{"id":3798,"date":"2026-05-28T08:43:24","date_gmt":"2026-05-28T11:43:24","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3798"},"modified":"2026-05-28T09:11:56","modified_gmt":"2026-05-28T12:11:56","slug":"impactos-da-jornada-reduzida-um-olhar-feminista-sobre-o-trabalho-e-uso-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/impactos-da-jornada-reduzida-um-olhar-feminista-sobre-o-trabalho-e-uso-do-tempo\/","title":{"rendered":"Impactos da jornada reduzida: um olhar feminista sobre o trabalho e uso do tempo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contribui\u00e7\u00e3o da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) com o debate sobre a escala 6&#215;1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Feminismo\/rede-brasileira-economia-feminista.jpg\" alt=\"rede brasileira economia feminista\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate sobre a jornada de trabalho \u00e9 fundamental para a organiza\u00e7\u00e3o da vida social, pois a distribui\u00e7\u00e3o do tempo \u00e9 um dos problemas centrais de todas as sociedades. Os tempos s\u00e3o constantemente transformados por mudan\u00e7as econ\u00f4micas, sociais e culturais, mas essas transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorrem apenas na esfera produtiva, com o controle da extens\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e intensidade da jornada de trabalho remunerado. Elas tamb\u00e9m afetam o trabalho reprodutivo, determinando como mulheres e homens distribuem seu tempo entre essas duas dimens\u00f5es, que est\u00e3o intimamente articuladas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da grande capacidade do capitalismo de transformar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, ele n\u00e3o eliminou a necessidade do tempo dedicado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o social de mulheres e homens. A disputa pelo uso do tempo tem sido um dos principais embates da classe trabalhadora ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente a constitui\u00e7\u00e3o federal define o limite m\u00e1ximo para jornada de trabalho de 44 horas semanais, e oito horas por dia. H\u00e1 possibilidade de realizar horas extraordin\u00e1rias com pagamento de, no m\u00ednimo, 25% a mais do que a hora normal de trabalho, ou realiza\u00e7\u00e3o de banco de horas, mas dentro dos limites de duas horas por dia e 10 horas por semana dentro das 44 horas semanais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 uma bandeira hist\u00f3rica da classe trabalhadora no mundo e \u00e9 a g\u00eanese da organiza\u00e7\u00e3o sindical. \u00c9 uma luta de extrema import\u00e2ncia para a classe trabalhadora que luta por tempo de vida fora do trabalho, que lhe permita participar de outros espa\u00e7os (familiares, sociais, pol\u00edticos, religiosos, culturais etc.). Al\u00e9m disso, h\u00e1 sinergia estreita entre a pauta da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho &nbsp;remunerado com a necessidade de tempo para o trabalho de cuidados de crian\u00e7as e\/ou pessoas doentes,enfermas e idosas. Neste caso, h\u00e1 um vi\u00e9s forte de g\u00eanero, porque s\u00e3o as mulheres as principais respons\u00e1veis pelo trabalho n\u00e3o remunerado e terminam com jornadas totais de trabalho bastante elevadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, uma parte expressiva da classe trabalhadora mundial ainda cumpre jornadas superiores a 48 horas semanais, enquanto outra enfrenta condi\u00e7\u00f5es de subemprego, com jornadas insuficientes que n\u00e3o garantem sequer a sobreviv\u00eancia. No Brasil, de acordo com a RAIS (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais) de 2023, 74,1% das pessoas empregadas sob o regime celetista (com acesso a direitos trabalhistas) trabalham 40 horas ou mais por semana. Entre todas as pessoas ocupadas (com ou sem direitos), de acordo com os dados 2\u00baT de 2024 da PNADc, o percentual \u00e9 semelhante: 76,4%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as mulheres representem um percentual menor entre as pessoas ocupadas em jornadas acima de 40 horas semanais (71,7% entre mulheres brancas e 65,7% entre mulheres negras), elas s\u00e3o penalizadas pelo elevado n\u00famero de horas dedicadas ao trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerados, que somam cerca de 21 horas semanais. A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho poderia benefici\u00e1-las de v\u00e1rias formas. Por serem maioria entre as desempregadas, a medida pode contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de mais postos de trabalho. Jornadas mais curtas tamb\u00e9m podem estimular uma maior participa\u00e7\u00e3o dos homens nas tarefas dom\u00e9sticas, aliviando a carga das mulheres. Al\u00e9m disso, setores onde as mulheres predominam \u2013 como ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os \u2013 frequentemente n\u00e3o permitem acordos de compensa\u00e7\u00e3o de horas, obrigando-as a