{"id":807,"date":"2025-08-04T16:07:01","date_gmt":"2025-08-04T19:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/08\/04\/frantz-fanon-100-anos-descolonizando-a-mente\/"},"modified":"2025-08-04T16:07:01","modified_gmt":"2025-08-04T19:07:01","slug":"frantz-fanon-100-anos-descolonizando-a-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=807","title":{"rendered":"Frantz Fanon: 100 anos descolonizando a mente"},"content":{"rendered":"<p>Frantz Fanon\u00a0nasceu h\u00e1 100 anos e suas ideias perduram at\u00e9 nossos dias. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/634293-a-nova-colonizacao-africana-e-verde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">coloniza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de na\u00e7\u00f5es inteiras ainda se perpetua na atualidade. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/589512-novo-colonialismo-nao-explora-apenas-riquezas-naturais-explora-nossos-dados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo<\/a>\u00a0precisa do sistema colonial para existir, para escravizar m\u00e3o de obra barata e para saquear recursos naturais ou\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/655027-a-tarifa-trump-os-minerais-criticos-e-o-desenvolvimento-industrial-do-brasil-artigo-de-delcio-rodrigues\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">terras raras<\/a>\u00a0essenciais para a economia do futuro. A resist\u00eancia n\u00e3o cessou. A luta dos povos por sua liberta\u00e7\u00e3o permanece\u201d, escreve\u00a0<strong>Paco Peris<\/strong>, em artigo publicado por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00fablico<\/a>, 21-07-2025. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/rede-sjcias\/cepat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cepat<\/a>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Revolucao\/Frantz_Fanon2.jpg\" alt=\"Frantz Fanon2\" width=\"900\" height=\"480\"><\/h2>\n<h2>Eis o artigo.<\/h2>\n<p>\u201c<em>O colonialismo e o imperialismo n\u00e3o saldaram suas contas conosco quando retiraram de nossos territ\u00f3rios suas bandeiras e for\u00e7as policiais<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u201c<em>Durante s\u00e9culos, os capitalistas se comportaram no mundo subdesenvolvido como verdadeiros criminosos de guerra. As deporta\u00e7\u00f5es, as matan\u00e7as, o trabalho for\u00e7ado e a escravid\u00e3o foram os principais meios utilizados pelo capitalismo para aumentar suas reservas de ouro e diamante, suas riquezas e para consolidar seu poder<\/em>\u201d (Frantz Fanon, 1925-1961).<\/p>\n<p>Eles, os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/186-noticias-2017\/573993-os-condenados-da-terra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">condenados da terra<\/a>, vagam sem rumo, sem saber quem s\u00e3o, com suas origens apagadas e seus anseios destru\u00eddos. Temerosos, encurralados, sem sa\u00edda, anestesiados, abduzidos pela maquinaria conquistadora do homem branco, v\u00edtimas de uma estrutura escravizadora, para al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o f\u00edsica do indiv\u00edduo, para al\u00e9m do vis\u00edvel, c\u00famplice da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A sutileza do opr\u00f3brio maquiada pela crueldade e a agressividade do desumano. A\u00a0<strong>coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0da pessoa negra supera os limites dos territ\u00f3rios, dos recursos naturais, para adentrar diretamente na manipula\u00e7\u00e3o do inconsciente, para falsificar a intui\u00e7\u00e3o e curvar a vontade. A lobotomiza\u00e7\u00e3o do pensamento. Nisto consistia tudo, na extirpa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da mente original com o objetivo de alterar o comportamento, inferioriz\u00e1-lo e, assim, transformar as popula\u00e7\u00f5es nativas em escravos submissos e indefesos.