Denúncias de violência doméstica contra mulher crescem 112% em 2010

Denúncias de violência doméstica contra mulher crescem 112% em 2010

Do G1, em São Paulo
Governo atribui alta ao maior acesso das mulheres ao serviço Ligue 180. Proporcionalmente à população feminina, DF, TO e PA tiveram mais queixas.

O serviço de denúncia Ligue 180, específico para receber queixas de violência doméstica contra a mulher, registrou alta de 112% de janeiro a julho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (3) pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, que criou a central em 2005.

 


O disque-denúncia registrou 343.063 atendimentos nos sete primeiros meses de 2010 contra 161.774 nos mesmos meses de 2009 – veja no quadro acima o total de ligações por estado.

Para o governo, o crescimento da busca pelo serviço “reflete um maior acesso da população a meios de comunicação, vontade de se manifestar acerca do fenômeno da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e ao empoderamento da população feminina local”.

A busca de informações sobre a Lei Maria da Penha, lei 13.340/2006, corresponde a 50% do total de informações prestadas pelo Ligue 180. A Lei Maria da Penha completa quatro anos de sanção nesta semana.

Na semana passada, o G1 visitou um abrigo em que moram mulheres vítimas de violência doméstica. Elas contaram que sofreram agressões por vários anos, mas decidiram denunciar seus ex-companheiros e hoje vivem em locais sigilosos. Confira ao lado vídeo com depoimentos de algumas mulheres.

Dos atendimentos registrados neste ano pelo Ligue 180, a maioria se deveu a crimes de lesão corporal. Em seguida, vieram as ameaças, conforme dos dados do balanço. Juntos, os dois tipos de queixas somaram 70% dos registros do Ligue 180. A Secretaria de Políticas para as Mulheres informou que esses crimes também são os mais registrados por mulheres nas delegacias.

Os relatos de violência somaram 62.301 registros, sendo que 36.059 foram de violência física; 16.071 de violência psicológica; 7.597 de violência moral; 826 de violência patrimonial; e 1.280 de violência sexual.

Na avaliação da secretaria, o total de registros de ameaças – em 8.913 situações – mostra que é preciso atenção a esse tipo de queixa. “A voz de uma mulher que reporta estar sendo ameaçada tem de ter credibilidade. Pois só a vítima é quem tem a real dimensão do risco que corre”, disse em nota a subsecretária Enfrentamento à Violência contra as Mulheres Aparecida Gonçalves.

Os relatos de violência somaram 62.301 registros, sendo que 36.059 foram de violência física; 16.071 de violência psicológica; 7.597 de violência moral; 826 de violência patrimonial; e 1.280 de violência sexual. Foram registrados 239 casos de cárcere privado.

O balanço mostra também que em 68,1% dos casos a violência contra a mulher é presenciada pelos filhos. Além disso, em 16,2% das situações o filho sofre a violência junto com a mãe.

Os atendimentos mostram ainda que 39,6% das mulheres dizem sofrer violência desde o início da relação. Outras 57% afirmaram que são agredidas física ou psicologicamente todos os dias. Em mais da metade dos casos, as mulheres disseram correr risco de morte.

 

 

Perfil de agredidas e agressores
O perfil de quem agride é parecido com o de quem é agredida. A maioria das mulheres que ligou para a central tem entre 25 e 50 anos (67,3%) e nível fundamental de escolaridade (48,3%). Nas queixas, a maioria apontou que os agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e também nível fundamental de escolaridade (55,3%).

Das mulheres que entraram em contato com a central, de acordo com a secretaria, 72,1% vivem com o agressor, sendo que 57,9% são casadas ou têm união estável. Outros 14,7% prestaram queixa contra o ex-namorado ou ex-companheiro.

Por estado
Considerando a quantidade de ligações por estado, São Paulo teve o maior registro, seguido por Bahia e Rio de Janeiro. Quando a análise é feita considerando a quantidade de ligações a cada 50 mil mulheres de cada estado, o Distrito Federal fica em primeiro com 267 ligações a cada 50 mil mulheres. Em seguida, estão o Tocantins, com 245 queixas a cada 50 mil mulheres e o Pará, com 237 queixas a cada 50 mil mulheres.

