{"id":865,"date":"2026-03-30T08:57:15","date_gmt":"2026-03-30T11:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/2026\/03\/30\/revolta-de-barue-mocambicanos-em-luta-contra-o-colonialismo-portugues\/"},"modified":"2026-03-30T08:57:15","modified_gmt":"2026-03-30T11:57:15","slug":"revolta-de-barue-mocambicanos-em-luta-contra-o-colonialismo-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=865","title":{"rendered":"Revolta de Baru\u00e9: mo\u00e7ambicanos em luta contra o colonialismo portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhos exaustivos e alistamento para combater incurs\u00f5es das for\u00e7as alem\u00e3s geraram indigna\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em 1917<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"post__meta\">\n<div class=\"post__meta-info\"><span class=\"post__author\"><a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/autor\/estevam-silva\" class=\"post__author-link\">Estevam Silva<\/a>&nbsp;&#8211; Opera Mundi<br \/><\/span><a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/cidade\/sao-paulo\" class=\"post__city\">S\u00e3o Paulo<\/a>&nbsp;&#8211;&nbsp;<span class=\"post__date\">27 de mar\u00e7o de 2026, \u00e0s 17:00<\/span><\/div>\n<div class=\"post__share\">\n<div class=\"post__share-buttons\"><a href=\"https:\/\/app.vindi.com.br\/customer\/pages\/68c5de34-d5b2-4560-b0ca-db8e70ce05e4\/subscriptions\/new\" class=\"post__support-button\"><\/a><\/div>\n<p>H\u00e1 109 anos, em 27 de mar\u00e7o de 1917, eclodia em Mo\u00e7ambique a Revolta de Baru\u00e9, uma das mais importantes insurrei\u00e7\u00f5es contra o dom\u00ednio colonial de Portugal.<\/p>\n<p>O levante teve in\u00edcio no antigo Reino de Baru\u00e9, um dos \u00faltimos Estados africanos independentes no territ\u00f3rio de Mo\u00e7ambique, not\u00e1vel pela resist\u00eancia aguerrida contra o avan\u00e7o dos colonizadores.<\/p>\n<p>A revolta se estendeu at\u00e9 meados de 1918, quando os \u00faltimos focos insurgentes foram esmagados pelas tropas portuguesas. A repress\u00e3o foi brutal, deixando milhares de nativos mortos e centenas de vilarejos destru\u00eddos.<\/p>\n<h3>O Reino de Baru\u00e9<\/h3>\n<p>Localizado no Vale do Rio Zambeze, na \u00c1frica Meridional, o Reino de Baru\u00e9 surgiu como uma prov\u00edncia do Imp\u00e9rio Monomotapa, um Estado dos povos Xona que ocupava parte dos atuais territ\u00f3rios de Zimb\u00e1bue e Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Conforme a tradi\u00e7\u00e3o oral, os reis de Baru\u00e9 eram descendentes de Matope, filho do lend\u00e1rio rei Nyatsimba Mutota. Eles seriam respons\u00e1veis por criar uma poderosa dinastia, cujos governantes eram conhecidos pelo t\u00edtulo real de Makombe.<\/p>\n<p>Incomodados com a cobran\u00e7a abusiva de tributos, os Makombe decidiram se separar do Imp\u00e9rio Monomotapa. Assim, no in\u00edcio do s\u00e9culo 17, Baru\u00e9 se tornou um reino independente, governado a partir de Missongue, a antiga capital.<\/p>\n<div id=\"contr-15159961\" class=\"contr-conteudo_6\"><a href=\"https:\/\/operamundi.com.br\/apoio\/\" data-analytics-click data-analytics-category=\"click_area\" data-analytics-action=\"editorial-v4\" data-analytics-label=\"geral\" aria-label=\"C\u00f3pia de beneficios-v4-920\u00d7250\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/copia-de-beneficios-v4-920x250-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" srcset=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/copia-de-beneficios-v4-920x250-1.jpg 920w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" copia-de-beneficios-v4-920x250-1-300x82.jpg\"=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<p>A