{"id":838,"date":"2025-11-07T13:55:46","date_gmt":"2025-11-07T16:55:46","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/11\/07\/maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele\/"},"modified":"2025-11-07T13:55:46","modified_gmt":"2025-11-07T16:55:46","slug":"maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=838","title":{"rendered":"M\u00e3es de mortos questionam opera\u00e7\u00e3o no Rio: \u201cArrancaram o bra\u00e7o dele&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Chacina no Rio de Janeiro (Brasil): Relatos s\u00e3o de que muitos foram mortos depois de terem sido rendidos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"autor-noticia\">Thiago Pimenta &#8211; Rep\u00f3rter da TV Brasil<\/div>\n<div class=\"container-data rowflex\">\n<div class=\"data\">Publicado em 29\/10\/2025 &#8211; 16:25<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"local\">Rio de Janeiro<\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/1kdNFYcpSjOfKs6hY0sxCITLlzk=\/1170x700\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/29\/toms9747.jpg?itok=0lHHfaUz\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 29\/10\/2025 - Dezenas de corpos s\u00e3o trazidos por moradores para a Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o.Foto: Tomaz Silva \/Ag\u00eancia Brasil\" width=\"900\" height=\"538\" id=\"media-442294\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\u00a9 Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p><strong>As cenas dos corpos enfileirados na Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, no complexo da Penha, na manh\u00e3 desta quarta-feira (29),&nbsp;correram o Brasil e o mundo<\/strong>. Ao lado das dezenas de homens mortos durante a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/tags\/operacao-contencao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o<\/a>, realizada ontem (28) pelas pol\u00edcias Civil e Militar do Rio de Janeiro, estavam familiares, em sua maioria mulheres.&nbsp;<strong>M\u00e3es, irm\u00e3s e esposas que choravam ao redor dos corpos e questionavam a a\u00e7\u00e3o do Estado. &nbsp;<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1665081&amp;o=node\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1665081&amp;o=node\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Uma delas era Elieci Santana, 58 anos, dona de casa. Ela conta que o filho F\u00e1bio Francisco Santana, de 36 anos, mandou mensagem dizendo que estava se entregando e compartilhando sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cMeu filho se entregou, saiu algemado. E arrancaram o bra\u00e7o dele no lugar da algema\u201d, diz. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O relato de que muitos foram mortos mesmo depois de terem sido rendidos era comum entre as fam\u00edlias que acompanhavam a movimenta\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a. Os corpos foram trazidos pelos pr\u00f3prios moradores, na ca\u00e7amba dos carros, durante a madrugada.&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A confeiteira Tau\u00e3 Brito, cujo filho Wellington morreu durante a opera\u00e7\u00e3o, diz que muitos ainda estavam vivos ontem na mata, apesar de baleados. &nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cOntem eu fui l\u00e1 no Get\u00falio [Hospital Get\u00falio Vargas] pedir para subirem com a gente, para gente poder salvar esses meninos. Ningu\u00e9m podia subir. Eles estavam vivos\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029VaoRTgrInlqYLSk59B2M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&gt;&gt; Siga o canal da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>no WhatsApp<\/a><\/p>\n<p>Segundo ela, os moradores come\u00e7aram a entrar na mata para procurar os feridos somente \u00e0 noite, depois que a pol\u00edcia tinha ido embora.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cFicamos l\u00e1, cada um ca\u00e7ando seus filhos, seus parentes. Isso a\u00ed est\u00e1 certo para o governo?\u201d, questiona. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CsAoNGIyYPifNiz9uhAxqjUzQ1s=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/29\/_rbr0530.jpg?itok=6MCOkWGb\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 29\/10\/2025 - Moradores protestam contra execu\u00e7oes na comunidade da Vila da PenhaOpera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o.\nFoto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/p>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h5 class=\"meta\">Moradores protestam contra execu\u00e7\u00f5es na comunidade da Vila da Penha. Foto:&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h5>\n<\/div>\n<p>Emocionada, Tau\u00e3 disse \u00e0 reportagem&nbsp;que s\u00f3 queria tirar o filho do meio da rua.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o vai dar em nada. A verdade \u00e9 essa. Porque aqui tem um mont\u00e3o de gente chorando, mas l\u00e1 fora tem um mont\u00e3o de gente aplaudindo. Isso que eles fizeram foi uma chacina\u201d, lamentou.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Execu\u00e7\u00e3o&nbsp;<br \/>&nbsp;<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/8vWEASLZuDL_8xoAPnnW-5wX3TM=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/29\/toms9661.jpg?itok=O4xYmZgs\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 29\/10\/2025 - Dezenas de corpos s\u00e3o trazidos por moradores para a Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o.\nFoto: Tomaz Silva \/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/p>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h5 class=\"meta\">Dezenas de corpos s\u00e3o trazidos por moradores para a Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o. Foto:&nbsp;<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h5>\n<\/div>\n<p>O advogado Albino Pereira, que representa algumas das fam\u00edlias, acompanhou a a\u00e7\u00e3o durante a manh\u00e3. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, h\u00e1 sinais claros de tortura, execu\u00e7\u00e3o e outras viola\u00e7\u00f5es de direitos. &nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa nem ser perito para ver que tem marca de queimadura [na pele]. Os disparos foram feitos com a arma encostada. Chegou um corpo aqui sem cabe\u00e7a. A cabe\u00e7a chegou dentro de um saco, foi decapitado. Ent\u00e3o isso aqui foi um exterm\u00ednio\u201d, &nbsp;aponta. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Os corpos come\u00e7aram a ser recolhidos pela Defesa Civil na parte baixa da comunidade por volta de 8h30, e encaminhados para o IML.