{"id":805,"date":"2025-07-25T10:21:40","date_gmt":"2025-07-25T13:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/07\/25\/brasil-marcha-das-mulheres-negras-toma-ruas-do-pais-nesta-sexta-25-7-em-defesa-da-vida-e-por-reparacao\/"},"modified":"2025-07-25T10:21:40","modified_gmt":"2025-07-25T13:21:40","slug":"brasil-marcha-das-mulheres-negras-toma-ruas-do-pais-nesta-sexta-25-7-em-defesa-da-vida-e-por-reparacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=805","title":{"rendered":"BRASIL: Marcha das Mulheres Negras toma ruas do pa\u00eds nesta sexta (25\/7) em defesa da vida e por repara\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ato celebra o 25 de Julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e homenageia Tereza de Benguela<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"jeg_meta_date\">24.jul.2025 \u00e0s 21h23<\/div>\n<div class=\"jeg_meta_place\">\u00a0S\u00e3o Paulo (SP)<\/div>\n<div class=\"jeg_line_10\">\n<div class=\"jeg_meta_author\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/autores\/adele-robichez\/\">Adele Robichez<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/autores\/larissa-bohrer\/\">Larissa Bohrer<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imgInsert\" style=\"border-radius: 3px; -webkit-border-radius: 3px; -moz-border-radius: 3px; float: center; margin: 4px;\" title=\"\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/marcha-mulheres-negras4.jpg\" data-title=\"\" data-droppicspicture=\"23\" data-droppicscategory=\"131\" data-droppicssource=\"original\" data-click=\"lightbox\" data-droppicslightbox=\"lightbox\"><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Marcha das Mulheres Negras realizou manifesta\u00e7\u00e3o em Garanhuns (PE), durante o Festival de Inverno &#8211;\u00a0Marcha das Mulheres Negras \/ divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mulheres negras de todo o pa\u00eds se mobilizam nesta sexta-feira (25) para realizar marchas em celebra\u00e7\u00e3o ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/07\/25\/dia-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-completa-30-anos-de-luta-por-igualdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha<\/a>, ao Dia Nacional de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/26\/artigo-uma-rainha-negra-no-pantanal-conheca-a-historia-de-tereza-de-benguela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tereza de Benguela<\/a>\u00a0e ao Julho das Pretas. Em S\u00e3o Paulo, o ato ter\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o \u00e0s 17h na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, reunindo mulheres de diferentes religi\u00f5es, origens e coletivos em torno da luta por justi\u00e7a social, bem viver e contra a viol\u00eancia do Estado.<\/p>\n<p>\u201cQuando nos emanamos, conseguimos identificar problemas que s\u00e3o coletivos e que, \u00e0s vezes, levamos para o individual. Estar na rua \u00e9 de suma import\u00e2ncia para que n\u00f3s, mulheres negras, possamos cada vez mais cobrar os nossos direitos\u201d, afirma Ana Paula Evangelista, da organiza\u00e7\u00e3o da Marcha das Mulheres Negras, em entrevista ao\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-iC_KNIDnnw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Conex\u00e3o BdF<\/a><\/em>, da\u00a0<strong>R\u00e1dio Brasil de Fato<\/strong>.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da constru\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/01\/mulheres-negras-se-mobilizam-para-2-marcha-por-reparacao-e-bem-viver\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">2\u00aa Marcha Nacional das Mulheres Negras<\/a>, marcada para novembro, que celebrar\u00e1 os dez anos do hist\u00f3rico ato de 2015, em Bras\u00edlia. \u201cLeis que s\u00e3o de suma import\u00e2ncia hoje s\u00f3 existem porque o movimento de mulheres se uniu\u201d, diz Evangelista.<\/p>\n<p>A homenagem a Tereza de Benguela, lideran\u00e7a quilombola do s\u00e9culo 18, tamb\u00e9m ter\u00e1 destaque. \u201cEssas mulheres se irmanam \u00e0 luta de Tereza de Benguela e de outras tantas que vieram antes de n\u00f3s. \u00c9 importante que reconhe\u00e7amos esse espa\u00e7o de luta tamb\u00e9m como um espa\u00e7o de vit\u00f3ria e de conquista\u201d, completa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"avPlayerWrapper avVideo\">\n<div class=\"avPlayerContainer\">\n<div id=\"AVPlayerID_0_b2e4fb9f69dd7c4f53d0c01bcafd9b1c\" class=\"avPlayerBlock\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ao comentar os dados do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/24\/feminicidios-injurias-raciais-e-violencia-contra-lgbt-crescem-no-brasil-aponta-anuario-de-seguranca-publica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>, divulgados nesta quinta (24), v\u00e9spera do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que apontam que 63,6% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2024 eram mulheres negras, a militante destaca a neglig\u00eancia estatal. \u201cExiste uma escassez de pol\u00edtica p\u00fablica, principalmente voltada para as periferias onde est\u00e3o a maioria das mulheres negras\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Evangelista refor\u00e7a que a Marcha das Mulheres Negras por Repara\u00e7\u00e3o e Bem-Viver \u00e9 protagonizado por mulheres negras, mas pessoas n\u00e3o negras s\u00e3o bem-vindas para somar. \u201c\u00c9 nosso dia, \u00e9 o dia em que n\u00f3s erguemos as nossas vozes. Que consigamos minimamente sobreviver nessa sociedade que, infelizmente, n\u00e3o nos quer aqui\u201d, declara.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_3_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper align-center\">\n<div class=\"ads_shortcode\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para ouvir e assistir<\/h4>\n<p>O jornal\u00a0<em>Conex\u00e3o BdF<\/em>\u00a0vai ao ar em duas edi\u00e7\u00f5es, de segunda a sexta-feira, uma \u00e0s 9h e outra \u00e0s 17h, na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/radiobrasildefato.