emancipa\u00e7\u00e3o do Reino de Baru\u00e9 ocorreu em paralelo com a intensifica\u00e7\u00e3o das ofensivas coloniais portuguesas no Vale do Zambeze. Inicialmente, os portugueses tentaram estabelecer o controle sobre a regi\u00e3o impondo o sistema dos \u201cprazos\u201d \u2014 concess\u00f5es de terras feitas pela Coroa Portuguesa para mercadores, exploradores e soldados, que se estendiam por tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diversas expedi\u00e7\u00f5es portuguesas tentaram dominar o Reino de Baru\u00e9, mas foram neutralizadas pela forte resist\u00eancia militar dos nativos e prejudicadas pelas disputas internas entre os pr\u00f3prios colonizadores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter um ex\u00e9rcito bem organizado, o Reino de Baru\u00e9 controlava rotas comerciais estrat\u00e9gicas e dominava o com\u00e9rcio local do ouro de aluvi\u00e3o, do marfim e, mais tarde, da cera de abelha.<\/p>\n<p>Essas atividades econ\u00f4micas fortaleciam a economia do reino e financiavam a aquisi\u00e7\u00e3o de armas modernas, possibilitando que Baru\u00e9 mantivesse sua autonomia mesmo quando o Imp\u00e9rio Monomotapa come\u00e7ava a entrar em colapso e a sucumbir \u00e0s ofensivas coloniais.<\/p>\n<h3>A conquista portuguesa<\/h3>\n<p>O dom\u00ednio colonial de Portugal sobre Mo\u00e7ambique ganhou for\u00e7a no fim do s\u00e9culo 19, ap\u00f3s ser legitimado e respaldado pela partilha da \u00c1frica, acordada pelas pot\u00eancias europeias durante a Confer\u00eancia de Berlim (1884-1885).<\/p>\n<p>Visando fortalecer sua reivindica\u00e7\u00e3o sobre os territ\u00f3rios africanos, Portugal intensificou as ofensivas militares contra as chefaturas e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nativas, lan\u00e7ando as chamadas \u201cCampanhas de Pacifica\u00e7\u00e3o e Ocupa\u00e7\u00e3o\u201d. Seguiram-se v\u00e1rios confrontos extremamente violentos, resultando no massacre de milhares de mo\u00e7ambicanos.<\/p>\n<p>A conquista de Baru\u00e9 era vista por Portugal como uma miss\u00e3o priorit\u00e1ria. Al\u00e9m de suas riquezas e de sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, Baru\u00e9 era o epicentro da resist\u00eancia contra o dom\u00ednio colonial. Os governantes de Baru\u00e9 eram conhecidos por apoiar os chefes rebeldes locais, fornecendo armas e soldados para lutar contra os portugueses.<\/p>\n<p>Os conflitos na regi\u00e3o tamb\u00e9m preocupavam os portugueses em fun\u00e7\u00e3o da proximidade com a fronteira com a Rod\u00e9sia Brit\u00e2nica. A instabilidade regional poderia ser evocada como um pretexto para que os ingleses avan\u00e7assem sobre as col\u00f4nias portuguesas \u2014 em especial a regi\u00e3o de Manica, h\u00e1 muito tempo cobi\u00e7ada pela Coroa Brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, os portugueses tentaram controlar Baru\u00e9 indiretamente, por meio da Companhia de Mo\u00e7ambique, uma companhia majest\u00e1tica que j\u00e1 detinha o dom\u00ednio sobre Manica e Sofala. Diante da resist\u00eancia dos nativos, os colonizadores lan\u00e7aram uma s\u00e9rie de expedi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os combatentes de Baru\u00e9 conseguiram resistir aos avan\u00e7os portugueses nas Batalhas de Chideu e Mafunda. Em 1890, a pris\u00e3o de Manuel Ant\u00f3nio de Sousa pelas tropas brit\u00e2nicas deu a Makombe Hanga, o rei de Baru\u00e9, a possibilidade de estabelecer alian\u00e7as militares com chefes aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>Makombe Hanga tamb\u00e9m recebeu ajuda de um \u201csvikiro\u201d, um m\u00e9dium Xona a quem se atribu\u00eda a capacidade m\u00edstica de transformar as balas dos inimigos em \u00e1gua \u2014 uma lenda que impulsionou a ades\u00e3o de volunt\u00e1rios \u00e0s for\u00e7as insurgentes.