trabalhar seis dias por semana com apenas um dia de folga, muitas vezes alternado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Desigualdade\/conceicao2_joaovelozo.jpg\" alt=\"conceicao2 joaovelozo\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados sobre o uso do tempo no Brasil [1] revelam diferen\u00e7as significativas no tempo despendido por homens e mulheres na realiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos e de cuidado, mesmo quando consideradas as jornadas de trabalho remunerado de cada um. Enquanto mulheres brancas e negras que trabalham em jornadas de 40 a 44h semanais gastam, em m\u00e9dia, 15 horas e 47 minutos e 16 horas e 38 minutos semanais, respectivamente, nos trabalhos n\u00e3o remunerados, homens brancos e negros com a mesma jornada laboral gastam 11 horas e 46 minutos e 11 horas 34 minutos, respectivamente. Para as mulheres que trabalham 49 horas semanais ou mais, as jornadas conjuntas de trabalho pago e n\u00e3o pago chegam a 65,5 horas, para as mulheres brancas, e 67 horas e 40 minutos, para as negras (IBGE, 2023). A sobrecarga das mulheres que conciliam extensivas jornadas de trabalho com o cuidado e afazeres dom\u00e9sticos as coloca em um ritmo m\u00e9dio de quase 10 horas de trabalho\/dia. Nesse sentido, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho se coloca como um imperativo para a garantia da sa\u00fade e qualidade de vida de muitas mulheres, que, por necessidade econ\u00f4mica, encararam jornadas exaustivas por longos per\u00edodos de suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o IBGE n\u00e3o perguntar aos entrevistados sobre a quantidade de dias habitualmente trabalhados na semana, \u00e9 poss\u00edvel observar os dados sobre trabalho de cuidado para as mulheres com ocupa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 maior ocorr\u00eancia da escala 6&#215;1. Dentre as ocupa\u00e7\u00f5es que respondem por pelo menos 50% da m\u00e3o de obra feminina [2], as mulheres alocadas naquelas em que a escala 6&#215;1 \u00e9 mais comum [3] e em regimes de pelo menos 40 horas semanais despendem 16 horas e 58 minutos semanais com tarefas de cuidado. Nesse cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, uma mulher que trabalhe 44 horas por semana no regime 6&#215;1 (portanto, 7 horas e 20 minutos por dia com mais uma hora de intervalo durante o expediente) e decida aproveitar integralmente seu dia de folga precisa trabalhar pelo menos mais 2h50min por dia em trabalho de cuidado, acumulando uma dupla jornada de 11 horas e 10 minutos por seis dias da semana, sem contar com o tempo de deslocamento &#8211; que, nos centros urbanos, pode chegar a 2 ou 3 horas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9 uma resposta necess\u00e1ria diante de uma sociedade que tende a absorver cada vez menos trabalho vivo. As tecnologias, historicamente, eliminaram postos de trabalho, e os novos investimentos n\u00e3o geram empregos na intensidade necess\u00e1ria. Atualmente, as novas fronteiras tecnol\u00f3gicas dissolvem padr\u00f5es de trabalho tradicionalmente associados a diversas ocupa\u00e7\u00f5es. Reduzir o tempo de trabalho necess\u00e1rio \u00e9 a \u00fanica maneira de enfrentar os problemas estruturais do trabalho no capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao discutir a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, \u00e9 crucial considerar dois aspectos centrais. (i) tend\u00eancias de flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho: desde os anos 1970, essas tend\u00eancias, intensificadas nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, s\u00e3o uma resposta \u00e0 inser\u00e7\u00e3o de economias perif\u00e9ricas em uma l\u00f3gica internacional baseada na competitividade esp\u00faria. Essa din\u00e2mica busca reduzir custos trabalhistas, flexibilizar contratos e retirar direitos, contribuindo para um cen\u00e1rio em que mais de 50% das ocupa\u00e7\u00f5es no Brasil s\u00e3o informais; (ii) enfrentamento da falta estrutural de trabalho: com inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas poupadoras de m\u00e3o de obra, o crescimento econ\u00f4mico, embora necess\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 suficiente para gerar empregos decentes para toda a for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel. \u00c9 essencial garantir ocupa\u00e7\u00f5es socialmente relevantes para o coletivo, al\u00e9m do circuito de acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o j\u00e1 vem sendo realizada em outros pa\u00edses do mundo e leva em considera\u00e7\u00e3o os efeitos de aumento da produtividade proporcionados pela informatiza\u00e7\u00e3o, e pelas novas tecnologias. Pode-se destacar alguns poss\u00edveis impactos da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, como: o aumento da demanda por trabalho, considerando que seriam contratadas mais pessoas para cumprirem os dias de trabalho semanais, o que pode beneficiar as mulheres, que t\u00eam menor participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho em fun\u00e7\u00e3o de sua maior responsabilidade com trabalho n\u00e3o remunerado (afazeres dom\u00e9sticos e cuidados). Atualmente, a taxa de participa\u00e7\u00e3o total no mercado de trabalho brasileiro (rela\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00e3o ocupada mais popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 procurando emprego em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em idade ativa) \u00e9 de 62,1%, sendo que a taxa de participa\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 de 72,3% e a das mulheres 52,6%. Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o (rela\u00e7\u00e3o entre popula\u00e7\u00e3o ocupada e popula\u00e7\u00e3o em idade ativa), no Brasil \u00e9 de 57,8%, sendo que entre os homens chega a 68,3% e entre as mulheres apenas 48,1%. As mulheres tamb\u00e9m sofrem mais com desemprego. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o, que chegou a n\u00edveis bastante baixos, 6,9%, \u00e9 menor para os homens, 5,6%, que para as mulheres, 8,6%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/ilustracoes\/desigualdade-trabalho.jpg\" alt=\"desigualdade trabalho\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior participa\u00e7\u00e3o dos homens no mercado de trabalho remunerado \u00e9 representada pela jornada de trabalho remunerada m\u00e9dia total, que \u00e9 de 39,2 horas semanais, sendo a dos homens de 41 horas e para as mulheres de 36,9 horas. Esta diferen\u00e7a reproduz o fato de as mulheres estarem mais frequentemente em trabalhos de meio per\u00edodo e de hor\u00e1rios flex\u00edveis, o que lhes possibilita cumprir a jornada de trabalho n\u00e3o remunerada. Se analisarmos o total de trabalhadores formais no pa\u00eds, a maior parte, 79,5%, est\u00e1 alocada em atividades com jornadas acima de 40 horas, trabalhando em com\u00e9rcio (26,8%), ind\u00fastria (21,5%), e em atividades ligadas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e atividades financeiras, mobili\u00e1rias, profissionais e administrativas (18,8%). Se a jornada for reduzida para 40 horas semanais, estima-se que haver\u00e1 um aumento de 3 milh\u00f5es de novos postos de trabalho, contribuindo para uma poss\u00edvel redu\u00e7\u00e3o do desemprego e da pr\u00f3pria informalidade, com a perspectiva de gera\u00e7\u00e3o de empregos em ocupa\u00e7\u00f5es mais protegidas, o que significa melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e garantia de direitos. Atualmente no Brasil, cerca de 40 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o trabalhando na informalidade. Devemos considerar ainda que o aumento do emprego tem impacto positivo sobre o consumo e, portanto, sobre produ\u00e7\u00e3o e PIB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um segundo impacto importante a se destacar est\u00e1 relacionado \u00e0 sustentabilidade da previd\u00eancia social. O aumento do emprego geraria redu\u00e7\u00e3o de despesas e aumento da arrecada\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e da assist\u00eancia social. As despesas previdenci\u00e1rias no Brasil correspondem a 50% das despesas prim\u00e1rias da Uni\u00e3o. Isto porque a alta informalidade e a baixa participa\u00e7\u00e3o de mulheres no mercado de trabalho, reduzem a arrecada\u00e7\u00e3o e pressionam as despesas. Al\u00e9m disso, as jornadas mais extensas de trabalho t\u00eam impacto sobre as despesas previdenci\u00e1rias em consequ\u00eancia do maior adoecimento decorrente das longas jornadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Terceiro impacto seria a melhoria na qualidade de vida da classe trabalhadora e a redu\u00e7\u00e3o da perda de produtividade por esgotamento profissional. A escala 6&#215;1 dificulta a compatibiliza\u00e7\u00e3o entre a vida pessoal e familiar e a profissional, considerando-se ainda que a maior parte das atividades de lazer, encontros com amigos e intervalos escolares ocorrem nos finais de semana. Al\u00e9m disso, o maior envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o do tamanho das fam\u00edlias t\u00eam gerado maior carga de cuidados para menor n\u00famero de familiares. Isso conjugado a uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira bastante restritiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s faltas previstas para acompanhamento de filhos e familiares doentes, faz com que pessoas com familiares que demandam cuidados (crian\u00e7as, pessoas idosas, enfermas ou com incapacidades) fiquem fora do mercado de trabalho formal. A maior parte dessas pessoas s\u00e3o de mulheres e principalmente de fam\u00edlias de menor renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante destacar ainda que esta pol\u00edtica \u00e9 importante para melhorar a qualidade do emprego, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. Isto porque h\u00e1 press\u00f5es por aumento da jornada de trabalho em categorias