{"id":776,"date":"2025-05-11T10:54:52","date_gmt":"2025-05-11T13:54:52","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/05\/11\/andree-blouin-foi-a-articuladora-politica-esquecida-da-africa\/"},"modified":"2025-05-11T10:54:52","modified_gmt":"2025-05-11T13:54:52","slug":"andree-blouin-foi-a-articuladora-politica-esquecida-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=776","title":{"rendered":"Andr\u00e9e Blouin foi a articuladora pol\u00edtica esquecida da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header clearfix\"><\/header>\n<section class=\"article-content clearfix\">\n<div class=\"post-header\">\n<div class=\"post-header\">\n<p class=\"post-excerpt\">As mem\u00f3rias da revolucion\u00e1ria centro-africana Andr\u00e9e Blouin contam a hist\u00f3ria de uma mulher que testemunhou em primeira m\u00e3o os euf\u00f3ricos altos e os tr\u00e1gicos baixos da luta pela independ\u00eancia na \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div class=\"post-byline\"><span class=\"preauthor\">POR\u00a0<\/span><span class=\"autores\">Ernest Harsch<\/span><\/div>\n<div class=\"post-traduccion\">Tradu\u00e7\u00e3o<br \/>Pedro Silva<\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cfemea.org.br\/images\/Africa\/Andree-Blouin-Africa-revolucao.jpg\" alt=\"Andree Blouin Africa revolucao\" width=\"900\" height=\"624\"><\/div>\n<aside id=\"sidebar-nota-left\" class=\"sidebar sidebar-left\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\u00a0<\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"post-content\">\n<p class=\"prefixo\">Resenha do livro\u00a0<em>My Country, Africa: Autobiography of the Black Pasionaria<\/em>\u00a0[Meu Pa\u00eds, \u00c1frica: Autobiografia da Pasionaria Negra],\u00a0de Andr\u00e9e Blouin (Verso Books, 2025).<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<p class=\"has-drop-cap\">Andr\u00e9e Blouin foi uma das aliadas mais pr\u00f3ximas de Patrice Lumumba, o carism\u00e1tico pol\u00edtico congol\u00eas que liderou seu pa\u00eds na luta por independ\u00eancia antes de seu assassinato em 1961. Cr\u00edticos estadunidenses e belgas do l\u00edder assassinado frequentemente desprezavam Blouin. Para eles, ela era uma \u201cfan\u00e1tica\u201d, possivelmente uma agente comunista, certamente uma forte opositora ao poder ocidental. Quase quarenta anos ap\u00f3s sua morte em 1986, aos 64 anos, Andr\u00e9e caiu um pouco no esquecimento.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.versobooks.com\/products\/2906-my-country-africa?srsltid=AfmBOoo3-28bn_FOo_mGTQigBXRVmIoV-B9BEAnafjL2hA4E182fdmMD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">A recente reedi\u00e7\u00e3o de sua autobiografia<\/a>,\u00a0<em>My Country, Africa: Autobiography of the Black Pasionaria<\/em>,\u00a0h\u00e1 muito tempo fora de cat\u00e1logo,\u00a0comprova como sua import\u00e2ncia \u00e9 duradoura. Ela ressurge em um momento de renovado interesse pela pol\u00edtica da \u00c1frica Central. O premiado document\u00e1rio de 2024 de Johan Grimonprez sobre a rela\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel do jazz estadunidense com o imp\u00e9rio,\u00a0<em>Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado<\/em>, a cita extensivamente. Essa aten\u00e7\u00e3o renovada j\u00e1 era necess\u00e1ria. Sua hist\u00f3ria de vida \u00e9 um relato not\u00e1vel de luta pessoal e pol\u00edtica de uma pessoa verdadeiramente extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Assim como acontece com muitos ativistas, o engajamento de Andr\u00e9e foi moldado por experi\u00eancias pessoais. O final da era colonial, quando os povos subjugados do continente come\u00e7avam a se mobilizar em grande escala para se livrar da domina\u00e7\u00e3o estrangeira, foi o pano de fundo de sua vida. Muita coisa parecia poss\u00edvel. No entanto, o otimismo frequentemente terminava em decep\u00e7\u00e3o. Os l\u00edderes mais conservadores do continente viam a soberania principalmente como uma substitui\u00e7\u00e3o de rostos europeus por africanos, deixando intactas as fronteiras e as rela\u00e7\u00f5es sociais existentes fomentadas pelo colonialismo.