<\/p>\n<p>Apesar da luta aguerrida dos nativos, as tropas portuguesas eram mais numerosas e bem equipadas. Em julho de 1902, o oficial portugu\u00eas Jo\u00e3o de Azevedo Coutinho liderou uma enorme expedi\u00e7\u00e3o colonial com cerca de 16.000 soldados, incluindo tropas regulares e sipaios africanos.<\/p>\n<p>A campanha se estendeu por cerca de tr\u00eas meses, terminando com a derrota das for\u00e7as de Makombe Hanga. O Reino de Baru\u00e9 deixou de existir como entidade pol\u00edtica independente, sendo dividido em chefaturas e plenamente integrado aos dom\u00ednios coloniais de Portugal em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<h3>A Revolta de Baru\u00e9<\/h3>\n<p>A conquista do Reino de Baru\u00e9 permitiu que Portugal consolidasse e fortalecesse a administra\u00e7\u00e3o colonial em Mo\u00e7ambique, mas n\u00e3o impediu o acirramento das tens\u00f5es. Expropriados de suas terras e submetidos aos abusos dos colonizadores, os nativos seguiam ansiando fortemente por uma insurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Milhares de habitantes de Baru\u00e9 foram for\u00e7ados ao trabalho escravo nas lavouras, nas minas e nas obras de infraestrutura tocadas pela metr\u00f3pole. A popula\u00e7\u00e3o civil se tornou alvo constante da viol\u00eancia das tropas coloniais, com in\u00fameros registros de massacres e estupros de mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As terras dos camponeses foram expropriadas pela Companhia de Mo\u00e7ambique e redistribu\u00eddas entre os colonizadores. Privados de seus meios de subsist\u00eancia, os nativos enfrentaram a fome e a mis\u00e9ria. Milhares de pessoas foram for\u00e7adas a deixar Baru\u00e9 em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida na Rod\u00e9sia do Sul e no Transvaal.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agravou ainda mais a partir de 1914, ap\u00f3s a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial. Lutando ao lado dos Aliados, Portugal intensificou a extra\u00e7\u00e3o de recursos e o recrutamento for\u00e7ado de mo\u00e7ambicanos para apoiar o esfor\u00e7o de guerra.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma estrada cortando o territ\u00f3rio de Baru\u00e9, utilizando trabalho compuls\u00f3rio e permeada por deslocamentos e ataques violentos contra a popula\u00e7\u00e3o local, causou indigna\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o. Igualmente revoltante foi o alistamento compuls\u00f3rio de nativos mo\u00e7ambicanos para combater as incurs\u00f5es das for\u00e7as alem\u00e3s vindas da Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Decididas a lutar contra o dom\u00ednio de Portugal, as lideran\u00e7as pol\u00edticas de Baru\u00e9 articularam um movimento insurgente. A revolta ganharia dimens\u00e3o multi\u00e9tnica, unificando grupos e lideran\u00e7as rivais no esfor\u00e7o comum para expulsar os colonizadores.<\/p>\n<p>Entre os comandantes da revolta estavam Nongue-Nongue, filho ou irm\u00e3o do rei Makombe Hanga, e Makosa, possivelmente seu primo e rival na disputa pelo trono de Baru\u00e9. A coes\u00e3o do movimento foi em grande parte mantida gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de Mbuya, l\u00edder espiritual de Baru\u00e9 e uma das principais mobilizadoras das massas.<\/p>\n<p>A Revolta de Baru\u00e9 teve in\u00edcio em 27 de mar\u00e7o de 1917. Ap\u00f3s reunir um ex\u00e9rcito com aproximadamente 15 mil combatentes, os rebeldes lan\u00e7aram um ataque contra as instala\u00e7\u00f5es portuguesas em Chemba, Tambara e Chiramba. Eles receberam amplo apoio dos camponeses, que iniciaram revoltas em Sena e Tonga.