<\/p>\n<p>Fundador da ONG Rio da Paz, Antonio Carlos Costa acompanhou as cenas na Pra\u00e7a S\u00e3o Lucas e criticou a letalidade da opera\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma invas\u00e3o aqui do Estado na sua plenitude, trazendo saneamento b\u00e1sico, moradia digna, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, hospitais decentes. Por que historicamente a resposta tem que ser essa? E por que a sociedade n\u00e3o se revolta?\u201d, questionou. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/h2>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Conten\u00e7\u00e3o, realizada pelas pol\u00edcias Civil e Militar do Rio de Janeiro,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/governo-do-rio-contabiliza-119-mortes-moradores-retiram-corpos-da-mata\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">deixou 119 mortos, sendo 115 civis e quatro policiais, de acordo com o \u00faltimo balan\u00e7o<\/a>. O governo do estado considerou a opera\u00e7\u00e3o \u201c<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/castro-operacao-foi-sucesso-e-policiais-mortos-foram-unicas-vitimas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um sucesso\u201d<\/a>&nbsp;e afirmou que as pessoas mortas reagiram com viol\u00eancia \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, e aqueles que se entregaram foram presos.&nbsp;No total, foram feitas 113 pris\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/operacao-no-rio-e-cortina-de-fumaca-e-expoe-populacao-linha-de-tiro-dizem-especialistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criticaram a a\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;que gerou um grande impacto na capital fluminense e n\u00e3o atingiu o objetivo de conter o crime organizado. Para a&nbsp;professora do Departamento de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Universidade Federal Fluminense (UFF)&nbsp;Jacqueline Muniz,&nbsp;a opera\u00e7\u00e3o foi amadora e&nbsp;uma \u201clamban\u00e7a pol\u00edtico-operacional\u201d.<\/p>\n<p>Movimentos populares e de favelas tamb\u00e9m condenaram as a\u00e7\u00f5es policiais e&nbsp;afirmaram que&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-10\/favelas-e-ongs-sobre-mortes-no-rio-seguranca-nao-se-faz-com-sangue\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;seguran\u00e7a n\u00e3o se faz com sangue&#8221;<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje pela manh\u00e3 (29), ativistas que acompanharam a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/moradores-retiram-cerca-de-50-corpos-em-area-de-mata-apos-operacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">retirada de mais de 60 corpos&nbsp;de uma \u00e1rea de mata<\/a>&nbsp;no Complexo do Penha&nbsp;classificaram a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/ativistas-denunciam-massacre-em-operacao-no-rio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a\u00e7\u00e3o policial como um \u201cmassacre\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o&nbsp;contou com um efetivo de 2,5 mil policiais e \u00e9 a&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/acao-no-rio-e-maior-em-15-anos-e-mais-letal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">maior realizada no estado nos \u00faltimos 15 anos<\/a>. Os confrontos e as a\u00e7\u00f5es de retalia\u00e7\u00e3o de criminosos&nbsp;geraram p\u00e2nico em toda a cidade, com intenso tiroteio, fechando as principais vias, escolas, com\u00e9rcios e postos de sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n<p>fonte:&nbsp;&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-10\/maes-de-mortos-questionam-operacao-no-rio-arrancaram-o-braco-dele<\/a><\/p>\n<div class=\"row\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mb-30\">\n<h2><strong>Massacre do Rio: o dedo da Faria Lima<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n<h4>O \u201cajuste fiscal\u201d prepara o terreno: corta futuro, elimina alternativas, cria inimigos. Pol\u00edcia executa. C\u00edrculo perfeito: quem perde tudo vira amea\u00e7a e \u00e9 morto como exemplo. A m\u00e3o que nutre as&nbsp;<i>fintechs<\/i>&nbsp;aperta o gatilho e derruba o moleque-avi\u00e3o<\/h4>\n<\/div>\n<div class=\"channel\"><strong class=\"text-outraspalavras\">Outras<\/strong>Palavras<\/div>\n<div class=\"category\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/category\/crise-brasileira\/\" rel=\"category tag\">Crise Brasileira<\/a><\/div>\n<div class=\"author\">Por&nbsp;<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/ricardoqueirozpinheiro\/\" rel=\"author\" title=\"Posts de Ricardo Queiroz Pinheiro\">Ricardo Queiroz Pinheiro<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado 30\/10\/2025 \u00e0s 18:22&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-30-at-18-27-45-Telegram-Web.png\" sizes=\"(max-width: 796px) 100vw, 796px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-30-at-18-27-45-Telegram-Web.png 796w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" screenshot-2025-10-30-at-18-27-45-telegram-web-300x230.png\"=\"\" \/><br \/>Arte: Ennio Calabria<\/p>\n<div id=\"outra-588567377\" class=\"outra-boletimop\">\n<div id=\"boletimop\">\n<div id=\"mlb2-5648451\" class=\"ml-form-embedContainer ml-subscribe-form ml-subscribe-form-5648451\">\n<div class=\"ml-form-align-center\">\n<div class=\"ml-form-embedWrapper embedForm\">\n<div class=\"ml-form-embedBody ml-form-embedBodyHorizontal row-form\">\n<div class=\"ml-form-embedContent\">\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/div>\n<form action=\"https:\/\/static.mailerlite.com\/webforms\/submit\/z3h6l4\" method=\"post\" target=\"_blank\" class=\"ml-block-form\" data-code=\"z3h6l4\">\n<div class=\"ml-form-formContent horozintalForm\">\n<div class=\"ml-form-horizontalRow\">\n<div class=\"ml-input-horizontal\">\n<div class=\"horizontal-fields\">\n<div class=\"ml-field-group ml-field-email ml-validate-email ml-validate-required\"><input autocomplete=\"email\" name=\"fields[email]\" type=\"email\" class=\"form-control\" data-inputmask placeholder=\"Email\" aria-invalid=\"false\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ml-button-horizontal primary\"><button type=\"submit\" class=\"primary\">Assinar<\/button><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img src=\"https:\/\/track.mailerlite.com\/webforms\/o\/5648451\/z3h6l4?v1693074564\" alt=\".\" width=\"1\" height=\"1\" decoding=\"async\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p>Foi ontem. O Rio de Janeiro, mais uma vez, serviu de palco habitual das mazelas da Rep\u00fablica. Helic\u00f3pteros rasgaram o c\u00e9u da favela; rajadas, correria, corpos rolando no ch\u00e3o. M\u00e3es se agarraram \u00e0s portas, celulares tr\u00eamulos tentando registrar o que restava de luz. Horas depois, o governador miliciano Cl\u00e1udio Castro surgiu em cadeia nacional para converter o sangue em manchete: \u201copera\u00e7\u00e3o conclu\u00edda, a intelig\u00eancia atuou\u201d. Estava inaugurada a campanha de 2026.