{"id":806,"date":"2025-07-28T16:39:42","date_gmt":"2025-07-28T19:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/07\/28\/exame-de-uma-africa-insubmissa\/"},"modified":"2025-07-28T16:39:42","modified_gmt":"2025-07-28T19:39:42","slug":"exame-de-uma-africa-insubmissa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=806","title":{"rendered":"Exame de uma \u00c1frica insubmissa"},"content":{"rendered":"<p>Um panorama da luta por soberania. Despontam governos que desafiam Ocidente. \u00c1frica do Sul denuncia o terror branco em Gaza. Poder\u00e3o as novas tend\u00eancias come\u00e7ar a reverter s\u00e9culos de colonialismo? Dossi\u00ea analisa impasses e resist\u00eancias<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"column large-12 small-12 mb-30 \">\n<div class=\"post-info\">\n<div class=\"first-line img-item\">\n<div class=\"channel\"><strong class=\"text-outraspalavras\">Outras<\/strong>Palavras<\/div>\n<div class=\"category\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/category\/descolonizacoes\/\" rel=\"category tag\">Descoloniza\u00e7\u00f5es<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"author\">Por\u00a0<a title=\"Posts de Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/josefiori\/\" rel=\"author\">Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado 23\/07\/2025 \u00e0s 19:12 &#8211; OutrasPalavras<\/p>\n<\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"float-none\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-4.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-4.jpeg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-4-300x199.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-4-768x510.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-4-272x182.jpeg 272w\" width=\"900\" height=\"598\"><br \/>Multid\u00e3o se reunida na pra\u00e7a principal de Ouagadougou, Burkina Faso, 2022, ap\u00f3s os militares anunciarem sua tomada de poder na televis\u00e3o estatal. Assumiu a Presid\u00eancia o capit\u00e3o Ibrahim Traor\u00e9, com discurso anti-colonialista. Foto: Malin Fezehai \/The New York Times<\/p>\n<div id=\"outra-2928392979\" class=\"outra-boletimop\">\n<div id=\"boletimop\">\n<div id=\"mlb2-5648451\" class=\"ml-form-embedContainer ml-subscribe-form ml-subscribe-form-5648451\">\n<div class=\"ml-form-align-center\">\n<div class=\"ml-form-embedWrapper embedForm\">\n<div class=\"ml-form-embedBody ml-form-embedBodyHorizontal row-form\">\n<div class=\"ml-form-embedContent\">\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/div>\n<form class=\"ml-block-form\" action=\"https:\/\/static.mailerlite.com\/webforms\/submit\/z3h6l4\" method=\"post\" target=\"_blank\" data-code=\"z3h6l4\">\n<div class=\"ml-form-formContent horozintalForm\">\n<div class=\"ml-form-horizontalRow\">\n<div class=\"ml-input-horizontal\">\n<div class=\"horizontal-fields\">\n<div class=\"ml-field-group ml-field-email ml-validate-email ml-validate-required\"><input class=\"form-control\" autocomplete=\"email\" name=\"fields[email]\" type=\"email\" placeholder=\"Email\" data-inputmask=\"\" aria-invalid=\"false\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ml-button-horizontal primary\"><button class=\"primary\" type=\"submit\">Assinar<\/button><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/track.mailerlite.com\/webforms\/o\/5648451\/z3h6l4?v1693074564\" alt=\".\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"has-background\"><strong>MAIS<\/strong>:<br \/>O texto a seguir, originalmente denominado \u201c<strong>Os recursos naturais, a disputa geopol\u00edtica, e a luta pela soberania africana\u201d<\/strong>\u00a0integra o n\u00famero 12 (julho de 2025) do boletim do\u00a0<strong>Observat\u00f3rio do S\u00e9culo XXI,\u00a0<\/strong>parceiro editorial de\u00a0<em>Outras Palavras.<\/em>\u00a0A edi\u00e7\u00e3o pode ser\u00a0<a href=\"https:\/\/nubea.ufrj.br\/images\/Observatorio\/Boletim_12_julho_2025.pdf\">baixada e lida aqui.