{"id":799,"date":"2025-06-17T12:04:54","date_gmt":"2025-06-17T15:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/06\/17\/decolonialidade-desvendando-o-pensamento-que-desafia-a-colonialidade\/"},"modified":"2025-06-17T12:04:54","modified_gmt":"2025-06-17T15:04:54","slug":"decolonialidade-desvendando-o-pensamento-que-desafia-a-colonialidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=799","title":{"rendered":"Decolonialidade: desvendando o pensamento que desafia a colonialidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"contentArchiveSingleLeftMeta\">\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">Em linhas gerais, este conceito postula que o poder colonial persistiu mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 correto afirmar que, embora o colonialismo n\u00e3o exista mais e as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam mais col\u00f4nias, vivenciamos a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>. Esta, por sua vez, refere-se aos resqu\u00edcios de uma hist\u00f3ria de domina\u00e7\u00e3o territorial de um grupo sobre outro, fundamentada na classifica\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o segundo a ideia de ra\u00e7a.<\/div>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">\n<\/div>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">10 de junho de 2025,<\/div>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">E-docente<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/decolonial-brasil.jpg\" width=\"900\" height=\"506\" loading=\"lazy\" data-path=\"local-images:\/Sociologia\/decolonial-brasil.jpg\"><\/p>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftContent\">\n<p>A primeira vez que me deparei com a palavra\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0foi em conversas com um grupo de amigas professoras, que, \u00e0 \u00e9poca, estavam cursando o doutorado. De imediato, chamou minha aten\u00e7\u00e3o e causou certo estranhamento o fato de o prefixo \u201cde\u201d, que remete \u00e0 nega\u00e7\u00e3o ou invers\u00e3o, estar sem a letra \u201cs\u201d e associado a \u201ccolonial\u201d. Isso indicava, portanto, algo que se contrapunha ao que era colonial.<\/p>\n<p>Mas como seria poss\u00edvel falar de algo que se contrap\u00f5e ao colonial se a maioria das ex-col\u00f4nias j\u00e1 conquistou sua independ\u00eancia \u2014 e, no caso do Brasil, por exemplo, h\u00e1 mais de 200 anos? \u00c9 justamente nesse ponto que o termo\u00a0<strong>decolonial<\/strong>\u00a0nos convida a uma reflex\u00e3o mais profunda.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O legado da colonialidade na atualidade<\/h3>\n<p>A\u00a0<strong>coloniza\u00e7\u00e3o moderna<\/strong>, que se estendeu do s\u00e9culo XVI ao XIX, foi marcada pela intensa expans\u00e3o territorial das na\u00e7\u00f5es europeias. Portugal e Espanha, pioneiros nas grandes navega\u00e7\u00f5es, desempenharam papel central na explora\u00e7\u00e3o de novos continentes e na amplia\u00e7\u00e3o de sua domina\u00e7\u00e3o territorial (Avila, 2021).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No \u00e2mbito do\u00a0<strong>pensamento social brasileiro<\/strong>\u00a0\u2014 uma \u00e1rea da Sociologia que investiga como a heran\u00e7a colonial se manifesta e se mant\u00e9m presente nas rela\u00e7\u00f5es sociais contempor\u00e2neas \u2014, observa-se que toda transforma\u00e7\u00e3o social acarreta rupturas e continuidades. Ou seja, o t\u00e9rmino de um per\u00edodo hist\u00f3rico-social n\u00e3o implica o completo desaparecimento de seus elementos caracter\u00edsticos. Com a coloniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi diferente. Ela se manteve (e ainda se mant\u00e9m) por meio da\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>, mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entendendo a diferen\u00e7a: decolonialidade vs. descoloniza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Antes de aprofundar o conceito de\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>, \u00e9 fundamental entender a que ele se contrap\u00f5e. O termo correto n\u00e3o seria \u201cdescolonial\u201d? Neste caso, a resposta \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>O termo \u201cdescolonial\u201d refere-se \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Como j\u00e1 somos independentes e n\u00e3o podemos alterar a hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cdescolonizar\u201d o que j\u00e1 foi descolonizado. No entanto, podemos abordar de forma diferente os\u00a0<strong>resqu\u00edcios da coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, que configuram a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>. Por isso, falamos em\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>, ou seja, em se contrapor ao que a coloniza\u00e7\u00e3o deixou como legado.