{"id":3998,"date":"2026-06-30T11:49:22","date_gmt":"2026-06-30T14:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/?p=3998"},"modified":"2026-06-30T11:49:27","modified_gmt":"2026-06-30T14:49:27","slug":"o-crime-mais-grave-contra-a-humanidade-deve-haver-compensacoes-pelo-comercio-de-pessoas-escravizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/o-crime-mais-grave-contra-a-humanidade-deve-haver-compensacoes-pelo-comercio-de-pessoas-escravizadas\/","title":{"rendered":"&#8216;O crime mais grave contra a humanidade&#8217;: deve haver compensa\u00e7\u00f5es pelo com\u00e9rcio de pessoas escravizadas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BBC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o, declarando a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c1gdqgkx4z9t\">escravid\u00e3o<\/a> &#8220;o crime mais grave contra a humanidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/escravizados2.jpg\" alt=\"escravizados2\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Getty Images<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernando Duarte<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BBC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Published 28 mar\u00e7o 2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pede &#8220;a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-62469011\">imediata e incondicional restitui\u00e7\u00e3o<\/a>&#8221; de objetos culturais, incluindo obras de arte, monumentos, pe\u00e7as de museus, documentos e arquivos nacionais, que devem ser devolvidos aos seus pa\u00edses de origem sem custo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resolu\u00e7\u00e3o foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, com o apoio da Uni\u00e3o Africana. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 abrir o caminho para a cura e o pagamento de compensa\u00e7\u00f5es, conhecidas como <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4n4zx8v3pzo\">repara\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta foi adotada por 123 votos contra tr\u00eas. Houve 52 absten\u00e7\u00f5es de pa\u00edses como o Reino Unido e os Estados membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/ck553lnrrweo\">Estados Unidos<\/a>, a Argentina e Israel foram os pa\u00edses que votaram contra a resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ado\u00e7\u00e3o desta resolu\u00e7\u00e3o serve de salvaguarda contra o esquecimento&#8221;, declarou Mahama \u00e0 assembleia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pa\u00edses afetados pela escravid\u00e3o v\u00eam pedindo repara\u00e7\u00f5es h\u00e1 mais de 100 anos. Mas este debate se intensificou no s\u00e9culo 21, particularmente depois que <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c8084ejl1kdo\">empresas<\/a> e na\u00e7\u00f5es que, historicamente, lucraram com o trabalho escravizado africano admitiram formalmente seu envolvimento no com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/escravizados4.jpg\" alt=\"escravizados4\" width=\"800\" height=\"450\"><br>Anadolu via Getty Images &#8211;&nbsp;Cerca de 12 a 15 milh\u00f5es de africanos foram v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas escravizadas<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"o-que-sao-as-reparacoes-e-quais-sao-os-argumentos-a-seu-favor\" class=\"wp-block-heading\">O que s\u00e3o as repara\u00e7\u00f5es e quais s\u00e3o os argumentos a seu favor?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os s\u00e9culos 15 e 19, cerca de 12 a 15 milh\u00f5es de homens, mulheres e crian\u00e7as africanas foram capturados e traficados para o continente americano, para trabalho escravo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles foram enviados para as col\u00f4nias controladas por pa\u00edses europeus, como a Espanha, Portugal, Fran\u00e7a e o Reino Unido. Acredita-se que dois milh\u00f5es de pessoas tenham morrido a bordo dos infames navios usados para o transporte de pessoas escravizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito dos s\u00e9culos