espec\u00edficas como banc\u00e1rios e professores, que t\u00eam jornada menores. Por outro lado, para a efetiva\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica \u00e9 necess\u00e1ria uma maior fiscaliza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, para combater fraudes nas pol\u00edticas de terceiriza\u00e7\u00e3o de empresas (contrata\u00e7\u00e3o de MEI, cooperativas de trabalho, pessoa jur\u00eddica) com a finalidade de redu\u00e7\u00e3o dos custos trabalhistas. \u00c9 necess\u00e1rio fortalecer os sindicatos para reduzir a press\u00e3o por acordos com previs\u00e3o de bancos de horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho deve ser recolocada como tema central para a gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de empregos. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos j\u00e1 permitem, em termos t\u00e9cnicos, essa redu\u00e7\u00e3o. Contudo, como ocorre historicamente no capitalismo, a quest\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica e ideol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa da redu\u00e7\u00e3o da jornada pode estar associada ao debate mais amplo sobre a distribui\u00e7\u00e3o do tempo entre trabalho remunerado e trabalho n\u00e3o remunerado, al\u00e9m da divis\u00e3o das responsabilidades familiares entre todos os seus membros. Considerando que as mulheres realizam parcelas maiores de trabalho n\u00e3o remunerado, \u00e9 importante que se busquem formas de evitar que a redu\u00e7\u00e3o das jornadas laborais ocasione um redirecionamento destas horas livres para mais trabalho de cuidado n\u00e3o pago. Assim, a discuss\u00e3o deve ir al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o das jornadas e pensar estrat\u00e9gias para garantir que esse movimento traga mais tempo livre para todas e todos &#8211; n\u00e3o apenas para metade da sociedade. Trata-se, portanto, de um debate pol\u00edtico que deve ser abordado como estrat\u00e9gia para enfrentar os graves problemas de emprego, pobreza, desigualdade e precariedade que afetam a maioria da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reduzir a jornada de trabalho significa ampliar o tempo livre para que as pessoas possam viver com dignidade e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1] As m\u00e9dias de horas semanais despendidas em atividades de cuidados de pessoas e\/ou afazeres dom\u00e9sticos foram calculadas utilizando os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADc) de 2022, a partir da pesquisa suplementar \u201cOutras Formas de Trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[2] Conforme o Cadastro de Ocupa\u00e7\u00f5es Domiciliares (COD), da PNAD Cont\u00ednua, estes s\u00e3o: trabalhadoras dos servi\u00e7os dom\u00e9sticos em geral; escritur\u00e1rios gerais; balconistas e vendedoras de lojas, trabalhadoras de limpeza de interior de edif\u00edcios, escrit\u00f3rios, hot\u00e9is e outros estabelecimentos; comerciantes de lojas; especialistas em tratamento de beleza e afins; professoras do ensino fundamental, cozinheiras; cuidadoras de crian\u00e7as; profissionais de n\u00edvel m\u00e9dio de enfermagem; caixas e expedidoras de bilhetes, recepcionistas em geral; professoras do ensino pr\u00e9-escolar; trabalhadoras de cuidados pessoais a domic\u00edlios e vendedoras a domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[3] Dentre as ocupa\u00e7\u00f5es mais presentes, foram selecionadas: balconistas e vendedoras de lojas, trabalhadoras de limpeza de interior de edif\u00edcios, escrit\u00f3rios, hot\u00e9is e outros estabelecimentos; comerciantes de lojas; especialistas em tratamento de beleza e afins; cozinheiras; cuidadoras de crian\u00e7as; profissionais de n\u00edvel m\u00e9dio de enfermagem; caixas e expedidoras de bilhetes, recepcionistas em geral; trabalhadoras de cuidados pessoais a domic\u00edlios e vendedoras em domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pesquisa.ie.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2024\/12\/Nota-Jornada-6x1-REBEF.pdf\">https:\/\/pesquisa.ie.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/62\/2024\/12\/Nota-Jornada-6&#215;1-REBEF.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Nota-Jornada-6x1-REBEF.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incorporado de Nota-Jornada-6x1-REBEF.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-554e9805-248b-4c1a-97bf-9c8e82ab479e\" href=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Nota-Jornada-6x1-REBEF.pdf\">Nota-Jornada-6&#215;1-REBEF<\/a><a href=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Nota-Jornada-6x1-REBEF.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-554e9805-248b-4c1a-97bf-9c8e82ab479e\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_3798\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3798\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) com o debate sobre a escala 6&#215;1. 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