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>\u00a0revela que, mesmo com o fim do colonialismo, a l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es coloniais persistiu entre os pa\u00edses, os diversos grupos humanos, seus saberes e seus modos de vida. Embora o colonialismo tenha oficialmente terminado com a independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es colonizadas, seus rastros n\u00e3o desapareceram da noite para o dia. Eles se mantiveram, propagando-se na cultura, na economia, na pol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es e na subjetividade dos sujeitos. Desse modo, \u00e9 poss\u00edvel abordar a\u00a0<strong>colonialidade do poder<\/strong>\u00a0e do saber (Quijano, 2005), al\u00e9m da\u00a0<strong>colonialidade do ser<\/strong>\u00a0(Mignolo, 2010; Maldonado-Torres, 2022).<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A influ\u00eancia do grupo Modernidade\/Colonialidade na decolonialidade<\/h3>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o\u00a0<strong>pensamento decolonial<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0foi impulsionada por um grupo fundamental de pesquisadores, predominantemente latino-americanos. Esses pesquisadores, que iniciaram seus estudos na d\u00e9cada de 1990 em universidades de diversas partes das Am\u00e9ricas, foram denominados\u00a0<strong>Grupo Modernidade\/Colonialidade (M\/C)<\/strong>. Seu objetivo era compreender como a colonialidade e a modernidade forjaram o\u00a0<strong>sistema-mundo moderno<\/strong>\u00a0(Wallerstein, 1974), respons\u00e1vel por dividir os pa\u00edses em perif\u00e9ricos, semiperif\u00e9ricos e centrais.<\/p>\n<p>Em outras palavras, esses estudiosos buscavam entender a origem da hierarquia global que estabeleceu alguns pa\u00edses como dominantes e centrais, em detrimento de outros, considerados perif\u00e9ricos e menos importantes.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>sistema-mundo moderno<\/strong>\u00a0fundamenta-se na\u00a0<strong>divis\u00e3o internacional do trabalho<\/strong>, na qual alguns pa\u00edses se dedicam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, outros \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de produtos industrializados de baixa e m\u00e9dia tecnologia, e os restantes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alta tecnologia (Wallerstein, 1974). Essa divis\u00e3o social do trabalho entre os pa\u00edses s\u00f3 se tornou poss\u00edvel devido \u00e0\u00a0<strong>colonialidade do poder<\/strong>, tema que ser\u00e1 aprofundado a seguir.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Colonialidade do poder: como a domina\u00e7\u00e3o persiste na decolonialidade<\/h3>\n<p>An\u00edbal Quijano (2005), um dos expoentes do Grupo M\/C, criou o conceito de\u00a0<strong>colonialidade do poder<\/strong>. Em linhas gerais, este conceito postula que o poder colonial persistiu mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 correto afirmar que, embora o colonialismo n\u00e3o exista mais e as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam mais col\u00f4nias, vivenciamos a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>. Esta, por sua vez, refere-se aos resqu\u00edcios de uma hist\u00f3ria de domina\u00e7\u00e3o territorial de um grupo sobre outro, fundamentada na classifica\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o segundo a ideia de ra\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A partir da concep\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, um novo padr\u00e3o de poder foi estabelecido, pautado no \u201ccontrole do trabalho, de recursos e de produtos\u201d. Isso porque a coloniza\u00e7\u00e3o representou um passo crucial na expans\u00e3o do sistema capitalista (Quijano, 2005, p. 118). O aspecto mais grave, contudo, \u00e9 que a classifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o por meio da ideia de ra\u00e7a se expandiu e se globalizou, constituindo um\u00a0<strong>sistema-mundo<\/strong>\u00a0que serve de eixo de sustenta\u00e7\u00e3o ao capitalismo.