africano.<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013<\/strong>\u00a0<em>Como foi o evento na Universidade de Obafemi Awolowo, em Ile-If\u00e9, na Nig\u00e9ria, em que Sueli Carneiro e Concei\u00e7\u00e3o Evaristo se reuniram com acad\u00eamicos?<br \/><\/em><br \/>Fomos recebidas por autoridades acad\u00eamicas e as nossas mais velhas, Concei\u00e7\u00e3o e Sueli, falaram para estudantes da universidade. Muitos deles com especial interesse, pois t\u00eam na produ\u00e7\u00e3o intelectual de ambas uma base te\u00f3rica importante de suas forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>Foi um momento hist\u00f3rico, pois essa \u00e9 uma das universidades mais importantes do continente africano, um grande centro de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Al\u00e9m de ser a universidade onde Abdias do Nascimento recebeu o t\u00edtulo de Honoris Causa.<\/p>\n<p>Tivemos a oportunidade de ouvir a fala de Sueli Carneiro e de<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/tag\/conceicao-evaristo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0Concei\u00e7\u00e3o Evaristo\u00a0<\/a>traduzidas em l\u00edngua iorub\u00e1, um fato que nos restitui a possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o direta com a \u00c1frica, sem a interdi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua colonizadora que tanto nos vilipendiou.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, a fala das duas deixou marcado o nosso desejo de reconex\u00e3o com o continente, sem esquecer as feridas do passado, mas construindo no presente um futuro de uni\u00e3o e desenvolvimento entre os dois lados do Atl\u00e2ntico e isso s\u00f3 pode ser constru\u00eddo se as mulheres negras<a class=\"td-modal-image\" href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/DSC04738-2-1536x1153-2.webp\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/DSC04738-2-1536x1153-2.webp\" sizes=\"(max-width: 1536px) 100vw, 1536px\" srcset=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/DSC04738-2-1536x1153-2.webp 1536w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"676\"><br \/><\/a>Sueli Carneiro se torna a primeira brasileira cidad\u00e3 do Benin\/Foto: alile dara onawale<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s \u2013\u00a0<\/strong><em>Sueli Carneiro afirmou que seu document\u00e1rio foi respons\u00e1vel por seu reconhecimento como cidad\u00e3 do Benim,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/sueli-carneiro-se-torna-a-primeira-brasileira-cidada-do-benin-marco-historico-e-registrado-para-documentario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a primeira brasileira a receber esse t\u00edtulo\u00a0<\/a>em uma cerim\u00f4nia que contou com a alta c\u00fapula do governo beninense. Conte-nos como isso aconteceu.<\/em><\/p>\n<p>Como militante negra que sou aprendi a ouvir minhas mais velhas, a prestar aten\u00e7\u00e3o no que elas est\u00e3o dizendo. H\u00e1 obviamente dentro de mim o compromisso inquebrant\u00e1vel com as pautas do movimento negro, em especial com o movimento de mulheres negras. Como cineasta, devo este filme a Ogum e a confian\u00e7a que Sueli Carneiro e Concei\u00e7\u00e3o Evaristo tiveram no meu trabalho.<\/p>\n<p>Elas seguraram na minha m\u00e3o desde 2015, 2016, quando fiz a elas o convite de participarem deste filme. Naquele momento eu n\u00e3o tinha um tost\u00e3o sequer. Tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos \u201ccontrato\u201d algum. Mas eu tinha a palavra e a confian\u00e7a delas. E foi com isso que abri caminhos para este filme, amparada pela confian\u00e7a que elas me deram. Assim fui em busca dos recursos e dos \u201d sim(s)\u201d que eu precisava para fazer acontecer este projeto.