<\/p>\n<p>O sociologo Lo\u00efc Wacquant em uma frase deu o quadro h\u00e1 d\u00e9cadas: quando o Estado social se retrai, o Estado penal se imp\u00f5e. No Rio (n\u00e3o s\u00f3), essa retra\u00e7\u00e3o \u00e9 programada. A austeridade corta horizontes, desmonta escolas, precariza vidas; em seguida, o aparelho punitivo toma seu lugar, disciplinando corpos sem futuro. A viol\u00eancia \u00e9 a ferramenta de regula\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica econ\u00f4mica e a pol\u00edtica da bala s\u00e3o faces do mesmo projeto.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno olhar o Atlas da Viol\u00eancia 2025, produzido pelo IPEA. Ali, se formaliza o que a rua j\u00e1 conhece: enquanto o pa\u00eds v\u00ea uma pequena queda nas taxas gerais, o Rio caminhou na dire\u00e7\u00e3o oposta, com aumento de 13,6% nos homic\u00eddios. Esses n\u00fameros t\u00eam endere\u00e7o: s\u00e3o jovens negros sem empregos, sem escola, sem perspectiva. Onde faltam pol\u00edticas p\u00fablicas, cresce a justificativa punitiva \u2014 e com ela, o aplauso de uma parte significativa do eleitorado que aprendeu a ver ordem na bala.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4.png\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4.png 680w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" prancheta-4-300x110.png\"=\"\" \/><\/p>\n<p>A juventude \u00e9 o alvo. As estat\u00edsticas mostram aumento nas mortes entre 15 e 29 anos; entre adolescentes, a explos\u00e3o \u00e9 ainda mais brutal. E quando a contabilidade alcan\u00e7a crian\u00e7as \u2014 50% de aumento nas mortes entre 5 e 14 anos \u2014, fica claro que n\u00e3o se trata de \u201cefeitos colaterais\u201d: \u00e9 desenho pol\u00edtico. A execu\u00e7\u00e3o aparece como resposta ao vazio social que a pr\u00f3pria pol\u00edtica de austeridade ajudou a produzir.<\/p>\n<p>A pesquisadora Alba Zaluar vem&nbsp; insistindo numa leitura que hoje \u00e9 central: a viol\u00eancia do Rio \u00e9 um ecossistema, sustentado por circula\u00e7\u00e3o de armas, cumplicidade institucional e abandono social. O que era economia ilegal encontrou tradu\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o p\u00fablica \u2014 e o Estado passou a operar como parceiro e restaurador de uma \u201cordem\u201d que sacrifica vidas. No governo atual, essa simbiose se institucionalizou: as opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o mensagens, as mortes, m\u00e9tricas; o aparelho repressivo se consolida, bloco por bloco.<\/p>\n<p>Houve um momento de interrup\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A ADPF 635 mostrou que limitar procedimentos letais produz efeitos reais: mortes por interven\u00e7\u00e3o policial ca\u00edram drasticamente \u2014 de 1.814 em 2019 para 699 em 2024 \u2014 e, com isso, tamb\u00e9m diminu\u00edram homic\u00eddios dolosos e roubos. Mas a conten\u00e7\u00e3o foi interpretada pelo governo como perda simb\u00f3lica, n\u00e3o como ganho civilizat\u00f3rio. Assim, a estrat\u00e9gia foi reverter limites e reafirmar a est\u00e9tica do choque: liberar helic\u00f3pteros, permitir opera\u00e7\u00f5es perto de escolas, normalizar a artilharia urbana.<\/p>\n<p>Esse movimento \u00e9 um processo \u2014 a constru\u00e7\u00e3o deliberada do nosso aparelho repressivo. \u00c9 um projeto com roteiro eleitoral, pois parte da popula\u00e7\u00e3o legitima como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A viol\u00eancia funciona como espet\u00e1culo para uma plateia que, empobrecida e esmagada pela B\u00edblia neoliberal da efici\u00eancia, recebe no massacre a sensa\u00e7\u00e3o imediata de \u201cordem\u201d. O bord\u00e3o \u2014 \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d \u2014 \u00e9 pedagogia pol\u00edtica que convence porque promete simplicidade onde faltam pol\u00edticas p\u00fablicas complexas.<\/p>\n<p>O austeric\u00eddio transformou a priva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em argumento moral. A austeridade prepara o terreno: corta futuro, elimina alternativas, cria inimigos; depois o aparelho punitivo executa a li\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 um c\u00edrculo perfeito: quem perde tudo passa a ser identificado como amea\u00e7a; quem cruza esse limiar \u00e9 punido com morte e exposto como exemplo. O Estado, assim, n\u00e3o s\u00f3 permite a viol\u00eancia \u2014 ele a modela, a racionaliza e a capitaliza politicamente.<\/p>\n<p>A mesma m\u00e3o que afaga as fintechs \u2014 vitrines reluzentes da austeridade \u2014 \u00e9 a que customiza a lavagem de dinheiro das grandes redes do tr\u00e1fico, arma a pol\u00edcia e derruba o moleque-avi\u00e3o. O garoto que largou a escola para virar vapor, buscando uma grana pra sobreviver, \u00e9 abatido pela mesma m\u00e1quina que financia o seu patr\u00e3o invis\u00edvel. O circuito \u00e9 perfeito: o capital se legitima no alto, a bala fecha a conta embaixo.<\/p>\n<p>Ainda assim, a engrenagem encontra resist\u00eancia \u2014 ruidosa e concreta. A m\u00e3e que n\u00e3o permite o sil\u00eancio, moradores que filmam e denunciam, defensores p\u00fablicos que acumulam processos, jornalistas que persistem em nomear o que se tenta apagar. Esses gestos n\u00e3o s\u00e3o rom\u00e2nticos: s\u00e3o a \u00faltima barreira contra a normaliza\u00e7\u00e3o completa do exterm\u00ednio. Na medida em que o aparelho repressivo se organiza, cada den\u00fancia ret\u00e9m um pouco da liquida\u00e7\u00e3o moral que o poder busca.<\/p>\n<div id=\"outra-2466678667\" class=\"outra-meio-do-texto\">\n<div id=\"outra-3583249073\"><a href=\"https:\/\/rosalux.org.br\/fundacao-rosa-luxemburgo-lanca-versao-digital-de-livro-sobre-tarifa-zero\/\" aria-label=\"LANC\u0327AMENTO TARIFA ZERO 02\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/LANC%CC%A7AMENTO-TARIFA-ZERO-02.gif\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"111\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O massacre de ontem funciona como demonstra\u00e7\u00e3o de continuidade e recado. Ele disse o que o capital, vocalizado pela extrema direita, quer que o pa\u00eds saiba: que a ordem se restabelece com medo, que a pobreza \u00e9 punida com letalidade, que o \u00f3dio rende voto e garante o abismo social. Reconhecer isso \u00e9 o primeiro passo para desmontar o aparelho que transforma a pol\u00edtica em matan\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"outra-1559819221\" class=\"outra-depois-do-conteudo\">\n<div id=\"outra-3464103396\">\n<p><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. 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Atua em biblioteca p\u00fablica h\u00e1 29 anos.