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MULHERES RURAIS, SOBERANIA ALIMENTAR, AGROECOLOGIA E DEMOCRACIA: Cooperativa feminista promove autonomia e participação política a partir das farinhadas

Texto: Gildeci Ribeiro Prata e Laura Lyrio Gonçalves.

Fotos: Marilza P. da Silva Souza, Maria Bárbara Pereira Santos, Laura Lyrio.

Em 2025, iniciamos o processo de construção do II Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida – Território: Distrito Federal e Entorno, uma realização da CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria em parceria com o  MST – Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais Sem Terra. Durante todo o ano de 2026, temos nos dedicado, no âmbito desta experiência laboratorial, à construção coletiva da Cooperativa Feminista para a Sustentabilidade (COOFESUS).

Mulheres trabalhadoras rurais dos acampamentos de luta pela terra e dos assentamentos de reforma agrária, da região do Distrito Federal e Entorno, são protagonistas deste empreendimento autogestionário, solidário, feminista, antirracista, camponês e popular e têm conferido uma contribuição fundamental para cultivar a organização feminista e coletiva, a soberania alimentar, a agroecologia, a autogestão, o autocuidado e cuidado coletivo em suas comunidades e territórios. Na atual conjuntura, às vésperas do segundo turno das eleições, este processo se articula com o compromisso e a responsabilidade de defender a democracia.

Assim, em referência ao Dia Internacional das Mulheres Rurais (15/10), ao Dia Nacional da Agroecologia (03/10) e ao Dia Mundial da Alimentação (16/10) – também conhecido pelos movimentos sociais da Via Campesina como Dia Internacional de Ação pela Soberania Alimentar dos Povos e contra as Corporações Transnacionais – viemos celebrar a organização e luta coletiva das mulheres rurais em sua diversidade, destacando seu protagonismo na produção e cuidado com a alimentação saudável, com a agroecologia e com a proteção da sociobiodiversidade, das sementes, das comunidades e da autodeterminação dos povos em seus territórios.  

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Imagens: Roda “Mulheres e Democracia” na 2ª Farinhada da Coofesus na Casa de Farinha do Acampamento 8 de março, Planaltina (DF), no último sábado, 17 de outubro de 2026.

Um protagonismo que parte dos próprios quintais produtivos das mulheres e que também ocupa espaços políticos em seus movimentos e territórios, nas ruas e nas redes sociais, nos debates públicos e na construção de políticas públicas e direitos. Pois, neste segundo turno decisivo, trata-se de defender a continuidade de um projeto político que tirou por duas vezes o Brasil do Mapa da Fome, comparecendo às urnas para votar e buscando engajar, nas eleições deste próximo final de semana, também nossos familiares, amigas/os, vizinhas/os da comunidade que não participaram no primeiro turno.

São mulheres do campo, florestas e águas, mulheres sem-terra, mulheres agricultoras familiares e camponesas, produtoras agroecológicas, extrativistas, quilombolas, das comunidades tradicionais, e tantas mais que se dedicam à defesa de seus corpos-territórios, pois, a luta por mudanças precisa ser para superar a exploração do trabalho e a invisibilidade dos saberes e práticas das mulheres trabalhadoras, sobretudo, das áreas rurais, e o sonho de transformação social das mulheres e do povo não pode ser roubado pela extrema direita que promove aumento das violências e despejos no campo e nas periferias urbanas.

Portanto, viemos afirmar a importância da unidade campo e cidade e da participação política das mulheres trabalhadoras, do campo e da cidade, na defesa de seus direitos nas votações deste próximo final de semana. É fundamental participar das ações, campanhas e marchas em defesa de um projeto político de país: em que a vida livre de violências e com proteção social, das mulheres e do povo é prioridade; em que a criação dos assentamentos de reforma agrária e a demarcação dos territórios indígenas, quilombolas e das demais comunidades tradicionais é prioridade; em que a proteção dos biomas, da sociobiodiversidade e das defensoras/es de direitos vem em primeiro lugar. Os votos e as campanhas das mulheres trabalhadoras, do campo e da cidade, são fundamentais para virar o jogo, para derrotar o ódio, as violências, os feminicídio e as desigualdades.

