{"id":3679,"date":"2026-05-25T17:03:23","date_gmt":"2026-05-25T20:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3679"},"modified":"2026-05-25T17:03:28","modified_gmt":"2026-05-25T20:03:28","slug":"localizando-a-maternidade-no-modo-de-producao-capitalista-um-dialogo-a-partir-de-leopoldina-fortunati","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/localizando-a-maternidade-no-modo-de-producao-capitalista-um-dialogo-a-partir-de-leopoldina-fortunati\/","title":{"rendered":"Localizando a maternidade no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista: um di\u00e1logo a partir de Leopoldina Fortunati"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&#8220;O capital transformou o corpo da mulher [\u2026] em uma \u2018m\u00e1quina\u2019 de produ\u00e7\u00e3o de trabalhadores, de novas for\u00e7as de trabalho&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em&nbsp;10\/05\/2026&nbsp;\/\/&nbsp;<a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/\">Blog BOITEMPO<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image.png?w=770\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f4ster da campanha por sal\u00e1rios para o trabalho dom\u00e9stico, nos Estados Unidos. Imagem:&nbsp;<a href=\"https:\/\/ca.wikipedia.org\/wiki\/Salari_per_al_treball_dom%C3%A8stic#\/media\/Fitxer:The_Women_of_the_World_are_Serving_Notice!.jpg\">Wikimedia Commons<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Feminismo\/ana_clara_ferrari.jpg\" alt=\"ana clara ferrari\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h3 id=\"por-ana-clara-ferrari\" class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Por Ana Clara Ferrari<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em&nbsp;<em><strong><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-arcano-da-reproducao-153152?srsltid=AfmBOopLOGm0XCwWGrsNNjuwdEehEX6Gbri0b52o2nJ8ZePcZw5ernUC\">O arcano da reprodu\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/em>, Leopoldina Fortunati refaz uma an\u00e1lise do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que classicamente foi dividido por Marx entre produ\u00e7\u00e3o de mercadorias (campo produtivo, que gera valor) e reprodu\u00e7\u00e3o social (campo improdutivo, que n\u00e3o gera valor), redesenhando essa duplicidade e redefinindo o terreno da centralidade ao considerar que a reprodu\u00e7\u00e3o social \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de valor, sendo parte integrante e crucial do ciclo capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa cr\u00edtica que aponta para a centralidade da reprodu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m feita de outras formas por feministas como Silvia Federici e at\u00e9 mesmo Gerda Lerner, refor\u00e7a a compreens\u00e3o de que \u201ca duplicidade \u00e9 o elemento que permite que esse modo de produ\u00e7\u00e3o [capitalista] exista e funcione, [\u2026] porque lhe permite funcionar de forma muito mais produtiva do que os modos de produ\u00e7\u00e3o anteriores\u201d (Fortunati, 2025, p. 23). Em outras palavras, n\u00e3o existiria produ\u00e7\u00e3o de mercadorias sem a reprodu\u00e7\u00e3o social e, mais do que isso, \u00e9 justamente essa divis\u00e3o que permite a maior explora\u00e7\u00e3o de mais-valor no campo produtivo, j\u00e1 que \u00e9 por meio do trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o que se transferem ao \u201coper\u00e1rio\u201d as condi\u00e7\u00f5es para exercer a capacidade de sua mercadoria \u2013 a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 aqui, o feminismo, de maneira geral, e o feminismo marxista, em particular, conseguiram historicamente avan\u00e7ar bastante em formula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, pol\u00edticas e pr\u00e1ticas. Embora ainda haja ecos jur\u00e1ssicos da fal\u00e1cia da hierarquiza\u00e7\u00e3o entre luta de classes e luta das mulheres, a compreens\u00e3o sobre a correla\u00e7\u00e3o da luta das mulheres trabalhadoras contra o patriarcado e o capitalismo tem delimitado o escopo das agendas feministas mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, \u00e9 poss\u00edvel (e necess\u00e1rio) avan\u00e7armos ainda mais no desvelamento do n\u00facleo de sustenta\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, de modo a entender precisamente onde se localiza e qual o papel da maternidade nesse sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, a rela\u00e7\u00e3o de troca entre o oper\u00e1rio e o capital \u00e9 mais evidente. N\u00e3o por acaso, \u00e9 o caminho por onde Marx trilha a maior parte de suas an\u00e1lises. J\u00e1 na reprodu\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m de ser tida como \u201cprocesso natural\u201d (vamos tratar disso mais \u00e0 frente), \u00e9 comum que se associem as rela\u00e7\u00f5es de troca a uma rela\u00e7\u00e3o entre \u201co homem e a mulher\u201d, porque \u00e9 essa sua apar\u00eancia. Por\u00e9m, na realidade, essa rela\u00e7\u00e3o se d\u00e1 entre a mulher e o capital, por meio dos homens, enfatiza Leopoldina. Porque embora a reprodu\u00e7\u00e3o social apresente-se como a cria\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-valor, \u00e9 a l\u00f3gica \u00fanica da duplicidade (valor\/n\u00e3o-valor) que permite ao capitalismo usar tanto a produ\u00e7\u00e3o quanto a reprodu\u00e7\u00e3o como aspectos do processo de valoriza\u00e7\u00e3o, para explorar tanto o trabalho fabril quanto dom\u00e9stico na cria\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c[\u2026] o capitalista n\u00e3o pode ter a oper\u00e1ria da casa trabalhando sob seu controle direto, mas deve necessariamente servir-se do oper\u00e1rio como mediador do controle sobre ela. Caso contr\u00e1rio, ele n\u00e3o seria mais capaz de estabelecer o trabalho dom\u00e9stico como a for\u00e7a natural do trabalho social.