{"id":3819,"date":"2026-05-28T15:35:17","date_gmt":"2026-05-28T18:35:17","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3819"},"modified":"2026-05-28T15:35:18","modified_gmt":"2026-05-28T18:35:18","slug":"leopoldina-fortunati-operarias-da-casa-e-do-sexo-integram-cadeia-de-producao-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/leopoldina-fortunati-operarias-da-casa-e-do-sexo-integram-cadeia-de-producao-capitalista\/","title":{"rendered":"Leopoldina Fortunati: \u2018Oper\u00e1rias da casa e do sexo integram cadeia de produ\u00e7\u00e3o capitalista\u2019"},"content":{"rendered":"\n<h2 id=\"sociologa-italiana-diz-que-dupla-jornada-e-trabalho-nao-remunerado-sao-centrais-para-compreender-exploracao-capitalista\" class=\"wp-block-heading\">Soci\u00f3loga italiana diz que dupla jornada e trabalho n\u00e3o remunerado s\u00e3o centrais para compreender explora\u00e7\u00e3o capitalista<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/05\/28\/\"><time>28.maio.2026 &#8211; 06:00<\/time><\/a><\/li>\n\n\n\n<li>S\u00e3o Paulo (SP)<\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/autores\/caroline-oliveira\/\">Caroline Oliveira<\/a> &#8211; Brasil de Fato<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/leopoldinafortunati-21061831.webp\" alt=\"Leopoldina Fortunati\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leopoldina Fortunati&nbsp;|&nbsp;Cr\u00e9dito: Acervo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado pela primeira vez em 1981, o livro \u201cO arcano da reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 donas de casa, prostitutas, oper\u00e1rios e capital\u201d, da soci\u00f3loga italiana Leopoldina Fortunati, ganha sua primeira tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas pela editora Boitempo e recoloca no debate a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho dom\u00e9stico, explora\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do capital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir das revoltas sociais dos anos 1970 que questionaram as divis\u00f5es sexuais e raciais do trabalho, Fortunati prop\u00f5e uma leitura da reprodu\u00e7\u00e3o como parte central do funcionamento do capitalismo. Para a autora, o trabalho realizado pelas \u201coper\u00e1rias da casa\u201d e pelas \u201coper\u00e1rias do sexo\u201d integra o processo de produ\u00e7\u00e3o de valor e n\u00e3o pode ser tratado como uma atividade externa ao sistema produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>, Fortunati afirma que o capital se beneficia do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/priscilla-brito\/2026\/05\/08\/reducao-da-jornada-de-trabalho-e-politicas-de-cuidado-sao-fundamentais-para-mudar-a-vida-das-mulheres\/\">trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado<\/a>&nbsp;e argumenta que a entrada das mulheres no mercado de trabalho ampliou a explora\u00e7\u00e3o por meio da dupla jornada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO que as mulheres ganham \u00e9 dupla jornada. Trabalham em casa e trabalham fora. Mas a parte terr\u00edvel \u00e9 que, como trabalhamos gratuitamente em casa, quando entramos no mercado de trabalho, somos muito fracas nas negocia\u00e7\u00f5es e sempre ficamos em \u00faltimo lugar. Por isso ocupamos empregos humildes e mal pagos. Tamb\u00e9m porque sobre os ombros das mulheres recai a responsabilidade pelas crian\u00e7as\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao defender a redu\u00e7\u00e3o da jornada global de trabalho, dentro e fora de casa, Fortunati critica a ideia de emancipa\u00e7\u00e3o baseada apenas no emprego formal e afirma que o debate sobre trabalho reprodutivo continua central para compreender as formas atuais de explora\u00e7\u00e3o. \u201cO resultado \u00e9 a dupla jornada por um sal\u00e1rio pequeno, modesto, que n\u00e3o permite independ\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Essa \u00e9 a trag\u00e9dia. Nem mesmo quando trabalhamos fora de casa somos completamente independentes economicamente dos homens\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soci\u00f3loga tamb\u00e9m critica setores da esquerda que trataram a entrada das mulheres no mercado de trabalho como sin\u00f4nimo de emancipa\u00e7\u00e3o sem enfrentar a quest\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico. Para Fortunati, a aus\u00eancia desse debate manteve as mulheres em posi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e refor\u00e7ou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/03\/15\/dossie-aborda-trabalho-invisivel-de-mulheres-e-meninas-ao-redor-do-mundo\/\">depend\u00eancia econ\u00f4mica dentro das