<\/div>\n<p><\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/massacre-do-rio-dedo-da-faria-lima\/\">https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/massacre-do-rio-dedo-da-faria-lima\/<\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"row\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mb-30\">\n<h2>Rio: Direita planta a farsa do&nbsp;<i>narcoterrorismo<\/i><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-excerpt\" class=\"column large-12 small-12 text-center mb-30\">\n<div class=\"post-excerpt\">\n<h4>A chacina desta semana n\u00e3o \u00e9 resultado apenas de uma a\u00e7\u00e3o policial. Com apoio da m\u00eddia, Cl\u00e1udio Castro emplaca narrativa planejada para fabricar instabilidade, importar a doutrina de seguran\u00e7a dos EUA e enfraquecer Lula em plena disputa de soberania<\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12 mb-30\">\n<div class=\"post-info\">\n<div class=\"first-line img-item\">\n<div class=\"channel\"><strong class=\"text-outrasmidias\">Outras<\/strong>M\u00eddias<\/div>\n<div class=\"category\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/category\/geopoliticaeguerra\/\" rel=\"category tag\">Geopol\u00edtica &amp; Guerra<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"author\">Por&nbsp;<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/codigoaberto\/\" rel=\"author\" title=\"Posts de C\u00f3digo Aberto\">C\u00f3digo Aberto<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado 31\/10\/2025 \u00e0s 14:30<\/p>\n<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-31-at-14-29-34-Telegram-Web.png\" sizes=\"(max-width: 883px) 100vw, 883px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Screenshot-2025-10-31-at-14-29-34-Telegram-Web.png 883w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" screenshot-2025-10-31-at-14-29-34-telegram-web-300x208.png\"=\"\" \/><br \/><em>Cr\u00e9dito: Caio Gomez<\/em><\/p>\n<div id=\"outra-2591124742\" class=\"outra-boletimop\">\n<div id=\"boletimop\">\n<div id=\"mlb2-5648451\" class=\"ml-form-embedContainer ml-subscribe-form ml-subscribe-form-5648451\">\n<div class=\"ml-form-align-center\">\n<div class=\"ml-form-embedWrapper embedForm\">\n<div class=\"ml-form-embedBody ml-form-embedBodyHorizontal row-form\">\n<div class=\"ml-form-embedContent\">\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/div>\n<form action=\"https:\/\/static.mailerlite.com\/webforms\/submit\/z3h6l4\" method=\"post\" target=\"_blank\" class=\"ml-block-form\" data-code=\"z3h6l4\">\n<div class=\"ml-form-formContent horozintalForm\">\n<div class=\"ml-form-horizontalRow\">\n<div class=\"ml-input-horizontal\">\n<div class=\"horizontal-fields\">\n<div class=\"ml-field-group ml-field-email ml-validate-email ml-validate-required\"><input autocomplete=\"email\" name=\"fields[email]\" type=\"email\" class=\"form-control\" data-inputmask placeholder=\"Email\" aria-invalid=\"false\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ml-button-horizontal primary\"><button type=\"submit\" class=\"primary\">Assinar<\/button><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img src=\"https:\/\/track.mailerlite.com\/webforms\/o\/5648451\/z3h6l4?v1693074564\" alt=\".\" width=\"1\" height=\"1\" decoding=\"async\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p>Por&nbsp;<strong>Reynaldo Aragon Gon\u00e7alves<\/strong>, no&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.codigoaberto.net\/\">C\u00f3digo Aberto<\/a><\/em><\/p>\n<p id=\"viewer-cfmm0375\">Drones sobrevoando o Complexo da Penha, granadas lan\u00e7adas sobre um territ\u00f3rio densamente povoado, mais de uma centena de mortos, escolas fechadas, medo generalizado. As imagens correram o mundo antes mesmo que os fatos fossem apurados \u2014 e bastou uma frase do governador Cl\u00e1udio Castro para fixar o enquadramento desejado: \u201c\u00e9 narcoterrorismo\u201d. Essa palavra, lan\u00e7ada ao espa\u00e7o informacional com a frieza de quem sabe o que diz, n\u00e3o \u00e9 apenas um erro sem\u00e2ntico. \u00c9 uma arma.<\/p>\n<p id=\"viewer-ow8x4378\">O epis\u00f3dio desta ter\u00e7a-feira, 28 de outubro de 2025, marca o \u00e1pice de uma opera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica cuidadosamente calibrada para fabricar a sensa\u00e7\u00e3o de colapso da seguran\u00e7a p\u00fablica e, com isso, legitimar uma agenda geopol\u00edtica que n\u00e3o nasce no Brasil. O termo \u201cnarcoterrorismo\u201d \u2014 juridicamente inexistente no direito brasileiro \u2014 serve como chave simb\u00f3lica para importar o vocabul\u00e1rio estrat\u00e9gico de Washington e deslocar o eixo da narrativa nacional: o que era crime organizado se transforma, subitamente, em \u201camea\u00e7a hemisf\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<div id=\"outra-2854710814\" class=\"outra-oq23-texto\">\n<div id=\"outra-4183522802\"><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"Prancheta 4\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4.png\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Prancheta-4.png 680w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" prancheta-4-300x110.png\"=\"\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p id=\"viewer-283k7381\">Essa manipula\u00e7\u00e3o discursiva tem objetivos precisos. Internamente, consolida o projeto de poder da extrema-direita, que precisa do medo como combust\u00edvel pol\u00edtico; externamente, reabre a porta para a doutrina de seguran\u00e7a dos Estados Unidos, que volta a enxergar a Am\u00e9rica do Sul como um campo de \u201crisco h\u00edbrido\u201d a ser contido. O governo do Rio, ao adotar esse l\u00e9xico, atua como vetor de uma psyop de alcance internacional: produz instabilidade, fragiliza o governo federal e fornece \u00e0 imprensa estrangeira o argumento pronto de que o Brasil perdeu o controle sobre seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p id=\"viewer-1g35f384\">No campo informacional, n\u00e3o h\u00e1 improviso. A sincroniza\u00e7\u00e3o entre a opera\u00e7\u00e3o militar, o uso do termo \u201cnarcoterrorismo\u201d e sua replica\u00e7\u00e3o imediata por ag\u00eancias internacionais forma um roteiro j\u00e1 conhecido da guerra h\u00edbrida contempor\u00e2nea: criar o caos, nome\u00e1-lo sob o signo do inimigo global e exigir interven\u00e7\u00e3o sob o pretexto da ordem. O que se passa hoje no Rio de Janeiro \u00e9 menos sobre seguran\u00e7a e mais sobre soberania. \u00c9 o ensaio de uma nova ofensiva cognitiva contra o Brasil.