\u201d&nbsp;<\/em><strong>\u2013 Leopoldina Fortunati<\/strong>&nbsp;em&nbsp;<em><strong><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-arcano-da-reproducao-153152?srsltid=AfmBOopLOGm0XCwWGrsNNjuwdEehEX6Gbri0b52o2nJ8ZePcZw5ernUC\">O arcano da reprodu\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/em>, p. 120.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, temos at\u00e9 agora tr\u00eas avan\u00e7os estrat\u00e9gicos na compreens\u00e3o do papel da reprodu\u00e7\u00e3o social no cerne do capitalismo: 1) gera valor, portanto, produz uma mercadoria; 2) o capitalismo s\u00f3 opera por meio da duplicidade (produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o); 3) a reprodu\u00e7\u00e3o social realiza-se na rela\u00e7\u00e3o entre a mulher e o capital (e n\u00e3o entre homens e mulheres).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez refor\u00e7ada a centralidade da reprodu\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00f3 para a emerg\u00eancia do capitalismo, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria exist\u00eancia desse modo de produ\u00e7\u00e3o; e a centralidade das mulheres na sustenta\u00e7\u00e3o do n\u00facleo que mant\u00e9m esse sistema vivo, podemos avan\u00e7ar no funcionamento e na complexidade da maternidade dentro do campo reprodutivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A maternidade no centro da reprodu\u00e7\u00e3o social e da produ\u00e7\u00e3o de valor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<em>O trabalho \u2018dom\u00e9stico\u2019, como atividade consistente com sua finalidade, \u00e9 trabalho para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Ou seja, a finalidade e o produto do trabalho \u2018dom\u00e9stico\u2019 s\u00e3o a for\u00e7a de trabalho.<\/em>\u201d&nbsp;<strong>\u2013 Leopoldina Fortunati<\/strong>&nbsp;em&nbsp;<em><strong><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-arcano-da-reproducao-153152?srsltid=AfmBOopLOGm0XCwWGrsNNjuwdEehEX6Gbri0b52o2nJ8ZePcZw5ernUC\">O arcano da reprodu\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/em>, p. 119.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a reprodu\u00e7\u00e3o social \u00e9 parte indissoci\u00e1vel do n\u00facleo central de exist\u00eancia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista; se dentro da reprodu\u00e7\u00e3o social, as mulheres s\u00e3o centrais porque estabelecem rela\u00e7\u00e3o direta com o capital; a maternidade \u00e9 o centro nevr\u00e1lgico desse sistema, n\u00e3o s\u00f3 pelas raz\u00f5es inerentes ao campo da reprodu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque ela garante a exist\u00eancia e a renova\u00e7\u00e3o do campo da produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, sem ela, tudo rui. A maternidade, portanto, a partir da perspectiva cr\u00edtica proposta por Fortunati, pode e deve ser entendida como o \u00e1tomo-s\u00edntese do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, tanto compreendida como criadora de valor quanto como produtora da for\u00e7a de trabalho por meios materiais e imateriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aparentemente, voc\u00ea pode achar que, no campo da reprodu\u00e7\u00e3o social, causamos uma confus\u00e3o entre trabalho dom\u00e9stico e maternidade. E \u00e9 precisamente aqui que vamos desvelar mais uma camada de aprofundamento da compreens\u00e3o do funcionamento do n\u00facleo do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fins de discuss\u00e3o, a autora de&nbsp;<em><strong><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/o-arcano-da-reproducao-153152?srsltid=AfmBOopLOGm0XCwWGrsNNjuwdEehEX6Gbri0b52o2nJ8ZePcZw5ernUC\">O arcano da reprodu\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/em>&nbsp;distingue a produ\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho de sua reprodu\u00e7\u00e3o, pois embora sejam processos distintos, o primeiro n\u00e3o vive sem o segundo. E vamos acompanhar seu racioc\u00ednio comprovando como a maternidade \u00e9 central em ambos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho, a centralidade da maternidade \u00e9 mais evidente porque envolve justamente gerar os indiv\u00edduos que ser\u00e3o explorados pelo capital, da forma mais literal poss\u00edvel: parindo gente, o que consiste em dois momentos, a procria\u00e7\u00e3o e a gesta\u00e7\u00e3o. Ambos pressup\u00f5em a exist\u00eancia da figura materna (ou, no caso da procria\u00e7\u00e3o, de algu\u00e9m que exer\u00e7a o papel que se espera de uma m\u00e3e). Na gesta\u00e7\u00e3o, seu corpo \u00e9 mat\u00e9ria-prima e o pr\u00f3prio meio de trabalho e culmina em um novo produto, ou seja, em uma nova for\u00e7a de trabalho. Portanto, o meio de produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho \u00e9 inerente ao corpo da mulher (no caso, da m\u00e3e). Podemos dizer, ent\u00e3o, que \u201cno momento do nascimento, o indiv\u00edduo geralmente incorporou nove meses de trabalho da m\u00e3e\u201d (Fortunati, 2025, p. 121).