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o queria apenas fazer um filme. Para mim, uma mulher negra que tem ambi\u00e7\u00f5es maiores, queria e estava decidida a realizar o sonho delas. E querendo saber dos sonhos delas eu fui a S\u00e3o Paulo encontr\u00e1-las e entrevist\u00e1-las com este prop\u00f3sito de saber qual era o grande sonho de Sueli Carneiro. E ela me disse textualmente (eu tenho essa entrevista gravada, inclusive): \u201cmeu sonho, antes de morrer, \u00e9 ter a cidadania de um pa\u00eds africano. Meu sonho \u00e9 mostrar que n\u00f3s temos um lugar para onde regressar, se assim n\u00f3s quisermos. Meu sonho \u00e9 ser reconhecida como cidad\u00e3 no continente onde nossos antepassados foram arrancados de maneira t\u00e3o brutal e perversa\u201d.<\/p>\n<p>Sa\u00ed dessa entrevista decidida a fazer tudo que Ogum me permitisse para realizar o sonho de Sueli. Essa decis\u00e3o foi a forma de colocar meu trabalho como um instrumento de reconhecimento a tudo que Sueli fez por n\u00f3s, pelo povo brasileiro e pela luta antirracista no mundo. Minha decis\u00e3o tamb\u00e9m foi por saber que este sonho de Sueli Carneiro \u00e9 o sonho da di\u00e1spora negra no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Tomada a decis\u00e3o, me dediquei juntamente com minha produtora executiva, Fl\u00e1via Santana, minha produtora de ouro e diamantes, a encontrar os caminhos poss\u00edveis. Foram mais de oito meses de trabalho absolutamente no escuro. Meses depois de darmos in\u00edcio \u00e0s nossas buscas e entender por qual caminho poder\u00edamos seguir, o presidente do Benim, <strong>Patrice Tolon<\/strong>, esteve no Brasil e fez o an\u00fancio oficial da pol\u00edtica de reconhecimento de cidadania. Mas n\u00e3o havia protocolos para este processo. Pedimos, ent\u00e3o, ajuda ao Minist\u00e9rio da Cultura do Brasil, mas nunca tivemos resposta.<\/p>\n<p>No Itamaraty, apesar da boa vontade da diplomata respons\u00e1vel pelo setor de Cultura do escrit\u00f3rio de S\u00e3o Paulo, Talita Halliday, n\u00e3o tivemos uma resposta efetiva sobre os caminhos. Inclusive, cruzamos com um diplomata homem branco, que foi bastante grosseiro conosco na reuni\u00e3o onde ped\u00edamos ajuda para dialogar com o governo do Benim. Eu dizia pra minha equipe: vamos fazer isso acontecer, mesmo sem a ajuda do governo brasileiro.<\/p>\n<p>Foi um diplomata beninense aposentado, que lutou na independ\u00eancia do Benim, o embaixador Rapha\u00ebl Mensah, com quem fizemos a ponte com o governo do Benim. Foi ele quem acionou a <strong>Myrina Amoussouga Adam-Bongle<\/strong>, diretora-geral de Assuntos Consulares e Beninenses no Exterior. Foi ela, uma mulher negra, africana, que fez andar o processo, criando o protocolo que ainda n\u00e3o existia, para que a cidadania fosse efetivada.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8116-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8116-1920x1280.jpg\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8116-1920x1280.jpg 1920w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\"><br \/><\/a><em>Luanda Carneiro Jacoel e Sueli Carneiro\/ Foto: alile dara onawale<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o quer\u00edamos criar falsas expectativas em Dona Sueli e tamb\u00e9m fazer uma surpresa. Para isso, contamos com o apoio, a cumplicidade e a ajuda fundamental de Luanda Carneiro Jacoel, filha de Sueli. Afinal, quem pede a cidadania \u00e9 a pr\u00f3pria pessoa, e eu ousei fazer esse pedido em nome de uma velha militante a quem todas n\u00f3s devemos respeito e defer\u00eancia. Luanda foi quem consegui a carta que precis\u00e1vamos e ela que fosse assinada sem Sueli Carneiro ler. Este feito n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu. \u00c9 da minha equipe que trabalhou incansavelmente. \u00c9 de Luanda, uma filha apaixonada por sua m\u00e3e que comprou a nossa ideia e n\u00e3o mediu esfor\u00e7os pra nos ajudar com a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Portanto, foi o nosso pedido e a parceria com a Luanda que possibilitou a cidadania de Benim \u00e0 Sueli Carneiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/7-Urania_Luanda_MaiosonDesEsclaves_Foto_AlileDaraOnawale-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/7-Urania_Luanda_MaiosonDesEsclaves_Foto_AlileDaraOnawale-1441x1920.