<\/p>\n<p>Blouin optou por se aliar aos interesses das pessoas comuns e encarou a luta pol\u00edtica em termos pan-africanistas, em vez de nacionalistas. Seu \u201cpa\u00eds\u201d n\u00e3o tinha uma bandeira, mas v\u00e1rias.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trauma pessoal e amadurecimento<\/h2>\n<p class=\"has-drop-cap\">Andr\u00e9e nasceu em 16 de dezembro de 1921. Seu pai era um empres\u00e1rio franc\u00eas e sua m\u00e3e, a filha de quatorze anos de um chefe banziri na col\u00f4nia francesa de Oubangui-Chari, atual Rep\u00fablica Centro-Africana. Com apenas tr\u00eas anos, Blouin foi enviada para um orfanato cat\u00f3lico em Brazzaville, capital do pequeno Congo sob dom\u00ednio franc\u00eas, do outro lado do rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 col\u00f4nia belga hom\u00f4nima, muito maior.<\/p>\n<p>O orfanato onde passou a inf\u00e2ncia foi criado para meninas mesti\u00e7as indesejadas, culpadas do \u201cpecado\u201d de terem nascido de rela\u00e7\u00f5es entre europeus e africanas. Era, como Andr\u00e9e disse em seus \u00faltimos anos, \u201cuma esp\u00e9cie de lixeira para os res\u00edduos desta sociedade em preto e branco\u2026\u201d As freiras do orfanato, ela lembrou, eram especialmente severas. Regulavam a alimenta\u00e7\u00e3o das meninas e as puniam pela menor infra\u00e7\u00e3o. Blouin rapidamente desenvolveu a reputa\u00e7\u00e3o de encrenqueira.<\/p>\n<p>Aos dezessete anos, Andr\u00e9e e duas amigas escaparam escalando os muros do orfanato. Para ela, havia tantas paisagens, sons e costumes novos fora daqueles muros que era imposs\u00edvel permanecer ali. Em \u201c<em>My Country, Africa<\/em>\u201d, Andr\u00e9e escreve que \u201cobservava com os olhos ardentes de quem havia sido privada de sua \u00c1frica por quatorze anos\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, ela viveu em diferentes col\u00f4nias francesas e belgas, trabalhou como costureira, administrou uma empresa de transporte e uma planta\u00e7\u00e3o (com cem funcion\u00e1rios), administrou seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio de entrega de encomendas e escreveu poesias premiadas.<\/p>\n<p>Longe das garras das freiras do orfanato, que planejavam casamentos precoces entre Andr\u00e9e e outros \u00f3rf\u00e3os mesti\u00e7os, ela estava livre para buscar seus pr\u00f3prios relacionamentos. Os dois primeiros foram com homens europeus, \u201cda ra\u00e7a que tantas vezes me feriu\u201d. Ambas as uni\u00f5es acabaram fracassando, mas lhe deram dois filhos, uma menina e um menino. Quando seu filho, aos dois anos, adoeceu gravemente com mal\u00e1ria, ela tentou obter quinino para trat\u00e1-lo. Mas as autoridades francesas reservaram o medicamento \u201capenas para brancos\u201d. Seu filho morreu, uma trag\u00e9dia que, como ela escreveu em suas mem\u00f3rias, \u201cme politizou como nada mais poderia\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Renascimento na Guin\u00e9<\/h2>\n<p class=\"has-drop-cap\">Em 1948, Andr\u00e9e conheceu um ex-oficial de artilharia e especialista em minera\u00e7\u00e3o franc\u00eas chamado Andr\u00e9 Blouin. O casal se casaria quatro anos depois, permaneceria junto por um quarto de s\u00e9culo e teria dois filhos. Ao contr\u00e1rio de muitos outros homens brancos na \u00c1frica, Andr\u00e9 \u201chavia escapado da mentalidade colonialista\u201d, escreveu ela.