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a for\u00e7a de trabalho n\u00e3o deve ser considerada uma \u201cmat\u00e9ria natural transferida ao organismo humano\u201d como sugere Marx, mas sim o resultado do trabalho de fatores objetivos e pessoais das mulheres que se tornam m\u00e3es. Ainda que tenhamos clareza de que for\u00e7a de trabalho n\u00e3o \u00e9 uma coisa nem um objeto palp\u00e1vel, ela n\u00e3o existe \u00e0 parte do indiv\u00edduo que a det\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mulheres gestam e d\u00e3o \u00e0 luz desde que o mundo \u00e9 mundo. Nesse sentido, obviamente, o capitalismo n\u00e3o transformou a maneira como o trabalho das m\u00e3es, sobretudo no gestar, \u00e9 realizado (embora possamos dizer que interfere bastante, ainda que o cerne fisiol\u00f3gico permane\u00e7a); mas ele transformou a rela\u00e7\u00e3o entre as mulheres e seus corpos, retirou das mulheres o poder de controlar os pr\u00f3prios corpos, o pr\u00f3prio \u00fatero e, consequentemente, a pr\u00f3pria vida. Nas palavras de Fortunati, \u201c[\u2026] o capital transformou o corpo da mulher [\u2026] em uma \u2018m\u00e1quina\u2019 de produ\u00e7\u00e3o de trabalhadores, de novas for\u00e7as de trabalho\u201d (p. 122).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas formula\u00e7\u00f5es feministas, aprendemos rapidamente a colocar o p\u00e9 no ch\u00e3o e n\u00e3o destilar conceitos sem materializ\u00e1-los na concretude da vida cotidiana, porque \u00e9 justamente esse descolamento (proposital ou n\u00e3o) que historicamente tem invisibilizado e dificultado o aprofundamento da compreens\u00e3o sobre o papel da reprodu\u00e7\u00e3o social no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e, consequentemente, interditado a agenda pol\u00edtica das mulheres, assim como, de modo mais espec\u00edfico, a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas para a maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que as m\u00e3es gestam, d\u00e3o \u00e0 luz e criam novos trabalhadores, esse processo n\u00e3o acontece descolado das necessidades materiais e imateriais de reprodu\u00e7\u00e3o. Para completar o ciclo produtivo da for\u00e7a de trabalho, as mulheres m\u00e3es devem estar inseridas em um sistema de reprodu\u00e7\u00e3o social, que engloba o trabalho dom\u00e9stico, para garantir a pr\u00f3pria exist\u00eancia, a exist\u00eancia de sua prole e de um eventual trabalhador assalariado, seu companheiro. (Aqui, poder\u00edamos ir mais a fundo, colocando o trabalho dom\u00e9stico como o pilar de sustenta\u00e7\u00e3o desse sistema, de tal modo que o capitalismo \u00e9 capaz de evocar um ideal de maternidade basicamente inating\u00edvel, sem contudo abrir m\u00e3o do processo an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, seja ele realizado pela pr\u00f3pria oper\u00e1ria do n\u00facleo familiar ou terceirizado, na maior parte das vezes para uma mulher racializada).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A realiza\u00e7\u00e3o do produto \u201cfor\u00e7a de trabalho\u201d pressup\u00f5e anos de dedica\u00e7\u00e3o e trabalho material e imaterial, porque beb\u00eas humanos n\u00e3o nascem prontos para se consolidarem enquanto capacidade produtiva. E at\u00e9 mesmo os adultos, no caso dos homens (ou do oper\u00e1rio, para usar os termos de Fortunati), com sua capacidade produtiva em pleno funcionamento, precisam desse trabalho constante e incessante relacionado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o social e ao cuidado da vida \u2013 centrado majoritariamente no trabalho dom\u00e9stico e de cuidado \u2013 para que possam realizar a sua finalidade prim\u00e1ria no capitalismo: produzir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, para al\u00e9m do trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o social necess\u00e1rio enquanto a for\u00e7a de trabalho reside no indiv\u00edduo (o exaustivo, repetitivo e infinito trabalho dom\u00e9stico para que o oper\u00e1rio se levante todos os dias e continue sendo explorado), existe um ac\u00famulo de trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o social neste pr\u00f3prio indiv\u00edduo, desde o momento em que ele \u00e9 gerado at\u00e9 que ele desenvolva a sua capacidade reprodutiva \u2013 e quem realiza majoritariamente esse trabalho acumulado sobre o indiv\u00edduo para que ele se realize enquanto promessa no sistema capitalista s\u00e3o as m\u00e3es (ou, em menor escala, tutores respons\u00e1veis que cumprem a fun\u00e7\u00e3o de maternar). Nesse aspecto, podemos concluir que, quando falamos dessa \u201cparte do processo de trabalho dom\u00e9stico, relacionada \u00e0&nbsp;<em>reprodu\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/em>da for\u00e7a de trabalho\u201d (Fortunati, 2025, p. 129), estamos basicamente falando de trabalho materno, de mulheres m\u00e3es, de maternidade, em toda a sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gestar, cuidar, amamentar, alimentar, criar. Todos esses s\u00e3o