<\/p>\n<p>\u201cO colonialismo n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina de pensar, n\u00e3o \u00e9 um corpo dotado de raz\u00e3o. \u00c9 a viol\u00eancia em estado de natureza\u201d. Com esta afirma\u00e7\u00e3o,\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0expressou com contund\u00eancia a brutalidade inerente ao sistema colonial. Foi um pensador que explicou com maestria o trauma da\u00a0<strong>coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e o complexo processo de\u00a0<strong>descoloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, especialmente nos pa\u00edses franc\u00f3fonos da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/601607-a-historia-da-africa-foi-escrita-com-base-em-preconceitos-entrevista-com-souleymane-bachir-diagne\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c1frica<\/a>.<\/p>\n<p>Nascido h\u00e1 exatamente 100 anos, na Martinica francesa, tomou consci\u00eancia desde muito jovem do peso da cor de sua pele. Quando tinha 19 anos, a\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>\u00a0rendeu-se \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/647782-a-maquinaria-cultural-do-nazismo-artigo-de-jazmin-bazan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alemanha nazista<\/a>, em 1940, e as tropas navais da\u00a0<strong>Fran\u00e7a de Vichy<\/strong>\u00a0se estabeleceram na ilha. As pr\u00e1ticas abertamente racistas, os abusos sexuais e o tratamento vexat\u00f3rio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o foram meros incidentes isolados: foram a manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de uma estrutura colonial profundamente enraizada. A viol\u00eancia, longe de ser uma exce\u00e7\u00e3o, era a norma.<\/p>\n<p>Este clima de opress\u00e3o forjou em\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0uma consci\u00eancia cr\u00edtica que o acompanharia por toda a sua vida. For\u00e7ado, como tantos outros, a conter sua dor, a silenciar sua indigna\u00e7\u00e3o, Fanon come\u00e7ou a compreender que o\u00a0<strong>colonialismo<\/strong>\u00a0n\u00e3o apenas subjuga os corpos, mas tamb\u00e9m deforma subjetividades. O colonizado, dizia, sofre uma aliena\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica: v\u00ea-se atrav\u00e9s do espelho do colonizador, fragmentado, inferiorizado, defeituoso, despossu\u00eddo de sua pr\u00f3pria voz.<\/p>\n<p>Formou-se em psiquiatria, em 1951, e, em 1953, foi nomeado Chefe de Servi\u00e7o do\u00a0<strong>Hospital Psiqui\u00e1trico Blida-Joinville<\/strong>, na\u00a0<strong>Arg\u00e9lia<\/strong>. L\u00e1, revolucionou o atendimento psiqui\u00e1trico ao introduzir pr\u00e1ticas de terapia social que atribu\u00edam um papel central aos fatores culturais, tanto na sa\u00fade mental quanto na doen\u00e7a. Seu hospital atendia da mesma forma torturadores e v\u00edtimas, o que lhe permitiu observar de perto as sequelas psicol\u00f3gicas da viol\u00eancia colonial.<\/p>\n<p>Em novembro de 1954,\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0ingressou secretamente na\u00a0<strong>Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong>\u00a0(<strong>FLN<\/strong>) da\u00a0<strong>Arg\u00e9lia<\/strong>. Continuou trabalhando como psiquiatra, mas tamb\u00e9m ofereceu apoio ativo aos combatentes independentistas. Sua participa\u00e7\u00e3o na luta pela liberta\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Arg\u00e9lia<\/strong>\u00a0e sua experi\u00eancia direta com a viol\u00eancia colonial marcaram profundamente seu pensamento e suas obras mais influentes.<\/p>\n<p>A teoria de\u00a0<strong>Frantz Fanon<\/strong>\u00a0nos ajuda a entender as fraturas, as perturba\u00e7\u00f5es e as profundas feridas psicol\u00f3gicas infligidas pelo colonialismo. Um sistema opressor e alienante que internaliza o\u00a0<strong>racismo<\/strong>\u00a0e destr\u00f3i a identidade.<\/p>\n<p>Em seu primeiro livro,\u00a0<em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>\u00a0(1952),\u00a0<strong>Frantz Fanon<\/strong>\u00a0explora a aliena\u00e7\u00e3o do sujeito negro em uma sociedade dominada pelos brancos, por meio de observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Ao longo de sua obra, diagnostica os sintomas patol\u00f3gicos do\u00a0<strong>racismo cotidiano<\/strong>, revelando as din\u00e2micas neur\u00f3ticas por meio das quais o conceito de ra\u00e7a \u00e9 reproduzido, imposto e naturalizado.