Lésbicas negras e o desafio da visibilidade

Lésbicas negras e o desafio da visibilidade

Aproveitando as comemorações do dia da visibilidade lésbica e bissexual [1], e inspiradas pela música das Tambores de Safo [2], “Lésbica e Negra”, separamos alguns textos e músicas para inspirarem vocês também. Afinal, o feminismo pelo qual lutamos será antirracista e anti-lesbofobia, ou não será!

Foto: Zanele Muholi.

Foto: Zanele Muholi.

Playlist
Lésbica a Negra (Tambores de Safo)

Flor de Mulher (Luana Hansen)

Antiga Poesia (Ellen Oléria)

Lizete (Ná Ozzetti e Kiko Dinucci Ná Ozzetti e Kiko Dinucci)

De pés no chão (Marcia Castro)

 

Cordel
Chica gosta é de mulher
Jarid Arraes para a Revista Fórum, 29 de agosto de 2014.

[…]

Que toda Chica da Terra
Se assuma com valentia
Pois ódio só se encerra
Lutando com maestria
Acaba-se logo a guerra
E planta-se a empatia.

 

Textos
O Silêncio não irá nos proteger – Lésbicas Negras e Espaços de Militância
Maria Rita para o Blogueiras negras, 27 de agosto de 2014.

“É necessário quebrar o silêncio dentro e fora dos movimentos sociais para que possamos ter o domínio de nossas vidas. Entender que o silencio que nos protege é o mesmo que nos invisibiliza, que a invisibilidade nos deixa vulneráveis, estes são os primeiros passos para que juntas e organizadas possamos reivindicar o direito as nossas próprias falas, que atendam as mulheres que somos.
Precisamos passar do silencio ao grito para garantir o direito de existir e a possibilidade de ter uma vida segura e digna. Hoje nossa luta é por representatividade. Porque somos muitas, não temos um espelho do que somos e representatividade importa. Lutamos contra diferentes vetores de opressão, nós lésbicas negras se ouvidas, podemos contribuir para a formulação de estratégias coletivas para subverter a hegemonia* e confundir a hierarquia da dominação.
Não há vergonha em ser mulher, não há vergonha em ser negra, não há vergonha em ser lésbica. Eu, mulher negra e lésbica, me orgulho de ser quem eu sou e luto pra que outras possam se sentir tão confortáveis e orgulhosa por serem quem são.
Que outras mulheres negras e lésbicas consigam lutar por todas as opressões que nos esmagam em silêncio. Que possamos entre iguais lutar contra os pilares que dizem que somos diferentes, o machismo, o racismo e a lesbofobia.”

Sobre ser negra e lésbica
Por Maria Rita Casagrande, reproduzido no blog do Coletivo Audre Lorde em 27 de julho de 2013.

“Dia desses me fizeram uma pergunta: O que você é primeiro? Lésbica ou Negra?
Como se fosse realmente necessário escolher um “lado” para lutar por meus direitos ou me identificar, ou como se eu não fosse invisível em ambos os casos. Mas se você me pergunta com qual comunidade eu me identifico, minha resposta seria a reprodução das palavras de Audre Lorde “Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica.””

Garota preta e lésbica – Um pequeno auto descobrimento
Andressa Amano para o Blogueiras Negras, 27 de agosto de 2013.

“Sei que isso não é apenas uma fase. É a minha certeza de vida. Como mulher negra e lésbica, luto por meu respeito. Luto para não ser invisibilizada. Quero derrotar meus inimigos. Inimigos esses o machismo,o patriarcado, a lesbofobia, a transfobia, a homofobia e tantos outros. O fato de me descobrir sapatão só fez aumentar meu desejo de mudanças no mundo.”

Onde estão as pretas sapatão?
Jész I. para Gorda e Sapatão, 10 de abril de 2014.
“E como se não bastasse, nos identificar enquanto lésbicas ou bissexuais, também não é um mar de rosas porque vem estilhaços pontíagudos de preconceito por todos os lados: desde à família até às amizades. No trabalho: Shiiiiiw! Você tem que pagar de heterossexual, fingir que sente atranção pelos caras… Pra se manter no emprego. São poucos os lugares que não te quebram por causa da sua orientação sexual, sabiam? Pois é.  Sair às ruas em plena segurança de nossa negritude e lesbiandade é um furo na barreira racista-patriarcal. E nós conseguimos!”

Ellen Oléria: negra, lésbica e feminista
Bianca Cardoso para o Blogueiras Feministas, 11 de novembro de 2001.

“Música, cantora, compositora e atriz brasiliense. Ellen Oléria também é negra, lésbica e feminista. Sua voz entoa uma melodia poderosa e sua performance cênica cheia de atitude magnetiza a todos. Ellen canta, toca e mistura ritmos brasileiros com soul music e levadas de jazz, transparece sua negritude no palco e nas letras. Em entrevista de 2009, Ellen afirma: “Canto o universo de uma negra, lésbica, criada no Chaparral, região entre Taguatinga e Ceilândia”.”

 

Entrevistas

Entrevista com a MC Luana Hansen
Por Maria Rita Casagrande e Jéssica Ipólito para as Blogueiras Negras, 30 de agosto de 2013.
“Felizmente, a exemplo do que ocorreu em 1995 com Queen Latifah, que abriu caminho para que Lauryn Hill, Erykah Badu, India Arie e Zap Mama pudessem usar o hip hop para capacitar e empoderar não só as mulheres negras, mas todas as mulheres ao redor do globo, em meio à realidade masculina dohip hop brasileiro surgiram também mulheres para cantar muito mais do que um suposto papel de submissão, ou seu lugar de “namorada do MC”. Luana Hansen é uma destas mulheres diante do triplo desafio, enfrentar o mundo rap sendo mulher, negra e lésbica.
No youtube:

Entrevista parte 1, 2, 3, 4, e 5.

 

Relato e Ensaio Fotográfico

Aline e Bruna: Além da Lesbofobia + Ensaio Fotográfico Afeto – Além
Nubia Abe para Lugar de Mulher, 29 de agosto de 2014.

“Até o segundo encontro, que aconteceu tudo, e tudo vem acontecendo até então”.

 

Foto: ALÉM - coletivo de arte que vai além do lúdico

Foto: ALÉM – coletivo de arte que vai além do lúdico

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[1] O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica remete ao primeiro dia do 1º Seminário Nacional de Lésbicas – Senale, realizado em 29 de agosto de 1996. Organizado a partir de iniciativa do Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ), o Seminário foi o primeiro a tratar do tema no país. Desde então, foram realizadas seis edições do Senale.
[2] O Grupo Tambores de Safo é um grupo de percussão do Ceará, formado em sua maioria por mulheres negras lésbicas e bissexuais. O grupo nasceu em maio de 2010, com o objetivo de dar visibilidade as demandas específicas dessas mulheres na 10ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará. Atualmente o grupo milita no Fórum Cearense Mulheres e na Articulação de Mulheres Brasileiras.

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