<\/a><\/p>\n<p>A \u00c1frica \u00e9 o segundo maior continente do mundo, com cerca de 1 bilh\u00e3o e meio de habitantes, ou seja,18,83% da popula\u00e7\u00e3o mundial. S\u00e3o nove territ\u00f3rios e 57 Estados independentes, divididos em cinco grandes regi\u00f5es, e \u00e9 comum separ\u00e1-las em dois grandes blocos: a \u00c1frica do Norte, predominantemente ar\u00e1bica, e a \u00c1frica Negra ou Sub-Sahariana, ao sul do Sahel. Apesar de suas dimens\u00f5es geogr\u00e1ficas e demogr\u00e1ficas, a \u00c1frica produz apenas 5,4% do PIB mundial (em termos de paridade do poder de compra), 2% das transa\u00e7\u00f5es comerciais globais e captou menos de 2% do investimento direto estrangeiro dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia africana, depois da II Guerra Mundial, despertou grandes expectativas com rela\u00e7\u00e3o aos seus novos governos de \u201cliberta\u00e7\u00e3o nacional\u201d e projetos de desenvolvimento, que foram bem-sucedidos \u2013 em alguns casos \u2013 durante os primeiros tempos de vida independente. Esse desempenho inicial, entretanto, foi atropelado por sucessivos golpes militares (envolvendo, quase sempre, suas ex-metr\u00f3poles coloniais) e pela crise mundial dos anos 1970, que atingiu todas as sociedades perif\u00e9ricas, provocando um prolongado decl\u00ednio da economia africana at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Na d\u00e9cada de 90, depois do fim do mundo socialista e da Guerra Fria, e no auge da globaliza\u00e7\u00e3o financeira, o continente africano ficou praticamente \u00e0 margem dos novos fluxos de com\u00e9rcio e investimentos globais. E s\u00f3 voltou a crescer nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, assim mesmo de forma extremamente desigual. Nig\u00e9ria, Egito e \u00c1frica do Sul s\u00e3o os tr\u00eas pa\u00edses mais ricos da \u00c1frica.<\/p>\n<div id=\"outra-717904158\" class=\"outra-oq23-texto\">\n<div id=\"outra-2989206295\"><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-5\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5.png\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>A \u00c1frica conta com 25% das reservas mundiais de ur\u00e2nio, mais de 35% do potencial hidroel\u00e9trico do mundo e \u00e9 respons\u00e1vel pelo fornecimento de 15% da produ\u00e7\u00e3o mineral do planeta, dos quais 20% de diamantes e platina, 50% de cobalto, mais de 30% de ouro e de cromo, e cerca de 20% de mangan\u00eas e fosfato.<a id=\"sdfootnote1anc\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/exame-de-uma-africa-insubmissa\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a \u00c1frica \u00e9 hoje uma grande produtora e fornecedora de petr\u00f3leo para a Europa e a \u00c1sia. E foi gra\u00e7as a essa sua produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, e de alguns outros minerais estrat\u00e9gicos, que a economia africana come\u00e7ou a se recuperar a partir de 2001, alavancada pelo crescimento econ\u00f4mico da China e da \u00cdndia. Hoje a China \u00e9 o maior parceiro comercial da \u00c1frica e vem aumentando seus investimentos em infraestrutura, energia e minera\u00e7\u00e3o, assim como no caso da \u00cdndia, que compete com os chineses em muitos casos, rivalizando e superando em conjunto a Europa e os Estados Unidos, que foram os principais parceiros econ\u00f4micos do continente africano logo ap\u00f3s as independ\u00eancias nacionais.<\/p>\n<p>Nesse novo contexto, adquire enorme import\u00e2ncia a incorpora\u00e7\u00e3o de Nig\u00e9ria, Egito e Eti\u00f3pia como pa\u00edses-membros do BRICS, na 15\u00aa C\u00fapula do BRICS, realizada em Johanesburgo. Estes vieram se somar \u00e0 \u00c1frica do Sul como \u201cmembros plenos\u201d, e a Nig\u00e9ria e Uganda, que foram convidados como \u201cmembros associados\u201d na 16\u00aa. C\u00fapula do BRICS, realizada na cidade de Kazan, R\u00fassia.<\/p>\n<p>Do lado norte-americano, depois da frustrada \u201cinterven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d na Som\u00e1lia, em 1993, o presidente Bill Clinton visitou o continente e definiu uma estrat\u00e9gia de \u201cbaixo teor\u201d para a \u00c1frica: democracia e crescimento econ\u00f4mico, atrav\u00e9s da globaliza\u00e7\u00e3o de seus mercados nacionais. Mas ap\u00f3s 2001, os Estados Unidos mudaram sua pol\u00edtica africana, em nome do combate ao terrorismo e da prote\u00e7\u00e3o de seus interesses estrat\u00e9gicos e energ\u00e9ticos, culminando com a cria\u00e7\u00e3o, em outubro de 2007, do Comando dos Estados Unidos para a \u00c1frica, o<em>\u00a0AFRICOM<\/em>, estabelecido em Camp Lamonier, a maior base militar dos EUA na \u00c1frica, na cidade de Djibouti, onde Fran\u00e7a e China tamb\u00e9m possuem bases ultramarinas.