<\/p>\n<p>\u201cPara o homem negro, h\u00e1 apenas um destino. E ele \u00e9 branco\u201d.\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0desvenda uma civiliza\u00e7\u00e3o na qual o sujeito colonizado se v\u00ea for\u00e7ado a adotar as m\u00e1scaras brancas do opressor, a assumir os significados impostos pela branquitude e a renunciar aos seus, ligados \u00e0 negritude. Neste processo de aliena\u00e7\u00e3o, todos querem se assemelhar aos brancos, presos em um\u00a0<strong>conflito identit\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>O colonizado internaliza o desprezo do colonizador. Aprende a se ver com olhos brancos, a buscar aprova\u00e7\u00e3o no estrangeiro, a rejeitar suas ra\u00edzes para se sentir aceito. \u201cO negro n\u00e3o \u00e9 um homem, porque ainda tem de se converter em humano aos olhos do branco\u201d. Nesta frase,\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0revela a viol\u00eancia simb\u00f3lica deixada pela coloniza\u00e7\u00e3o: a ideia de que ser voc\u00ea mesmo n\u00e3o basta, de que \u00e9 preciso ser outro para ter valor.<\/p>\n<p>Descolonizar a mente, no pensamento de\u00a0<strong>Frantz Fanon<\/strong>, significa arrancar as \u201cm\u00e1scaras brancas\u201d impostas pelo colonialismo. \u00c9 desmascarar as fic\u00e7\u00f5es do racismo, da suposta superioridade cultural e o complexo de inferioridade que impedem os povos oprimidos de se reconhecerem como sujeitos plenos e aut\u00f4nomos.\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0n\u00e3o apenas denuncia o trauma ps\u00edquico que o\u00a0<strong>colonialismo<\/strong>\u00a0deixa nos corpos e nas consci\u00eancias; tamb\u00e9m convida a uma transforma\u00e7\u00e3o radical: refazer o pensamento, romper com os moldes coloniais e forjar novas formas de ser, para al\u00e9m da l\u00f3gica bin\u00e1ria do senhor e o escravo.<\/p>\n<p>Sua obra deixou uma marca profunda em in\u00fameros intelectuais e movimentos do s\u00e9culo XX, de\u00a0<strong>Jean-Paul Sartre<\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/650634-o-humanismo-de-edward-said-artigo-de-homero-santiago\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Edward Said<\/a>\u00a0a\u00a0<strong>Black Power<\/strong>,\u00a0<strong>Malcolm X<\/strong>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/630936-a-teologia-da-libertacao-e-um-esforco-de-dizer-uma-palavra-sobre-o-deus-de-jesus-no-mundo-em-que-se-vive-segundo-francisco-de-aquino-junior\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a>. Seu pensamento foi fundamental para articular discursos revolucion\u00e1rios no Terceiro Mundo &#8211; na\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>,\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>\u00a0&#8211; e tamb\u00e9m influenciou o esp\u00edrito contestat\u00f3rio de\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/578095-1968-o-ano-mitico-nostalgico-e-inspirador-para-a-esquerda-entrevista-especial-com-mariana-villaca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maio de 68<\/a>. Seu livro p\u00f3stumo,\u00a0<em>Os condenados da Terra<\/em>\u00a0(1961), permanece uma refer\u00eancia essencial para a compreens\u00e3o das lutas identit\u00e1rias, antirracistas e decoloniais que sacodem o nosso mundo.<\/p>\n<p>Hoje, pa\u00edses como\u00a0<strong>B\u00e9lgica<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>\u00a0come\u00e7aram a descolonizar seus museus e livros did\u00e1ticos, com o objetivo de reescrever suas narrativas hist\u00f3ricas e questionar a no\u00e7\u00e3o de \u201c<em>grandeur<\/em>\u201d. Em 2017,\u00a0<strong>Emmanuel Macron<\/strong>\u00a0reconheceu que a coloniza\u00e7\u00e3o foi \u201cum crime contra a humanidade\u201d, um marco na revis\u00e3o cr\u00edtica do passado colonial europeu.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e0 indignidade do homem. \u00c0 explora\u00e7\u00e3o do homem. Ao assassinato daquilo que h\u00e1 de mais humano no homem: a liberdade\u201d.