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0 expans\u00e3o territorial dos pa\u00edses da Europa Ocidental que financiaram as grandes navega\u00e7\u00f5es, gestava-se a ideia de\u00a0<strong>modernidade<\/strong>. Nela, o homem branco europeu posicionava-se como detentor das maiores inven\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e dos conhecimentos e saberes mais importantes. Por sua suposta superioridade, ele se sentia no direito de subjugar todos os povos que n\u00e3o se encaixavam nesse padr\u00e3o, como ind\u00edgenas e negros.<\/p>\n<p>Grosfoguel (2008) aprofunda a discuss\u00e3o, afirmando que a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>\u00a0se globalizou e se estendeu \u00e0 domina\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos sobre os pa\u00edses perif\u00e9ricos. Estes, por sua vez, mant\u00eam uma condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de col\u00f4nia, mesmo sem estar sob dom\u00ednio colonial direto. Isso ocorre na medida em que os pa\u00edses do Sul Global produzem mat\u00e9rias-primas, g\u00eaneros aliment\u00edcios e industrializados de baixa e m\u00e9dia tecnologia, mas continuam importando produtos de alta tecnologia e de maior valor agregado.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>classifica\u00e7\u00e3o racial<\/strong>\u00a0foi empregada como crit\u00e9rio para distribuir a popula\u00e7\u00e3o mundial em termos de\u00a0<strong>pap\u00e9is<\/strong>\u00a0e posi\u00e7\u00f5es na estrutura social. Com a constru\u00e7\u00e3o da ideia de\u00a0<strong>modernidade<\/strong>, o\u00a0<strong>eurocentrismo<\/strong>\u00a0se estabeleceu, al\u00e7ando a Europa, os europeus e suas culturas ao topo da hierarquia constitu\u00edda a partir desse conceito. Consequentemente, os valores, saberes, cren\u00e7as e pr\u00e1ticas dos povos origin\u00e1rios e africanos foram invisibilizados, um processo que se iniciou com a coloniza\u00e7\u00e3o e se perpetuou com a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.edocente.com.br\/blog-educacao-antirracismo\/\">racismo<\/a><\/strong>\u00a0consolidou as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da seguinte forma: aos brancos foram atribu\u00eddos os sal\u00e1rios e os postos de comando, enquanto \u00e0s outras ra\u00e7as, consideradas inferiores, coube servir ao sistema por meio de m\u00e3o de obra mal remunerada. De acordo com Grosfoguel (2008, p. 126):<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A express\u00e3o \u201ccolonialidade do poder\u201d designa um processo fundamental de estrutura\u00e7\u00e3o do sistema-mundo moderno\/colonial,\u00a0que articula os lugares perif\u00e9ricos da divis\u00e3o internacional do trabalho com a hierarquia \u00e9tnico-racial global e com a\u00a0inser\u00e7\u00e3o de migrantes do Terceiro Mundo na hierarquia \u00e9tnico-racial das cidades metropolitanas globais.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A\u00a0<strong>colonialidade do poder<\/strong>\u00a0interfere na constru\u00e7\u00e3o da subjetividade dos povos colonizados, levando-os a introjetar a ideia de que s\u00e3o inferiores. Para Quijano (2005), a Europa n\u00e3o se limitou ao controle do com\u00e9rcio; ela tamb\u00e9m controlou todas as formas de subjetividade, da cultura e, particularmente, da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Da\u00ed, a possibilidade de se pensar em uma\u00a0<strong>colonialidade do saber<\/strong>.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Colonialidade do Saber e Epistemic\u00eddio: Desafios \u00e0 Decolonialidade<\/h3>\n<p>A\u00a0<strong>colonialidade do saber<\/strong>\u00a0relaciona-se \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos produzidos no Norte Global e ao\u00a0<strong>epistemic\u00eddio<\/strong>, que se traduz no apagamento ou na invisibiliza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos dos povos subalternizados. Para Santos (1995, p. 328), o epistemic\u00eddio ocorreu:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[\u2026] tanto no espa\u00e7o perif\u00e9rico, extraeuropeu e extranorte-americano do sistema mundial, quanto no espa\u00e7o central europeu e norte-americano, atingindo trabalhadores, ind\u00edgenas, negros, mulheres e minorias em geral (\u00e9tnicas, religiosas, sexuais).