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1441px) 100vw, 1441px\" srcset=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/7-Urania_Luanda_MaiosonDesEsclaves_Foto_AlileDaraOnawale-1441x1920.jpg 1441w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"800\"><\/a><br \/>Ur\u00e2nia Munzanzu e Luanda Carneiro Jacoel<\/p>\n<p>Neste processo de ir em busca do sonho dessa militante t\u00e3o importante para a hist\u00f3ria do Brasil, devemos um especial agradecimento para Myrina, o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, <strong>Olushegun Adjadi Bakari,<\/strong> e o Ministro da Justi\u00e7a e Legisla\u00e7\u00e3o, <strong>Yvon Detchenou<\/strong>. N\u00e3o somente eles acolheram nosso pedido, como fizeram uma cerim\u00f4nia de chefe de Estado para receber Dona Sueli Carneiro e estiveram conosco durante todo o evento que durou cerca de tr\u00eas horas. Para mim, essa foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de respeito e reconhecimento \u00e0 altura dessa brasileira que tanto nos honra.<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s-<\/strong><em>\u00a0Revele um dos momentos mais surpreendentes nestas filmagens.<\/em><\/p>\n<p>Foram muitos e eu poderia citar alguns deles, como por exemplo quando hasteamos a bandeira de Justi\u00e7a por Miguel no portal de n\u00e3o retorno em Ouidah; na ilha das Conchas, no Senegal, quando na porta do cemit\u00e9rio onde muitos dos nossos foram enterrados; Concei\u00e7\u00e3o Evaristo aos p\u00e9s de um Baob\u00e1, nos diz que \u201c<strong>Mulheres Negras n\u00e3o morrem<\/strong>\u201d e ainda o momento em que demos a not\u00edcia da cidadania \u00e0 Dona Sueli Carneiro, ali no estacionamento do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, em Cotonou.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/8-UraniaeDonaSueli_SENEGALjpg-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/8-UraniaeDonaSueli_SENEGALjpg-1920x1441.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/8-UraniaeDonaSueli_SENEGALjpg-1920x1441.jpg 1920w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"800\"><br \/><\/a>Sueli Carneiro e Ur\u00e2nia Munzanzu no Senegal\/ Divulga\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio \u2018Mulheres Negras em Rotas de Liberdade\u2019<\/p>\n<p><strong>Geled\u00e9s<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0<em>A pr\u00f3xima etapa do document\u00e1rio est\u00e1 prevista para ser rodada em <strong>Cabo Verde<\/strong>, em mar\u00e7o de 2025. O que vem por a\u00ed?<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Mulheres Negras em Rotas de Liberdade<\/em><\/strong>\u00a0\u00e9 um projeto pol\u00edtico que inicie desde a minha primeira travessia em 2012. E s\u00e3o muitos os desdobramentos, o filme \u00e9 apenas um deles. Teremos outros produtos, temos um di\u00e1rio de bordo riqu\u00edssimo, milhares de fotografias, pesquisa. Com nossas travessias estamos criando uma metodologia de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no continente africano. Tamb\u00e9m temos um acontecimento muito especial, o artista visual Dalton Paula (premiad\u00edssimo) nos acompanha desde 2023 e esteve conosco nos sets e na viagem de pesquisa e ele vai pintar o filme. Teremos uma exposi\u00e7\u00e3o de um dos maiores artistas negros contempor\u00e2neo, contando nas telas sobre nossa travessia!<\/p>\n<p>fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/foi-o-nosso-pedido-e-a-parceria-com-a-luanda-que-possibilitou-a-cidadania-de-benim-a-sueli-carneiro\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/foi-o-nosso-pedido-e-a-parceria-com-a-luanda-que-possibilitou-a-cidadania-de-benim-a-sueli-carneiro\/<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_765\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"765\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 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