<\/p>\n<p>O casal mudou-se para a Guin\u00e9, na \u00c1frica Ocidental, depois que Andr\u00e9 conseguiu um emprego pesquisando a minera\u00e7\u00e3o de ouro de aluvi\u00e3o no pa\u00eds. A d\u00e9cada de 1950 foi um per\u00edodo pol\u00edtico efervescente em toda a \u00c1frica, e Andr\u00e9 apoiou a atividade da esposa durante todo esse per\u00edodo. Na Guin\u00e9, o partido nacionalista mais forte era a se\u00e7\u00e3o local do\u00a0<em>Rassemblement D\u00e9mocratique Africain<\/em>\u00a0(RDA), partido regional liderado por Ahmed S\u00e9kou Tour\u00e9, um fervoroso l\u00edder sindical. Andr\u00e9e teve suas pr\u00f3prias vis\u00f5es em desenvolvimento cristalizadas pela determina\u00e7\u00e3o de Tour\u00e9 em alcan\u00e7ar a independ\u00eancia genu\u00edna do dom\u00ednio colonial. O entusiasmo dele, escreveu ela, lhe fez \u201cnascer de novo\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais urgente para a RDA era um referendo convocado pelo presidente franc\u00eas Charles de Gaulle, no qual os eleitores das col\u00f4nias escolheriam se queriam ou n\u00e3o pertencer a uma nova \u201cComunidade\u201d francesa, que manteria la\u00e7os militares, diplom\u00e1ticos e econ\u00f4micos com a metr\u00f3pole. A RDA de Tour\u00e9 viu isso como uma manobra para perpetuar a domina\u00e7\u00e3o francesa e fez campanha pelo voto no \u201cn\u00e3o\u201d. Andr\u00e9e entrou na briga avidamente, viajando centenas de quil\u00f4metros com ativistas da RDA. Por duas vezes, ela e v\u00e1rios companheiros quase morreram em misteriosos \u201cacidentes\u201d de tr\u00e2nsito. As autoridades logo ordenaram sua expuls\u00e3o e demitiram seu marido do emprego.<\/p>\n<p>Quando a maioria dos guineenses votou \u201cn\u00e3o\u201d \u2014 tornando-se a \u00fanica das dezoito col\u00f4nias africanas da Fran\u00e7a a faz\u00ea-lo \u2014 Andr\u00e9 e Andr\u00e9e j\u00e1 haviam fugido do pa\u00eds. Com Tour\u00e9 no comando, os Blouin retornaram, ele para trabalhar para o governo e ela para promover ainda mais as causas pan-africanas. Atrav\u00e9s de Tour\u00e9, ela conheceu o presidente de Gana, Kwame Nkrumah, e gravou um apelo de r\u00e1dio \u00e0s mulheres africanas para defenderem a unidade continental, em uma transmiss\u00e3o transmitida em franc\u00eas e ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Antes de retornar \u00e0 Guin\u00e9, Andr\u00e9e j\u00e1 havia se envolvido em diversas iniciativas diplom\u00e1ticas pr\u00f3prias. Ela mediou uma cis\u00e3o pol\u00edtica entre os presidentes da Rep\u00fablica Centro-Africana e do Congo-Brazzaville, e outra entre partidos em conflito dentro do Congo-Brazzaville. Neste \u00faltimo caso, sua interven\u00e7\u00e3o ajudou a p\u00f4r fim a conflitos que haviam ceifado centenas de vidas.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lutando por um Congo livre<\/h2>\n<p class=\"has-drop-cap\">Oano de 1960 foi crucial para a \u00c1frica. Dezessete col\u00f4nias conquistaram sua independ\u00eancia. Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e B\u00e9lgica decidiram que manter um governo formal estava se tornando muito arriscado e come\u00e7aram a buscar novas maneiras menos formais de manter a influ\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica. As ambiguidades desse processo eram mais gritantes no Congo, o vasto territ\u00f3rio rico em recursos que os belgas haviam saqueado por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Embora Andr\u00e9e j\u00e1 tivesse passado algum tempo no Congo, tendo inclusive aprendido algumas l\u00ednguas congolesas, sua introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica do pa\u00eds aconteceu por acaso. Um dia, em um restaurante na capital guineense, ela ouviu v\u00e1rios congoleses falando lingala e puxou conversa com eles nessa l\u00edngua. Um deles era Pierre Mulele, l\u00edder do Partido Solid\u00e1rio Africano (PSA), que estava na Guin\u00e9 na esperan\u00e7a de obter o apoio de Tour\u00e9. Logo, o chefe do PSA, Antoine Gizenga, a convidou para ajudar a mobilizar as mulheres congolesas. Com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Tour\u00e9, ela concordou.