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 crucial observar que o\u00a0<strong>epistemic\u00eddio<\/strong>, embora se direcione principalmente aos povos do Sul Global, expande-se tamb\u00e9m \u00e0s pessoas exclu\u00eddas nos pr\u00f3prios pa\u00edses europeus, conforme salienta Santos (1995).<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Papel da Decolonialidade em \u201cO Perigo de uma Hist\u00f3ria \u00danica\u201d<\/h3>\n<p>A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em seu livro \u201c<strong>O Perigo de uma Hist\u00f3ria \u00danica<\/strong>\u201d (2019), enfatiza o car\u00e1ter de den\u00fancia e resist\u00eancia que a\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0prop\u00f5e:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>As hist\u00f3rias importam. Muitas hist\u00f3rias importam. As hist\u00f3rias foram usadas para espoliar e caluniar, mas tamb\u00e9m podem ser usadas para empoderar e humanizar.\u00a0Elas podem despeda\u00e7ar a dignidade de um povo, mas tamb\u00e9m podem reparar essa dignidade despeda\u00e7ada\u00a0(Adichie, 2019, p. 32).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para a autora, o perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica reside em torn\u00e1-la a narrativa definitiva sobre uma pessoa, um povo ou um pa\u00eds. Por isso, a\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0se prop\u00f5e a criar estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia para os povos e grupos subalternizados.<\/p>\n<p>Afirmar que negros e ind\u00edgenas s\u00e3o inferiores, que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 pobre, assim como o continente africano e alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos, \u00e9 endossar uma hist\u00f3ria \u00fanica, concebida para subjugar os pa\u00edses do Sul Global.<\/p>\n<p>Para o escritor Nelson Rodrigues (1993), o brasileiro padece de uma esp\u00e9cie de \u201c<strong>complexo de vira-latas<\/strong>\u201c, ao se colocar voluntariamente como inferior em rela\u00e7\u00e3o ao restante do mundo. Contudo, \u00e9 poss\u00edvel que a origem da admira\u00e7\u00e3o pela Europa Ocidental (e, posteriormente, pelos Estados Unidos) e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Brasil, de seu povo e de sua cultura, tenham sido impostas e constru\u00eddas culturalmente pela coloniza\u00e7\u00e3o. Por isso, a\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0prop\u00f5e-se a desmascarar as formas de domina\u00e7\u00e3o que persistem, apresentando alternativas que reconstroem a cultura e a subjetividade dos povos que se erguem como descolonizados e, agora, tamb\u00e9m decolonizados.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Cr\u00edtica do Pensamento Decolonial: O Giro Decolonial<\/h3>\n<p>Segundo Luciana Balestrin (2013, p. 89), o Grupo M\/C \u201c[\u2026] realizou um movimento epistemol\u00f3gico fundamental para a renova\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e ut\u00f3pica das ci\u00eancias sociais na Am\u00e9rica Latina no s\u00e9culo XXI: a radicaliza\u00e7\u00e3o do argumento p\u00f3s-colonial no continente\u00a0por meio da no\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>\u2018giro decolonial\u2019<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Em outras palavras, esses pesquisadores aproveitaram a \u201cfenda\u201d aberta pelo p\u00f3s-colonialismo \u2014 corrente que j\u00e1 criticava o fato de teorias, reflex\u00f5es e conhecimentos serem produzidos predominantemente no Norte Global para e sobre o Sul Global \u2014 e intensificaram essa ruptura.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>, ou o\u00a0<strong>pensamento decolonial<\/strong>, \u00e9, antes de tudo, um movimento epistemol\u00f3gico, ou seja, diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do conhecimento e do saber. Al\u00e9m disso, \u00e9 um movimento pol\u00edtico, pois considera o sujeito que produz conhecimento a partir do contexto em que vive e problematiza o que observa a partir de sua pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o. O pensamento\u00a0<strong>decolonial<\/strong>\u00a0\u00e9 um convite \u00e0 suspens\u00e3o das certezas de que apenas os pa\u00edses ricos do Norte Global s\u00e3o capazes de produzir ci\u00eancia, conhecimento e saberes, tanto sobre si quanto sobre o restante do mundo.