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">R\u00e1dio Brasil de Fato<\/a><\/strong>,\u00a0<strong>98.9 FM<\/strong>\u00a0na Grande S\u00e3o Paulo, com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea tamb\u00e9m pelo YouTube do Brasil de Fato em https:<a href=\"https:\/\/cfemea.org.br\/index.php\/pt\/%3Ca%20href=\">\/\/www.youtube.com\/@brasildefato\/playlists<\/a><\/p>\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\n<div class=\"jeg_meta_editors\">Editado por: Maria Teresa Cruz<\/div>\n<div>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/24\/marcha-das-mulheres-negras-toma-ruas-do-pais-nesta-sexta-25-em-defesa-da-vida-e-por-reparacao\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/24\/marcha-das-mulheres-negras-toma-ruas-do-pais-nesta-sexta-25-em-defesa-da-vida-e-por-reparacao\/<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"entry-header\">\n<div class=\"jeg_postblock\">\n<div class=\"label\">Dia da mulher negra<\/div>\n<\/div>\n<h1 class=\"jeg_post_title\">De Cuba ao Haiti, revolu\u00e7\u00f5es forjaram identidade da mulher negra latino-americana e caribenha<\/h1>\n<h2 class=\"jeg_post_subtitle\">No dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha, grupos levantam os avan\u00e7os necess\u00e1rios em pa\u00edses revolucion\u00e1rios<\/h2>\n<div class=\"jeg_meta_container\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_post_meta_1\">\n<div class=\"meta_left\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"meta_right\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"jeg_share_top_container\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"jit-meta-authors-widget\">\n<div class=\"entry-header-meta\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_line_25\">\n<div class=\"jeg_meta_date\">25.jul.2025 \u00e0s 07h19<\/div>\n<div class=\"jeg_meta_place\">\u00a0Caracas (Venezuela)<\/div>\n<div class=\"jeg_line_10\">\n<div class=\"jeg_meta_author\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/autores\/lorenzo-santiago\/\">Lorenzo Santiago<br \/>B<\/a>RASIL DE FATO<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2024\/09\/image_processing20200201-29235-lcmy7v-750x502.jpg\" sizes=\"818px\"  alt=\"\"><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Situa\u00e7\u00f5es transversais de racismo e g\u00eanero s\u00e3o uma marca da luta das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas em diversos pa\u00edses; na foto, Marcha das Mulheres Negras, em 2020 &#8211;\u00a0Foto: Tomaz Silva\/Arquivo Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_ad jeg_article jnews_content_top_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-inner\">\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/08\/08\/artigo-por-que-enaltecer-a-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">vida das mulheres negras \u00e9 marcada pela ancestralidade e pelo referencial militante de quem construiu a luta<\/a>. Em pa\u00edses caribenhos forjados pela revolu\u00e7\u00e3o esse debate fica ainda mais expl\u00edcito.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 o que explica Marizabel Sifontes, presidente do Conselho Nacional para o Desenvolvimento das Comunidades Afrodescendentes da Venezuela (Conadec Afro). Nascida em Barlovento, regi\u00e3o com uma das maiores popula\u00e7\u00f5es negras na Venezuela, ela deixa claro quem foram seus mentores e as pessoas que guiaram o caminho da sua milit\u00e2ncia.\u00a0<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper align-center\">\n<div class=\"ads_shortcode\">\n<div class=\"ads-region-container\" data-slot=\"artigos-leaderboard-incontent-1\" data-region=\"br\" data-slot-name=\"artigos-leaderboard-incontent-1-br\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_1\" class=\"ad-slot ad-filled\" data-google-query-id=\"CILrzLmF2I4DFceDYQYdKOU8ZA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/23047072124\/artigos\/leaderboard_incontent_1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por ser de uma zona que preserva as tradi\u00e7\u00f5es de matriz africana, a discuss\u00e3o sobre ra\u00e7a esteve sempre presente em sua casa. Comida, m\u00fasica, dan\u00e7as e at\u00e9 o jeito de falar moldaram o estilo de Sifontes em torno de um debate racializado. Quando ela saiu para a universidade, ela teve a oportunidade de canalizar todo esse repert\u00f3rio em uma luta orientada para a quest\u00e3o de ra\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEu comecei a estudar e a ter contato com o professor Luiz Antonio Bigot, que lecionava na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, e era amigo pr\u00f3ximo de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/06\/18\/religiao-e-politica-espiritualidade-e-territorio-de-luta-para-populacao-afro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chucho Garc\u00eda<\/a>, que \u00e9 uma das maiores refer\u00eancias para n\u00f3s. Essas duas figuras serviram de guia dentro da Universidade Central da Venezuela, para mim e outros colegas que tamb\u00e9m vieram de Barlovento e concentraram seus esfor\u00e7os em estudar o negro no pa\u00eds. Minha consci\u00eancia racial foi constru\u00edda ali\u201d, afirmou ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/p>\n<p>Formada em servi\u00e7o social, se especializou em planejamento e passou a colocar o negro no centro do seu trabalho. O olhar para as comunidades afrodescendentes e do negro dentro da gest\u00e3o p\u00fablica passou a ser um foco para Sifontes e impulsionou n\u00e3o s\u00f3 a sua atua\u00e7\u00e3o profissional como tamb\u00e9m militante. Ela passa a integrar a Rede de Organiza\u00e7\u00f5es Afro-venezuelanas e ocupa cargos de gest\u00e3o at\u00e9 chegar ao Conadec Afro, um grupo ligado ao gabinete do governo venezuelano para debater essas quest\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Em