de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o sentidos at\u00e9 hoje. Tanto os pa\u00edses de origem quanto os que receberam pessoas escravizadas apresentam bols\u00f5es de car\u00eancia socioecon\u00f4mica e segrega\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que as repara\u00e7\u00f5es sirvam de restitui\u00e7\u00e3o \u2014 um pedido de desculpas e reembolso \u00e0s pessoas negras cujos ancestrais foram levados \u00e0 for\u00e7a para o com\u00e9rcio de pessoas escravizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mo\u00e7\u00e3o apresentada por Gana pede aos Estados membros das Na\u00e7\u00f5es Unidas que considerem um pedido de desculpas pelo com\u00e9rcio e contribuam para um fundo de repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/escravizados5.jpg\" alt=\"escravizados5\" width=\"800\" height=\"533\"><br>The Washington Post via Getty Images &#8211;&nbsp;Ativistas defendem que os descendentes de pessoas escravizadas recebam pagamentos a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos exigindo compensa\u00e7\u00e3o&#8221;, declarou o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, ao programa de r\u00e1dio <em>Newsday<\/em>, do Servi\u00e7o Mundial da BBC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;E vamos ser claros neste ponto: os l\u00edderes africanos n\u00e3o est\u00e3o pedindo dinheiro para si pr\u00f3prios. Queremos justi\u00e7a para as v\u00edtimas, causas a serem sustentadas, educa\u00e7\u00e3o e fundos de donativos, fundos profissionalizantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a acad\u00eamica brit\u00e2nica Esther Xosei, ativista e uma das l\u00edderes do movimento global de repara\u00e7\u00f5es, demonstra certo ceticismo sobre os poss\u00edveis impactos da resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 encorajador ver as na\u00e7\u00f5es africanas ocuparem o centro do palco nestas discuss\u00f5es, mas os cora\u00e7\u00f5es e as mentes n\u00e3o ser\u00e3o conquistados nas Na\u00e7\u00f5es Unidas&#8221;, acredita ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A verdadeira batalha ser\u00e1 travada nas ruas, onde as pessoas ainda est\u00e3o mal informadas sobre a hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/presidente-de-gana.jpg\" alt=\"presidente de gana\" width=\"800\" height=\"450\"><br>Na\u00e7\u00f5es Unidas -&#8216;Hoje nos reunimos em solene solidariedade para afirmar a verdade e buscar um caminho para a cura e a justi\u00e7a reparadora&#8217;, declarou o presidente de Gana, John Mahama, \u00e0 Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"existe-algum-precedente-historico-para-as-reparacoes\" class=\"wp-block-heading\">Existe algum precedente hist\u00f3rico para as repara\u00e7\u00f5es?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim! O caso mais famoso de repara\u00e7\u00e3o envolve a Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 1952, a na\u00e7\u00e3o europeia pagou mais de US$ 80 bilh\u00f5es (cerca de R$ 418 bilh\u00f5es) para os judeus que foram v\u00edtimas do regime nazista, incluindo pagamentos efetuados para o Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, at\u00e9 hoje, nenhum pa\u00eds pagou repara\u00e7\u00f5es pela escravid\u00e3o aos descendentes de africanos escravizados ou na\u00e7\u00f5es afetadas na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e na zona do Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo as na\u00e7\u00f5es que pediram desculpas formalmente pela sua participa\u00e7\u00e3o na escravid\u00e3o, como fez a Holanda em 2022, descartaram repara\u00e7\u00f5es financeiras diretas aos descendentes de pessoas escravizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez disso, o governo holand\u00eas criou um fundo de US$ 230 milh\u00f5es (cerca de R$ 1,2 bilh\u00e3o) para &#8220;projetos e iniciativas sociais para tratar o legado da escravid\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O mais importante \u00e9 compreender que ningu\u00e9m est\u00e1 tentando mudar o passado, mas cuidar das consequ\u00eancias no