{"id":775,"date":"2025-04-30T15:23:19","date_gmt":"2025-04-30T18:23:19","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/04\/30\/mia-couto-o-otimista-sem-esperanca-que-ha-50-anos-viu-nascer-mocambique\/"},"modified":"2025-04-30T15:23:19","modified_gmt":"2025-04-30T18:23:19","slug":"mia-couto-o-otimista-sem-esperanca-que-ha-50-anos-viu-nascer-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=775","title":{"rendered":"Mia Couto, o otimista sem esperan\u00e7a que h\u00e1 50 anos viu nascer Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>O escritor mo\u00e7ambicano considera que a hist\u00f3ria da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique \u00e9 tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e recorda o 25 de junho de 1975 como o dia em que o seu povo ganhou dignidade e um pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"float-none\" src=\"https:\/\/bordalo.observador.pt\/v2\/q:60\/rs:fill:54\/c:467:467:nowe:0:0\/plain\/https:\/\/s3.observador.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/15174206\/screenshot-2020-01-15-at-17-41-05_467x467_acf_cropped.png\" width=\"100\" height=\"100\" loading=\"lazy\"><\/p>\n<div class=\"author-info\">\n<div class=\"author-name\">Ag\u00eancia Lusa<\/div>\n<div class=\"author-credit\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"article-body-wrapper\">\n<div class=\"article-body fbg-container\">\n<div class=\"fbg-row\">\n<div class=\"fbg-col-4 fbg-col-lg-1 left-column index-column\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"fbg-col-4 fbg-col-lg-2 center-column\">\n<div class=\"article-body-content\">\n<p>O escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto considera que a hist\u00f3ria da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique \u00e9 tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e recorda o 25 de junho de 1975 como o dia em que o seu povo ganhou dignidade e um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa a prop\u00f3sito dos 50 anos da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique, Mia Couto disse que a v\u00ea como a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, ele que tem \u201cum bocadinho mais de idade\u201d do que o pa\u00eds das capulanas.<\/p>\n<p>\u201cQuando o pa\u00eds nasceu j\u00e1 eu tinha quase 20 anos. Eu conhe\u00e7o o que existia antes, o que era antes da independ\u00eancia; sei o salto que n\u00f3s demos em termos daquilo que \u00e9 a dignidade das pessoas\u201d, afirmou, recordando que, antes de 1975, a maioria dos mo\u00e7ambicanos era considerada ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Uma mem\u00f3ria que a maioria dos mo\u00e7ambicanos, com menos de 35 anos, n\u00e3o tem, o que os impossibilita de fazer compara\u00e7\u00f5es e, por isso, de viver a festa da mesma maneira, disse.<\/p>\n<p>\u201cA minha vis\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o positiva, porque mesmo com todos os fracassos que houve, mesmo com um sonho que n\u00e3o foi realizado no sentido coletivo, n\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o com aquilo que foi antes. Antes n\u00e3o t\u00ednhamos pa\u00eds. Agora temos pa\u00eds\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Mia Couto recordou que, at\u00e9 \u00e0 independ\u00eancia, \u201ca maior parte da gente que circulava dentro da cidade [Beira], nem sequer tinha sapatos para cal\u00e7ar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEra uma rela\u00e7\u00e3o quase de invisibilidade. Salvo alguns pequenos grupos de gente assimilada \u2014 que eram assim chamados, mas era um n\u00famero \u00ednfimo -, todos os outros eram ind\u00edgenas e, portanto, eram invis\u00edveis, n\u00e3o votavam. Essa \u00e9 uma diferen\u00e7a de que \u00e9 preciso ter orgulho, assim como a l\u00edngua portuguesa, que teve um salto enorme\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMo\u00e7ambique fez pela l\u00edngua portuguesa aquilo que 500 anos de rela\u00e7\u00e3o colonial n\u00e3o fizeram\u201d, afirmou o escritor, que na quarta-feira passada participou no encerramento da 19.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do festival liter\u00e1rio LeV \u2014 Literatura em Viagem, em Matosinhos.<\/p>\n<p>O autor de \u201cTerra Son\u00e2mbula\u201d considera que o objetivo tra\u00e7ado em 1975 de, numa gera\u00e7\u00e3o ou duas, mudar o mundo e redistribuir a felicidade, resultou de \u201cuma certa ingenuidade\u201d, embora continue a ser \u201cum valor que n\u00e3o pode ser esquecido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO sonho est\u00e1 certo, continua a estar certo, mas \u00e9 preciso perceber que nenhum pa\u00eds, africano ou outro, conseguiu, nesse espa\u00e7o de tempo de 50 anos, cumprir esse desejo de que haja escola, sa\u00fade, condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o, etc., para toda a gente, de uma maneira justa\u201d, disse.<\/p>\n<p>Atribui \u00e0 guerra que \u201cdurou 16 anos e destruiu tudo\u201d muito do que ficou por fazer, mas tamb\u00e9m \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas: \u201cOs pa\u00edses africanos, n\u00e3o s\u00f3 Mo\u00e7ambique, continuam a fornecer mat\u00e9rias-primas aos outros [pa\u00edses] que depois as revendem j\u00e1 depois de manufaturadas; e essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Mia acredita que, se esta rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudar de uma maneira radical, os africanos n\u00e3o v\u00e3o conseguir acumular riqueza suficiente para uma assist\u00eancia social e um Estado social capaz.<\/p>\n<p>O escritor, bi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o, recorda que mais de metade da sua vida foi passada em guerra e que o per\u00edodo de \u201cenorme viol\u00eancia\u201d que se seguiu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de outubro de 2024 em Mo\u00e7ambique demonstra que o sonho de viver em paz ainda est\u00e1 longe.<\/p>\n<p>Assume-se como um \u201cotimista sem esperan\u00e7a\u201d, n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds, mas tamb\u00e9m por causa do contexto internacional que \u201cn\u00e3o ajuda\u201d.<\/p>\n<p>A 25 de junho de 1975, Mia Couto era um jornalista de 19 anos que tinha sido escalado para ficar na r\u00e1dio, da qual fugiu com outros companheiros para irem para o Est\u00e1dio da Machava, onde iria ser proclamada a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Devido a um atraso na chegada da comitiva liderada por Samora Machel, que viria a ser o primeiro Presidente da Rep\u00fablica do pa\u00eds, o jovem rep\u00f3rter viu-se inclu\u00eddo na comitiva dos not\u00e1veis que iam subir ao p\u00f3dio.<\/p>\n<p>Hoje, 50 anos ap\u00f3s esse dia em que Mo\u00e7ambique saiu \u201cdo banco de tr\u00e1s da vida\u201d, Mia Couto diz n\u00e3o ter ressentimentos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho ressentimento nenhum, nem sou amargo em rela\u00e7\u00e3o a nada. Acho que essas aprendizagens fazem parte do modo como eu hoje sou feliz\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/04\/25\/mia-couto-o-otimista-sem-esperanca-que-ha-50-anos-viu-nascer-mocambique\/\">https:\/\/observador.pt\/2025\/04\/25\/mia-couto-o-otimista-sem-esperanca-que-ha-50-anos-viu-nascer-mocambique\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"article-body-content\">\n<div class=\"obs-ad-container obs-ad-container-web_article_end obs-in-article-container obs-external-ad\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_775\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"775\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 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