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O espet\u00e1culo operacional: a guerra que precisa ser vista<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-emv8l390\">Nada em uma psyop acontece por acaso \u2014 nem o hor\u00e1rio da opera\u00e7\u00e3o, nem os enquadramentos, nem o som das explos\u00f5es. O que se viu nas ruas do Rio de Janeiro, na manh\u00e3 de 28 de outubro de 2025, n\u00e3o foi apenas uma a\u00e7\u00e3o policial de grande porte: foi a encena\u00e7\u00e3o de uma guerra cuidadosamente coreografada para as c\u00e2meras. Blindados, helic\u00f3pteros, drones e rajadas de fuzil compuseram a mise-en-sc\u00e8ne perfeita para a cria\u00e7\u00e3o de uma narrativa de colapso.<\/p>\n<p id=\"viewer-lv24x393\">A opera\u00e7\u00e3o \u201cConten\u00e7\u00e3o\u201d, mobilizando mais de 2.500 agentes em uma \u00fanica manh\u00e3, foi vendida como resposta ao avan\u00e7o das fac\u00e7\u00f5es criminosas, mas seu resultado real foi outro: gerar imagens de caos controlado, capazes de circular instantaneamente nas redes, nas TVs e nos portais internacionais. A guerra h\u00edbrida, afinal, depende da visibilidade \u2014 sem imagem, n\u00e3o h\u00e1 medo; sem medo, n\u00e3o h\u00e1 consentimento.<\/p>\n<p id=\"viewer-vgrbh396\">O impacto simb\u00f3lico foi imediato. As cenas de granadas lan\u00e7adas por drones e das favelas cobertas por fuma\u00e7a n\u00e3o apenas criaram p\u00e2nico, mas legitimaram o discurso de exce\u00e7\u00e3o. Em poucas horas, escolas fecharam, \u00f4nibus pararam, e a cidade mergulhou em um estado de paralisia emocional. Esse \u00e9 o objetivo da opera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica: gerar percep\u00e7\u00e3o de perda de controle, mesmo quando o controle \u2014 militar e narrativo \u2014 est\u00e1 nas m\u00e3os de quem manipula a cena.<\/p>\n<p id=\"viewer-a5njw399\">Ao transformar a seguran\u00e7a p\u00fablica em espet\u00e1culo b\u00e9lico, o governo do Rio recriou a est\u00e9tica do medo, fundamento essencial das democracias sitiadas. As c\u00e2meras da imprensa, estrategicamente posicionadas, captaram n\u00e3o apenas o confronto, mas o argumento: \u201co Estado enfrenta terroristas\u201d. O que se transmite ao mundo, no entanto, \u00e9 outro enredo \u2014 o de um pa\u00eds em colapso, incapaz de governar seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p id=\"viewer-5bohd402\">A guerra h\u00edbrida se alimenta desse paradoxo: quanto mais o Estado aparece como forte, mais ele se revela vulner\u00e1vel; quanto mais promete seguran\u00e7a, mais fabrica inseguran\u00e7a. Essa \u00e9 a l\u00f3gica do espet\u00e1culo operacional \u2014 a guerra que precisa ser vista para cumprir sua fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<div id=\"outra-3781343519\" class=\"outra-meio-do-texto\">\n<div id=\"outra-809595196\"><a href=\"https:\/\/www.acasocultural.com\/\" aria-label=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/banner.jpg\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/banner.jpg 728w, \/&lt;a \/href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" banner-300x37.jpg\"=\"\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<h3 id=\"viewer-m6z56405\" class=\"wp-block-heading\"><strong>A engenharia discursiva: como se fabrica um inimigo interno<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-jjmh3408\">Nenhuma guerra h\u00edbrida se sustenta sem narrativa, e nenhuma narrativa se imp\u00f5e sem engenharia discursiva. No caso do \u201cnarcoterrorismo\u201d, o processo foi milimetricamente orquestrado: primeiro a imagem, depois o r\u00f3tulo, em seguida a viraliza\u00e7\u00e3o, e por fim, a legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p id=\"viewer-9r1kf411\">O ciclo come\u00e7a nas imagens. Drones, explos\u00f5es, correria, fuma\u00e7a \u2014 tudo registrado, editado e difundido em tempo real por canais oficiais e perfis aliados ao governo do Rio. O objetivo: criar o clima de guerra. Na sequ\u00eancia, surge a palavra-chave \u2014 \u201cnarcoterrorismo\u201d \u2014 pronunciada por uma autoridade e imediatamente reproduzida por toda a m\u00e1quina de comunica\u00e7\u00e3o bolsonarista. O termo n\u00e3o tem base legal, mas tem valor simb\u00f3lico. Ele transforma criminosos em \u201cinimigos do Estado\u201d e o Estado em \u201cbasti\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, invertendo completamente a l\u00f3gica jur\u00eddica e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p id=\"viewer-w5p1l414\">Essa ret\u00f3rica \u00e9 amplificada por um ecossistema previs\u00edvel: portais da extrema-direita, influenciadores que orbitam o bolsonarismo digital e ve\u00edculos internacionais predispostos a enquadrar o Brasil como \u201cpa\u00eds em colapso\u201d. A palavra \u00e9 o vetor. Quando o r\u00f3tulo chega \u00e0 Reuters, \u00e0 CNN en Espa\u00f1ol e ao El Pa\u00eds, ele j\u00e1 cumpre sua fun\u00e7\u00e3o \u2014 legitimar o medo como verdade global e transferir o eixo do debate do campo policial para o campo geopol\u00edtico.<\/p>\n<p id=\"viewer-x5sm8417\">A engenharia discursiva transforma a exce\u00e7\u00e3o em regra e o territ\u00f3rio perif\u00e9rico em laborat\u00f3rio de consenso. Ao batizar o crime como terrorismo, o poder local fabrica o inimigo perfeito: invis\u00edvel, interno e conveniente. \u00c9 assim que se sustenta a guerra h\u00edbrida \u2014 n\u00e3o pelo controle de armas, mas pelo controle das palavras.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-mykbx420\" class=\"wp-block-heading\"><strong>O prop\u00f3sito pol\u00edtico interno: o caos como estrat\u00e9gia de poder<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-kiou7423\">A fabrica\u00e7\u00e3o do caos \u00e9 uma velha t\u00e9cnica pol\u00edtica \u2014 e, no Brasil de 2025, voltou a ser um ativo eleitoral. O governo do Rio de Janeiro, ao transformar a seguran\u00e7a p\u00fablica em espet\u00e1culo, recria o ambiente de medo que alimenta o bolsonarismo e oferece \u00e0 extrema-direita o combust\u00edvel de que precisa para se manter relevante. Cada granada lan\u00e7ada, cada corpo exibido, cada manchete sobre \u201cnarcoterrorismo\u201d refor\u00e7a a narrativa de que apenas o autoritarismo pode devolver a ordem.<\/p>\n<p id=\"viewer-cacj1426\">O c\u00e1lculo \u00e9 c\u00ednico. Com as elei\u00e7\u00f5es municipais \u00e0 vista e o bolsonarismo enfraquecido nacionalmente, a extrema-direita busca um novo eixo de mobiliza\u00e7\u00e3o \u2014 e encontrou na \u201cguerra contra o crime\u201d o terreno ideal. Ao hiperbolizar a inseguran\u00e7a, cria-se a percep\u00e7\u00e3o de que o governo federal perdeu o controle, for\u00e7ando o presidente Lula a reagir sob a agenda discursiva do advers\u00e1rio. \u00c9 o mesmo m\u00e9todo usado nos Estados Unidos durante a \u201cWar on Drugs\u201d e na Col\u00f4mbia sob o pretexto do \u201cnarcoterror\u201d: a pol\u00edtica do medo como arma eleitoral e instrumento de subordina\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p id=\"viewer-3u1nn429\"><strong><em>Internamente, o discurso serve a tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es:<\/em><\/strong><\/p>\n<p id=\"viewer-bg941432\">1 \u2013 Blindar a incompet\u00eancia administrativa do Estado fluminense, desviando o foco das crises fiscal e social.