processos materiais que envolvem satisfazer as necessidades b\u00e1sicas e objetivas de sobreviv\u00eancia do ser humano. Mas n\u00e3o s\u00f3, a autora destaca tamb\u00e9m os processos imateriais \u2013 que envolvem satisfazer as demandas subjetivas do indiv\u00edduo \u2013 no \u00e2mbito do afeto, das emo\u00e7\u00f5es, da cultura, da sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro dessa perspectiva imaterial, podemos separar duas abordagens interrelacionadas. A primeira diz respeito \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o social do n\u00facleo familiar e da pr\u00f3pria individualidade da m\u00e3e \u2013 a autora explica que nesses casos as mat\u00e9rias-primas e os meios de trabalho coincidem com a oper\u00e1ria da casa, em sua totalidade de indiv\u00edduo, em seu&nbsp;<em>corpo e alma<\/em>. Em outras palavras, existe uma captura da subjetividade feminina para que ela funcione apenas dentro das propostas exigidas pelo modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, sem espa\u00e7o algum para o exerc\u00edcio e o aprofundamento da pr\u00f3pria individualidade: \u201csuas necessidades imateriais [das mulheres] n\u00e3o devem e n\u00e3o podem existir exceto como forma de satisfazer as necessidades imateriais do oper\u00e1rio ou de seus filhos\u201d, escreve Fortunati (2025, p. 130).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paradoxalmente, em termos coletivos, a n\u00edvel de sociedade, a maternidade cumpre um papel estrat\u00e9gico de influ\u00eancia e transfer\u00eancia de valores e de cultura, que nenhuma outra rela\u00e7\u00e3o humana \u00e9 capaz de exercer de forma t\u00e3o perempt\u00f3ria. \u00c9 por meio delas, de seu corpo, de sua alma e de sua subjetividade, que novas mentalidades se erguem para a exist\u00eancia no mundo \u2013 o que permitiria a elas, por exemplo, \u201cdar um troco extraordin\u00e1rio\u201d \u00e0 sociedade apesar de toda opress\u00e3o sobre suas costas, parafraseando L\u00e9lia Gonzalez. \u00c9 sobre o lombo de quem exerce as estruturas mentais, de forma\u00e7\u00e3o de valores culturais, humanos e intelectuais das futuras gera\u00e7\u00f5es; de quem \u201censina\u201d como a vida funciona e quais s\u00e3o as regras a serem seguidas, que se ergue para o horizonte a base fundante da civiliza\u00e7\u00e3o: a pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A centralidade da maternidade na agenda pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos aqui, ent\u00e3o, a maternidade no cerne do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Entendemos que seu papel n\u00e3o se d\u00e1 apenas enquanto procriadora e gestadora, mas tamb\u00e9m cuidadora. Ou seja, at\u00e9 que a \u201cfor\u00e7a de trabalho\u201d tenha condi\u00e7\u00f5es de ser explorada no indiv\u00edduo, ele necessita ser provido de elementos materiais e imateriais para que sua capacidade possa ser realizada dentro do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como o capitalismo transforma a experi\u00eancia da maternidade em m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho, podemos dizer que, dialeticamente,&nbsp;<strong>a experi\u00eancia da maternidade<\/strong>&nbsp;(compreendida como procriar, gestar e cuidar) transforma profundamente a rela\u00e7\u00e3o das mulheres com a pr\u00f3pria exist\u00eancia e o meio em que est\u00e3o inseridas, fazendo com que elas<strong>&nbsp;vivenciem as facetas mais profundas e arcanas da reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong>, centro nevr\u00e1lgico do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, a come\u00e7ar pelo mecanismo de controle mais efetivo do capital: o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o com o tempo, entendida objetiva e subjetivamente, \u00e9 o ponto crucial do potencial de desvelamento do sistema capitalista, por meio da experi\u00eancia da maternidade. A exist\u00eancia de um ser humano que n\u00e3o obedece \u00e0s regras r\u00edgidas do hor\u00e1rio de expediente imposto pelo sistema capitalista, n\u00e3o se adapta, n\u00e3o se insere e apresenta demandas materiais, sobretudo fisiol\u00f3gicas, e imateriais de forma aleat\u00f3ria confronta as mulheres com a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o do tempo no sentido mais amplo e filos\u00f3fico, tanto em rela\u00e7\u00e3o a si quanto \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 sociedade. Independentemente de se h\u00e1 ou n\u00e3o um processo de tomada de consci\u00eancia, as necessidades impostas pela gesta\u00e7\u00e3o e cuidados de um beb\u00ea empurram as mulheres para um espa\u00e7o de temporalidade que n\u00e3o corresponde mais \u00e0s regras produtivas \u201cdo mercado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto um homem pode ser pai em um dia e, no outro, seguir o rel\u00f3gio da vida como se nada tivesse acontecido, a m\u00e3e tem a sua rela\u00e7\u00e3o com o tempo e o pr\u00f3prio corpo totalmente transformada. Seu rel\u00f3gio da vida passa a obedecer outra&nbsp;<em>l\u00f3gica<\/em>, e aqui reside a fa\u00edsca prim\u00e1ria do potencial revolucion\u00e1rio da maternidade. Por exemplo, a experi\u00eancia pragm\u00e1tica da escala 6\u00d71 na vida de uma m\u00e3e negra trabalhadora possui um n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o e proximidade com a desumanidade e a barb\u00e1rie \u2013 seja por ela, pela cria, por ambos \u2013 que nenhum outro oper\u00e1rio \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar, por mais explorado que seja.