fam\u00edlias<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 id=\"leia-a-entrevista-abaixo\" class=\"wp-block-heading\">Leia a entrevista abaixo:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil de Fato: Como o capital se beneficia dessa dualidade formal, em que a f\u00e1brica \u00e9 o lugar onde o valor \u00e9 criado enquanto o lar \u00e9 representado como um espa\u00e7o de \u201cprodu\u00e7\u00e3o natural\u201d de n\u00e3o valor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leopoldina Fortunati:<\/strong>&nbsp;Essa \u00e9 uma nova contribui\u00e7\u00e3o do movimento feminista, em particular do feminismo marxista opera\u00edsta, porque Marx enxergava apenas uma esfera, a esfera da f\u00e1brica, onde mercadorias e bens s\u00e3o produzidos. Para ele, o sistema capitalista coincide, em linhas gerais, com essa esfera. Ele n\u00e3o resolveu a outra quest\u00e3o. Nossa ideia \u00e9 que o sistema capitalista \u00e9 composto por duas esferas diferentes. Uma \u00e9 a f\u00e1brica e a outra \u00e9 a casa. Mas a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante complexa porque, enquanto na f\u00e1brica a rela\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e capital \u00e9 clara, muito clara e simples, na esfera da reprodu\u00e7\u00e3o, para as mulheres, nada \u00e9 simples, porque existe um padr\u00e3o duplo, uma dimens\u00e3o dupla. H\u00e1 um plano formal em que parece que as mulheres produzem bens naturais, valores de uso para suas fam\u00edlias, quando na realidade produzem valor para o capital. Para entender isso, tamb\u00e9m precisamos reconfigurar a rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres no sentido de que essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como aparenta ser. Na realidade, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre homens, mulheres e capital. O capital \u00e9 o convidado nessa rela\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 o elemento que lucra com o trabalho das mulheres, porque os homens n\u00e3o lucram com o trabalho das mulheres. Eles usam o trabalho das mulheres apenas para sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 como uma media\u00e7\u00e3o entre o capital e as mulheres. Mas a verdadeira rela\u00e7\u00e3o \u00e9 entre mulheres e capital. O capital ganha muito dinheiro com o trabalho das mulheres. Muitos economistas calculam que o valor do trabalho dom\u00e9stico no mundo em um ano gira&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/03\/04\/estudo-mostra-que-90-dos-cuidadores-informais-no-brasil-sao-mulheres\/\">em torno de 11 trilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a>. E isso \u00e9 calculado com base em um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Portanto, poderia ser muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A senhora menciona que, enquanto a produ\u00e7\u00e3o migrou para a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia relativa, o lar permaneceu como um espa\u00e7o de extra\u00e7\u00e3o de \u201cmais-valia absoluta\u201d. O que essa transi\u00e7\u00e3o significa para a extens\u00e3o da jornada de trabalho das mulheres na sociedade contempor\u00e2nea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. Nos anos 1970, podemos dizer que havia essencialmente uma produ\u00e7\u00e3o de mais-valia absoluta dentro de casa porque o uso de tecnologias era muito limitado. Havia geladeiras el\u00e9tricas, m\u00e1quinas de lavar e outros aparelhos dom\u00e9sticos. N\u00e3o sei exatamente como se chamam em ingl\u00eas, m\u00e1quinas dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas eles tamb\u00e9m eram muito simples. Em compara\u00e7\u00e3o com o investimento tecnol\u00f3gico que o capital fazia nas f\u00e1bricas, por exemplo, era algo rid\u00edculo. Ainda assim, eram \u00fateis para as mulheres porque ajudavam em certas tarefas. Mas agora temos uma dupla extra\u00e7\u00e3o de valor, tanto em termos absolutos quanto relativos, porque agora, com o uso do celular, do smartphone e do computador em casa, produzimos valor relativo para o capital. N\u00e3o apenas as mulheres, mas todos os membros da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque, ao usar redes sociais e plataformas digitais, n\u00f3s entregamos nossos dados gratuitamente para essas empresas. Essas empresas vendem nossos dados e ganham muito dinheiro tanto com outras empresas quanto com alguns Estados. Isso \u00e9 bastante perigoso. E o valor que produzimos \u00e9 imenso, porque, se voc\u00ea observar a lista das&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/05\/30\/a-midia-sempre-se-manteve-critica-a-participacao-popular-aponta-cientista-politico\/\">empresas