<\/p>\n<p id=\"viewer-r3t8i435\">2 \u2013 Rearticular o campo bolsonarista sob uma bandeira moral e b\u00e9lica, agora travestida de \u201cdefesa do cidad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p id=\"viewer-ddtjh438\">3 \u2013 Provocar o governo federal a entrar no jogo da for\u00e7a, rompendo o equil\u00edbrio entre seguran\u00e7a p\u00fablica e direitos civis e apresentando Lula como \u201cfraco diante do crime\u201d.<\/p>\n<p id=\"viewer-o1lle441\">O caos, portanto, n\u00e3o \u00e9 um efeito colateral \u2014 \u00e9 o produto. A sensa\u00e7\u00e3o de desordem \u00e9 o terreno f\u00e9rtil da extrema-direita, e o Rio de Janeiro, mais uma vez, foi escolhido como laborat\u00f3rio. Sob o verniz de combate ao tr\u00e1fico, o que se ensaia \u00e9 uma guerra pol\u00edtica por narrativas: a disputa pela percep\u00e7\u00e3o de quem det\u00e9m a autoridade moral para usar a viol\u00eancia.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-iy4j8444\" class=\"wp-block-heading\"><strong>A porta para a inger\u00eancia externa: o regresso da Doutrina Monroe<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-n8a5k447\">Por tr\u00e1s do discurso de \u201cnarcoterrorismo\u201d, o que se reativa \u00e9 um velho projeto de subordina\u00e7\u00e3o hemisf\u00e9rica: a Doutrina Monroe, reciclada no s\u00e9culo XXI sob o disfarce de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o antiterrorismo\u201d. O termo n\u00e3o \u00e9 inocente. Quando uma autoridade brasileira chama fac\u00e7\u00f5es criminosas de \u201cnarcoterroristas\u201d, ela abre uma brecha jur\u00eddica e diplom\u00e1tica para que os Estados Unidos intervenham direta ou indiretamente sob o argumento da seguran\u00e7a regional.<\/p>\n<p id=\"viewer-1h6sj450\">Esse roteiro j\u00e1 foi testado. Nos anos 1990, a Col\u00f4mbia foi convertida em laborat\u00f3rio militar dos EUA sob o pretexto do \u201cPlano Col\u00f4mbia\u201d \u2014 uma parceria que prometia combater o narcotr\u00e1fico e acabou militarizando o pa\u00eds, ampliando o poder das ag\u00eancias americanas e subordinando a pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional \u00e0 l\u00f3gica da DEA e do Pent\u00e1gono. Hoje, o Rio de Janeiro cumpre fun\u00e7\u00e3o an\u00e1loga: criar o pretexto narrativo para que o Brasil volte a caber na mesma moldura de \u201camea\u00e7a hemisf\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p id=\"viewer-buaq7453\">N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que a ret\u00f3rica de Cl\u00e1udio Castro tenha ecoado, quase de imediato, em meios de comunica\u00e7\u00e3o e redes internacionais de seguran\u00e7a ligadas a Washington. O termo \u201cnarcoterrorismo\u201d permite associar o Brasil \u00e0 lista de pa\u00edses que exigem vigil\u00e2ncia especial \u2014 a antessala das san\u00e7\u00f5es, da espionagem e da coopera\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o de linguagem que antecede a opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: quem controla o nome, controla o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p id=\"viewer-vc0d4456\">Ao importar o l\u00e9xico da seguran\u00e7a norte-americana, o governo do Rio cede soberania narrativa e estrat\u00e9gica. Entrega o poder de definir o que \u00e9 amea\u00e7a e o que \u00e9 ordem; o que \u00e9 seguran\u00e7a e o que \u00e9 guerra. E quando um Estado abre essa porta, n\u00e3o \u00e9 ele quem decide quando ela ser\u00e1 fechada.<\/p>\n<p id=\"viewer-xnq8v459\">O \u201cnarcoterrorismo\u201d, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um equ\u00edvoco sem\u00e2ntico. \u00c9 o c\u00f3digo de ativa\u00e7\u00e3o de um sistema de inger\u00eancia j\u00e1 em funcionamento \u2014 o bra\u00e7o invis\u00edvel da guerra h\u00edbrida que transforma um discurso local em justificativa global para intervir, vigiar e enfraquecer o Brasil em nome da seguran\u00e7a.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-8q4rt462\" class=\"wp-block-heading\"><strong>A captura tecnol\u00f3gica: quando a seguran\u00e7a vira depend\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-7cz58465\">Toda guerra h\u00edbrida tem uma camada silenciosa: o c\u00f3digo. Por tr\u00e1s dos blindados e das granadas lan\u00e7adas de drones, existe uma rede de sistemas, contratos e plataformas que definem quem v\u00ea, quem decide e quem lucra com o controle do territ\u00f3rio. O discurso do \u201cnarcoterrorismo\u201d funciona aqui como porta de entrada para a entrega tecnol\u00f3gica, travestida de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p id=\"viewer-g4rom468\">As pol\u00edcias estaduais e federais brasileiras operam hoje com softwares, bancos de dados e ferramentas de vigil\u00e2ncia fornecidos por empresas estrangeiras \u2014 muitas delas ligadas diretamente ao complexo civil-militar dos Estados Unidos e de Israel. Sistemas de an\u00e1lise forense, monitoramento de redes, reconhecimento facial e intercepta\u00e7\u00e3o digital comp\u00f5em um ecossistema h\u00edbrido de seguran\u00e7a privatizada, em que o Estado brasileiro depende de infraestrutura, c\u00f3digo e manuten\u00e7\u00e3o estrangeiros. Essa \u00e9 a face invis\u00edvel da soberania capturada.<\/p>\n<p id=\"viewer-uko74471\">Quando um governo local aciona o l\u00e9xico do \u201cterrorismo\u201d, abre caminho para acordos diretos com essas corpora\u00e7\u00f5es, sob o argumento da urg\u00eancia e da \u201ccoopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d. \u00c9 o mesmo modelo aplicado em Bogot\u00e1, Manila e Kiev: a tecnologia entra como \u201cajuda\u201d, mas permanece como instrumento de tutela. Cada nova aquisi\u00e7\u00e3o, cada integra\u00e7\u00e3o de dados, reduz a autonomia operacional das for\u00e7as brasileiras e aumenta a capacidade de vigil\u00e2ncia de atores externos sobre o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p id=\"viewer-r7sbu474\">A guerra h\u00edbrida n\u00e3o precisa de tropas estrangeiras \u2014 basta o controle do software e da narrativa. O discurso do medo legitima o investimento estrangeiro na seguran\u00e7a p\u00fablica, e o investimento estrangeiro consolida o medo como pol\u00edtica permanente. \u00c9 um ciclo de depend\u00eancia retroalimentado, em que o Brasil fornece dados, abre infraestrutura e paga pela pr\u00f3pria subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p id=\"viewer-epwlm477\">No limite, o \u201cnarcoterrorismo\u201d \u00e9 o cavalo de Troia que converte a soberania informacional em moeda de troca, transformando o pa\u00eds em laborat\u00f3rio de teste para tecnologias de vigil\u00e2ncia de uso dual \u2014 civil e militar. O inimigo n\u00e3o est\u00e1 nas favelas, mas nos servidores que processam os dados sobre elas.