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Perfil da violência doméstica a partir do balanço semestral da Central de Atendimento à Mulher

SPM

Os relatos de ameaça e a não dependência financeira de seus agressores são os principais destaques do perfil da violência doméstica da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Os dados são inéditos e correspondem aos atendimentos de janeiro a junho

deste ano. Nesse período, o Ligue 180 registrou 343.063  atendimentos – um aumento de 112% em relação ao mesmo período de  2009 (161.774). 

As ameaças foram verificadas em 8.913 situações. É a segunda maior manifestação de crime relatado pelas cidadãs que acessam a Central, precedida apenas pelo crime de lesão corporal. Das pessoas que entraram em contato com o serviço, 14,7% disseram que a violência sofrida era exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em união estável e em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto com o agressor. Cerca de 39,6%  declararam que sofrem  violência desde o início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal  é acima de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente. Em 50,3% dos casos,  a mulheres dizem correr risco de morte. Os crimes de ameaça somados à lesão corporal representam cerca de 70,0% dos registros do Ligue 180. Dados da Segurança Pública também apontam estes dois crimes como os de maior incidência nas Delegacias. O percentual de mulheres que declaram não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram que  68,1%  dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência junto com a mãe. 

“A voz de uma mulher que reporta estar sendo ameaçada tem de ter credibilidade. Pois só a vítima é quem tem a real dimensão do risco que corre”, declarou a subsecretária Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves. 

Ranking nacional – Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking com 47.107 atendimentos, seguido pela Bahia com 32.358.  Em terceiro lugar aparece o Rio de Janeiro com 25.274 dos registros. A procura pelo Ligue 180 é espontânea e o volume de ligações não se relaciona diretamente com a incidência de crimes ou violência. A busca pelo serviço reflete a um maior acesso da população a meios de comunicação, vontade de se manifestar acerca do fenômeno da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e ao empoderamento da população feminina local.

Tabela

 

 

UF 

LIGAÇÕES

UF

LIGAÇÕES

SP

47.107

AL

5.722

BA

32.358

RN

5.104

RJ

25.274

PB

4.465

MG

22.951

SC

4.023

PA

17.454

MT

3.957

PR

15.436

SE

3.849

PE

12.213

MS

3.494

RS

11.490

TO

3.156

MA

10.133

RO

1.795

GO

8.939

AM

1.620

DF

7.151

AP

998

CE

7.083

AC

678

PI

6.484

RR

408

ES

5.922

 

 

População feminina – Quando considerada a quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada estado, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais entrou em contato com a Central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres.  Em segundo lugar aparece o Tocantins com 245 e em terceiro, o Pará, com 237.

 

UF 

População Feminina
PNAD 2008
 

Ligações a cada
50.000 mulheres

UF

População Feminina
PNAD 2008

Ligações a cada
50.000 mulheres

DF

1.338.000

267

PR

5.463.000

141

TO

644.000

245

PE

4.518.000

135

PA

3.687.000

237

MT

1.474.000

134

BA

7.373.000

219

RO

756.000

119

PI

1.6

06.000

202

PB

1.965.000

114

SE

1.062.000

181

MG

10.236.000

112

AL

1.633.000

175

SP

21.089.000

112

ES

1.764.000

168

RS

5.584.000

103

AP

311.000

160

RR

203.000

100

RN

1.601.000

159

AC

346.000

98

MA

3.207.000

158

CE

4.349.000

81

RJ

8.314.000

152

SC

3.102.000

65

GO

2.967.000

151

AM

1.716.000

47

MS

1.214.000

144

 

Lei Maria da Penha – Do total de informações prestadas pela Central (67.040), 50% correspondem à Lei Maria da Penha (33.394). Durante os quatro anos de existência, o Ligue 180 registrou 1.266.941 atendimentos. Desses, 30% correspondem a informações sobre a legislação (371.537).

Tipos de violência –
Dos 62.301  relatos de violência,  36.059 correspondem à violência física; 16.071, à violência psicológica; 7.597 à violência moral; 826 à violência patrimonial; e 1.280 à violência sexual, além de 229 situações de tráfico e 239 casos de cárcere privado.

Perfil
das mulheres – A maioria das mulheres que ligam para a Central têm entre 25 e 50 anos (67,3%) e com nível fundamental (48,3%) de escolaridade. 

Perfil dos agressores – A maioria dos agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e com nível fundamental (55,3%) de escolaridade. 

Veja os dados da central por estado

 

Comunicação Social da SPM


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