<\/p>\n<p>Novaes (1999), em seu livro \u201c<strong>A Outra Margem do Ocidente<\/strong>\u201c, ao refletir sobre a chegada dos europeus em solo americano, afirma:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO primeiro ato de funda\u00e7\u00e3o do conquistador come\u00e7a, pois, com a constru\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria da figura do Outro. Em vez de imergir no mundo dos gestos, signos e s\u00edmbolos que permitiriam compreender o sentido e o poder da cultura e das institui\u00e7\u00f5es, dos mitos, dos s\u00edmbolos e das palavras dos primitivos, o Ocidente apressou-se em desenh\u00e1-lo como o bom e o mau selvagem, o violento, o canibal,\u00a0desprovido de hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e formas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d (Novaes, 1999, p. 10).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O olhar estrangeiro dos ocidentais (europeus) n\u00e3o conseguiu, de fato, apreender as civiliza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Leram o mundo que se abria para eles com suas pr\u00f3prias lentes, de acordo exclusivamente com seus pr\u00f3prios valores. Para os ocidentais, o mundo pol\u00edtico dos \u201cselvagens\u201d era impens\u00e1vel. Pela for\u00e7a, impuseram sua cultura (Novaes, 1999). Por outro lado, tiveram que come\u00e7ar a refletir sobre si mesmos, sobre o fato de que as formas de vida humanas s\u00e3o m\u00faltiplas. Uma reflex\u00e3o que perdura at\u00e9 hoje e que os estudos decoloniais resgataram com novo vigor.<\/p>\n<p>Novaes (1999) afirma que, normalmente, nomeia-se o que j\u00e1 \u00e9 conhecido. \u00c0 \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o, o conhecido era classificado como crist\u00e3o ou pag\u00e3o, b\u00e1rbaro ou civilizado. O europeu tomou a pr\u00f3pria imagem como modelo para o\u00a0<strong>Outro<\/strong>. Contudo, nesse jogo de espelhos, a Am\u00e9rica proporcionou \u00e0 Europa a confronta\u00e7\u00e3o com o\u00a0<strong>Outro<\/strong>, consigo mesma e com sua alteridade (Novaes, 1999). Se, em algum momento, os ind\u00edgenas trocaram suas terras por espelhos, os estudos\u00a0<strong>decoloniais<\/strong>\u00a0agora devolvem o espelho aos europeus e anunciam ao mundo que os povos do Sul Global, ainda hoje subalternizados, far\u00e3o suas pr\u00f3prias representa\u00e7\u00f5es, em primeira pessoa, sem tradu\u00e7\u00f5es de segunda ou terceira m\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Decolonialidade e Tecnologia: Novos Horizontes para o Saber<\/h3>\n<p>Em sua tese de doutorado, Sueli Carneiro (2005), fil\u00f3sofa e intelectual do movimento de mulheres negras, afirma que a constru\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>ser<\/strong>\u00a0e da subjetividade foi pautada na ideia do\u00a0<strong>n\u00e3o-ser<\/strong>. O\u00a0<strong>ser<\/strong>\u00a0foi associado ao branco e o\u00a0<strong>n\u00e3o-ser<\/strong>, ao ind\u00edgena e ao negro. Com o\u00a0<strong>racismo<\/strong>, observa-se a desumaniza\u00e7\u00e3o do outro, e o\u00a0<strong>epistemic\u00eddio<\/strong>\u00a0reflete essa desumaniza\u00e7\u00e3o, cujos saberes s\u00e3o negados e invisibilizados.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais insere-se no mesmo processo de invisibiliza\u00e7\u00e3o e apagamento das contribui\u00e7\u00f5es negras e ind\u00edgenas, sob o pressuposto de que os povos ao Sul do Equador n\u00e3o seriam capazes de produzir culturas, tecnologias e ci\u00eancias (Carreira, 2014). Apesar disso, a reprodu\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o dessas tecnologias podem servir \u00e0\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Que a Decolonialidade Prop\u00f5e?<\/h3>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Prop\u00f5e um caminho inverso, da periferia ao centro, valorizando a produ\u00e7\u00e3o de cultura, arte, saber e ci\u00eancia dos povos subalternizados. Busca construir pontes que favore\u00e7am o di\u00e1logo entre as culturas (Candau, 2008), em uma perspectiva n\u00e3o apenas global (do Sul para o Norte Global), mas tamb\u00e9m local (das periferias ou \u00e1reas rurais para os centros urbanos).<\/li>\n<li>Aborda a resist\u00eancia e a luta contra o apagamento e a invisibiliza\u00e7\u00e3o dos povos subalternizados. Por exemplo, o trabalho desenvolvido por museus na zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro, como o Museu da Hist\u00f3ria e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB) e o Instituto Pretos Novos (IPN), \u00e9 crucial para resgatar a cultura negra e conferir-lhe um novo lugar na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/li>\n<li>Foca no resgate de culturas e na constru\u00e7\u00e3o de outras narrativas hist\u00f3ricas, por meio da pesquisa em documentos oficiais e n\u00e3o oficiais. Isso permite, por exemplo, apresentar mulheres, pessoas pobres e a comunidade LGBTQIAPN+ sob outros vieses na hist\u00f3ria do Brasil, n\u00e3o mais como figuras submissas.