Emma Goldman e o moderno movimento de luta das mulheres

Emma Goldman e o moderno movimento de luta das mulheres

Em 2009 completa-se 140 anos do nascimento da Emma Goldman, uma das fundadoras do moderno movimento da luta das mulheres, uma agitadora e propagandista em defesa da liberdade sexual da mulher

 

De família judia, Emma Goldman foge de Kaunas, Lituânia, com apenas 16 anos, para os EUA para não mais se submeter a uma vida de opressão e puritanismo.

Em seus relatos autobiográficos, Goldman afirma que nasceu de um casamento de conveniência e seus pais, Abraham e Trauve Goldman, que a tratavam com frieza e ressentimento porque era considerada, como mulher, como nada mais que um ônus financeiro. O seu pai era administrador teatral e a espancava pelos motivos mais insignificantes.

Sua vida foi marcada pela violência dos pais e por um incidente violento de estupro quando contava apenas com 12 anos de idade.

A família Goldman mudou-se para Königsberg (depois Kaliningrado) e, em seguida, para S. Petersburgo. E pela primeira vez entrou em contato com as idéias revolucionárias por meio do círculo dos militantes da organização populista A Vontade do Povo (Narodnaia Volia) uma ramificação da organização original do populismo russo, a Terra e Liberdade (Zemlia e Volia).

A organização, diante do sufocamento da atividade política, ingressou na via do terrorismo, através da tentativa de assassinato dos chefes do regime, assassinando o próprio Czar.

No momento em que seu pai descobre o seu envolvimento com A Vontade do Povo, aumenta a violência contra ela, o que a fez rebelar-se fugir para os EUA em 1885.

Nos EUA Emma Goldman passa a trabalhar em uma indústria têxtil em Rochester, Nova Iorque, um ramo de produção típico de emprego de mão-de-obra feminina. Foi ali em que onde se iniciaram as grandes mobilizações de mulheres que levaram ao estabelecimento do 8 de março. Entra em contato pela primeira vez, com socialista alemães que procuravam organizar o movimento operário nos EUA.

Emma Goldman iniciou efetivamente a sua militância política em conexão com as importantes lutas sindicais dirigidas por anarquistas e socialistas. Acompanhou com enorme interesse em 1886 o julgamento e condenação à morte e execução dos oito operários de Chicago.

Neste momento torna-se agitadora e jornalista em defesa das lutas operárias e sindicais aproximando-se politicamente do anarquismo.

Em 1889 casou-se com o anarquista russo Alexander Berkman. Em 1892 ele foi condenado a 22 anos de prisão pela tentativa de assassinato do empresário Henry Clay Frick.

Em 1893, Emma Goldman também é condenada a um ano de prisão acusada de incitação em uma manifestação também na cidade de Nova Iorque.

Em 1917, novamente são presos e agora sob a acusação de opor-se ao recrutamento militar para a I Guerra Mundial. Após dois anos de prisão, são deportados para a Rússia, naquele momento, em 1919, mergulhada na guerra civil promovida pelo imperialismo contra o governo operário.

Inicialmente se posiciona a favor da Revolução Bolchevique, Emma Goldman, no entanto, baseada nos preconceitos democratizantes do anarquismo se coloca em uma posição de condenação da revolução, expressa no seu livro, de 1923, My Dissillusionment in Russia (Minha desilusão com a Rússia).

Vai para o Canadá, onde vai morrer em 14 de maio de 1940 em Toronto, Ontário.

A anarquista foi autora de um grande número de livros e panfletos, bem como inúmeros artigos em jornais e revistas. Ela pode ser considerada uma das fundadoras do moderno movimento de luta das mulheres, o qual está ligado à luta do movimento operário e pelo socialismo

fonte: Jornal Causa Operária

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