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-vp1eb480\" class=\"wp-block-heading\"><strong>O quadro jur\u00eddico: a mentira legal e o discurso de exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-3remv483\">Nenhum pa\u00eds soberano pode aceitar que a linguagem do inimigo determine o seu pr\u00f3prio direito. O Brasil possui legisla\u00e7\u00e3o clara sobre terrorismo \u2014 e ela n\u00e3o inclui o tr\u00e1fico, o crime organizado ou fac\u00e7\u00f5es locais. A Lei 13.260\/2016, sancionada ap\u00f3s intenso debate no Congresso, define terrorismo como \u201catos motivados por extremismo pol\u00edtico, religioso, racial ou ideol\u00f3gico que provoquem terror social generalizado\u201d. Nada disso se aplica ao contexto fluminense. Ainda assim, o governador Cl\u00e1udio Castro e setores da extrema-direita insistem em importar a categoria estrangeira de \u201cnarcoterrorismo\u201d, um conceito sem valor jur\u00eddico e com alto valor geopol\u00edtico.<\/p>\n<p id=\"viewer-vd8tm486\">A opera\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica \u00e9 simples, mas letal: ao classificar criminosos como \u201cterroristas\u201d, o Estado ganha carta branca para suspender direitos, expandir a letalidade e excluir o controle civil sobre as for\u00e7as de seguran\u00e7a. Essa \u00e9 a ess\u00eancia do discurso de exce\u00e7\u00e3o \u2014 ele legitima a viol\u00eancia preventiva, autoriza o erro e naturaliza o dano colateral. O efeito psicol\u00f3gico \u00e9 devastador: transforma a popula\u00e7\u00e3o pobre, negra e perif\u00e9rica em potencial inimiga interna.<\/p>\n<p id=\"viewer-o953v489\">Por tr\u00e1s dessa distor\u00e7\u00e3o jur\u00eddica h\u00e1 um prop\u00f3sito estrat\u00e9gico: aproximar o Brasil da arquitetura normativa dos Estados Unidos, que permite a\u00e7\u00f5es extraterritoriais, san\u00e7\u00f5es e monitoramentos sob o pretexto de \u201ccombate ao terror\u201d. \u00c9 o mesmo expediente usado para justificar interven\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Central, no Oriente M\u00e9dio e nos B\u00e1lc\u00e3s \u2014 sempre em nome da seguran\u00e7a global.<\/p>\n<p id=\"viewer-glfd4492\">No plano interno, o \u201cnarcoterrorismo\u201d cria um estado de exce\u00e7\u00e3o permanente travestido de pol\u00edtica p\u00fablica. Sob esse manto, tudo se justifica: opera\u00e7\u00f5es sem transpar\u00eancia, pris\u00f5es em massa, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e conv\u00eanios diretos com ag\u00eancias estrangeiras. Trata-se de um atalho discursivo para contornar a Constitui\u00e7\u00e3o e reintroduzir o paradigma do inimigo \u2014 aquele que pode ser eliminado sem julgamento porque \u201cn\u00e3o faz parte da sociedade\u201d.<\/p>\n<p id=\"viewer-p4le6495\">A mentira legal \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da psyop: ao fazer o p\u00fablico acreditar que o pa\u00eds enfrenta \u201cterroristas\u201d, o Estado se autoriza a agir como pot\u00eancia ocupante dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio. E \u00e9 justamente a\u00ed que a democracia come\u00e7a a morrer \u2014 n\u00e3o pelo golpe militar, mas pelo consentimento sem\u00e2ntico.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-7bekp498\" class=\"wp-block-heading\"><strong>As consequ\u00eancias imediatas: a guerra interna e o risco de interven\u00e7\u00e3o externa<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-77dtl501\">A consequ\u00eancia mais imediata da farsa do \u201cnarcoterrorismo\u201d \u00e9 o retorno de uma velha patologia brasileira: a normaliza\u00e7\u00e3o da guerra interna contra o pr\u00f3prio povo. Quando o Estado passa a enxergar cidad\u00e3os como inimigos potenciais, a pol\u00edtica de seguran\u00e7a se transforma em pol\u00edtica de exterm\u00ednio. O resultado est\u00e1 nas estat\u00edsticas que nunca aparecem nas manchetes: corpos sem identifica\u00e7\u00e3o, lares destru\u00eddos, escolas fechadas e territ\u00f3rios ocupados permanentemente sob o pretexto da ordem.<\/p>\n<p id=\"viewer-pj0g0504\">Mas o efeito n\u00e3o se limita \u00e0 trag\u00e9dia local. Cada vez que um governador fala em \u201cterrorismo\u201d, o termo \u00e9 registrado por ag\u00eancias internacionais, indexado em bancos de risco e analisado por plataformas de monitoramento financeiro e diplom\u00e1tico. Em linguagem t\u00e9cnica, isso \u00e9 chamado de \u201csecuritiza\u00e7\u00e3o da imagem nacional\u201d \u2014 o processo que transforma problemas internos em amea\u00e7as globais. O pre\u00e7o \u00e9 alto: encarece o cr\u00e9dito, afugenta investimentos, desestabiliza o c\u00e2mbio e alimenta a percep\u00e7\u00e3o de fragilidade institucional.<\/p>\n<p id=\"viewer-0l7kf507\">No plano geopol\u00edtico, o discurso abre brecha para novas formas de inger\u00eancia, especialmente sob a doutrina norte-americana de \u201ccombate a amea\u00e7as h\u00edbridas e narcoterroristas\u201d. Uma simples palavra dita por uma autoridade estadual pode servir de base para san\u00e7\u00f5es, coopera\u00e7\u00f5es for\u00e7adas ou espionagem disfar\u00e7ada de assist\u00eancia t\u00e9cnica. \u00c9 o que se observa agora: em Washington, think tanks e comiss\u00f5es parlamentares j\u00e1 citam o Brasil como \u201cnovo foco de instabilidade\u201d \u2014 exatamente o tipo de narrativa que precede a penetra\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<p id=\"viewer-gg28i510\">Internamente, a opera\u00e7\u00e3o cumpre outra fun\u00e7\u00e3o: testar os limites da democracia brasileira. O aumento da letalidade, o uso de drones, a aus\u00eancia de per\u00edcia independente e o sil\u00eancio das autoridades federais revelam um pa\u00eds em estado de dessensibiliza\u00e7\u00e3o. O medo vira rotina, e a rotina anestesia o esc\u00e2ndalo. \u00c9 assim que uma opera\u00e7\u00e3o policial se converte em ensaio de guerra h\u00edbrida: pelo controle da emo\u00e7\u00e3o coletiva e pela naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como m\u00e9todo de governo.<\/p>\n<p id=\"viewer-uoykm513\">No campo simb\u00f3lico, o dano \u00e9 ainda mais profundo. A ideia de que o Brasil enfrenta \u201cterroristas\u201d legitima a militariza\u00e7\u00e3o das favelas, a vigil\u00e2ncia sobre movimentos sociais e o enfraquecimento de qualquer resist\u00eancia popular. O que come\u00e7a como exce\u00e7\u00e3o em um territ\u00f3rio perif\u00e9rico termina como norma nacional. Essa \u00e9 a arquitetura do autoritarismo moderno: n\u00e3o precisa de tanques nas ruas, apenas de medo nas telas.