mais capitalizadas do mundo<\/a>, ver\u00e1 que entre as dez primeiras h\u00e1 seis empresas digitais. H\u00e1 a Meta, Amazon, Microsoft, Apple, Google e tamb\u00e9m empresas de intelig\u00eancia artificial como a OpenAI. Portanto, a esfera da reprodu\u00e7\u00e3o tornou-se duplamente produtiva porque continua produzindo e reproduzindo indiv\u00edduos, pessoas, mas ao mesmo tempo produz valor para essas empresas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o apenas dados, mas tamb\u00e9m conte\u00fado produzido pelos usu\u00e1rios. O conte\u00fado produzido pelos usu\u00e1rios \u00e9 muito importante para essas empresas porque revelamos muitas coisas. Elas aprendem muito com o que escrevemos. E escrevemos, claro, gratuitamente. Dedicamos muito tempo a isso sem receber pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A senhora descreve um movimento de \u201csovietiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica capitalista\u201d a partir dos anos 1970. Como essa estrat\u00e9gia do capital, que promove a entrada das mulheres no mercado de trabalho sob o pretexto da emancipa\u00e7\u00e3o, serve na realidade para intensificar a explora\u00e7\u00e3o por meio da dupla jornada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exatamente. Existe esse paradoxo de que o capital adotou estrat\u00e9gias de Lenin. A estrat\u00e9gia de Lenin tamb\u00e9m era limitada porque eles n\u00e3o tinham consci\u00eancia do trabalho dom\u00e9stico. Isso foi uma trag\u00e9dia para a esquerda em muitos pa\u00edses, porque a proposta n\u00e3o vinha apenas do capital, mas tamb\u00e9m da esquerda. Aos homens era proposta a revolu\u00e7\u00e3o. Na f\u00e1brica, a luta deveria seguir at\u00e9 acabar com a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m havia presen\u00e7a nas lutas camponesas, como ocupa\u00e7\u00f5es de terra na It\u00e1lia, mas o n\u00facleo principal estava ali. Para as mulheres, nunca foi proposta a revolu\u00e7\u00e3o. No m\u00e1ximo, propunham a equipara\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o com os homens, porque emancipa\u00e7\u00e3o significava sair de casa, conseguir um emprego e ser explorada como os homens. Esse seria o m\u00e1ximo a que uma mulher poderia aspirar. E sem nenhuma palavra sobre o trabalho dom\u00e9stico, que era completamente ignorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso foi uma trag\u00e9dia porque as mulheres sempre desempenharam um papel marginal nesse tipo de organiza\u00e7\u00e3o, um papel marginal nas lutas e nas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es. Toda a energia das mulheres, que \u00e9 enorme, foi bloqueada, n\u00e3o desenvolvida para a luta, para a revolu\u00e7\u00e3o ou para qualquer outra coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que as mulheres ganham \u00e9 dupla jornada. Trabalham em casa e trabalham fora. Mas a parte terr\u00edvel \u00e9 que, como trabalhamos gratuitamente em casa, quando entramos no mercado de trabalho somos muito fracas nas negocia\u00e7\u00f5es e sempre ficamos em \u00faltimo lugar. Por isso ocupamos empregos humildes e mal pagos. Tamb\u00e9m porque sobre os ombros das mulheres recai a responsabilidade pelas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se um casal trabalha e uma crian\u00e7a fica doente, quem fica em casa? A m\u00e3e. Isso torna as mulheres trabalhadoras muito fr\u00e1geis porque elas n\u00e3o t\u00eam mobilidade. Precisam estar sempre organizando o que acontece dentro de casa. O resultado \u00e9 a dupla jornada por um sal\u00e1rio pequeno, modesto, que n\u00e3o permite independ\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Essa \u00e9 a trag\u00e9dia. Nem mesmo quando trabalhamos fora de casa somos completamente independentes economicamente dos homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso \u00e9 t\u00e3o importante a campanha internacional que lan\u00e7amos em Paris no ano passado para exigir remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho dom\u00e9stico. Precisamos ser pagas. Queremos ser pagas. Merecemos ser pagas como qualquer outro trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No contexto brasileiro atual, discute-se o fim da escala 6\u00d71. Como sua tese sobre a \u201credu\u00e7\u00e3o da jornada global de trabalho\u201d, dom\u00e9stica e extra dom\u00e9stica, contribui para o debate de que reduzir o tempo na f\u00e1brica ou no com\u00e9rcio \u00e9 insuficiente sem um ataque simult\u00e2neo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o capitalista do trabalho dentro do lar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas coisas est\u00e3o profundamente relacionadas