&nbsp;Obviamente, o confronto em si \u2013 da mulher-m\u00e3e com a l\u00f3gica temporal \u201cn\u00e3o-capitalista\u201d \u2013 n\u00e3o se traduz automaticamente em potencial revolucion\u00e1rio, assim como um oper\u00e1rio explorado, no plano do indiv\u00edduo, n\u00e3o se traduz automaticamente em sujeito revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito da constru\u00e7\u00e3o do pensamento social, podemos citar outro aspecto impactado por essa transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o tempo na qual a maternidade incide e transforma radicalmente a sociedade: a linguagem. Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=T9C942D3EUI\">entrevista \u00e0 TV Brasil<\/a>, L\u00e9lia Gonzalez destrinchou o papel da m\u00e3e preta no imagin\u00e1rio brasileiro e sua influ\u00eancia direta naquilo que conhecemos por portugu\u00eas brasileiro (ou melhor,&nbsp;<em>pretugu\u00eas<\/em>). Ela enfatiza o papel estrat\u00e9gico da mulher na socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e, principalmente, na introdu\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a \u00e0 ordem da cultura de uma sociedade. Isso foi poss\u00edvel porque quem passava a&nbsp;maior parte do tempo&nbsp;cuidando das crian\u00e7as brancas de senhores de escravos eram as m\u00e3es pretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cO escravo tinha v\u00e1rias obriga\u00e7\u00f5es, uma delas \u00e9 entender o idioma do Senhor; a outra, a religi\u00e3o; e a outra, ser obediente. Debaixo dessa tr\u00edplice opress\u00e3o, eles desenham suas estrat\u00e9gias de acomoda\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia. E me parece que a m\u00e3e preta, nesse sentido, deu um troco extraordin\u00e1rio. Todo ritmo, toda musicalidade do portugu\u00eas falado no Brasil, n\u00f3s devemos a elas.\u201d<\/em><strong>&nbsp;\u2013 L\u00e9lia Gonzalez<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato \u00e9 que a experi\u00eancia da maternidade, por estar na centralidade da produ\u00e7\u00e3o de valor,&nbsp;<strong>coloca as mulheres em novas formas de rela\u00e7\u00e3o com o capital&nbsp;<\/strong>\u2013 que come\u00e7a pelo tempo e se espraia por toda experi\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o humanas. E n\u00e3o s\u00e3o quaisquer \u201coutras formas\u201d de rela\u00e7\u00e3o com o capital, mas s\u00e3o aquelas que atingem profundamente o cerne da exist\u00eancia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, revelando portanto o n\u00edvel de controle e opress\u00e3o do sistema sobre os corpos, as mentes e os cora\u00e7\u00f5es das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o por acaso, o capitalismo tem suas bases fundantes nas no\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia e propriedade, tendo criado um arcabou\u00e7o ideol\u00f3gico estruturante para dirigir, controlar e dominar a concep\u00e7\u00e3o de maternidade, expropriando as mulheres da autonomia de decidir n\u00e3o s\u00f3 sobre os pr\u00f3prios corpos, mas tamb\u00e9m sobre o pr\u00f3prio maternar e sobre a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser m\u00e3e. Isso acontece para proteger o cerne de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 da perspectiva da produ\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho, mas tamb\u00e9m da reprodu\u00e7\u00e3o social e da cria\u00e7\u00e3o de um sistema cultural que legitima e perpetua a forma como \u201cas coisas s\u00e3o como s\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De toda forma, podemos entender as raz\u00f5es pelas quais o capitalismo se empenhou de tantas formas na constru\u00e7\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>ideal de maternidade<\/em>&nbsp;que, historicamente, tem sido elaborado das mais diversas maneiras, nos mais diversos campos, de forma t\u00e3o requintada, assertiva e perversa; e que&nbsp;<strong>conseguiu se apresentar basicamente como o \u00fanico ideal poss\u00edvel de existir enquanto m\u00e3e na face da Terra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De maneira geral, esse \u201cideal de maternidade\u201d capitalista centraliza a figura da maternidade, entendendo a mulher-m\u00e3e como funcional apenas para garantir a estrutura familiar, a transfer\u00eancia de propriedade e a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. No entanto, h\u00e1 de se fazer uma diferencia\u00e7\u00e3o. A centralidade da maternidade, nessa perspectiva, enaltece a figura da m\u00e3e para poder control\u00e1-la, portanto, por mais que&nbsp;<em>aparente&nbsp;<\/em>centralizar a maternidade, o capitalismo, na verdade, centraliza o&nbsp;<em>controle sobre a maternidade<\/em>. O capital teve \u00eaxito em performar uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima com o protagonismo materno, transformando-o em ferramenta de expropria\u00e7\u00e3o de corpos, extra\u00e7\u00e3o de mais-valor, opress\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa articula\u00e7\u00e3o contou com os esfor\u00e7os de aliados como a Igreja e o Estado, e o ideal materno tornou-se t\u00e3o bem apresentado por meio do enaltecimento da \u201cm\u00e3ezinha\u201d, da \u201csanta m\u00e3e\u201d e da cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de controle das mulheres que, historicamente,<strong>&nbsp;interditou a possibilidade de sequer cogitar a experi\u00eancia da maternidade como um potencial de transforma\u00e7\u00e3o da realidade e de resist\u00eancia das mulheres ao patriarcado e ao capitalismo.