Cuba essas refer\u00eancias tamb\u00e9m s\u00e3o evidentes. O pa\u00eds \u00e9 marcado por transforma\u00e7\u00f5es sociais que t\u00eam como base um governo revolucion\u00e1rio. Nesse contexto, Norma Rita Guillard Limonta construiu sua luta e formou suas refer\u00eancias. Fundadora do ramo cubano da Articula\u00e7\u00e3o Regional de Afrodescendentes da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (2012), ela afirma que outras mulheres, Mariana Grajales Cuello e Vilma Espin, foram suas inspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cUma das principais figuras que nos inspiram \u00e9 Mariana, a quem hoje reconhecemos como a m\u00e3e da p\u00e1tria. \u00c9 uma grande refer\u00eancia \u2014 ainda mais para mim, que sou de Santiago de Cuba, a mesma prov\u00edncia de onde ela era. Foi l\u00e1 que Mariana criou seus filhos. Vilma Esp\u00edn, foi fundadora da Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Cubanas e \u00e9 tamb\u00e9m um exemplo de luta pelos direitos das mulheres. Ela abriu caminhos para todas n\u00f3s\u201d, disse ao\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Mariana Grajales Cuello foi uma patriota independentista cubana e m\u00e3e dos irm\u00e3os Maceo. Filha de pais de origem dominicana, nasceu em uma fam\u00edlia de negros n\u00e3o retintos livre, o que lhe possibilitou acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o desde cedo. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/04\/05\/toussaint-louverture-o-general-negro-que-libertou-o-haiti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana<\/a>\u00a0\u2014 a primeira revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa de pessoas negras escravizadas \u2014 marcou profundamente sua fam\u00edlia.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Reconhecer-se negra<\/h4>\n<p>Para Sifontes, o foco do debate sobre quest\u00f5es raciais na Venezuela \u00e9 hoje voltado \u00e0 quest\u00e3o da identidade e do reconhecimento enquanto ser negro na sociedade. Est\u00e9tica, identifica\u00e7\u00e3o e autoestima s\u00e3o os grandes motes da discuss\u00e3o racial no pa\u00eds. Ela considera urgente superar a ideia de que a Venezuela \u00e9 um pa\u00eds sem racismo e acredita que esse \u00e9 o primeiro passo para avan\u00e7ar em outros sentidos.<\/p>\n<p>\u201cNos anos 80, a autora Ligia Montanez, publicou um livro chamado\u00a0<em>Racismo Oculto em uma Sociedade N\u00e3o Racista<\/em>, que foi fundamental para essa interpreta\u00e7\u00e3o. Reconhecer que existe racismo na sociedade venezuelana continua sendo um desafio. As pessoas come\u00e7aram a denunciar a exist\u00eancia de racismo na sociedade venezuelana, porque, aqui, diferentemente de outros pa\u00edses onde o racismo \u00e9 mais evidente e a segrega\u00e7\u00e3o era mais vis\u00edvel como nos Estados Unidos, aqui sempre se difundiu a ideia de que, por ser um pa\u00eds mesti\u00e7o, n\u00e3o temos racismo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Esse conceito equivocado, que tamb\u00e9m \u00e9 presente no Brasil, contamina todas as estruturas da sociedade e atravessa a quest\u00e3o de g\u00eanero. Mas, segundo Sifontes, a leitura de que as mulheres negras s\u00e3o alvo de uma explora\u00e7\u00e3o dupla j\u00e1 \u00e9 conhecido debate no pa\u00eds. O foco, portanto, deve ser no sentido de \u201ccriar consci\u00eancia\u201d e reafirmar-se enquanto mulher negra.\u00a0<\/p>\n<p>O processo pol\u00edtico venezuelano tem suas particularidades para promover esse tipo de debate. Desde que chegou ao poder em 1999, o ex-<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/03\/05\/um-legado-estrategico-o-pensamento-revolucionario-de-hugo-chavez-10-anos-apos-sua-partida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">presidente Hugo Ch\u00e1vez<\/a>\u00a0reconfigurou a pol\u00edtica e deu in\u00edcio a uma corrente chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/05\/artigo-nos-e-a-revolucao-bolivariana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana<\/a>. O debate racial passou a estar em cena e o governo come\u00e7ou a falar de forma mais aberta sobre o racismo e a quest\u00e3o de g\u00eanero.\u00a0<\/p>\n<p>Sifontes afirma, no entanto, que isso ainda \u00e9 um processo e que tem sido constru\u00eddo passo a passo no pa\u00eds no seio da revolu\u00e7\u00e3o e que essa discuss\u00e3o ainda precisa avan\u00e7ar entre a milit\u00e2ncia que participa e apoia o governo bolivariano.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tomadores de decis\u00e3o dentro do governo que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia e n\u00e3o entendem que existe racismo na Venezuela. Portanto, quando pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o definidas, o componente racista est\u00e1 l\u00e1, oculto. O presidente insiste que existe racismo e apresenta como uma quest\u00e3o que todos n\u00f3s temos que enfrentar, mas as pessoas n\u00e3o entendem e n\u00e3o aceitam isso. As pessoas negam o racismo pelas suas experi\u00eancias pessoais\u201d, disse.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o que transforma<\/h4>\n<p>Cuba tem um processo revolucion\u00e1rio mais antigo, que data de 1959. Isso transformou a vida de Norma Rita Guillard Limonta de maneira imediata. A vida e forma\u00e7\u00e3o dela foram profundamente marcadas pela Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o de 1961.<\/p>\n<p>Com apenas 14 anos, ela se juntou ao contingente de jovens que protagonizou uma das maiores epopeias da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: erradicar o analfabetismo na ilha. Seu testemunho dessa experi\u00eancia est\u00e1 registrado no document\u00e1rio\u00a0<em>Maestras<\/em>, da cineasta Catherine Murphy.