Donna Haraway e o manifesto ciborgue

Donna Haraway e o manifesto ciborgue

Hoje, 6 de setembro, é aniversário Donna Haraway. Biologa e feminista, Haraway é professora de História da Consciência na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. Seus trabalhos influenciaram os chamados Estudos Culturais e Estudos de Mulheres (como a Teoria Literária e Filosofia). Seu trabalho mais famoso é o “Manifesto ciborgue”, originalmente publicado na Socialist Review, em 1985, e que depois se tornou um dos capítulos do livro Simians, Cyborgs and Women – The Reivention of Nature (1991).

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Segundo Carolina Cantarino, “o ciborgue, um personagem recorrente na ficção científica contemporânea, é utilizado como metáfora para a crítica da identidade em favor das diferenças e para reivindicar as possibilidades de uma apropriação politicamente responsável da ciência e da tecnologia”. Essa seria, em linhas gerais, a proposta política de Donna Haraway no seu Manifesto.

Publicado pela primeira vez em 1985, o manifesto de Haraway utiliza o ciborgue como uma imagem condensada das transformações sociais e políticas do Ocidente na virada do século. Essas transformações dizem respeito, principalmente, aos desafios trazidos pelo binômio ciência & tecnologia, tanto no que diz respeito à nossa percepção do mundo e de nós mesmos, quanto para as nossas relações sociais.

Com as novas tecnologias, as fronteiras entre os animais e os seres humanos, entre o orgânico e o inorgânico, entre cultura e natureza entram em colapso. A microeletrônica resulta numa desmaterialização numérica do mundo, numa indiferenciação cada vez maior entre o visível e o não-visível, entre o físico e o não-físico. A biotecnologia sugere um novo entendimento sobre o que seria a vida, focalizando a sua dimensão molecular.

Para Steven Mentor, o trabalho de Haraway é importante porque nos mostra “que podemos usar o ativismo político para nos apropriarmos da tecnologia e usá-la em outras áreas e para outros fins […] Haraway usou a literatura de ficção científica de teorizar sobre política. Eu acho que algumas das melhores teorias políticas desenvolvidas na literatura se encontram na dramatização de idéias políticas conflitivas”.
Leia mais:

CATARINO, Carolina. http://www.comciencia.br/resenhas/2004/10/resenha2.htm

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu (5), 1995, p. 7-41.

Lykke, Nina. Donna Haraway. In: Scott, John (org.). 50 grandes sociólogos contemporaneos. São Paulo: Contexto, 2009. Pp. 153-156.

[Espanhol] http://www.revistaminerva.com/articulo.php?id=385

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