{"id":839,"date":"2025-11-22T18:43:54","date_gmt":"2025-11-22T21:43:54","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2025\/11\/22\/cineasta-negra-pioneira-no-pais-adelia-sampaio-inspira-nova-geracao\/"},"modified":"2025-11-22T18:43:54","modified_gmt":"2025-11-22T21:43:54","slug":"cineasta-negra-pioneira-no-pais-adelia-sampaio-inspira-nova-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=839","title":{"rendered":"Cineasta negra pioneira no Brasil, Adelia Sampaio inspira nova gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-noticia full-width\">\n<div class=\"linha-fina-noticia\">BRASIL: Mineira denunciou hist\u00f3rias reais invisibilizadas por seu tempo<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\">\n<div class=\"autor-noticia\">Anna Karina de Carvalho &#8211; rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<div class=\"container-data rowflex\">\n<div class=\"data\">Publicado em 22\/11\/2025 &#8211; 10:20<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"local\">Rio de Janeiro<\/div>\n<\/div>\n<nav class=\"compartilhamento rowflex\"><\/nav>\n<\/div>\n<div class=\"capa-materia rel-position\">\n<figure data-wf-figure=\"1\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ivKvR8JMf15hZImf0dpSYfSqjqo=\/1170x700\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/17\/toms0027.jpg?itok=OpE0KJLc\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 17\/11\/2025 A cineasta Ad\u00e9lia Sampaio, homenageada na 7\u00aa Mostra Competitiva de Cinema Negro, durante entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" width=\"900\" height=\"538\" id=\"media-445046\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><figcaption class=\"credito-foto abs-position fullwidth\">\n<p>\u00a9 Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"block-tts-block-tts\" class=\"block block-tts\">\n<div class=\"content\">\n<div id=\"tts-container\" class=\"container-audio rel-position\">\n<div class=\"title abs-position\"><a href=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/248569.mp3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vers\u00e3o em \u00e1udio<\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"conteudo-noticia\">\n<p>A um m\u00eas de&nbsp;chegar aos 81 anos, a cineasta Adelia Sampaio conta&nbsp;uma&nbsp;vida marcada&nbsp;por rupturas, coragem e humor, com um papel hist\u00f3rico que inspira a produ\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds at\u00e9 hoje.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1668663&amp;o=node\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1668663&amp;o=node\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Em 1984, tornou-se a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, com&nbsp;<em>Amor Maldito<\/em>, um filme que ousou retratar um relacionamento entre duas mulheres em plena ditadura militar e enfrentou censura, machismo e aus\u00eancia total de financiamento.<\/strong><\/p>\n<h2>De&nbsp;Minas ao cinema russo<\/h2>\n<p>Nascida em Belo Horizonte, a cineasta passou parte da inf\u00e2ncia em um abrigo em Santa Luzia do Rio das Velhas (MG). Por determina\u00e7\u00e3o da patroa, a m\u00e3e, Guiomar, que era empregada dom\u00e9stica, entregou a menina \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, aos 7 anos.&nbsp;Hoje, Adelia revisita sua mem\u00f3ria&nbsp;com uma mistura de franqueza e ironia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEu fui criada num asilo, no interior do interior, sem nem saber que cinema existia\u201d, lembra.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Guiomar tinha se&nbsp;mudado&nbsp;para o Rio de Janeiro, com as duas filhas, para morar e trabalhar na casa da patroa, deixando para tr\u00e1s uma situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade. A&nbsp;virada simb\u00f3lica permanece na imagem que Ad\u00e9lia ainda guarda: \u201cA primeira coisa que eu vi foi o rel\u00f3gio da Central do Brasil\u201d, recorda.<\/p>\n<p><strong>Entretanto, a patroa n\u00e3o aceitou que a empregada trouxesse as meninas para sua casa e imp\u00f4s a separa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A patroa da minha m\u00e3e colocou a minha irm\u00e3 no col\u00e9gio interno, e minha m\u00e3e teve que me deixar em Minas novamente. Lembro bem das belas roupas que a patroa da minha m\u00e3e comprou na Loja Sears, na Praia de Botafogo, para que depois eu fosse para o asilo\u2019\u2019.