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, cursou o ensino superior ao lado de mulheres camponesas, que estariam presentes, de forma recorrente, nas lembran\u00e7as mais queridas de sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m entende que h\u00e1 um processo longo ainda a ser percorrido pela Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e pelo governo castrista para buscar superar as desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, Rita acredita que h\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de um reconhecimento do povo negro cubano enquanto um grupo com direitos e com uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o mais importante que aprendemos nessa luta pela mulher negra \u00e9 que se trata de uma luta pelo autorreconhecimento. Reconhecemo-nos, conhecer nossa hist\u00f3ria e nossos ancestrais. \u00c9 com essa for\u00e7a e esse legado que seguimos lutando. Sempre conscientes de que a uni\u00e3o faz a for\u00e7a. Esse \u00e9 o exemplo fundamental que podemos dar. Cuba realmente tem uma hist\u00f3ria incr\u00edvel, com um legado de muita for\u00e7a \u2014 e \u00e9 isso que nos permitiu mostrar que uma mulher negra pode se desenvolver e vencer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A pesquisadora e editora cubana Caridad Tamayo Fern\u00e1ndez tamb\u00e9m avalia que h\u00e1 um racismo enraizado na sociedade cubana e que a revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 faz um esfor\u00e7o para tentar super\u00e1-lo, mas n\u00e3o consegue.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA revolu\u00e7\u00e3o tentou acabar com a discrimina\u00e7\u00e3o e a desigualdade por meio de a\u00e7\u00f5es institucionais, mas o racismo j\u00e1 estava profundamente incorporado na gen\u00e9tica social. Preciso citar Zuleica Romay quando diz: \u2018Eu n\u00e3o perco a oportunidade de discordar dos companheiros que dizem que em Cuba n\u00e3o h\u00e1 racismo estrutural. O racismo \u00e9 estrutural ou n\u00e3o \u00e9\u2019. Ela explica que os fen\u00f4menos estruturais s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de serem combatidos se n\u00e3o houver pol\u00edticas que considerem as dimens\u00f5es materiais, espirituais e simb\u00f3licas do problema\u201d, disse.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Haiti e as bases do feminismo negro caribenho<\/h4>\n<p>O Haiti \u00e9 considerado o pa\u00eds que fundamentou o debate do racismo no Caribe. A Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, conclu\u00edda em 1804, fez dele o primeiro pa\u00eds independente da Am\u00e9rica Latina e o primeiro Estado fundado por pessoas negras libertas da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Colette Lespinasse, educadora em Direitos Humanos, militante feminista, defensora dos direitos da mulher e dos migrantes, esse tra\u00e7o de luta forjou, n\u00e3o apenas as haitianas, como as mulheres caribenhas como um todo. Por essa raz\u00e3o, elas acabam por preservar uma caracter\u00edstica em comum: uma forte liga\u00e7\u00e3o com \u00c1frica e a coragem para garantir a sobreviv\u00eancia de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cEm muitos lugares onde tive a oportunidade de conviver com mulheres e organiza\u00e7\u00f5es feministas, como no Haiti, vejo como, especialmente nos pa\u00edses que enfrentam a pobreza, s\u00e3o as mulheres que se esfor\u00e7am para alimentar a fam\u00edlia, educar os filhos, trabalhar no campo ou nas f\u00e1bricas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental na avalia\u00e7\u00e3o da educadora \u00e9 que essas mulheres s\u00e3o tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela preserva\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o dos elementos da cultura.<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 elementos da cultura haitiana que prov\u00eam da \u00c1frica e que se encontram at\u00e9 em pa\u00edses onde h\u00e1 muitos imigrantes haitianos, como os Estados Unidos ou a Rep\u00fablica Dominicana, \u00e9 gra\u00e7as \u00e0s mulheres que mant\u00eam em grande parte essa cultura atrav\u00e9s da culin\u00e1ria ou na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A transmiss\u00e3o de valores recai em grande parte sobre os ombros das mulheres. Acredito que seja o mesmo em outros pa\u00edses da regi\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Lespinasse lamenta que n\u00e3o haja um reconhecimento da contribui\u00e7\u00e3o feitas por essas mulheres para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre e que pensasse no fim da subjuga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds com ra\u00edzes formadas em torno da liberta\u00e7\u00e3o e da luta revolucion\u00e1ria pelo fim da opress\u00e3o, h\u00e1 ainda reivindica\u00e7\u00f5es muito b\u00e1sicas das mulheres negras, como o direito de viver em um espa\u00e7o sem viol\u00eancia. Mesmo sendo uma pauta antiga no Haiti, ela afirma que as haitianas ainda s\u00e3o frequentemente v\u00edtimas de viol\u00eancia e os grupos armados usam o estupro como arma de guerra.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres lutavam para n\u00e3o serem espancadas por seus companheiros, assediadas ou estupradas. \u00c9 um tema sempre presente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Lespinasse tamb\u00e9m destaca que, na luta das mulheres haitianas, h\u00e1 outros dois temas. O primeiro \u00e9 o direito \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva. Ela relata que muitas delas s\u00e3o obrigadas a parir em casa, em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e expostas a diversos riscos. O Haiti tem a maior taxa de mortalidade materna no Hemisf\u00e9rio Ocidental, com 529 mortes a cada 100 mil nascimentos segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/08\/medicos-sem-fronteiras-tem-12o-profissional-morto-em-gaza-profissional-esperava-por-distribuicao-de-farinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">M\u00e9dicos Sem Fronteiras<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>O outro ponto trazido pela educadora \u00e9 o debate interno entre as mulheres haitianas sobre a carga social do trabalho das mulheres.