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-bkziz516\" class=\"wp-block-heading\"><strong>A contra-narrativa estrat\u00e9gica: como reconstruir a soberania do discurso<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-cguok519\">Toda guerra h\u00edbrida se vence primeiro no campo da linguagem. Antes das san\u00e7\u00f5es, antes das armas e antes das urnas, vem a disputa pelo significado das palavras. \u00c9 por isso que, diante da ofensiva \u201cnarcoterrorista\u201d, a rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica precisa come\u00e7ar pela reconstru\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. A palavra \u201cterrorismo\u201d n\u00e3o pode ser cedida \u00e0 extrema-direita, nem ao manual de Washington. \u00c9 preciso restitu\u00ed-la ao direito, \u00e0 verdade e \u00e0 soberania nacional.<\/p>\n<p id=\"viewer-kk0n7522\">A primeira medida \u00e9 reafirmar o ordenamento jur\u00eddico brasileiro: o Brasil n\u00e3o enfrenta terroristas, enfrenta criminosos \u2014 e essa diferen\u00e7a \u00e9 o que separa o Estado de Direito do estado de exce\u00e7\u00e3o. As fac\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam ideologia pol\u00edtica nem inten\u00e7\u00e3o de gerar p\u00e2nico social por motiva\u00e7\u00e3o extremista. Cham\u00e1-las de \u201cterroristas\u201d \u00e9 mentir por interesse geopol\u00edtico. \u00c9 preciso insistir nessa distin\u00e7\u00e3o at\u00e9 que se torne senso comum, porque ela define o limite entre governar e ocupar.<\/p>\n<p id=\"viewer-lxm8k525\">A segunda \u00e9 reconstruir o vocabul\u00e1rio da seguran\u00e7a p\u00fablica a partir da soberania informacional. Em vez de importar doutrinas prontas, o Brasil precisa formular sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de defesa digital e territorial \u2014 centrada em intelig\u00eancia p\u00fablica, controle de dados e transpar\u00eancia. Seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 espet\u00e1culo: \u00e9 pol\u00edtica de Estado. Cada contrato de software, cada parceria tecnol\u00f3gica e cada coopera\u00e7\u00e3o internacional deve responder \u00e0 l\u00f3gica da autonomia, n\u00e3o da depend\u00eancia.<\/p>\n<p id=\"viewer-klazs528\">A terceira \u00e9 quebrar o monop\u00f3lio narrativo da grande m\u00eddia e dos porta-vozes da exce\u00e7\u00e3o. A guerra h\u00edbrida \u00e9 uma guerra de percep\u00e7\u00e3o; portanto, exige uma comunica\u00e7\u00e3o soberana. Isso significa disputar as redes, formar novos repert\u00f3rios simb\u00f3licos e revelar o bastidor dos discursos. O ant\u00eddoto da psyop \u00e9 a verdade organizada \u2014 a contra-informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica capaz de desarmar o medo.<\/p>\n<p id=\"viewer-kkt4u531\">Por fim, \u00e9 necess\u00e1rio reafirmar o princ\u00edpio pol\u00edtico fundamental: a seguran\u00e7a n\u00e3o pode ser instrumento de domina\u00e7\u00e3o, mas de emancipa\u00e7\u00e3o. Combater o crime sem sacrificar direitos \u00e9 o verdadeiro desafio civilizat\u00f3rio. Enquanto o Brasil for induzido a lutar a guerra dos outros, continuar\u00e1 perdendo a sua pr\u00f3pria paz. A contra-narrativa come\u00e7a quando o pa\u00eds volta a se nomear com as suas pr\u00f3prias palavras.<\/p>\n<h3 id=\"viewer-0pbwa534\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o: o Brasil como alvo da guerra h\u00edbrida global<\/strong><\/h3>\n<p id=\"viewer-545ep537\">O que aconteceu no Rio de Janeiro n\u00e3o foi apenas uma opera\u00e7\u00e3o policial: foi um ensaio de guerra h\u00edbrida, testado em escala real, com todos os elementos cl\u00e1ssicos de uma psyop moderna \u2014 o espet\u00e1culo midi\u00e1tico, o p\u00e2nico social, a manipula\u00e7\u00e3o discursiva e o alinhamento autom\u00e1tico ao vocabul\u00e1rio de Washington. Sob o disfarce da seguran\u00e7a, o Estado fluminense executou uma opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de desestabiliza\u00e7\u00e3o, cujo verdadeiro alvo n\u00e3o \u00e9 o crime, mas o governo federal e a soberania do pa\u00eds.<\/p>\n<p id=\"viewer-d5h5k540\">Quando o Brasil aceita o r\u00f3tulo de \u201cnarcoterrorismo\u201d, entrega de bandeja o seu poder de narrar a si mesmo. Autoridades locais transformam o territ\u00f3rio nacional em vitrine de guerra para justificar depend\u00eancia tecnol\u00f3gica, parcerias assim\u00e9tricas e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a interfer\u00eancia estrangeira. \u00c9 o mesmo manual de sempre: primeiro o discurso, depois a doutrina, por fim a interven\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina \u00e9 escrita nesse ciclo.<\/p>\n<p id=\"viewer-aofpj543\">O que est\u00e1 em jogo agora \u00e9 mais profundo que uma disputa partid\u00e1ria \u2014 \u00e9 a pr\u00f3pria autonomia cognitiva do Estado brasileiro, a capacidade de definir quem somos, quem amea\u00e7a e quem defende. Essa batalha n\u00e3o se vence com fuzis nem com notas oficiais, mas com consci\u00eancia e soberania informacional. O Brasil precisa recuperar o dom\u00ednio da palavra antes que perca o dom\u00ednio do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p id=\"viewer-l6sjg546\">A resposta democr\u00e1tica deve ser clara: nenhuma narrativa importada pode definir o futuro de um pa\u00eds que ainda luta para ser dono de si. Reagir \u00e0 psyop n\u00e3o \u00e9 apenas um gesto de resist\u00eancia \u2014 \u00e9 um ato de independ\u00eancia.<\/p>\n<p id=\"viewer-89q7l549\">Nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos, a disputa continuar\u00e1: nas redes, nas institui\u00e7\u00f5es e no imagin\u00e1rio coletivo. Mas cada vez que o Brasil recusa o medo imposto, um peda\u00e7o de sua soberania \u00e9 reconquistado. E \u00e9 exatamente por isso que querem nos manter em guerra \u2014 porque a paz \u00e9 revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<div id=\"outra-763890130\" class=\"outra-depois-do-conteudo\">\n<div id=\"outra-2186530533\">\n<p><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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O site re\u00fane ensaios, artigos e experimenta\u00e7\u00f5es que cruzam comunica\u00e7\u00e3o, cultura digital, geopol\u00edtica e disputas simb\u00f3licas. Em constru\u00e7\u00e3o permanente, projeto abre espa\u00e7o para novas colabora\u00e7\u00f5es e prop\u00f5e-se como um lugar de elabora\u00e7\u00e3o compartilhada e enfrentamento<\/div>\n<p><\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>fonte:<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/rio-direita-planta-a-farsa-do-narcoterrorismo\/\">https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/rio-direita-planta-a-farsa-do-narcoterrorismo\/<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_838\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"838\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 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