<\/p>\n<p>A cineasta morou at\u00e9 os 12 anos no abrigo, e sua reuni\u00e3o com a fam\u00edlia e a entrada no cinema tiveram a ver com sua irm\u00e3 mais velha, Eliana.<\/p>\n<p>&#8221;Foi minha irm\u00e3&nbsp;Eliana, que trabalhava como revisora de filmes russos em uma distribuidora da Cinel\u00e2ndia, no centro do Rio, conseguiu convencer minha&nbsp;m\u00e3e a deixar o trabalho&nbsp;em casa de fam\u00edlia e me buscar em Minas&#8221;, conta emocionada.<\/p>\n<p>De volta ao Rio de Janeiro,&nbsp;bastou&nbsp;uma sess\u00e3o&nbsp;de cinema com a irm\u00e3 para Ad\u00e9lia mergulhar em um novo mundo:<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Eliana me levou com 13 anos ao cinema pela primeira vez, para assistir a&nbsp;Ivan, o Terr\u00edvel, de Sergei Eisenstein.&nbsp;Eu sa\u00ed encantada,&nbsp;feliz da vida, e falei:&nbsp;\u2018Eu vou fazer isso\u2019. Riram da minha cara, claro. Mas eu fiz\u201d, relembra.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Primeiros filmes<\/h2>\n<p>Ad\u00e9lia come\u00e7ou no cinema como recepcionista,&nbsp;nos anos 60, na Difilm [Distribuidora de Filmes Ltda.], que funcionava como uma produtora e distribuidora de filmes independentes no bairro da Cinel\u00e2ndia&nbsp;e tinha como s\u00f3cios grandes nomes do Cinema Novo como Glauber Rocha, e Leon Hirszman. Sua rotina, entretanto j\u00e1 envolvia uma s\u00e9rie de tarefas que s\u00e3o consideradas do escopo da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre trabalhos administrativos em distribuidoras e laborat\u00f3rios de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, Ad\u00e9lia aprendeu o of\u00edcio pela pr\u00e1tica, pelo improviso e pela persist\u00eancia.<\/p>\n<p>Ela conta que carregava negativos dentro de um embrulho de jornal&nbsp;e os guardava na geladeira azul de casa, onde tamb\u00e9m congelava carne: \u201cMe ensinaram que o negativo n\u00e3o estragava assim, ent\u00e3o eu guardava tudo ali\u201d.<\/p>\n<p><strong>Foi aos 22 anos que dirigiu&nbsp;<em>Den\u00fancia Vazia&nbsp;<\/em>(1979)<em>,<\/em>&nbsp;seu primeiro curta,&nbsp;sem recursos&nbsp;mas com a rede de confian\u00e7a e afeto constru\u00edda no meio cinematogr\u00e1fico.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 casada e m\u00e3e, ela montava seus filmes de madrugada, quando estavam dispon\u00edveis as cabines que hoje s\u00e3o chamadas de ilhas de edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A amiga e montadora Helza Fialho, que tinha acesso ao equipamento profissional, encorajava.&nbsp;\u201cVamos fazer de gra\u00e7a.&nbsp;Arranjo champanhe\u201d, dizia a amiga, segundo Adelia.<\/p>\n<h2>Pioneirismo<\/h2>\n<p>A ascens\u00e3o da cineasta se d\u00e1 em um contexto de quase completa aus\u00eancia de mulheres negras atr\u00e1s das c\u00e2meras. Quando questionada sobre as barreiras enfrentadas, ela resume com contund\u00eancia:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cSer mulher, negra e cineasta no Brasil \u00e9 ser bastarda tr\u00eas vezes. Deus deve ter olhado e dito: \u2018\u00c9 dela\u2019\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ainda assim, sua filmografia nasce justamente do lugar que a sociedade insistia em lhe negar: o da autoria, da assinatura, do controle narrativo.<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1980, em plena vig\u00eancia da censura na ditadura militar, Adelia decide filmar&nbsp;<em>Amor Maldito<\/em>. O roteiro \u00e9 inspirado em um caso real que havia ganhado as p\u00e1ginas policiais: um suposto romance entre duas mulheres, em que uma delas \u00e9&nbsp;encontrada morta ap\u00f3s um suic\u00eddio. A imprensa transformou o drama em espet\u00e1culo moralista, criminalizando a sobrevivente.<\/p>\n<p>Ad\u00e9lia mergulhou nos arquivos, conversou com envolvidos, escreveu a primeira vers\u00e3o do roteiro com o jornalista e escritor Jos\u00e9 Louzeiro. Ela&nbsp;sabia exatamente a rejei\u00e7\u00e3o que&nbsp;enfrentaria.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha certeza de que ningu\u00e9m ia me dar dinheiro para dirigir um filme sobre l\u00e9sbicas, suic\u00eddio e ainda com uma mulher negra atr\u00e1s da c\u00e2mera. Ent\u00e3o, fomos com a cara e a coragem.\u201d<\/p>\n<p><strong>Sem financiamento da Empresa Brasileira de Filmes S.A. (Embrafilme), empresa p\u00fablica que apoiava o cinema brasileiro e foi extinta em 1990, o longa foi realizado com apoio volunt\u00e1rio de atores, equipe t\u00e9cnica e amigos.