\u00a0<strong>Fanon<\/strong>\u00a0considera que outra hist\u00f3ria e outra sociedade s\u00e3o poss\u00edveis, mas \u00e9 necess\u00e1rio que o ser humano decida se libertar e n\u00e3o fa\u00e7a com que as suas a\u00e7\u00f5es dependam da hist\u00f3ria ou da ra\u00e7a. Mas tamb\u00e9m da ideologia. Descolonizar a mente, emancipar-se da opress\u00e3o das doutrinas dominantes. De uma forma ou de outra, todos n\u00f3s fomos colonizados, nossa raz\u00e3o foi conquistada pela falsa ideia de que nosso mundo \u00e9 imut\u00e1vel, que tudo \u201c\u00e9\u201d porque existe e que nada pode ser diferente.<\/p>\n<p>Aceitamos o imposto, as desigualdades, a subordina\u00e7\u00e3o, as guerras, acatamos nosso destino como se fosse inevit\u00e1vel, presos em um conflito de identidade, internalizamos o desprezo pela doutrina econ\u00f4mica imperante, abduzidos pelo espectro do desejo consumista. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/634411-o-neoliberalismo-e-um-totalitarismo-invertido-entrevista-com-alain-caille\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberalismo<\/a>\u00a0como sistema absolutista, que normaliza a precariedade e a explora\u00e7\u00e3o, que promete liberdade quando imp\u00f5e um molde, que transforma aqueles que s\u00e3o expulsos do privil\u00e9gio em servos, escravos de uma hierarquia onde alguns homens brancos, ocidentais, subjugam os outros: os deserdados da Terra. Esta narrativa penetra profundamente na\u00a0<strong>subjetividade contempor\u00e2nea<\/strong>: diz-nos que valemos o que produzimos, que tudo o que n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel \u00e9 dispens\u00e1vel e que o sofrimento individual se deve \u00e0 falta de esfor\u00e7o ou talento, n\u00e3o a causas estruturais.<\/p>\n<p>O estabelecimento gradual, em nossas sociedades ocidentais, de um regime do inconsciente colonial, patriarcal e capitalista imp\u00f5e um pensamento \u00fanico e faz da alteridade um objeto de explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/591109-e-preciso-fazer-um-trabalho-de-descolonizacao-do-desejo-entrevista-com-suely-rolnik\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Suely Rolnik<\/a>, fil\u00f3sofa brasileira, buscou a maneira de como nos tornarmos algo diferente do que somos. Ou seja, como nos transformar para abandonar a nossa\u00a0<strong>identidade narcisista<\/strong>\u00a0e criar um modo de vida que reconhe\u00e7a e cuide da presen\u00e7a dos outros.\u00a0<strong>Rolnik<\/strong>\u00a0nos estimula a descolonizar o inconsciente: n\u00e3o apenas a pensar de outro modo, mas a desejar de outro modo. Porque somente com uma nova pol\u00edtica do desejo poderemos libertar nosso potencial criativo de seu sequestro neoliberal e, assim, fazer germinar um futuro diferente.<\/p>\n<p>Descolonizar a mente \u00e9 um processo de desaprendizagem. Envolve questionar o sistema, desafiar as narrativas dominantes e recuperar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica. que nos foi negada. Significa voltar a olhar para o mundo com nossos pr\u00f3prios olhos, recuperar as narrativas que nos pertencem, reivindicar um estilo de vida baseado na beleza e no prazer, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/627521-a-precarizacao-do-trabalho-nao-a-automacao-e-o-maior-desafio-dos-trabalhadores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tirania da produtividade e do trabalho<\/a>. Significa resistir \u00e0 l\u00f3gica do consumo e do desenraizamento, desmascarar as fic\u00e7\u00f5es do bem-estar e reconstituir v\u00ednculos com a natureza, com a comunidade, com os ancestrais.<\/p>\n<p>Hoje, descolonizar a mente \u00e9 mais do que um exerc\u00edcio te\u00f3rico: \u00e9 uma urg\u00eancia pol\u00edtica e espiritual. Em tempos em que os discursos hegem\u00f4nicos se renovam atrav\u00e9s da globaliza\u00e7\u00e3o, das redes sociais, do populismo, da miragem do crescimento ilimitado e do\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/653624-o-negacionismo-climatico-nao-e-ignorancia-e-negocio-entrevista-com-naomi-oreskes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">negacionismo clim\u00e1tico<\/a>, precisamos defender os espa\u00e7os onde a pluralidade de pensamento ainda respira, onde o amor renasce, sem m\u00e1scaras virtuais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se deve tentar fixar o homem, pois seu destino \u00e9 ser solto\u201d.