O ato de colonizar está na mente

O ato de colonizar está na mente

Ela é a primeira mulher a lançar um romance em Moçambique; na juventude foi militante do Partido Frelimo, que lutou pela independência do país; é atuante no movimento feminista do país; e possui uma espiritualidade marcante. Ela é Paulina Chiziane

Por Douglas Freitas e Marcelo Hailer, da Bastião para Revista Fórum.
Acesse entrevista completa AQUI.
Tambores vibram no palco da maior universidade privada de Moçambique. Sentada entre os sete músicos, Paulina Chiziane entoa um cântico evocando os espíritos dos ex-presidentes Eduardo Mondlane e Samora Machel. A música tem a intenção de convocar o passado para convencer os governantes atuais a firmar a paz no presente.

Em um país extremamente formal, batucar dentro de uma instituição é uma quebra de tabu. Na verdade, lançar o livro “Por que vibram os tambores do além”, que conta a história do curandeiro Rasta Pita, dá sequência a uma série de rompimentos de paradigmas que Paulina acumula.

Ela é a primeira mulher a lançar um romance em Moçambique (Balada de amor ao vento, publicado em 1990); na juventude foi militante do Partido Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, partido de esquerda que lutou pela independência do país); é atuante no movimento feminista do país; e possui uma espiritualidade marcante. Por alguns, é chamada de radical. “As pessoas não estão habituadas a questionar. Quando alguém questiona, dizem logo que é radical”, rebate ela, sem fazer muito caso.

Em uma tarde quente de novembro, Aldino Languana, pintor moçambicano e documentarista, nos guiou de carro até o subúrbio da capital, Maputo, onde fica a casa de Paulina. Conseguimos marcar a entrevista após conhecer Aldino no lançamento do novo livro de Paulina e aceitarmos a contraproposta de nosso encontro ser filmado – ele está preparando o primeiro documentário sobre a escritora. Em pouco mais de uma hora, em um cômodo improvisado na sua sala, Paulina expôs sua visão sobre o colonialismo ocidental em Moçambique, criticou o ingresso de Igrejas estrangeiras e de novelas brasileiras no país e expressou a importância de dar voz à quem normalmente não possui. Tudo de forma serena e sem o peso das obrigações. “Só os indivíduos eleitos ou nomeados que podem dizer que têm papéis ou deveres. Eu faço aquilo que posso fazer”.

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