presente&#8221;, explica a pesquisadora Celeste Martinez, especializada na coloniza\u00e7\u00e3o espanhola na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O legado da escravid\u00e3o persiste at\u00e9 hoje, na forma de racismo e desigualdade&#8221;, prossegue ela. &#8220;Reconhecer o passado \u00e9 fundamental para termos sociedades mais justas e democr\u00e1ticas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/escravizados6.jpg\" alt=\"escravizados6\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Universal Images Group via Getty Images &#8211;&nbsp;Cerca de 12 a 15 milh\u00f5es de africanos foram capturados na \u00e9poca do com\u00e9rcio de pessoas escravizadas<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"o-que-pode-mudar-com-a-decisao-da-onu\" class=\"wp-block-heading\">O que pode mudar com a decis\u00e3o da ONU?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria ONU j\u00e1 havia apoiado publicamente a justi\u00e7a reparat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em declara\u00e7\u00e3o emitida em setembro de 2025, o Alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, Volker T\u00fcrk, foi mais al\u00e9m. Ele afirmou que a justi\u00e7a deve incluir &#8220;repara\u00e7\u00f5es de diversas formas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a Assembleia Geral da ONU, que re\u00fane todos os seus 193 pa\u00edses membros, cada um com seu assento e um voto, nunca havia votado nem aprovado uma resolu\u00e7\u00e3o nesses termos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Assembleia Geral n\u00e3o tem o poder de impor repara\u00e7\u00f5es, mas pode dar legitimidade pol\u00edtica a esta causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;J\u00e1 \u00e9 um passo enorme e significativo, em termos pol\u00edticos, que haja este debate nas Na\u00e7\u00f5es Unidas&#8221;, afirma a pesquisadora sobre o racismo Almaz Teffera, da organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch. &#8220;Ele abre o caminho para o engajamento entre os Estados, sobre quest\u00f5es de repara\u00e7\u00f5es, e aumenta a chance de progresso nessas discuss\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/reparacao-escravizados.jpg\" alt=\"reparacao escravizados\" width=\"800\" height=\"450\"><br>&nbsp;AFP via Getty Images &#8211;&nbsp;Os pedidos de repara\u00e7\u00f5es v\u00eam principalmente dos pa\u00edses africanos e do Caribe<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"de-quanto-dinheiro-estamos-falando\" class=\"wp-block-heading\">De quanto dinheiro estamos falando?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os aspectos mais discutidos dessas repara\u00e7\u00f5es, est\u00e3o quem deve pagar a conta \u2014 e <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4nk1ylnexdo\">qual o valor<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram feitos pedidos \u00e0s empresas, institui\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias propriet\u00e1rias de pessoas escravizadas para que pagassem compensa\u00e7\u00f5es. Mas, na maior parte das propostas, a responsabilidade fica a cargo do governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2013, o bloco Caricom (que re\u00fane 15 na\u00e7\u00f5es do Caribe) publicou seu <a href=\"https:\/\/caricom.org\/caricom-ten-point-plan-for-reparatory-justice\/\">Plano de Justi\u00e7a Reparat\u00f3ria<\/a>, com 10 pontos. As propostas incluem desde o cancelamento da d\u00edvida externa at\u00e9 o investimento na erradica\u00e7\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2023, o bloco apresentou um estudo reivindicando que a d\u00edvida dos antigos pa\u00edses colonizadores frente \u00e0s 15 na\u00e7\u00f5es do bloco caribenho somaria pelo menos US$ 33 trilh\u00f5es (cerca de R$ 172 trilh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Estado \u00e9 sempre culpado por ter criado o ambiente no qual os indiv\u00edduos, institui\u00e7\u00f5es e empresas participaram da escravid\u00e3o e do colonialismo&#8221;, explica a professora Verena Shepherd, da Universidade das \u00cdndias Ocidentais, na