<\/li>\n<li>Prop\u00f5e di\u00e1logos entre o Norte Global e o Sul Global, eliminando a perspectiva de domina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Decolonialidade: Estrat\u00e9gias de Sobreviv\u00eancia (Resistir \u00e9 Preciso!)<\/h3>\n<p>O pensamento\u00a0<strong>decolonial<\/strong>\u00a0aponta para a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>, denunciando sua continuidade com a coloniza\u00e7\u00e3o. Mais do que isso, ele alerta para a necessidade de resistir, a fim de romper efetivamente com um passado que est\u00e1 \u00e0 espreita, buscando refazer ou refor\u00e7ar la\u00e7os hostis e desumanizadores a todo momento.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2025, o cantor brasileiro Milton Nascimento concorreu ao Grammy Awards na categoria Melhor \u00c1lbum de Jazz Vocal, com o disco \u201cMilton + Esperanza\u201d, em parceria com a cantora norte-americana Esperanza Spalding. Convidado para a cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o, realizada anualmente nos Estados Unidos, o m\u00fasico brasileiro foi designado a um assento na arquibancada do local, e n\u00e3o nas posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao palco, onde Esperanza estava alocada e que normalmente s\u00e3o ocupadas pelos concorrentes. A justificativa da organiza\u00e7\u00e3o para tal diferen\u00e7a de tratamento \u2014 e desrespeito com o artista brasileiro \u2014 foi que apenas ocupariam os assentos nas mesas principais aqueles que desejavam filmar.<\/p>\n<p>Milton Nascimento recusou o lugar que lhe foi destinado e n\u00e3o compareceu \u00e0 cerim\u00f4nia. Em uma esp\u00e9cie de licen\u00e7a po\u00e9tica, pode-se afirmar que a postura do m\u00fasico foi\u00a0<strong>decolonial<\/strong>, servindo como reflex\u00e3o sobre qual lugar os indiv\u00edduos do Sul Global \u2014 latino-americanos, brasileiros, negros, ind\u00edgenas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, idosos e pessoas com defici\u00eancia \u2014 devem ocupar. O m\u00fasico brasileiro demonstrou que \u00e9 poss\u00edvel resistir e n\u00e3o se conformar \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o racial e social imposta pelo sistema-mundo global. A\u00a0<strong>decolonialidade<\/strong>\u00a0nos convida a questionar e transformar essas estruturas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>ADICHIE, Chimamanda Ngozi.\u00a0<strong>O Perigo de Uma Hist\u00f3ria \u00danica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cia. das Letras, 2019.\u00a0<\/p>\n<p>AVILA, Milena Abreu. Colonialidade e Decolonialidade: voc\u00ea conhece esses conceitos?.\u00a0<strong>Politize!<\/strong>, 19 mar. 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.politize.com.br\/colonialidade-e-decolonialidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.politize.com.br\/colonialidade-e-decolonialidade\/<\/a>. Acesso em: 10 fev. 2025.\u00a0<\/p>\n<p>BALLESTRIN, Luciana. Am\u00e9rica Latina e o giro decolonial.\u00a0<strong>Revista Brasileira de Ci\u00eancia Pol\u00edtica<\/strong>, Bras\u00edlia, n. 11, p. 89-117, mai.\/ago. 2013. DOI:\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-33522013000200004\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-33522013000200004<\/a>. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbcpol\/a\/DxkN3kQ3XdYYPbwwXH55jhv\/abstract\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbcpol\/a\/DxkN3kQ3XdYYPbwwXH55jhv\/abstract\/?lang=pt<\/a>. Acesso em: 13 maio 2025.\u00a0<\/p>\n<p>CANDAU, Vera Maria. Direitos Humanos, Educa\u00e7\u00e3o e Interculturalidade: as tens\u00f5es entre igualdade e diferen\u00e7a.\u00a0<strong>Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, v. 13, n. 37, jan.\/abr. 2008. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbedu\/a\/5szsvwMvGSVPkGnWc67BjtC\/?format=pdf&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbedu\/a\/5szsvwMvGSVPkGnWc67BjtC\/?format=pdf&amp;lang=pt<\/a>. Acesso em: 13 maio 2025.\u00a0<\/p>\n<p>CARNEIRO, Aparecida Sueli.