<\/p>\n<p>Esse aumento da presen\u00e7a militar americana, entretanto, n\u00e3o foi um fen\u00f4meno isolado nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI; pelo contr\u00e1rio, foi acompanhado de perto pela Uni\u00e3o Europeia e Gr\u00e3-Bretanha, que mant\u00e9m uma importante base militar conjunta com os EUA nas Ilhas Chagos, especificamente em Diego Garcia. Por outro lado, a R\u00fassia vem expandindo sua presen\u00e7a africana, com a assinatura de v\u00e1rios acordos de colabora\u00e7\u00e3o militar com pa\u00edses da \u00c1frica Negra \u2013 em particular da regi\u00e3o do Sahel, que se estende da Costa Atl\u00e2ntica at\u00e9 o Mar Vermelho \u2013, envolvendo o projeto de instala\u00e7\u00e3o de uma base naval na costa do Mar Vermelho, no territ\u00f3rio do Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais recentemente, depois da reelei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, os EUA recolocaram a economia e recursos minerais no topo da sua agenda africana. E Trump promoveu um primeiro acordo de paz entre Ruanda e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tico do Congo, depois de d\u00e9cadas de conflito, que rendeu para os EUA um acesso privilegiado aos recursos minerais do Congo, como no caso dos seus acordos recentes com a Ucr\u00e2nia. Assim mesmo, este jogo de xadrez e econ\u00f4mico e militar tende a se complicar complicou-se com o avan\u00e7o da competi\u00e7\u00e3o e do enfrentamento entre as \u201cpotencias ocidentais\u201d e os pa\u00edses do BRICS, liderados exatamente, pela China, R\u00fassia e \u00cdndia. Uma disputa que relembra a todo momento a mesa a amea\u00e7a de uma volta \u00e0 hist\u00f3ria tr\u00e1gica da domina\u00e7\u00e3o colonial da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Cabe relembrar que tudo come\u00e7ou exatamente com a conquista portuguesa da cidade de Ceuta, no norte da \u00c1frica, em 1415, seguindo depois pela costa africana, transformando a popula\u00e7\u00e3o negra na principal\u00a0<em>commodity\u00a0<\/em>da economia mundial a partir do s\u00e9culo XVI. Depois, de novo, na \u201cera dos imp\u00e9rios\u201d, no final do s\u00e9culo XIX, as pot\u00eancias europeias conquistaram e submeteram \u2013 em poucos anos \u2013 todo o continente africano, com exce\u00e7\u00e3o da Eti\u00f3pia. E agora, j\u00e1 na terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, h\u00e1 sinais de que a \u00c1frica possa se transformar \u2013 uma vez mais \u2013 no palco de um novo grande enfrentamento entre as velhas e novas grandes pot\u00eancias do sistema internacional.<\/p>\n<div id=\"outra-3824190742\" class=\"outra-meio-do-texto\">\n<div id=\"outra-3306313120\"><a href=\"https:\/\/revistarosa.com\/\" aria-label=\"RevistaRosa\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/RevistaRosa.gif\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\" loading=\"lazy\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 nesse contexto que se deve ler e interpretar a chamada \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d, uma revolta social que se alastrou de 2010 a 2015, no chamado \u201cGrande M\u00e9dio Oriente\u201d (express\u00e3o cunhada pela pol\u00edtica externa dos EUA), come\u00e7ando pela Tun\u00edsia, seguida por L\u00edbia, Egito, Marrocos e Arg\u00e9lia. Foi um movimento que combinou, em todos os casos, a efervesc\u00eancia e a revolta social interna de cada um destes pa\u00edses com o patroc\u00ednio e a interven\u00e7\u00e3o externa, direta ou indireta, dos Estados Unidos, visando a derrubada de governos ou a mudan\u00e7a de regimes que haviam sido apoiados ou financiados at\u00e9 ent\u00e3o pelas pr\u00f3prias pot\u00eancias ocidentais. A revolta foi reprimida no Marrocos e na Arg\u00e9lia, e foi revertida no Egito, mas se transformou numa guerra aberta no caso da L\u00edbia, com participa\u00e7\u00e3o direta das for\u00e7as da OTAN.