<\/strong><\/p>\n<p>Para que fosse distribu\u00eddo, Adelia acabou aceitando que&nbsp;<em>Amor Maldito<\/em>&nbsp;fosse classificado como pornochanchada \u2014 categoria que, nos anos 1970 e 1980, garantia acesso \u00e0s salas de cinema, apesar do r\u00f3tulo estigmatizante.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha medo de ousar. Se o jeito de botar o filme na rua era esse, eu ia botar.\u201d<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/qGVtqQC8t6P83HIfpNLkhPm-Qpg=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/19\/toms0023.jpg?itok=s2jnPEF_\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 19\/11\/2025 A cineasta Ad\u00e9lia Sampaio, homenageada na 7\u00aa Mostra Competitiva de Cinema Negro, durante entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">A cineasta Ad\u00e9lia Sampaio, homenageada na 7\u00aa Mostra Competitiva de Cinema Negro, durante entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Hist\u00f3rias reais<\/h2>\n<p>Assim como o longa de estreia, sua&nbsp;filmografia \u00e9 atravessada por fatos ver\u00eddicos. O curta&nbsp;<em>Den\u00fancia Vazia<\/em>, por exemplo, nasce da hist\u00f3ria de um casal de idosos despejado ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o da lei da \u201cden\u00fancia vazia\u201d, que permitia ao propriet\u00e1rio recuperar o im\u00f3vel sem justificativa. Diante da impossibilidade de permanecer na casa onde viveram a vida inteira, os dois tiraram a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Adelia procurou atores que admirava, Rodolfo Arena e Catarina Bonacasse, e os convenceu a participar. \u201cTodo mundo dizia que eu era abusada. E eu era mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de estar no centro de um marco hist\u00f3rico do cinema brasileiro, Adelia s\u00f3 descobriu que era a primeira cineasta negra do pa\u00eds muitos anos ap\u00f3s a estreia de&nbsp;<em>Amor Maldito<\/em>. A revela\u00e7\u00e3o veio pela historiadora e cineasta Edileuza Penha de Souza, que encontrou seu nome em pesquisas sobre a participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras no audiovisual.<\/p>\n<p>\u201cEu nem sabia. Fiquei emocionada. Mas tamb\u00e9m pensei: que loucura um pa\u00eds esperar tanto por uma mulher negra atr\u00e1s da c\u00e2mera.\u201d<\/p>\n<p>Em 2016, Edileuza criou a Mostra de Cinema Negro Adelia Sampaio, hoje refer\u00eancia para novos realizadores e pesquisadores do cinema afro-brasileiro.<\/p>\n<p>A mostra chega \u00e0 s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o em 2025, enquanto a pr\u00f3pria Adelia se torna s\u00edmbolo de uma gera\u00e7\u00e3o de cineastas mulheres e negras que encontram em sua trajet\u00f3ria um ponto de partida.&nbsp;<\/p>\n<p>Embora fale publicamente sobre sua origem, Adelia \u00e9 categ\u00f3rica sobre sua linhagem paterna. \u201cSou filha de um dentista mineiro, Ad\u00e9lio. A fam\u00edlia dele me procurou agora. Eu n\u00e3o quis. Minha m\u00e3e me criou sozinha. Ele, n\u00e3o. N\u00e3o achei justo com ela.\u201d<\/p>\n<p><strong>Para ela, a identidade racial nunca esteve em d\u00favida.<\/strong>&nbsp;\u201cEu sempre soube que era negra. Por causa da minha madrinha, da minha fam\u00edlia. S\u00f3 n\u00e3o sabia que isso iria virar um entrave em tudo. Mas virou.\u201d<\/p>\n<p>Aos 80 anos, Adelia continua sendo refer\u00eancia para cineastas mulheres, negras, LGBTQIA+ e para toda uma gera\u00e7\u00e3o de realizadores que busca romper com padr\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o. Sua obra segue sendo exibida em mostras, escolas, circuitos de forma\u00e7\u00e3o e festivais no Brasil e no exterior. Mais do que pioneira, \u00e9 considerada uma cineasta que transformou sobreviv\u00eancia em est\u00e9tica, dor em narrativa e precariedade em pot\u00eancia criativa.<\/p>\n<p>Apesar disso, ela confessa que o cinema&nbsp;foi primeiro um susto, para que depois&nbsp;fosse uma decis\u00e3o em sua vida: \u201cSa\u00ed daquele cinema e disse: \u2018Eu vou fazer isso\u2019. E fiz.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2025-11\/primeira-cineasta-negra-do-pais-adelia-sampaio-inspira-nova-geracao\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2025-11\/primeira-cineasta-negra-do-pais-adelia-sampaio-inspira-nova-geracao<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 class=\"titulo-materia\"><\/h1>\n<div class=\"linha-fina-noticia\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_839\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"839\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 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