\u00a0<strong>A Constru\u00e7\u00e3o do Outro como N\u00e3o-Ser como fundamento do Ser<\/strong>. Tese (Doutorado) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2005.\u00a0<\/p>\n<p>CARREIRA, Denise. Educa\u00e7\u00e3o, Direitos Humanos e Tecnologia: quest\u00e3o em jogo.\u00a0<strong>Portal Geled\u00e9s \u2013 Instituto da Mulher Negra<\/strong>, 22 ago. 2014. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/educacao-direitos-humanos-e-tecnologia-questoes-em-jogo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.geledes.org.br\/educacao-direitos-humanos-e-tecnologia-questoes-em-jogo\/<\/a>. Acesso em: 10 fev. 2025.\u00a0<\/p>\n<p>GROSFOGUEL, Ram\u00f3n. Para Descolonizar os Estudos de Economia Pol\u00edtica e os Estudos P\u00f3s-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global.\u202f<strong>Revista Cr\u00edtica de Ci\u00eancias Sociais<\/strong>, n. 80, p. 115-147, 2008.\u00a0<strong>DOI:\u202f<\/strong><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.12957\/periferia.2009.3428\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.12957\/periferia.2009.3428<\/a>. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/periferia\/article\/view\/3428\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/periferia\/article\/view\/3428<\/a>. Acesso em: 13 maio 2025.\u00a0<\/p>\n<p>MALDONADO-TORRES, Nelson.\u00a0<strong>Sobre a Colonialidade do Ser<\/strong>: contribui\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de um conceito. Rio de Janeiro: Via Verita, 2022.\u00a0<\/p>\n<p>MIGNOLO, Walter.\u00a0<strong>Desobediencia Epist\u00e9mica<\/strong>: ret\u00f3rica de la modernidad, l\u00f3gica de la colonialidad y gram\u00e1tica de la descolonialidad. Argentina: Ediciones del signo, 2010.\u00a0<\/p>\n<p>NOVAES, Adauto (Org.).\u00a0<strong>A outra margem do ocidente<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1999.\u00a0<\/p>\n<p>QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do Poder, Eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina.\u00a0<em>In<\/em>: QUIJANO, An\u00edbal.\u00a0<strong>A Colonialidade do Saber<\/strong>: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais, perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/biblioteca.clacso.edu.ar\/clacso\/sur-sur\/20100624103322\/12_Quijano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/biblioteca.clacso.edu.ar\/clacso\/sur-sur\/20100624103322\/12_Quijano.pdf<\/a>. Acesso em: 13 maio 2025.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>RODRIGUES, Nelson.\u00a0<strong>\u00c0 sombra das chuteiras imortais<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cia. das Letras, 1993.\u00a0<\/p>\n<p>SANTOS, Boaventura de Sousa.\u00a0<strong>Pela m\u00e3o de Alice:\u00a0<\/strong>o social e o pol\u00edtico na p\u00f3s-modernidade. S\u00e3o Paulo: Cortez Editora, 1995.\u00a0<\/p>\n<p>WALLERSTEIN, Immanuel.\u00a0<strong>The modern world-system I:\u00a0<\/strong>Capitalist agriculture and the origins of the european world-economy in the sixteenth century. New York: Academic Press, 1974.<\/p>\n<\/div>\n<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www.edocente.com.br\/blog-decolonialidade-desvendando-o-pensamento-que-desafia-a-colonialidade\/\">https:\/\/www.edocente.com.br\/blog-decolonialidade-desvendando-o-pensamento-que-desafia-a-colonialidade\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_799\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"799\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"contentArchiveSingleLeftMeta\">\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">Em linhas gerais, este conceito postula que o poder colonial persistiu mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 correto afirmar que, embora o colonialismo n\u00e3o exista mais e as na\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam mais col\u00f4nias, vivenciamos a\u00a0<strong>colonialidade<\/strong>. Esta, por sua vez, refere-se aos resqu\u00edcios de uma hist\u00f3ria de domina\u00e7\u00e3o territorial de um grupo sobre outro, fundamentada na classifica\u00e7\u00e3o social da popula\u00e7\u00e3o segundo a ideia de ra\u00e7a.<\/div>\n<div class=\"contentArchiveSingleLeftMetaItem\">\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":798,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[487],"tags":[],"class_list":["post-799","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/799\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}