<\/p>\n<p>Os rebeldes de Baru\u00e9 prosseguiram a ofensiva empregando tr\u00eas frentes simult\u00e2neas. A primeira, chefiada por Nongue-Nongue e Cuedzani, avan\u00e7ou rumo \u00e0s regi\u00f5es de Mungari e Tete. A segunda, liderada pelos chefes Tauara, N\u2019senga e Chicunda, atacou as tropas portuguesas em Zumbo e Cachomba. A terceira frente, comandada por Makosa e N\u2019garu, atacou instala\u00e7\u00f5es da Companhia de Mo\u00e7ambique e partiu para a captura de Sena.<\/p>\n<div id=\"attachment_250624\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/revolta-de-barue.webp\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" srcset=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/revolta-de-barue.webp 442w, &lt;a href=\" alt=\"\" wp-content=\"\" revolta-de-barue-300x228.webp\"=\"\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-250624\" class=\"wp-caption-text\">Guerreiros de Baru\u00e9.<br \/>R\u00e1dio Mo\u00e7ambique<\/p>\n<\/div>\n<h3>A repress\u00e3o<\/h3>\n<p>At\u00e9 o fim de maio de 1917, os revolucion\u00e1rios de Baru\u00e9 acumularam uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias contra as for\u00e7as portuguesas, estendendo o seu controle sobre parte substancial do territ\u00f3rio mo\u00e7ambicano e expulsando dezenas de milhares de colonizadores.<\/p>\n<p>O governo portugu\u00eas reagiu mobilizando mais de 30.000 soldados, apoiados por artilharia pesada, com metralhadoras e canhoneiras no Rio Zambeze. Contando com superioridade b\u00e9lica e num\u00e9rica, o Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas acabaria por subjugar as for\u00e7as rebeldes, prejudicadas tamb\u00e9m pelas disputas internas entre as lideran\u00e7as de Baru\u00e9.<\/p>\n<p>Derrotado em uma batalha em Mungari, Nongue-Nongue foi for\u00e7ado a fugir para a Rod\u00e9sia do Sul. Makosa ent\u00e3o se autoproclamou Makombe de Baru\u00e9 e assumiu a lideran\u00e7a do movimento insurgente, instalando uma c\u00e9lula revolucion\u00e1ria nas montanhas pr\u00f3ximas \u00e0 fronteira rodesiana.<\/p>\n<p>Makombe Makosa conseguiu prolongar a revolta at\u00e9 o ano seguinte e chegou a conduzir ataques bem sucedidos aos postos portugueses em Macanga, Changara e Catandica. Em meados de 1918, no entanto, ele seria derrotado em um potente ataque-surpresa perpetrado pelas tropas coloniais.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o foi extremamente violenta. Centenas de aldeias foram destru\u00eddas, planta\u00e7\u00f5es foram queimadas e milhares de mo\u00e7ambicanos foram assassinados pelas tropas portuguesas. A despeito da viol\u00eancia colonial, alguns focos insurgentes seguiram sendo organizados at\u00e9 1920, quando foram definitivamente debelados.<\/p>\n<p>Apesar da derrota, a Revolta de Baru\u00e9 teve o papel importante de demonstrar a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o local, inspirando novos movimentos insurgentes e servindo como precursora das lutas pela liberta\u00e7\u00e3o que culminaram na independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique em 1975.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/pensar-a-historia\/revolta-de-barue-mocambicanos-em-luta-contra-o-colonialismo-portugues\/\">https:\/\/operamundi.uol.com.br\/pensar-a-historia\/revolta-de-barue-mocambicanos-em-luta-contra-o-colonialismo-portugues\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_865\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"865\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 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