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1960, Andr\u00e9e passou meses viajando por Kwilu e outras prov\u00edncias congolesas, discursando em com\u00edcios para milhares de mulheres e homens com uma caravana do PSA. Ela organizou uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres pr\u00f3-independ\u00eancia, que at\u00e9 o final de maio havia recrutado 45.000 membros. Na fronteira com Angola, sob dom\u00ednio portugu\u00eas, ela tamb\u00e9m ajudou a estabelecer uma vila de refugiados angolanos, uma das primeiras bases de retaguarda para os rebeldes do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA).<\/p>\n<p>As autoridades belgas buscaram manter os congoleses fragmentados, explorando divis\u00f5es \u00e9tnicas e promovendo correntes mais conservadoras contra aquelas alinhadas com Lumumba. Tamb\u00e9m se irritaram com a influ\u00eancia de Andr\u00e9e, denegrindo-a por ser mulher e agente comunista estrangeira. Apesar das fortes obje\u00e7\u00f5es de Lumumba, ordenaram sua expuls\u00e3o. Ao deixar o pa\u00eds, Andr\u00e9e levou consigo um documento assinado pela maioria dos partidos congoleses. A divulga\u00e7\u00e3o desse documento \u00e0 m\u00eddia internacional ajudou a minar o plano da B\u00e9lgica de contornar Lumumba, entregando o poder a um moderado.<\/p>\n<p>Em 30 de junho de 1960, com Lumumba como primeiro-ministro, o Congo conquistou a independ\u00eancia formal. Ouvindo r\u00e1dio na Guin\u00e9, Andr\u00e9e acompanhou seu discurso contundente. As palavras j\u00e1 lhe eram familiares, visto que a reda\u00e7\u00e3o do discurso proferido por Lumumba \u2014 destinado a se tornar uma das cr\u00edticas mais famosas ao colonialismo \u2014 contou com sua colabora\u00e7\u00e3o antes da prematura partida. Sempre discreta, ela n\u00e3o mencionou esse detalhe em sua autobiografia; sua filha Eve o relata no ep\u00edlogo de \u201c<em>My Country, Africa<\/em>\u201d<em>,<\/em>\u00a0citando como prova o depoimento de um agente de seguran\u00e7a congol\u00eas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Com esperan\u00e7as frustradas \u2014 mas perseverante<\/h2>\n<p class=\"has-drop-cap\">Apedido de Lumumba, Andr\u00e9e retornou ao Congo, onde se tornou sua chefe de protocolo. Mas eles tiveram pouco tempo para construir o novo Estado independente. Pol\u00edticos e empres\u00e1rios belgas continuaram promovendo uma s\u00e9rie de divis\u00f5es e opositores, incluindo uma secess\u00e3o na prov\u00edncia de Katanga, rica em minerais. A CIA recrutou um jovem coronel do ex\u00e9rcito, Joseph-D\u00e9sir\u00e9 Mobutu (mais tarde Mobutu Sese Seko), que logo derrubou Lumumba em um golpe militar. Andr\u00e9e foi novamente expulsa.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rios meses, o caos reinou. Mercen\u00e1rios da B\u00e9lgica, \u00c1frica do Sul e de outros lugares invadiram o Congo. As for\u00e7as de paz das Na\u00e7\u00f5es Unidas foram ineficazes de maneira geral, mas, em alguns casos, sabotaram os esfor\u00e7os nacionalistas para manter o controle. For\u00e7as pr\u00f3-Lumumba lideradas por Gizenga tentaram mobilizar a oposi\u00e7\u00e3o. Ao tentar se juntar a elas, Lumumba foi capturado, levado para Katanga e assassinado.<\/p>\n<p>Andr\u00e9e estava na Su\u00ed\u00e7a em janeiro de 1961 quando soube da morte de Lumumba. Aos jornalistas que a abordaram e pediram que comentasse, ela disse que \u201ctodas as palavras inflamadas, as manifesta\u00e7\u00f5es apaixonadas que foram a ess\u00eancia dos meus dias por tanto tempo, acabaram drenadas de mim com esta perda. Eu n\u00e3o conseguia falar\u201d.<\/p>\n<p>Fortalecida por uma vida inteira de dificuldades e decep\u00e7\u00f5es, Andr\u00e9e finalmente se recuperou. Em 1962, ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Arg\u00e9lia na guerra de independ\u00eancia contra a Fran\u00e7a, ela e sua fam\u00edlia se mudaram para Argel. Pelo menos durante a d\u00e9cada seguinte, a capital argelina serviu como uma \u201cMeca\u201d para revolucion\u00e1rios do mundo todo, como disse o lend\u00e1rio l\u00edder guerrilheiro da Guin\u00e9-Bissau, Am\u00edlcar Cabral.