
A trajetória da Universidade Livre Feminista Antirracista começou em 2007, a partir de proposta apresentada pelo Cfemea aos movimentos feministas brasileiros e latino-americanos. Ela foi sendo construída de forma coletiva e colaborativa, reunindo ativistas, intelectuais e feministas que se dispuseram a ingressar nessa aventura. O objetivo da ULFA tem sido congregar, catalisar e fomentar ações educativas, culturais, artísticas; assim como dar espaço para a produção de conhecimento e compartilhamento de saberes acadêmicos, populares e ancestrais, numa perspectiva contracultural feminista, antirracista e anticapitalista.
Por meio da Universidade Livre pretendemos promover a reflexão e a troca de ideias, vivências e experiências entre mulheres (cis e trans) de diferentes identidades e campos de atuação (político, artístico, cultural, acadêmico, comunitário), assim como interagir com outros grupos e pessoas.
Em um processo contínuo de autoformação, a Universidade Livre Feminista Antirracista busca estimular a formulação de análises e métodos que fortaleçam a ação política, individual ou coletiva, das mulheres em toda a sua diversidade, de modo que, juntas, possamos contribuir para a construção de uma sociedade justa, igualitária, não hierárquica, criativa e libertária.
Tendo se iniciado como um espaço virtual, hoje a Universidade Livre também se faz presencial e está aberta a mulheres e homens de todos os países e comunidades e se lança para congregar e se desenvolver em comunhão com entidades, movimentos, coletivos e instituições universitárias em todos os países de língua portuguesa e também de nossos países e regiões do Sul Global, na luta contra as opressões e violências.
Em nossa plataforma virtual disponibilizamos artigos, cartilhas, livros e vídeos (alguns produzidos pelas próprias participantes). Recorrendo às novas tecnologias da informação e da comunicação, também promovemos fóruns virtuais de debate e oferecemos cursos online. Tudo isso construído no marco do pensamento político feminista, das práticas, lutas políticas, e movimentação social das mulheres por um mundo melhor.
Durante os primeiros anos de existência, estiveram na coordenação da Universidade Livre vários coletivos feministas e ativistas que trouxeram contribuições valiosas e deixaram uma marca de luta e de esperança. Não conseguimos manter várias delas por vários motivos, especialmente por não conseguirmos ainda criar mecanismos estáveis de financiamento de nossas atividades. Não tem sido fácil financiar e garantir a sustentabilidade de movimentos de mulheres e feministas!
Hoje, a ULFA está sendo coordenada pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria – Cfemea – que tem sede em Brasília, capital do Brasil, pela Rede de Desenvolvimento Humano – REDEH, que tem sede no Rio de Janeiro, também no Brasil, pelo Grupo de Mulheres Negra Felipa Maria Aranha/Mocambo – com atuação no estado do Pará, na porta de entrada da Amazônia brasileira, e também conta com a participação de pesquisadoras e intelectuais ligadas a universidades em uma articulação que começou a ser construída em aliança com o processo da Humanity Summit (Portugal) que se iniciou em setembro de 2023 e também em articulação com outros processos feministas e educativos que se apresentarão nesse próximo período nos países que compõem a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e temos recebido o apoio institucional do Ministério das Mulheres (Brasil).
Para se firmar como um processo de diálogo e reconhecimento mútuo entre experiências e propostas que venham de todos os países de língua portuguesa, é importante que mais e mais mulheres – dos territórios da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – façam parte conosco desse sonho que se materializa. Queremos construir, coletivamente, uma universidade libertária e feminista, que colabore para a construção diversificada de conhecimentos e processos de contra-hegemonia e contracultura ao patriarcado, ao racismo, ao etnocentrismo, à lesbo-homofobia.
No processo de organização da ULFA nesta nova etapa de caminhada, como pretendemos estabelecer mecanismos de participação e diálogo com feministas e coletivos de mulheres de vários países, com processos históricos e políticos próprios. Estamos construindo uma cultura política baseada no respeito à experiência e posições de todas as companheiras, sem que umas não se sobreponham às outras. Queremos criar e fortalecer processos de igualdade, sorolidade, respeito e apoio mútuo. Vamos fortalecer nossas práticas de gestão transparente e de escuta democrática.
A Universidade Livre Feminista Antirracista existe para fortalecer o feminismo, suas organizações e movimentos. Para dar continuidade a esta proposta, assumimos o desafio de ampliar sua rede de construtoras, conformando-a como um projeto coletivo, articulado em rede e de amplo espectro. E é para essa construção coletiva, ousada, libertária, que convidamos você! Se você tem alguma afinidade com essa proposta, não se acanhe, visite o portal brasileiro onde está o repositório com os cursos e debates realizados nesses últimos anos (https://www.ufla.org.br) nos portais https://mulherlivre.org e https://mulheres.social.br você terá acesso aos últimos processos formativos realizados com coletivos de mulheres e movimentos sociais no Brasil e pode entrar em contato com a gente por meio dos endereços cfemea@cfemea.org.br ou universidade@ulfa.org.br
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