<\/p>\n<p>\u201cEntre as classes mais pobres, s\u00e3o as mulheres que enfrentam mais dificuldades: 40% das fam\u00edlias s\u00e3o monoparentais, ou seja, a mulher \u00e9 a \u00fanica respons\u00e1vel pelos cuidados da fam\u00edlia. Ela precisa trabalhar para alimentar todo o mundo e, ao mesmo tempo, cuidar da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. E os homens est\u00e3o passeando. Eles fazem filhos, mas n\u00e3o cuidam deles\u201d, criticou.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, a reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 que os pais assumam suas responsabilidades, mas tamb\u00e9m que a sociedade como um todo, o pr\u00f3prio Estado, se organizem para diminuir a carga que pesa sobre os ombros das mulheres, para que elas tenham tempo e meios para se desenvolver\u201d, concluiu.<\/p>\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\n<div class=\"jeg_meta_editors\">Editado por: Maria Teresa Cruz<\/div>\n<div>fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/de-cuba-ao-haiti-revolucoes-forjaram-identidade-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/de-cuba-ao-haiti-revolucoes-forjaram-identidade-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha\/<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"jeg_post_title\">Protagonismos, resist\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o: o 25 de julho como marco pol\u00edtico do afrofeminismo na Para\u00edba<\/h1>\n<h2 class=\"jeg_post_subtitle\">O 25 de julho \u00e9 um convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre o papel das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o do Brasil<\/h2>\n<div class=\"jeg_meta_container\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_post_meta_1\">\n<div class=\"meta_left\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"meta_right\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"jeg_share_top_container\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"jit-meta-authors-widget\">\n<div class=\"entry-header-meta\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_line_25\">\n<div class=\"jeg_meta_date\">25.jul.2025 \u00e0s 08h46<\/div>\n<div class=\"jeg_meta_place\">\u00a0JO\u00c3O PESSOA (PB)<\/div>\n<div class=\"jeg_line_10\">\n<div class=\"jeg_meta_author\">\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/autores\/rayssa-andrade-carvalho\/\">Rayssa Andrade Carvalho<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_featured featured_image\">\n<div class=\"thumbnail-container animate-lazy\"><a href=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/bdf-20250725-111851-bc1b68-scaled.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/bdf-20250725-111851-bc1b68-750x536.jpg\" sizes=\"818px\"  alt=\"\"><\/a><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">2\u00ba Encontro de Mulheres Negras na Para\u00edba, em mar\u00e7o de 2025 &#8211;\u00a0Foto: Carla Batista<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_ad jeg_article jnews_content_top_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-inner\">\n<p>Em meu primeiro artigo acad\u00eamico, publicado em 2011, realizei o mapeamento das organiza\u00e7\u00f5es, criadas de 1978 a 2011, que compunham o Movimento de Mulheres Negras no Brasil, e no t\u00edtulo fiz alus\u00e3o \u00e0 frase \u201cNossos passos v\u00eam de longe!\u201d \u2013 popularizada pela ativista negra Jurema Werneck \u2013, para expressar a ancestralidade da resist\u00eancia e da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/memorias-e-poeticas-pluri-versas-antirracistas\/2024\/07\/25\/memorias-quilombolas-a-organizacao-de-mulheres-negras-de-caiana-e-o-25-de-julho-dia-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-e-de-tereza-de-benguela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">luta pol\u00edtica das mulheres negras brasileiras<\/a>. Uma trajet\u00f3ria de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e \u00e0 exclus\u00e3o social, marcada pelo protagonismo, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por importantes conquistas.<\/p>\n<p>O dia 25 de julho, institu\u00eddo como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, como o Dia Nacional de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/historia-publica-narrativas-negras\/2024\/07\/30\/racismo-na-escola-nao-o-julho-de-terezas-de-benguela-e-educacao-antirracista-em-uma-escola-publica-de-bayeux-pb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tereza de Benguela<\/a>\u00a0e da Mulher Negra, \u00e9 um dos marcos que representa a luta contempor\u00e2nea e celebra a for\u00e7a ancestral dessas mulheres. Na Para\u00edba, organiza\u00e7\u00f5es como a Bamidel\u00ea \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o de Mulheres Negras, que atuou institucionalmente de 2001 a 2021, e a Abayomi \u2013 Coletiva de Mulheres Negras na Para\u00edba foram e t\u00eam sido fundamentais para visibilizar e fortalecer essa pauta.<\/p>\n<p>A data foi estabelecida em 1992, durante o 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Caribenhas, na Rep\u00fablica Dominicana, demarcando a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres negras. No Brasil, o 25 de julho foi incorporado ao calend\u00e1rio de lutas do movimento afrofeminista, destacando-se como um momento de reflex\u00e3o, reivindica\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o. Em 2014, a Lei n\u00ba 12.987 consolidou a data nacionalmente, homenageando Tereza de Benguela, l\u00edder quilombola que resistiu bravamente \u00e0 escravid\u00e3o no s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, a Bamidel\u00ea abra\u00e7ou essa data como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica de visibiliza\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres negras. Desde suas primeiras celebra\u00e7\u00f5es, ainda no final dos anos 1990, at\u00e9 os grandes eventos p\u00fablicos realizados nas vias da cidade de Jo\u00e3o Pessoa, o 25 de julho ganhou propor\u00e7\u00f5es cada vez maiores. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas promoveu encontros e semin\u00e1rios, mas tamb\u00e9m criou espa\u00e7os para que as mulheres negras expressassem suas demandas e fortalecessem suas identidades.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/bdf-20250724-183715-b19ccb-960x570.jpeg\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\"  alt=\"\"><br \/>Em 2015, mulheres negras da Para\u00edba estiveram presentes na1\u00aa Marcha das Mulheres Negras, em Bras\u00edlia (DF) | Foto: Acervo\/Abayomi-PB<\/p>\n<p>Assim, as comemora\u00e7\u00f5es do 25 de julho na Para\u00edba, que no seu inaugurar eram eventos pontuais e com car\u00e1ter festivo, transformaram-se em parte de uma agenda ampliada, de maior dimens\u00e3o e import\u00e2ncia pol\u00edtica, atualmente, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/brasil-popular\/2025\/07\/03\/julho-das-pretas-memoria-lutas-e-resistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Julho das Pretas<\/a>. Essa iniciativa, inspirada no trabalho do Odara \u2013 Instituto da Mulher Negra da Bahia, passou a englobar atividades durante todo o m\u00eas, integrando-se \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, criada em 2013.<\/p>\n<p>No contexto da mobiliza\u00e7\u00e3o para a 1\u00aa Marcha Nacional das Mulheres Negras, nos anos de 2014 e 2015, a Bamidel\u00ea ampliou o alcance das a\u00e7\u00f5es, culminando no 1\u00ba Encontro Estadual de Mulheres Negras na Para\u00edba. Em 2016, com a cria\u00e7\u00e3o da Abayomi houve a consolida\u00e7\u00e3o do Julho das Pretas, evidenciando o fortalecimento do movimento com atividades culturais, pol\u00edticas e educacionais realizadas em todo o estado.<\/p>\n<div class=\"jeg_ad jeg_ad_article jnews_content_inline_3_ads\">\n<div class=\"ads-wrapper align-center\">\n<div class=\"ads_shortcode\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/acervo-abayomi-1024x679.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"  alt=\"\">1\u00ba Encontro Estadual de Mulheres Negras na Para\u00edba | Foto: Acervo\/Abayomi-PB<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos (2023\u20132025), o Movimento de Mulheres Negras no Nordeste e na Para\u00edba manteve o 25 de julho como um eixo central de luta, expandindo as a\u00e7\u00f5es do Julho das Pretas para todo o m\u00eas. Com atividades que v\u00e3o desde debates sobre racismo institucional at\u00e9 celebra\u00e7\u00f5es culturais e homenagens, a coletiva Abayomi refor\u00e7a a resist\u00eancia afrofeminista no estado, especialmente em um contexto de aumento da viol\u00eancia contra as mulheres negras.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/bdf-20250725-105540-c0ebc1-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"  alt=\"\">Comit\u00ea impulsor de Campina Grande, no 2\u00ba Encontro de Mulheres Negras na Para\u00edba, que ocorreu em mar\u00e7o deste ano | Foto: Carla Batista<\/p>\n<p>Em 2024, na programa\u00e7\u00e3o dos 30 anos de institui\u00e7\u00e3o da data, a Abayomi realizou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/03\/abayomi-promove-a-6-edicao-do-buyin-dudu-para-celebrar-a-vida-e-homenagear-a-trajetoria-de-mulheres-negras-na-paraiba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">6\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Buy\u00ecn Dudu: recontando nossas hist\u00f3rias<\/a>, evento de entrega de honrarias a mulheres que se destacam na luta antirracista do estado, que abriu a agenda da 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o do 25 de julho na Para\u00edba e da 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Julho das Pretas, tamb\u00e9m aconteceram rodas de di\u00e1logo presenciais e virtuais, programa\u00e7\u00e3o em\u00a0<em>podcast<\/em>\u00a0e encontro de mulheres. Neste ano comemora-se a 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o do 25 de julho na Para\u00edba e do 13\u00ba Julho das Pretas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/07\/Foto-Malu-Rolim-2-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"  alt=\"\"><br \/>6\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Buy\u00ecn Dudu. Foram homenageadas: M\u00e3e Renilda (Ialorix\u00e1), Gra\u00e7a Silva (professora), Maisa F\u00e9lix (delegada), Elza Ursulino (quilombola) e Norma G\u00f3es (atriz) | Foto: Malu Rolim<\/p>\n<p>Como afirmou Maria Jos\u00e9, integrante fundadora da Bamidel\u00ea, em entrevista concedida para elabora\u00e7\u00e3o do e-book de comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos de atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, no ano de 2020: \u201cCada vez que voc\u00ea vai reivindicar algo, \u00e9 fazer pol\u00edtica.\u201d Essa frase sintetiza a ess\u00eancia do 25 de julho. A data n\u00e3o \u00e9 apenas simb\u00f3lica; \u00e9 um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o. As mulheres negras paraibanas, por meio de seus protagonismos e resist\u00eancia, t\u00eam mostrado que \u00e9 poss\u00edvel transformar realidades, combater o racismo e o sexismo, e construir um futuro com mais justi\u00e7a social e pelo bem viver.<\/p>\n<p>O protagonismo dessas mulheres est\u00e1 presente em cada marcha, em cada debate, em cada campanha que desafia estere\u00f3tipos e exige repara\u00e7\u00e3o e direitos. Suas hist\u00f3rias, por tantas vezes invisibilizadas, s\u00e3o parte fundamental da narrativa brasileira. O dia 25 de julho \u00e9 mais que uma data no calend\u00e1rio; \u00e9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia e um convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre o papel das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, o movimento de mulheres negras tem mostrado que a uni\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o ferramentas poderosas para mudar a sociedade. Enquanto houver desigualdade, haver\u00e1 luta. E enquanto houver luta, as mulheres negras seguir\u00e3o na linha de frente, escrevendo sua hist\u00f3ria com coragem e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*<em>Rayssa Andrade Carvalho \u00e9 professora da rede p\u00fablica municipal de ensino de Santa Rita (PB), historiadora, advogada e pesquisadora da hist\u00f3ria das mulheres negras brasileiras e paraibanas<\/em>.