Jamaica, e vice-presidente da Comiss\u00e3o de Repara\u00e7\u00f5es do Caricom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/forte-elmina-escravizados.jpg\" alt=\"forte elmina escravizados\" width=\"800\" height=\"449\"><br>Ullstein Bild via Getty Images &#8211;&nbsp;O forte Elmina \u00e9 um dos muitos pontos hist\u00f3ricos de com\u00e9rcio que est\u00e3o de p\u00e9 at\u00e9 hoje em Gana<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele mesmo ano, o ent\u00e3o juiz do Tribunal Internacional de Justi\u00e7a Patrick Robinson apresentou um n\u00famero ainda maior: US$ 107 trilh\u00f5es (cerca de R$ 559 trilh\u00f5es), devidos coletivamente por 31 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas na\u00e7\u00f5es incluem o Brasil e os Estados Unidos, que se beneficiaram do trabalho escravo <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cw8qdg8vpdno\">ap\u00f3s sua independ\u00eancia de Portugal<\/a> e da Gr\u00e3-Bretanha, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais problemas referentes \u00e0 repara\u00e7\u00e3o pela escravid\u00e3o \u00e9 a passagem do tempo. A maior parte dos casos anteriores foi resolvida quando as v\u00edtimas ainda estavam vivas, como ocorreu com o Holocausto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que os c\u00e1lculos sempre s\u00e3o complexos e, muitas vezes, se tornam objeto de disputa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O especialista jur\u00eddico Luke Moffett, professor da Universidade Queen&#8217;s de Belfast, no Reino Unido, acredita que estes n\u00fameros simplesmente n\u00e3o s\u00e3o fact\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Juridicamente, \u00e9 uma montanha imensa que n\u00e3o pode ser escalada, mas isso n\u00e3o significa que as partes envolvidas n\u00e3o devam se reunir e negociar&#8221;, explica ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cfemea.org.br\/images\/Direitos_Humanos\/escravizados\/presidente-de-gana2.jpg\" alt=\"presidente de gana2\" width=\"800\" height=\"449\"><br>AFP via Getty Images &#8211;&nbsp;A resolu\u00e7\u00e3o foi apresentada por uma coaliz\u00e3o de pa\u00edses liderada por Gana, cujo presidente, John Mahama, discursou para a Assembleia Geral da ONU<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"onde-estao-os-pedidos-de-desculpas\" class=\"wp-block-heading\">Onde est\u00e3o os pedidos de desculpas?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Campanhas como a do Caricom n\u00e3o se restringem apenas ao aspecto financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das principais queixas do bloco \u00e9 que a maioria dos pa\u00edses que se beneficiaram financeiramente da escravid\u00e3o n\u00e3o emitiu pedidos oficiais de desculpas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O processo de cura para as v\u00edtimas e seus descendentes exige que os governos europeus emitam sinceros pedidos formais de desculpas&#8221;, afirma Verene Shepherd.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Alguns emitiram declara\u00e7\u00f5es de pesar. Estas declara\u00e7\u00f5es indicam que as v\u00edtimas e seus descendentes n\u00e3o merecem pedidos de desculpas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a encarregada de Direitos Humanos Sara Hamood, do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), este reconhecimento \u00e9 uma parte fundamental de qualquer processo de justi\u00e7a reparat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O lado financeiro \u00e9 apenas uma parte dele&#8221;, defende ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Declaramos repetidas vezes que nenhum pa\u00eds reconheceu totalmente o legado da escravid\u00e3o ou se responsabilizou de forma abrangente pelos impactos \u00e0 vida das pessoas de descend\u00eancia africana.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pedir desculpas formais, contar a verdade e promover a educa\u00e7\u00e3o fazem parte de uma ampla s\u00e9rie de medidas&#8221;, conclui Hamood.