Pesquisa aponta percepção de brasileiros (as) sobre violência contra mulher

Pesquisa aponta percepção de brasileiros (as) sobre violência contra mulher

Karol Assunção *

 

Adital – HOJE (25/11), celebra-se em todo o mundo o Dia Contra a Violência à Mulher. A data, importante para chamar atenção da sociedade para o assunto, serve também para refletir sobre essa situação que preocupa cada vez mais homens e mulheres de várias partes do mundo. No Brasil, a realidade não é diferente. Segundo a pesquisa “Percepções e reações da sociedade sobre a violência contra a mulher“, a violência doméstica contra mulheres é, atualmente, o problema que mais preocupa as brasileiras.

O estudo, desenvolvido pelo Ibope e Instituto Avon em parceria com Instituto Patrícia Galvão e Perfil Urbano Pesquisa e Expressão, ouviu, entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 2008, 2.002 pessoas de todo o país. De acordo com o resultado, divulgado em março deste ano, 56% dos entrevistados apontam a violência doméstica como a principal preocupação das brasileiras.

Além disso, segundo o estudo, 55% das pessoas declaram conhecer algum caso de agressão a mulheres. Para Fátima Jordão, diretora do Instituto Patrícia Galvão, isso mostra que a sociedade está mais preocupada com o assunto. “A questão está saindo do campo privado, do famoso ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’, para ser discutido no âmbito público também”, afirma.

Prova disso, segundo ela, é a porcentagem de pessoas que declaram ajudar a mulher agredida: 39% dos que tomam conhecimento do caso procuram apoiar a vítima. A diretora destaca ainda o aumento do número de pessoas que conhecem e reconhecem os casos de violência contra a mulher na região Nordeste.

Para ela, o crescimento do conhecimento desses fatos na região deve-se, principalmente, à reação da sociedade que, nesses estados, são mais ativas em relação ao combate a esse problema. Fátima afirma que é importante também destacar o aumento desse tipo de violência em todo o Brasil. “O problema ganha dimensão de epidemia, não são casos isolados”, comenta.

Ela chama atenção ainda para a quantidade de pessoas que acreditam que as mulheres agredidas não saem de casa por medo de serem mortas pelo agressor. A porcentagem – 17% dos entrevistados – só perde para a falta de condição econômica para viver sem o companheiro (24%) e a preocupação com os filhos (23%). “Esse é um dado grave. Mostra o quão violenta está caracterizada essa situação”, ressalta.

A região Nordeste é novamente destaque nesse ponto. De acordo com a pesquisa, essa é a região em que o medo de ser morta pelo agressor caso saia de casa possui o maior índice (20%). Na opinião de Fátima, isso está relacionado com a proporção da incidência da violência contra a mulher dentro de casa, bastante alta da região.

A pesquisa revela ainda que o alcoolismo e a questão cultural estão entre as principais razões dessa violência sexista, com 36% e 38% das respostas dos entrevistados, respectivamente. De acordo com a diretora do Instituto Patrícia Galvão, ainda persiste uma cultura machista, que acredita na dominância do homem em relação à mulher. “A submissão da mulher à força é um processo ancestral. Basta lembrar da figura do homem das cavernas puxando as mulheres à força pelos cabelos”, ilustra.

Fátima ressalta também a resposta positiva da população em relação à Lei Maria da Penha. A maioria dos entrevistados (78%) já conhece a Lei e boa parte (44%) acredita na sua eficácia.

Por outro lado, 56% da população não confia na proteção jurídica e policial à vítima.  Na opinião da diretora do Instituto, essa falta de credibilidade é devido à ausência de mecanismos suficientes para tratar o assunto. Prova disso é que, de acordo com a pesquisa, existem apenas 410 delegacias da mulher em todo o país, as quais se concentram mais nas grandes cidades.

A demanda da sociedade não está mais somente na prisão do agressor. Hoje, 11% dos entrevistados acreditam que é importante, também, a participação de grupos de reeducação dos agressores. “O trabalho de educação, prevenção e difusão da temática também é importante”, acrescenta Fátima.

A pesquisa completa está disponível em: http://www.falesemmedo.com.br/a-campanha/pesquisa

 

* Jornalista da Adital

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