porque, se observarmos a luta dos trabalhadores nas f\u00e1bricas, ela sempre girou em torno do sal\u00e1rio, de ganhar mais e trabalhar menos, porque nossa tentativa \u00e9 nos libertarmos do trabalho capitalista organizado dessa forma. A luta das mulheres vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. Precisamos de dinheiro tamb\u00e9m para reduzir o trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta calcular apenas as horas trabalhadas fora de casa, mas considerar o cen\u00e1rio completo. As horas que trabalhamos fora e aquelas que nos esperam quando voltamos para casa. Trabalhamos muito mais do que seis dias por semana se calcularmos tamb\u00e9m o trabalho dom\u00e9stico. Precisamos parar isso porque se trata de uma quest\u00e3o de sa\u00fade. Da possibilidade de ter uma vida mais saud\u00e1vel, mais leve, mas tamb\u00e9m de cuidar de nossos filhos, de nossos pais idosos e de n\u00f3s mesmas de outra maneira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se trabalharmos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/05\/25\/sem-transicao-manifestantes-fecham-a-avenida-paulista-pelo-fim-da-escala-6x1\/\">seis dias por semana<\/a>, quem cuidar\u00e1 das crian\u00e7as, dos pais ou de n\u00f3s mesmas? \u00c9 uma trag\u00e9dia. Nossas casas ficam vazias o dia inteiro, com crian\u00e7as sozinhas. Isso n\u00e3o \u00e9 bom. \u00c9 terr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Muitas correntes defendem a socializa\u00e7\u00e3o total da reprodu\u00e7\u00e3o pelo Estado, mas, se entendi corretamente, a senhora argumenta que isso seria uma \u201cilus\u00e3o\u201d. Se o Estado assumisse o papel hoje reservado ao trabalho dom\u00e9stico individual, poder\u00edamos acabar com uma \u201cf\u00e1brica-creche\u201d e com o controle total da vida das pessoas pelo Estado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos de dinheiro porque, com dinheiro, temos a possibilidade de decidir por n\u00f3s mesmas como reduzir o trabalho dom\u00e9stico. Devemos explorar muitas dimens\u00f5es, mas os servi\u00e7os sociais, como creches ou casas para idosos, hoje n\u00e3o s\u00e3o uma boa solu\u00e7\u00e3o porque, quando o trabalho dom\u00e9stico \u00e9 socializado, a l\u00f3gica da f\u00e1brica \u00e9 introduzida nos hospitais, nas creches e nas casas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma l\u00f3gica terr\u00edvel aplicada aos seres humanos. Existe uma padroniza\u00e7\u00e3o do trabalho. Voc\u00ea \u00e9 um n\u00famero. N\u00e3o \u00e9 o filho querido de sua m\u00e3e. \u00c9 apenas uma entre muitas crian\u00e7as que precisam de cuidado. Os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o obrigados a amar seus filhos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 cada vez menos investimento estatal nesses servi\u00e7os sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As enfermeiras trabalham sempre em n\u00famero insuficiente e s\u00e3o mal remuneradas. Tr\u00eas enfermeiras precisam ocupar seis fun\u00e7\u00f5es inexistentes. Tudo isso significa que a qualidade da reprodu\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os sociais \u00e9 muito baixa. Precisamos, antes de tudo, de dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A senhora afirma que seu ensaio busca sistematizar a reprodu\u00e7\u00e3o \u201ca partir e para al\u00e9m das categorias marxianas\u201d. Por que foi necess\u00e1rio romper com a vis\u00e3o ortodoxa marxista-leninista que classificava o trabalho dom\u00e9stico como \u201cimprodutivo\u201d para compreender a explora\u00e7\u00e3o das mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso foi muito importante porque, como feministas, \u00e9ramos marxistas e nos posicion\u00e1vamos dentro da hist\u00f3ria da luta de classes, n\u00e3o no vazio. Quando o movimento feminista come\u00e7ou a existir, havia na It\u00e1lia o Partido Comunista, grupos da esquerda radical e o movimento estudantil. Havia um contexto pol\u00edtico muito complexo e precis\u00e1vamos lidar com isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1970, muitas feministas pensavam que a solu\u00e7\u00e3o era romper com toda tradi\u00e7\u00e3o, inclusive a marxista, porque ela estava comprometida com o poder contra as mulheres. Na It\u00e1lia, Carla Lonzi escreveu \u201cVamos cuspir em Hegel\u201d. Mas cuspir em Hegel, cuspir em Marx\u2026 qual seria a alternativa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alternativa foi que, no movimento feminista, em muitos lugares do mundo, as mulheres n\u00e3o falaram seriamente sobre trabalho. Falavam sobre sexualidade,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/humberto-costa\/2026\/03\/12\/a-violencia-contra-as-mulheres-exige-resposta-urgente-da-sociedade\/\">viol\u00eancia