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da hist\u00f3ria, as feministas acertadamente combateram a vis\u00e3o do ideal de maternidade imposto pelo modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista; ergueram a categoria da mulher a sujeito pol\u00edtico de direitos, independentemente de sua fun\u00e7\u00e3o reprodutiva; denunciaram o controle do patriarcado e do capitalismo sobre os corpos das mulheres de todas as formas, incluindo o parir, o gestar e o criar. No entanto, apenas margearam \u2013 e muitas vezes marginalizaram \u2013 &nbsp;o potencial revolucion\u00e1rio da experi\u00eancia da maternidade. Historicamente, esse fen\u00f4meno \u00e9 compreens\u00edvel porque, no capitalismo, a \u00fanica possibilidade de vis\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o de m\u00e3e \u00e9 o ideal constru\u00eddo pelo sistema. Para romper com essa vis\u00e3o, era necess\u00e1rio romper com o ideal de maternidade e adotar a estrat\u00e9gia de \u201cdescentralizar\u201d a maternidade, fazendo com que ela fosse apenas um dos aspectos que comp\u00f5em o sujeito-mulher, totalmente suscet\u00edvel ao poder de escolha das pr\u00f3prias mulheres, refor\u00e7ando e apresentando outros pap\u00e9is e pot\u00eancias das mulheres dentro da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, como desenvolvemos aqui, o capitalismo apenas aparenta centralizar a maternidade, quando, na verdade, ele centraliza o controle sobre seu exerc\u00edcio. Portanto, embora tenhamos avan\u00e7os consider\u00e1veis e conquistas hist\u00f3ricas da luta feminista sobre esse tema, a experi\u00eancia das mulheres com a maternidade, a partir da perspectiva feminista, tem sido historicamente pouco trabalhada e pouco elaborada enquanto potencial transformador da sociedade. Obviamente, as quest\u00f5es que tangenciam o cotidiano das m\u00e3es s\u00e3o abordadas, contudo, podemos notar que as respostas progressistas minimamente mais elaboradas d\u00e3o conta de organizar a vida da mulher para que ela volte a ser explorada no mercado de trabalho e coloque o filho na creche. Tudo isso dilu\u00eddo em caixinhas do mundo do trabalho, da educa\u00e7\u00e3o, e de pautar na opini\u00e3o p\u00fablica o herc\u00faleo esfor\u00e7o de divis\u00e3o de tarefas e de legisla\u00e7\u00e3o para que o genitor cumpra obriga\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. Em outras palavras, h\u00e1 uma resist\u00eancia do nosso campo em, de fato, aprofundar e centralizar a maternidade enquanto potencial transformador da realidade, por conta das peculiaridades hist\u00f3ricas aqui abordadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato \u00e9 que na atual crise do capitalismo, da transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica para a consolida\u00e7\u00e3o neoliberal, as pol\u00edticas de austeridade e a redu\u00e7\u00e3o do financiamento do bem-estar social refor\u00e7aram a transfer\u00eancia dos custos da reprodu\u00e7\u00e3o da vida para os lares, conforme aponta o dossi\u00ea 98 da revista<em>&nbsp;Tricontinenal<\/em>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/dossie-agenda-direita-contra-mulheres\/&amp;sa=D&amp;source=editors&amp;ust=1778092616283276&amp;usg=AOvVaw21-E3FgDxFFZZAuoOSvHkE\">\u201cA agenda antifeminista da extrema direita latino-americana\u201d<\/a>. No caso do Brasil, mais de 51% dos lares s\u00e3o chefiados por mulheres, em sua maioria, m\u00e3es. Por m\u00e3es, entenda-se 75% de toda a popula\u00e7\u00e3o feminina brasileira. Ou seja, n\u00e3o existe \u201cagenda ampla para mulheres\u201d em sua totalidade que n\u00e3o passe, necessariamente, pela maternidade \u2013 seja realizada ou em lat\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o quando o dossi\u00ea aponta acertadamente que \u201co<em>&nbsp;lar se tornou um amortecedor das crises, discursos sobre \u2018valores familiares\u2019, \u2018resili\u00eancia\u2019 e \u2018responsabilidade individual\u2019 legitimaram o retrocesso do Estado e naturalizaram a expectativa de que&nbsp;as fam\u00edlias&nbsp;(<\/em>grifo meu)&nbsp;<em>absorvam sozinhas as consequ\u00eancias do desemprego e da precariedade<\/em>\u201d, ao colocar como sujeito \u201cas fam\u00edlias\u201d, a publica\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo generosa ou eufemista, porque concretamente sabemos que esse fardo cai pesadamente sobre as m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A necessidade de dar respostas mobilizadoras por meio da maternidade para transitar por essa nova fase de aprofundamento do neoliberalismo n\u00e3o \u00e9 uma leitura exclusiva do nosso campo. A direita e a extrema direita nas \u00faltimas d\u00e9cadas t\u00eam se organizado e se debru\u00e7ado sobre a imposi\u00e7\u00e3o e o aprofundamento do ideal de maternidade, nos moldes patriarcais e capitalistas, abrindo