<\/p>\n<p><em>**Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente representa a linha editorial do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Apoie a comunica\u00e7\u00e3o popular, contribua com a Reda\u00e7\u00e3o Paula Oliveira Adissi do jornal Brasil de Fato PB<\/strong><br \/>Dados Banc\u00e1rios<br \/>Banco do Brasil \u2013 Ag\u00eancia: 1619-5 \/ Conta: 61082-8<br \/>Nome: ASSOC DE COOP EDUC POP PB<br \/>Chave Pix \u2013 40705206000131 (CNPJ)<\/p>\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\n<div class=\"jeg_meta_editors\">Editado por: Carolina Ferreira<\/div>\n<\/div>\n<p>fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/protagonismos-resistencia-e-celebracao-o-25-de-julho-como-marco-politico-do-afrofeminismo-na-paraiba\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/protagonismos-resistencia-e-celebracao-o-25-de-julho-como-marco-politico-do-afrofeminismo-na-paraiba\/<\/a><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div class=\"header-noticia full-width\">\n<h1 class=\"titulo-materia\">Mulheres negras celebram resist\u00eancia e protagonismo no 25 de Julho<\/h1>\n<div class=\"linha-fina-noticia\">Festival Latinidades comemora data com programa\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\">\n<div class=\"autor-noticia\">Beatriz Arcoverde &#8211; Rep\u00f3rter da EBC<\/div>\n<div class=\"container-data rowflex\">\n<div class=\"data\">Publicado em 25\/07\/2025 &#8211; 08:45<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"local\">Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<nav class=\"compartilhamento rowflex\"><\/nav>\n<\/div>\n<div class=\"capa-materia rel-position\">\n<figure data-wf-figure=\"1\"><img decoding=\"async\" id=\"media-431850\" title=\"Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/uTRPXZQOlmRxBn2nMYcOgUJ3c48=\/1170x700\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/07\/24\/0d7a2188.jpg?itok=lpYjJ0oD\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 24\/07\/2025 - Pessoas em frente a entrada do 18\u00ba Festival Latinidades 2025, no Museu Nacional. Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\"><figcaption class=\"credito-foto abs-position fullwidth\">\u00a9 Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"block-tts-block-tts\" class=\"block block-tts\">\n<div class=\"content\">\n<div id=\"tts-container\" class=\"container-audio rel-position\">\n<div class=\"title abs-position\">Vers\u00e3o em \u00e1udio<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"conteudo-noticia\">\n<p><strong>Nesta sexta-feira, 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data \u00e9 marcada pela resist\u00eancia, ancestralidade e for\u00e7a das mulheres negras na luta contra o racismo, o sexismo e todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1651951&amp;o=node\" alt=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1651951&amp;o=node\" alt=\"\"><\/p>\n<p>A origem da celebra\u00e7\u00e3o vem de\u00a01992, quando foi realizado o Primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na Rep\u00fablica Dominicana. Essa iniciativa foi um marco hist\u00f3rico de articula\u00e7\u00e3o e reconhecimento internacional, e desde ent\u00e3o, o dia 25 de julho se tornou um marco de uni\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e visibilidade.<\/p>\n<p><strong>No Brasil, o Festival Latinidades, que marca a sua 18\u00aa edi\u00e7\u00e3o, celebra a data com uma programa\u00e7\u00e3o especial at\u00e9 s\u00e1bado, em Bras\u00edlia. A curadora da exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Alumbramento<\/em>, Nathalia Grilo, ressalta a import\u00e2ncia do evento na valoriza\u00e7\u00e3o do protagonismo negro:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHoje, assino a curadoria de uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu Nacional da Rep\u00fablica, na capital do pa\u00eds, um museu projetado por Oscar Niemeyer. N\u00e3o sei quando isso seria poss\u00edvel sem o convite do Latinidades. O Latinidades tem um hist\u00f3rico de fortalecimento da nossa jornada\u201d, argumenta.<\/p>\n<h2>Constru\u00e7\u00e3o da sociedade<\/h2>\n<p>Para a pesquisadora Eliane Barbosa, o 25 de julho \u00e9 um dia de reconhecimento da presen\u00e7a e da contribui\u00e7\u00e3o das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o da sociedade:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma data de suma import\u00e2ncia, pois as Am\u00e9ricas foram o continente que recebeu a popula\u00e7\u00e3o negra. Este \u00e9 o continente da pluralidade racial. Celebrar este dia significa reconhecer a presen\u00e7a das mulheres negras, seu papel fundamental na sociedade e a necessidade de aten\u00e7\u00e3o e escuta\u201d, salienta.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CgYb2pRrp0vW9JcbqWV7i7BD_Bg=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/07\/24\/0d7a2209.jpg?itok=oDz4b6yG\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 24\/07\/2025 - Eliane Barbosa participa do painel Justi\u00e7a fiscal e repara\u00e7\u00e3o para mulheres negras no 18\u00ba Festival Latinidades 2025, no Museu Nacional. Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\"><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Eliane Barbosa diz que\u00a025 de julho \u00e9 um dia de reconhecimento da presen\u00e7a das mulheres negras na constru\u00e7\u00e3o da sociedade\u00a0 Foto:\u00a0<strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A artista pl\u00e1stica e cineasta Luma Nascimento tamb\u00e9m refor\u00e7a a pot\u00eancia do Festival Latinidades como espa\u00e7o de mem\u00f3ria e registro da a\u00e7\u00e3o feminina na hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u201cO festival evidencia e documenta a presen\u00e7a da mulher negra, latina, americana, ind\u00edgena e a contribui\u00e7\u00e3o dela dentro da hist\u00f3ria desse pa\u00eds e de como ele se ergue, como ele se organiza, e como ele pode se organizar melhor. Acontecer tudo isso dentro de um processo que j\u00e1 fomenta esse tipo de di\u00e1logo h\u00e1 anos \u00e9 colocar em evid\u00eancia mais uma hist\u00f3ria, \u00e9 documentar mais um movimento de m\u00e3os femininas para entrar na nossa hist\u00f3ria\u201d disse Luma.<\/p>\n<p>Para a profissional do audiovisual Pietra Souza, a data tamb\u00e9m \u00e9 de celebra\u00e7\u00e3o da beleza, da for\u00e7a e da conex\u00e3o entre mulheres negras:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um dia de import\u00e2ncia hist\u00f3rica. \u00c9 um dia de relembrar mem\u00f3rias, \u00e9 um dia de luta, mas, no meu ponto de vista, \u00e9 principalmente um ponto de celebra\u00e7\u00e3o. Celebrar essas semelhan\u00e7as entre n\u00f3s. Mulheres negras s\u00e3o bonitas, e eu acredito que \u00e9 o dia de celebrar essas pot\u00eancias\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Estruturas de desigualdade<\/h2>\n<p><strong>A diretora do Instituto Afrolatinas, Jaqueline Fernandes, destaca que o Latinidades traz \u00e0 tona a necessidade de enfrentamento das estruturas de desigualdade que ainda afetam profundamente a sociedade brasileira.<\/strong><\/p>\n<p>Para ela, os principais desafios atuais passam por \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, investimento em educa\u00e7\u00e3o antirracista, garantia de representatividade nos espa\u00e7os de poder, valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra e combate \u00e0 viol\u00eancia institucional. Mas tamb\u00e9m passa pela mudan\u00e7a de mentalidades e pela constru\u00e7\u00e3o coletiva de uma nova \u00e9tica social e pacto civilizat\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p>No Brasil, o 25 de julho tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, institu\u00eddo por lei em 2014. Tereza de Benguela foi uma das mais importantes lideran\u00e7as quilombolas do s\u00e9culo 18. \u00c0 frente do Quilombo do Quariter\u00ea, no \u00a0estado de Mato Grosso, resistiu por d\u00e9cadas \u00e0 escravid\u00e3o e criou um sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico aut\u00f4nomo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Celebrar o 25 de julho \u00e9, portanto, valorizar a hist\u00f3ria de mulheres como Tereza de Benguela e tantas outras que lutaram e seguem lutando por direitos, igualdade e visibilidade.<\/p>\n<div class=\"noticias-relacionadas rel-position rowflex\">\n<div class=\"title abs-position\">Relacionadas<\/div>\n<p><a class=\"noticia-relacionada-interna\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2025-07\/festival-latinidades-mostra-arte-e-empreendedorismo-de-mulheres-negras\"><\/p>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/lcX4ofNDomc7tUQYHM2eQz6Ssfo=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/07\/23\/0d9a6010.jpg?itok=BAVVtU0d\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 23\/07\/2025 - 18\u00ba Festival Latinidades celebra protagonismo das mulheres negras at\u00e9 31 de julho\nFoto: Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil\"><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Festival Latinidades mostra arte e empreendedorismo de mulheres negras<\/div>\n<p><\/a><a class=\"noticia-relacionada-interna\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-05\/mulheres-negras-querem-mais-participacao-em-decisoes-sobre-o-clima\"><\/p>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CoNErbX_pTQck-4aO_tsgyjK8kE=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/05\/25\/thumbnail_image.jpg?itok=3zatoU0T\" alt=\"Bras\u00edlia 24\/05\/2025 Encontro mulheres negras. Foto Mariana Nogueira - Acervo Criola\"><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Mulheres negras querem mais participa\u00e7\u00e3o em decis\u00f5es sobre o clima<\/div>\n<p><\/a><a class=\"noticia-relacionada-interna\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-02\/ausencia-de-mulheres-negras-e-desafio-para-ciencia\"><\/p>\n<div class=\"capa-noticia-relacionada\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/aZsQEKL0cj9lJLpYWMlz1c5oqk4=\/390x240\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/02\/11\/monique_franca._creditos_-_gabriella_maria.jpeg?itok=zGdc-rMk\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 11\/02\/2025 - A m\u00e9dica Monique Fran\u00e7a alia experi\u00eancias pessoais e profissionais para estudar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra no doutorado.\nFoto: Gabriella Maria\/Divulga\u00e7\u00e3o\"><\/div>\n<div class=\"titulo-noticia-relacionada\">Aus\u00eancia de mulheres negras \u00e9 desafio para ci\u00eancia<\/div>\n<p><\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"footer-noticia\">\n<div class=\"editor rowflex\">Edi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<div class=\"nome-editor\">Kleber Sampaio<\/div>\n<div>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2025-07\/mulheres-negras-celebram-resistencia-e-protagonismo-no-25-de-julho\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2025-07\/mulheres-negras-celebram-resistencia-e-protagonismo-no-25-de-julho<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_805\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"805\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 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Benguela<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[467],"tags":[],"class_list":["post-805","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/805\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}