<\/p>\n<p>Andr\u00e9e escrevia regularmente para\u00a0<em>o El Moudjahid<\/em>, o jornal da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional da Arg\u00e9lia. O presidente argelino, Ahmed Ben Bella, a encarregou de supervisionar a ajuda humanit\u00e1ria aos \u00f3rf\u00e3os da luta congolesa. Ela liderou a rebeli\u00e3o massiva de rebeldes \u201clumumbistas\u201d que abalou o leste do Congo no in\u00edcio e meados da d\u00e9cada de 1960, liderada em Kwilu por seu velho amigo Mulele.<\/p>\n<p>Ela era frequentemente visitada por uma gama diversificada de revolucion\u00e1rios da \u00c1frica do Sul, Mo\u00e7ambique, Angola, Eritreia e outras frentes africanas, at\u00e9 mesmo palestinos e Panteras Negras estadunidenses. Sua sala de estar, brincava, era \u201ca chancelaria dos Estados Unidos da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s se mudar para Paris, onde morreria de c\u00e2ncer em 1986, ela continuou escrevendo ensaios e livros ao longo das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, incluindo sua autobiografia, publicada pela primeira vez em 1983, mas que estava esgotada at\u00e9 essa reedi\u00e7\u00e3o pela Verso Books. Segundo sua filha Eve Blouin, Andr\u00e9e permaneceu convencida at\u00e9 o fim de que a revolu\u00e7\u00e3o pan-africana superaria todas as intrigas neocoloniais e que \u201co futuro pertencia \u00e0 unidade dos povos livres e soberanos\u201d.<\/p>\n<p>Quase quarenta anos ap\u00f3s sua morte, o valor da obra de Andr\u00e9e permanece em suas avalia\u00e7\u00f5es s\u00f3brias das perspectivas e objetivos de muitos l\u00edderes africanos proeminentes, nas descri\u00e7\u00f5es comoventes dos sofrimentos humanos e nas an\u00e1lises profundas e severas das muitas injusti\u00e7as e absurdos do colonialismo.<\/p>\n<div class=\"molongui-clearfix\">\u00a0<\/p>\n<aside id=\"sidebar-nota-left\" class=\"sidebar sidebar-left\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\n<section id=\"block-9\" class=\"widget widget_block\">Nossa nova\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/revista\/\">edi\u00e7\u00e3o impressa sobre &#8220;ra\u00e7a e classe&#8221;<\/a>\u00a0j\u00e1 foi lan\u00e7ada.\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/assine\/\">Assine um de nossos planos<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/revista\/\">compre ela avulsa hoje<\/a>.<\/section>\n<\/div>\n<\/aside>\n<aside id=\"sidebar-nota-right\" class=\"sidebar sidebar-right\" role=\"complementary\">\n<div class=\"inner\">\n<section id=\"yarpp_widget-2\" class=\"widget widget_yarpp_widget\">\n<div class=\"yarpp yarpp-related yarpp-related-widget yarpp-template-yarpp-template-jaco\">\n<div class=\"inner\">\n<ul>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Como o Ocidente destruiu as esperan\u00e7as de independ\u00eancia do Congo\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2025\/02\/como-o-ocidente-destruiu-as-esperancas-de-independencia-do-congo\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Como o Ocidente destruiu as esperan\u00e7as de independ\u00eancia do Congo<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"><a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/6f8cc3cf0a6afbbe\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Andr\u00e9e Blouin<\/a><\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"A trilha sonora de um golpe de Estado\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2025\/02\/a-trilha-sonora-de-um-golpe-de-estado\/\" rel=\"bookmark norewrite\">A trilha sonora de um golpe de Estado<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"><a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/1a71e4458abf585e\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Johan Grimonprez\u00a0e\u00a0Stewart Smith<\/a><\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Pol\u00edticas