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/czd74e9edp9o\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/czd74e9edp9o<\/a><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_3998\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3998\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" version=\"1.0\" viewBox=\"0 0 502 315\" preserveAspectRatio=\"xMidYMid meet\"><g transform=\"translate(0,332) scale(0.1,-0.1)\" fill=\"\" stroke=\"none\"><path d=\"M2394 3279 l-29 -30 -3 -207 c-2 -182 0 -211 15 -242 39 -76 157 -76 196 0 15 31 17 60 15 243 l-3 209 -33 29 c-26 23 -41 29 -80 29 -41 0 -53 -5 -78 -31z\"\/><path d=\"M3085 3251 c-45 -19 -58 -50 -96 -229 -47 -217 -49 -260 -13 -295 52 -53 146 -42 177 20 16 31 87 366 87 410 0 70 -86 122 -155 94z\"\/><path d=\"M1751 3234 c-13 -9 -29 -31 -37 -50 -12 -29 -10 -49 21 -204 19 -94 39 -189 45 -210 14 -50 54 -80 110 -80 34 0 48 6 76 34 21 21 34 44 34 59 0 14 -18 113 -40 219 -37 178 -43 195 -70 221 -36 32 -101 37 -139 11z\"\/><path d=\"M1163 3073 c-36 -7 -73 -59 -73 -102 0 -56 133 -378 171 -413 34 -32 83 -37 129 -13 70 36 67 87 -16 290 -86 209 -89 214 -129 231 -35 14 -42 15 -82 7z\"\/><path d=\"M3689 3066 c-15 -9 -33 -30 -42 -48 -48 -103 -147 -355 -147 -375 0 -98 131 -148 192 -74 13 15 57 108 97 206 80 196 84 226 37 273 -30 30 -99 39 -137 18z\"\/><path d=\"M583 2784 c-38 -19 -67 -74 -58 -113 9 -42 211 -354 242 -373 16 -10 45 -18 66 -18 51 0 107 52 107 100 0 39 -1 41 -124 234 -80 126 -108 162 -133 173 -41 17 -61 16 -100 -3z\"\/><path d=\"M4250 2784 c-14 -9 -74 -91 -133 -183 -95 -150 -107 -173 -107 -213 0 -55 33 -94 87 -104 67 -13 90 8 211 198 130 202 137 225 78 284 -27 27 -42 34 -72 34 -22 0 -50 -8 -64 -16z\"\/><path d=\"M2275 2693 c-553 -48 -1095 -270 -1585 -649 -135 -104 -459 -423 -483 -476 -23 -49 -22 -139 2 -186 73 -142 361 -457 571 -626 285 -228 642 -407 990 -497 242 -63 336 -73 660 -74 310 0 370 5 595 52 535 111 1045 392 1455 803 122 121 250 273 275 326 19 41 19 137 0 174 -41 79 -309 363 -465 492 -447 370 -946 591 -1479 653 -113 14 -422 18 -536 8z m395 -428 c171 -34 330 -124 456 -258 112 -119 167 -219 211 -378 27 -96 24 -300 -5 -401 -72 -255 -236 -447 -474 -557 -132 -62 -201 -76 -368 -76 -167 0 -236 14 -368 76 -213 98 -373 271 -451 485 -162 444 86 934 547 1084 153 49 292 57 452 25z m909 -232 c222 -123 408 -262 593 -441 76 -74 138 -139 138 -144 0 -16 -233 -242 -330 -319 -155 -123 -309 -223 -461 -299 l-81 -41 32 46 c18 26 49 83 70 128 143 306 141 649 -6 957 -25 52 -61 116 -79 142 l-34 47 45 -20 c26 -10 76 -36 113 -56z m-2057 25 c-40 -58 -105 -190 -130 -263 -110 -324 -59 -707 132 -981 25 -35 42 -64 37 -64 -19 0 -241 119 -326 174 -188 122 -406 314 -532 468 l-58 71 108 103 c185 178 428 349 672 473 66 33 121 60 123 61 2 0 -10 -19 -26 -42z\"\/><path d=\"M2375 1950 c-198 -44 -350 -190 -395 -379 -18 -76 -8 -221 19 -290 114 -284 457 -406 731 -260 98 52 188 154 231 260 27 69 37 214 19 290 -38 163 -166 304 -326 360 -67 23 -215 33 -279 19z\"\/><\/g><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BBC A Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o, declarando a escravid\u00e3o &#8220;o crime mais grave contra a humanidade&#8221;. Getty Images Fernando Duarte BBC Published 28 mar\u00e7o 2026 A resolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pede &#8220;a imediata e incondicional restitui\u00e7\u00e3o&#8221; de objetos culturais, incluindo obras de arte, monumentos, pe\u00e7as de museus, documentos e arquivos nacionais, que devem<\/p>\n","protected":false},"author":5419,"featured_media":3999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[972,483],"tags":[1009,551],"class_list":["post-3998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","tag-escravizaas","tag-reparacao"],"acf":[],"a3_pvc":{"activated":true,"total_views":5,"today_views":5},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5419"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3998"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4000,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3998\/revisions\/4000"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/feminismo.org.br\/ULFA\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}