\u00a0<strong>Frantz Fanon<\/strong>\u00a0nasceu h\u00e1 100 anos e suas ideias perduram at\u00e9 nossos dias. A\u00a0<strong>coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0de na\u00e7\u00f5es inteiras ainda se perpetua na atualidade. O\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0precisa do\u00a0<strong>sistema colonial<\/strong>\u00a0para existir, para escravizar m\u00e3o de obra barata e para saquear recursos naturais ou terras raras essenciais para a economia do futuro. A resist\u00eancia n\u00e3o cessou. A luta dos povos por sua liberta\u00e7\u00e3o permanece, assim como persiste o sistema que os oprime. Enquanto n\u00e3o mudarmos esta ordem imposta pela raiz, as desigualdades n\u00e3o apenas continuar\u00e3o, mas se aprofundar\u00e3o. Por isso, livrar-nos das imposi\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas uma necessidade.<\/p>\n<p>Descolonizar a mente e a vis\u00e3o \u00e9 abrir caminho para sonhar um mundo mais justo. Um futuro em que a diversidade n\u00e3o seja tolerada, mas celebrada, em que possamos caminhar com dignidade sem ter que pedir permiss\u00e3o para existir. \u00c9 imaginar o futuro a partir das ra\u00edzes, n\u00e3o da vassalagem, onde a coopera\u00e7\u00e3o, o cuidado, o \u00f3cio e a comunidade n\u00e3o sejam vistos como fraquezas. A<strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/603601-o-neoliberalismo-a-colonizacao-da-subjetividade-e-a-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">coloniza\u00e7\u00e3o neoliberal<\/a><\/strong>\u00a0nos imp\u00f5e um marco mental, fazendo-nos acreditar que n\u00e3o h\u00e1 alternativa, mas elas existem. E come\u00e7a com pensar de outro modo, sentir de outro modo, imaginar outros mundos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cUma luta que mobiliza todas as camadas do povo, que expressa as inten\u00e7\u00f5es e a impaci\u00eancias do povo, que n\u00e3o teme apoiar-se exclusivamente nesse povo, \u00e9 necessariamente vitoriosa\u201d (<strong>Frantz Fanon<\/strong>).<\/p>\n<h2>Leia mais<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/654939-o-sofrimento-palestino-a-luz-de-fanon-artigo-de-samah-jabr-e-elizabeth-berger\">O sofrimento palestino, \u00e0 luz de Fanon. Artigo de Samah Jabr e Elizabeth Berger<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/654812-frantz-fanon-heroi-da-libertacao-da-argelia-faria-100-anos\">Frantz Fanon: her\u00f3i da liberta\u00e7\u00e3o da Arg\u00e9lia faria 100 anos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/644050-a-clinica-rebelde-biografia-de-frantz-fanon-o-rebelde-que-interroga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8216;A cl\u00ednica rebelde&#8217;: biografia de Frantz Fanon, o rebelde que interroga<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/641445-as-muitas-vidas-de-frantz-fanon\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">As muitas vidas de Frantz Fanon<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/635088-o-humanismo-revolucionario-de-frantz-fanon\">O humanismo revolucion\u00e1rio de Frantz Fanon<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/615192-a-atualidade-de-fanon-60-anos-depois\">A atualidade de Fanon, 60 anos depois<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/630725-frantz-fanon-um-intelectual-revolucionario-sempre-atual\">Frantz Fanon, um intelectual revolucion\u00e1rio sempre atual<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/610401-as-duas-faces-insubmissas-de-frantz-fanon\">As duas faces insubmissas de Frantz Fanon<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/591022-por-que-ler-fanon-hoje-artigo-de-immanuel-wallerstein\">Por que ler Fanon hoje? Artigo de Immanuel Wallerstein<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/623499-as-perguntas-da-filosofia-existencial-africana-ao-colonialismo-entrevista-especial-com-lewis-gordon\">As perguntas da filosofia existencial africana ao