Recentemente, na Câmara dos Deputados, no Brasil, tomou forma a criação da Bancada Cristã (Projeto de Resolução PRC 71/25), unindo as frentes parlamentares evangélica e católica. Votaram a favor 398 deputados e deputadas e apenas 30 foram contra, em uma demonstração de força do grupo cristão. O projeto incorpora ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados o direito dessa Bancada Cristã participar do Colégio de Líderes, instância que existe para que os líderes partidários possam compartilhar o poder do presidente para a definição da pauta do que será discutido e votado no Plenário e outros temas. Além dos líderes partidários, participam do Colégio de Líderes: uma representante da Bancada Feminina; um ou uma representante dos deputados e deputadas negros e negras; e agora, se aprovada essa investida religiosa, um ou uma representante da bancada cristã.
O Cfemea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria elaborou análise no início da atual legislatura sobre a composição da direção do Legislativo, a partir da ótica feminista antirracista (veja mais abaixo: Perfil parlamentar (2023-2026) sob a ótica da agenda feminista). A análise demonstra a hegemonia de grupos ultraconservadores e religiosos e a movimentação da extrema-direita e de ultraconservadores católicos e evangélicos para abocanhar um lugar no Colégio de Líderes.
Recentemente, houve importantes conquistas neste lugar, pelas mulheres e pela bancada negra. Não é o caso da bancada cristã, que é sobrerepresentada no Congresso, com a maioria nas lideranças partidárias, a maioria das presidências de Comissões Permanentes, a maioria dos cargos de direção da Câmara e do Senado.
Lideranças que cada dia mais têm uma cara religiosa, um discurso com base religiosa, distorcida, é claro, mas com presença e valores de um forte conservadorismo religioso. Ao fomentar um diálogo sobre os riscos para a democracia e o Estado Laico desta configuração em andamento no parlamento, o CFEMEA, convidou ativistas e estudiosas do tema para propor reflexões e possíveis brechas para atuação coletiva, visto que o debate da laicidade está intrinsecamente ligado à autonomia sexual das mulheres e tudo o que se refere aos direitos reprodutivos.
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