Na construção da cooperativa feminista, afirmamos como um de nossos valores a autonomia das mulheres, a valorização dos trabalhos, saberes, práticas, movimentos e lutas das mulheres. Desta forma, cada roda de autocuidado e cuidado coletivo, cada oficina da cooperativa de mulheres culmina também para o fortalecimento da participação política das mulheres, antes, durante e depois das eleições. Portanto, vamos reconhecendo que a luta pelo direito à alimentação agroecológica, à soberania alimentar e à autodeterminação dos povos em seus territórios está imbricada na luta em defesa da democracia a partir da organização e resistência feminista, antirracista, camponesa e popular.

Relato da atividade

Neste último sábado, dia 17 de outubro, mulheres dos acampamentos de luta pela terra e dos assentamentos de reforma agrária da região do Distrito Federal e Entorno se reuniram na Casa de Farinha do Acampamento 8 de março, em Planaltina (DF), para realizar a Segunda Farinhada da Cooperativa Feminista para a Sustentabilidade (COOFESUS). As mulheres vieram das regiões de Brazlândia, Estrutural e de Planaltina, esses no DF, e de Água Fria de Goiás, esse no GO, e dos seguintes acampamentos e assentamentos: Pepe Mujica, Oscar Niemeyer, 8 de março, Keno e Ana Primavesi.

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Imagens: Lavando, descascando, peneirando e torrando a mandioca.

Com muita alegria, nós mulheres nos unimos para realizar a segunda produção de farinha, unindo saberes, fortalecendo a terra e, também, a nossa gente. Começamos o nosso dia com a nossa famosa chegança, momento em que as companheiras relatam como estão se sentindo. Foi um momento de partilha e escuta mútua. Em seguida, distribuímos as tarefas: Descascar a mandioca, lavar as raízes, passar na máquina para moer, ensacar a massa, prensar a massa para retirar todo o líquido.

Deixamos a massa descansando na prensa e seguimos para o almoço, que foi preparado com muito carinho e estava tudo delicioso! Foi tudo muito lindo porque todas nós participamos de forma igualitária, com muito diálogo. Foi um trabalho feito com mãos no barro, com suor e muito coração. Tudo isso só foi possível porque não fizemos isso sozinhas: contamos o tempo todo com parceiros como CFEMEA, CODESTAC e MST.

Estamos dando nossos primeiros passos na COOFESUS, aprendendo ainda a lidar com o trabalho coletivo e com as máquinas. Por falar em máquina, a de descascar não funcionou, então nos organizamos e fizemos o trabalho de forma artesanal, usando as facas, ao som de muita música boa que nos motivou ainda mais durante todo o processo.

Após o almoço, retornamos com muita disposição: enquanto algumas peneiravam a massa, outras cuidavam da fornalha para a torra da farinha. Em meio a estas tarefas também fizemos nossa roda de conversa sobre Mulheres e Democracia. Essa farinhada é mais do que transformar mandioca em farinha: é preservar nossos saberes tradicionais, é produzir alimento de verdade, é ensinar e aprender umas com as outras. É fazer crescer juntas não só a comida, mas a esperança, a união e a nossa força para continuar. Que essa farinha não alimente apenas os corpos, mas também os nossos sonhos. Que possamos seguir caminhando, cultivando não só a terra, mas também a solidariedade, a dignidade e a esperança de um futuro melhor.

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Imagens: Peneirando a massa após moer e prensar, preparando para torrar.

Enquanto a farinha torrava, ao som de “Lula Presidente”, lembramos que vivemos em uma democracia e que ela é essencial para que nossos sonhos possam continuar. Que sejamos firmes e fortes na luta e nas eleições, porque é com democracia que nossas sementes têm garantia de terra, de crédito, de assistência e de um futuro melhor e mais digno para nossas famílias. Nosso sonho não é só plantar – é também colher segurança, justiça e vida boa aqui no nosso chão.

Juntas semeamos! Juntas colhemos! Viva a nossa terra! Viva a nossa gente! Viva as mulheres trabalhadoras rurais em defesa da soberania alimentar, da agroecologia e da democracia!

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Imagens: Produção de 46 kg de farinha de mandioca na segunda farinhada da Coofesus.

fonte: https://cfemea.org.br/pt/?view=article&id=11818:cooperativa-feminista-promove-autonomia&catid=625

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