di\u00e1logo e mobiliza\u00e7\u00e3o diretamente com as m\u00e3es. O dossi\u00ea aponta o avan\u00e7o da agenda antifeminista na Am\u00e9rica Latina, apoiada por organiza\u00e7\u00f5es ultraconservadoras globais, regionais e locais, tendo como eixo principal a Campanha \u201cCon Mis Hijos No Te Metas\u201d (CMHNTM), um chamado direto e expresso \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3es. A campanha n\u00e3o trata somente das quest\u00f5es da maternidade, \u00e9 uma agenda ampla de retrocesso em que<em>&nbsp;rejeita a educa\u00e7\u00e3o laica e cient\u00edfica sobre direitos reprodutivos, se op\u00f5e aos direitos das pessoas das diversidades sexo-gen\u00e9ricas, especialmente ao casamento homoafetivo, rejeita a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, acusa de um suposto \u201cmarxismo cultural\u201d os avan\u00e7os nesses direitos e demoniza o comunismo<\/em>, resume o dossi\u00ea. No entanto, a extrema direita delineou claramente um alvo de mobiliza\u00e7\u00e3o, centralizou seus esfor\u00e7os nele para tra\u00e7ar a trincheira das disputas ideol\u00f3gicas contempor\u00e2neas e tem buscado oferecer respostas (mesmo que ilus\u00f3rias) para seus descontentamentos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As express\u00f5es brasileiras dessa campanha s\u00e3o vis\u00edveis como: o espraiamento de conte\u00fados em massa nas redes sociais exaltando as&nbsp;<em>tradwives<\/em>, esposas-trof\u00e9us, que pregam uma esp\u00e9cie de \u201cvolta\u201d \u00e0quilo que nunca foi. A exalta\u00e7\u00e3o de um passado ilus\u00f3rio em que as mulheres eram \u201cfelizes em seus lares\u201d e a figura do \u201cpai provedor\u201d dialogam diretamente com o esgotamento de m\u00e3es trabalhadoras, que est\u00e3o sendo sugadas por jornadas exaustivas de trabalho, sal\u00e1rios arrochados, prote\u00e7\u00e3o social desmontada e rela\u00e7\u00f5es precarizadas. O acolhimento das igrejas evang\u00e9licas abarrotadas de m\u00e3es negras, cansadas de verem seus filhos expostos \u00e0 viol\u00eancia do tr\u00e1fico e do Estado em seus territ\u00f3rios, torna esse \u201cretorno ao lar\u201d (do qual nunca efetivamente sa\u00edram) a esperan\u00e7a de uma estabilidade, diante de um mundo em que as possibilidades de futuro desmoronam \u00e0 nossa frente. Al\u00e9m do cerco e da censura aos materiais educativos escolares, a propaga\u00e7\u00e3o de lobbies nos parlamentos para a ado\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>homeschooling<\/em>&nbsp;(ensino dentro de casa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que as respostas da agenda da direita aprofundem ainda mais as desigualdades estruturantes na vida das mulheres e das m\u00e3es, ao centralizar o chamado, o di\u00e1logo e a mobiliza\u00e7\u00e3o desse setor, em um momento t\u00e3o estrat\u00e9gico da crise do capitalismo, eles conseguem cercear, \u201cproteger\u201d e tomar para si a centralidade da maternidade (na verdade, do controle sobre ela) \u2013 objetivo primordial para defender o ac\u00famulo de capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao n\u00e3o avan\u00e7armos para &nbsp;a elabora\u00e7\u00e3o, formula\u00e7\u00e3o e luta por novas experi\u00eancias de maternidade, n\u00e3o pautadas pela l\u00f3gica capitalista, aprofundando nosso di\u00e1logo com as m\u00e3es brasileiras e trazendo a maternidade (de fato) para o centro do nosso debate, o nosso campo perde uma grande oportunidade de ousar e sonhar, com o potencial indescrit\u00edvel e revolucion\u00e1rio que as m\u00e3es possuem de acreditar em seu pr\u00f3prio sonho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>***<\/strong><br><strong>Ana Clara Ferrari<\/strong>&nbsp;\u00e9 jornalista e especialista em pol\u00edticas p\u00fablicas para igualdade de g\u00eanero. P\u00f3s-graduada em Gest\u00e3o P\u00fablica, foi relatora do GT de Transi\u00e7\u00e3o (2022) da pasta de Mulheres; e Coordenadora-Geral de Autonomia Econ\u00f4mica e Combate \u00e0 Fome e \u00e0 Pobreza, no Minist\u00e9rio das Mulheres. Trabalhou na Prefeitura de S\u00e3o Paulo de 2013 a 2020, nas Secretarias de Comunica\u00e7\u00e3o, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Sa\u00fade e Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia, coordenando projetos de comunica\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o em todas as \u00e1reas. \u00c9 autora do livro&nbsp;<em>Querido Di\u00e1rio da Rep\u00fablica<\/em>, lan\u00e7ado em 2019. E atualmente \u00e9 coordenadora de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para mulheres da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2026\/05\/10\/localizando-a-maternidade-no-modo-de-producao-capitalista-um-dialogo-a-partir-de-leopoldina-fortunatti\/\">https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2026\/05\/10\/localizando-a-maternidade-no-modo-de-producao-capitalista-um-dialogo-a-partir-de-leopoldina-fortunatti\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/seta-rosa.png\" alt=\"seta rosa\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h3 id=\"leia-tambem\" class=\"wp-block-heading\">LEIA TAMB\u00c9M<\/h3>\n\n\n\n<h4 id=\"genero-neoconservadorismo-e-democracia\" class=\"wp-block-heading\">G\u00eanero, neoconservadorismo e