colonialismo. Entrevista especial com Lewis Gordon<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/633908-os-povos-tem-o-direito-de-se-defenderem-do-colonialismo-artigo-de-egydio-schwade\">Os povos t\u00eam o direito de se defenderem do colonialismo. Artigo de Egydio Schwade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/643109-decolonialidade-o-desafio-do-pensamento-outro-artigo-de-uribam-xavier\">Decolonialidade: o desafio do pensamento outro. Artigo de Uribam Xavier<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/651287-nao-ao-colonialismo-sim-a-redencao-o-vento-africano-do-papa-francisco-artigo-de-luca-attanasio\">N\u00e3o ao colonialismo, sim \u00e0 reden\u00e7\u00e3o. O \u201cvento africano\u201d do Papa Francisco. Artigo de Luca Attanasio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/636890-propriedade-intelectual-ferramenta-do-colonialismo\">Propriedade intelectual, ferramenta do colonialismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/633908-os-povos-tem-o-direito-de-se-defenderem-do-colonialismo-artigo-de-egydio-schwade\">Os povos t\u00eam o direito de se defenderem do colonialismo. Artigo de Egydio Schwade<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/655012-os-minerais-da-africa-estao-sendo-trocados-por-seguranca-por-que-e-uma-ma-ideia-artigo-de-hanri-mostert-e-tracy-lynn-field\">Os minerais da \u00c1frica est\u00e3o sendo trocados por seguran\u00e7a: por que \u00e9 uma m\u00e1 ideia. Artigo de Hanri Mostert e Tracy-Lynn Field<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/654981-exame-de-uma-africa-insubmissa-artigo-de-jose-luis-fiori\">Exame de uma \u00c1frica insubmissa. Artigo de Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/654404-quatro-africanos-sao-mais-ricos-que-metade-do-continente\">Quatro africanos s\u00e3o mais ricos que metade do continente<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"moduletable\">\u00a0fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/655273-frantz-fanon-100-anos-descolonizando-a-mente\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/655273-frantz-fanon-100-anos-descolonizando-a-mente<\/a><\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_807\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"807\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frantz Fanon\u00a0nasceu h\u00e1 100 anos e suas ideias perduram at\u00e9 nossos dias. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/634293-a-nova-colonizacao-africana-e-verde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">coloniza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de na\u00e7\u00f5es inteiras ainda se perpetua na atualidade. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/589512-novo-colonialismo-nao-explora-apenas-riquezas-naturais-explora-nossos-dados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo<\/a>\u00a0precisa do sistema colonial para existir, para escravizar m\u00e3o de obra barata e para saquear recursos naturais ou\u00a0<a href=\"https:\/\/ihu.unisinos.br\/categorias\/655027-a-tarifa-trump-os-minerais-criticos-e-o-desenvolvimento-industrial-do-brasil-artigo-de-delcio-rodrigues\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">terras raras<\/a>\u00a0essenciais para a economia do futuro. A resist\u00eancia n\u00e3o cessou. A luta dos povos por sua liberta\u00e7\u00e3o permanece\u201d, escreve\u00a0<strong>Paco Peris<\/strong>, em artigo publicado por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00fablico<\/a>, 21-07-2025. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/rede-sjcias\/cepat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cepat<\/a>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","content-type":"","footnotes":""},"categories":[490],"tags":[873,623,881,880,786],"class_list":["post-807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-capitalismo","tag-colinialismo","tag-frantz-fanon","tag-imperialismo","tag-revolucao"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=807"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/807\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}