contra as mulheres<\/a>, aborto, temas importantes, mas precis\u00e1vamos falar de trabalho. Do trabalho dom\u00e9stico, da luta em torno dele, de elaborar uma estrat\u00e9gia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que precis\u00e1vamos ir al\u00e9m de Marx porque Marx n\u00e3o enxergou a esfera da reprodu\u00e7\u00e3o. Mas o fato de ele n\u00e3o ter visto isso n\u00e3o significa que devemos jog\u00e1-lo no lixo. Utilizamos todos os instrumentos que eram \u00fateis para n\u00f3s e revolucionamos completamente o discurso marxiano. Mas por que ignorar Marx? N\u00e3o se pode ignorar as tradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso lidar com elas de maneira aut\u00f4noma, desenvolvendo seu pr\u00f3prio ponto de vista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quais s\u00e3o os principais argumentos te\u00f3ricos para sustentar a afirma\u00e7\u00e3o de que a \u201ctrabalhadora sexual\u201d e a \u201cdona de casa\u201d est\u00e3o integradas ao processo geral de reprodu\u00e7\u00e3o do capital?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos produzir reflex\u00e3o tamb\u00e9m entre as feministas porque nem todas concordam com nossa an\u00e1lise sobre prostitui\u00e7\u00e3o. Muitas defendem a aboli\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o. O que tentamos fazer foi ouvir a luta das mulheres trabalhadoras sexuais e aprender com elas o que estavam fazendo e contestando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partimos n\u00e3o de uma perspectiva moral, mas da compreens\u00e3o de outras mulheres que eram nossas irm\u00e3s como quaisquer outras. O ponto mais importante que aprendemos com elas \u00e9 que prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalho, como qualquer outro trabalho. Se retirarmos esse v\u00e9u moral, precisamos analisar a prostitui\u00e7\u00e3o, hoje chamada de trabalho sexual, como um trabalho capitalista organizado de determinada forma pelo capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso representou um grande terremoto nos anos 1970 porque o Partido Comunista e todas as for\u00e7as pol\u00edticas n\u00e3o queriam ter qualquer rela\u00e7\u00e3o com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/02\/27\/nao-olhe-e-sobre-sexo\/\">prostitui\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s dissemos que elas eram como n\u00f3s porque fazemos algo em casa e elas fazem algo em casa ou na rua, mas \u00e9 a mesma coisa. \u00c9 trabalho para a reprodu\u00e7\u00e3o dos seres humanos e da for\u00e7a de trabalho. Esse foi um salto cultural muito grande. Muitas trabalhadoras sexuais me procuraram porque consideraram esse livro extremamente importante. Foi um livro que devolveu a elas uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reconhecendo-as como sujeitos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existe alguma quest\u00e3o que eu n\u00e3o perguntei e que a senhora considera importante comentar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para atualizar a discuss\u00e3o sobre reprodu\u00e7\u00e3o, precisamos articular uma posi\u00e7\u00e3o das mulheres contra a guerra, recusando qualquer ades\u00e3o a pol\u00edticas de guerra. Na It\u00e1lia, temos hoje um governo de direita liderado por Giorgia Meloni, que aceitou a proposta de Donald Trump de destinar 5% do produto interno \u00e0 defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas sabemos que \u201cdefesa\u201d \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito perigosa porque facilmente se transforma em ataque. N\u00e3o queremos isso. A guerra \u00e9 o ataque mais terr\u00edvel contra as mulheres e contra o trabalho delas, aquilo que produzem, seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"#1 UM LIVRO MILITANTE | O ARCANO DA REPRODU\u00c7\u00c3O, por Leopoldina Fortunati\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YHbg1GsEqeo?start=10&amp;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editado por:&nbsp;Tha\u00eds Ferraz<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fonte: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/05\/28\/leopoldina-fortunati-operarias-da-casa-e-do-sexo-integram-cadeia-de-producao-capitalista\/\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/05\/28\/leopoldina-fortunati-operarias-da-casa-e-do-sexo-integram-cadeia-de-producao-capitalista\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_3819\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3819\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 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