pr\u00f3-mercado da \u201cterceira via\u201d causaram um desastre eleitoral\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2024\/06\/politicas-pro-mercado-da-terceira-via-causaram-um-desastre-eleitoral\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Pol\u00edticas pr\u00f3-mercado da \u201cterceira via\u201d causaram um desastre eleitoral<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"><a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/cfcd6c0922a5bdd5\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Daniel Denvir\u00a0e\u00a0Stephanie L. Mudge<\/a><\/span><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"relatedcontent\">\n<h3><a class=\"rel-link\" title=\"Comunismo lis\u00e9rgico\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2025\/04\/comunismo-lisergico\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Comunismo lis\u00e9rgico<\/a><\/h3>\n<p><span class=\"autor\"><a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/66dfe9345e944393\/\" rel=\"bookmark norewrite\">Mark Fisher<\/a><\/span><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"block-7\" class=\"widget widget_block\"><a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/loja\/camiseta\/sem-anistia-para-golpista-bone\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-40040\" src=\"https:\/\/jacobin.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Lancamento-bone2.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"600\"><\/a><\/section>\n<\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"post-content\">\n<p class=\"prefixo\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box\" data-box-layout=\"slim\" data-box-position=\"below\" data-multiauthor=\"false\" data-author-id=\"199\" data-author-type=\"user\" data-author-archived=\"\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-header m-a-box-headline\">\n<h3><span class=\"m-a-box-header-title m-a-box-string-headline\">Sobre o autor<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box-container\">\n<div class=\"m-a-box-tab m-a-box-content m-a-box-profile\" data-profile-layout=\"layout-1\" data-author-ref=\"user-199\">\n<div class=\"m-a-box-content-middle\">\n<div class=\"m-a-box-item m-a-box-data\">\n<div class=\"m-a-box-name m-a-box-title\">\n<h5><a class=\"m-a-box-name-url\" href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/author\/d78d563112cf69b1\/\">Ernest Harsch<\/a><\/h5>\n<\/div>\n<div class=\"m-a-box-bio\">\n<p>Trabalhou em quest\u00f5es africanas por mais de duas d\u00e9cadas nas Na\u00e7\u00f5es Unidas e atualmente \u00e9 professor adjunto da Columbia University. Seu livro mais recente \u00e9 Thomas Sankara: An African Revolutionary (Ohio University Press, 2014).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2025\/04\/andree-blouin-foi-a-articuladora-politica-esquecida-da-africa\/\">https:\/\/jacobin.com.br\/2025\/04\/andree-blouin-foi-a-articuladora-politica-esquecida-da-africa\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ruxin_related_articles_items\">\n<div id=\"ruxin_related_articles_heading99999\" class=\"ruxin_related_articles_heading6\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_776\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"776\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 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Blouin contam a hist\u00f3ria de uma mulher que testemunhou em primeira m\u00e3o os euf\u00f3ricos altos e os tr\u00e1gicos baixos da luta pela independ\u00eancia na \u00c1frica.<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[490],"tags":[876,874,873,623,875],"class_list":["post-776","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-africa-central","tag-andree-blouin","tag-capitalismo","tag-colinialismo","tag-patrice-mumumba"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/776\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}