democracia<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Livro\/genero_conservadorismo_flavia_biroli.jpg\" alt=\"genero conservadorismo flavia biroli\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autoria de&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/fl%C3%A1via_biroli\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fl\u00e1via Biroli<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/juan_marco_vaggione\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Juan Marco Vaggione<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/maria_das_dores_campos_machado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maria das Dores Campos Machado<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/feminismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Feminismo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/democracia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Democracia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/america_latina\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Am\u00e9rica Latina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00e1lise sobre a interse\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, religi\u00e3o e democracia na Am\u00e9rica Latina, revelando as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e o impacto do neoconservadorismo. Aborda a eros\u00e3o da democracia e os desafios enfrentados na regi\u00e3o, destacando a relev\u00e2ncia do debate sobre g\u00eanero e sexualidade na pol\u00edtica contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o transnacional realizada no decorrer de 2018 e 2019 e de um prof\u00edcuo di\u00e1logo envolvendo as duas autoras e o autor, esta obra analisa as rela\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero, religi\u00e3o, direitos e democracia na Am\u00e9rica Latina. Com o fim da chamada \u201conda vermelha\u201d na regi\u00e3o, \u00e9 significativo o aumento da atua\u00e7\u00e3o de cat\u00f3licos e evang\u00e9licos conservadores na pol\u00edtica, com forte rea\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de equidade de g\u00eanero, direitos LGBTQI e sa\u00fade reprodutiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fl\u00e1via Biroli, Maria das Dores Campos Machado e Juan Marco Vaggione destacam o uso, por agentes conservadores, de express\u00f5es como \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, \u201cfeminismo radical\u201d e \u201cmarxismo cultural\u201d para justificar normas que promovem exclus\u00f5es, vetos a perspectivas cr\u00edticas e o fim de pol\u00edticas p\u00fablicas importantes para mulheres e minorias, corroendo, por dentro, a democracia na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o bastassem as consequ\u00eancias para mulheres e popula\u00e7\u00f5es LGBTQI, em muitos pa\u00edses a recusa desses direitos vem acompanhada de pol\u00edticas que transformam movimentos sociais em inimigos e, por meio de diferentes estrat\u00e9gias, procuram subtrair legitimidade \u00e0s agendas de justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num esfor\u00e7o de compreens\u00e3o dos padr\u00f5es atuais da rea\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, o livro desenvolve uma moldura te\u00f3rica em que o conceito de neoconservadorismo tem especial relev\u00e2ncia. A disputa entre moralidades, analisada ao longo dos tr\u00eas cap\u00edtulos que comp\u00f5em a obra, inclui novos padr\u00f5es de a\u00e7\u00e3o e de mobiliza\u00e7\u00e3o de enquadramentos, que abrem oportunidades para lideran\u00e7as de extrema direita, colocam em xeque valores democr\u00e1ticos e refor\u00e7am tend\u00eancias autorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"leia-um-trecho\" class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1q--gT91afDEokvuApubPUQzXBddjv8w_\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia um trecho<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G\u00eanero, neoconservadorismo<br>e democracia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_3679\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3679\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&#8220;O capital transformou o corpo da mulher [\u2026] em uma \u2018m\u00e1quina\u2019 de produ\u00e7\u00e3o de trabalhadores, de novas for\u00e7as de trabalho&#8221; Publicado em&nbsp;10\/05\/2026&nbsp;\/\/&nbsp;Blog BOITEMPO P\u00f4ster da campanha por sal\u00e1rios para o trabalho dom\u00e9stico, nos Estados Unidos. Imagem:&nbsp;Wikimedia Commons Por Ana Clara Ferrari Em&nbsp;O arcano da reprodu\u00e7\u00e3o, Leopoldina Fortunati refaz uma an\u00e1lise do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista,<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":3680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[484,482],"tags":[873,977,598],"class_list":["post-3679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-culturas","category-direitos-sexuais-e-direitos-reprodutivos","tag-capitalismo","tag-exploracao","tag-patriarcado"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":0,"today_views":0},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3679"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3681,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3679\/revisions\/3681"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}