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 2020, um novo \u201ctuf\u00e3o pol\u00edtico\u201d sacudiu a \u00c1frica, com uma sucess\u00e3o de golpes e revoltas militares concentrados na regi\u00e3o do Sahel, incluindo pa\u00edses como Mali, Guin\u00e9, Chade, Burkina Faso, N\u00edger e Gab\u00e3o. Foram sete golpes de Estado em apenas dois anos, quase todos com uma linguagem e proposta de ruptura definitiva dos la\u00e7os neocoloniais que mantiveram esses pa\u00edses ligados e dependentes de seus colonizadores europeus, mesmo ap\u00f3s suas independ\u00eancias. E quase todos se propuseram a aumentar seus graus de soberania interna atrav\u00e9s de um realinhamento internacional, com uma aproxima\u00e7\u00e3o militar e econ\u00f4mica da R\u00fassia e da China.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, entretanto, de que o grande momento de ruptura e afirma\u00e7\u00e3o da autonomia africana, em particular a \u00c1frica Negra frente aos seus colonizadores brancos e europeus, aconteceu quando o governo da \u00c1frica do Sul, \u00e0 frente de v\u00e1rios outros pa\u00edses africanos, entrou com a\u00e7\u00e3o judicial junto \u00e0 Corte Internacional de Justi\u00e7a sediada em Haia, acusando Israel de genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o palestina da Faixa de Gaza. Uma peti\u00e7\u00e3o judicial de 84 p\u00e1ginas que acusa Israel de haver violado a Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1948, apoiada posteriormente pelos 57 pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Isl\u00e2micos, e pelos 22 membros da Liga \u00c1rabe, al\u00e9m dos governos de Turquia, Col\u00f4mbia, Brasil e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na Hist\u00f3ria, um pa\u00eds africano e negro, ex-col\u00f4nia europeia, se levanta sobre seus pr\u00f3prios p\u00e9s e toma a iniciativa soberana de acusar Israel, um \u201cpa\u00eds branco e escolhido por Deus\u201d, por crimes contra a humanidade, frente a um tribunal criado e controlado pelas grandes pot\u00eancias colonialistas europeias, as mesmas que criaram e mant\u00eam o Estado de Israel. Um verdadeiro momento revolucion\u00e1rio nas rela\u00e7\u00f5es entre a \u00c1frica e seus ex-colonizadores, e mais do que isto, uma momento revolucion\u00e1rio na hist\u00f3ria moral do Sistema Internacional e da Humanidade.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p><a id=\"sdfootnote1sym\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/exame-de-uma-africa-insubmissa\/#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0Penha, E.A.\u00a0<em>Rela\u00e7\u00f5es Brasil-\u00c1frica e geopol\u00edtica do Atl\u00e2ntico sul<\/em>. Salvador, EDUFBA, 2011, p. 201.<\/p>\n<div id=\"outra-2224676065\" class=\"outra-depois-do-conteudo\">\n<div id=\"outra-1428045210\">\n<p><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Coordenador do GP da UFRJ\/CNPQ, \u201cO poder global e a geopol\u00edtica do Capitalismo\u201d. Coordenador adjunto do Laborat\u00f3rio de \u201c\u00c9tica e Poder Global\u201d. Pesquisador do Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos do Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Biocombust\u00edveis, INEEP. Publicou, \u201cO Poder global e a nova geopol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es\u201d, Editora Boitempo, 2007 ; \u201cHist\u00f3ria, estrat\u00e9gia e desenvolvimento\u201d, Boitempo, em 2011 ; e, \u201cSobre a Guerra\u201d, Editora Vozes Petr\u00f3polis, 2018.<\/div>\n<div class=\"post-content--author-biography\">\u00a0<\/div>\n<p><\/a><\/p>\n<div class=\"post-content--author-biography\">fonte: https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/exame-de-uma-africa-insubmissa\/<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_806\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"806\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um panorama da luta por soberania. Despontam governos que desafiam Ocidente. \u00c1frica do Sul denuncia o terror branco em Gaza. Poder\u00e3o as novas tend\u00eancias come\u00e7ar a reverter s\u00e9culos de colonialismo? 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