Carla Akotirene abriu o Congresso de Pesquisadores Negros na UnB.
Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 29/07/2026 – 08:56
Brasília – Agência Brasil
© Luiz Cláudio/ Agência Brasil
A escritora e pesquisadora baiana Carla Akotirene criticou, na noite de terça (28), olhares simplificados a respeito do racismo na sociedade brasileira

“A discussão do racismo foi reduzida a chamar alguém de macaco”, lamentou.
Ela, que entende que essa violência é praticada de forma estrutural e institucional, fez a palestra de abertura do 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores (as) Negros (as) (Copene), que neste ano ocorre na Universidade de Brasília (UnB). Entre os focos principais da pesquisa de Carla, estão as intersecções de racismo e sexismo.
“Não é filmado”
Para ela, a militância deve ir além de flagrantes filmados de xingamentos. Carla Akotirene cita que em outros ambientes, como unidades de saúde e em penitenciárias, as ações de racismo e sexismo ocorrem diariamente e não há registro.
“Não é filmado porque na cadeia não entra celular. A prisão é o próprio racismo”, cita a pesquisadora, que fez pesquisa etnográfica em uma penitenciária feminina na Bahia.
“Quanto pior é a cadeia, maior é a função racista no tempo”.
Ela defende que os pesquisadores conheçam mais sobre a lei de execução penal no Brasil. “A gente não conhece as regras aplicadas no tratamento de presos. A gente não sabe como funciona a violência contra a mulher dentro da cadeia”.
A escritora cita que o poder público mantém uma estrutura de violência para pessoas em privação de liberdade.
Escravizadas
“Uma mulher vítima de violência não pode gritar. Ela já está no braço do agressor, que é o Estado. As mulheres negras nunca deixaram de ser subalternizadas, escravizadas ou tomadas pelo patriarcado”, contextualizou.
O 14º Copene tem, segundo os organizadores, o objetivo de debater projetos de pesquisa, ensino e extensão desenvolvidos acerca de estudos das relações étnico-raciais no Brasil. O evento tem programação até sexta (31).
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As temáticas abordam a realidade social brasileira e também tratam da valorização de experiências comunitárias, acadêmicas e políticas que fortalecem a luta antirracista em diferentes territórios.
Luta
A escritora Carla Akotirene, por exemplo, conta que foi a primeira pessoa da família a ingressar no ensino superior.
“A gente está aqui porque o movimento negro brasileiro reconfigurou as universidades públicas desse país. Quantas pessoas morreram para que a gente pudesse estar aqui?”
Ao refletir sobre o processo racista no sistema judicial, ela afirmou que, do policial ao magistrado, há tentativas de criminalizar mais os indivíduos pardos e pretos.
“A polícia chega em nossa comunidade e pede para ver quem vai assumir a droga. O nosso povo é submetido à tortura, principalmente à noite”
Além disso, ela diz que os processos de prisão em flagrante também são feitos de forma propositalmente açodada e criminalizando mais as pessoas pretas.
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Juventude Negra: o presente que constrói o futuro no XIV COPENE
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- 27/07/2026
Norma Diana Hamilton – Universidade de Brasília
Entre os dias 28 e 31 de julho, a Universidade de Brasília será palco do maior encontro de pesquisadores negros da América Latina: o XIV Congresso de Pesquisadores(as) Negros(as) – COPENE, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Realizado a cada dois anos, o congresso chega à UnB em um momento decisivo para o fortalecimento da produção intelectual negra e para o aprofundamento do debate sobre democracia, justiça social e equidade racial.
Nesta edição, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (NEAB/UnB), o Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez, o GEPPHERG e diversos grupos de pesquisa unem esforços para realizar uma edição memorável, reafirmando a Universidade de Brasília como um espaço de produção científica comprometido com a transformação social.
Sob o tema “Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira”, o congresso propõe o resgate das trajetórias de luta, resistência e produção de conhecimento da população negra, fortalecendo o diálogo entre pesquisadores(as), lideranças comunitárias, estudantes, gestores públicos e representantes da sociedade civil.
Nesse cenário, chama atenção o protagonismo reservado à juventude negra, e é justamente essa perspectiva que ganha dimensão internacional na mesa-redonda “ODÓ DÚDÚ: Juventudes Negras no Brasil e no Oeste Africano”, promovida pelo NEAB/UnB, pela Coordenação da Área de Juventude da ABPN e pelo Itumò Institute, do Benin. O encontro reunirá pesquisadores brasileiros e africanos, entre eles o diplomata beninense Dr. Moudjib Djinadou, fundador do Itumò Institute, para discutir os desafios e as potencialidades das juventudes negras em ambos os lados do Atlântico.
A proposta vai além da comparação entre realidades distintas. Ela estabelece uma ponte de cooperação intelectual entre Brasil e África Ocidental, reconhecendo que, apesar das especificidades históricas e políticas, os jovens compartilham desafios comuns: combater a dependência epistemológica, fortalecer políticas públicas, valorizar saberes locais e construir projetos de desenvolvimento protagonizados pelas próprias juventudes. Durante a atividade, será lançado o livro Renegade Africa: All it takes is to be African, da autoria de Djinadou, obra que propõe uma reflexão sobre os caminhos para uma África mais autônoma, destacando o investimento na juventude como condição indispensável para a transformação do continente. Na ocasião, haverá também assinatura de um Memorando de Entendimento Internacional entre o Itumó Institute e NEAB/UnB.
Outro momento histórico será a mesa “40 anos do NEAB/UnB: memória, produção de conhecimento e luta antirracista”, que celebra quatro décadas de atuação de um dos mais importantes grupos de estudos afro-brasileiros do país. Fundado em 1986, o NEAB participou de importantes conquistas nacionais, como a implementação das cotas raciais na UnB, em 2004, tornando a universidade uma das pioneiras nessa política, além de contribuir para a criação das bancas de heteroidentificação e para inúmeras pesquisas, ações de extensão e projetos voltados à Educação para as Relações Étnico-Raciais.
Nessa agenda se insere a Sessão Temática “Educação Antirracista em Perspectiva: políticas públicas educacionais de combate ao racismo escolar e seus efeitos”, que discutirá os avanços e desafios da implementação do Plano Nacional de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), da Lei nº 10.639/2003 e de outras políticas voltadas à construção de uma educação democrática e antirracista. O debate reúne pesquisas sobre monitoramento, formação docente, materiais didáticos e protocolos de enfrentamento ao racismo nas instituições educacionais, temas essenciais para transformar a escola em um espaço efetivamente inclusivo.
Mais do que um congresso científico, o XIV COPENE será um espaço de encontro entre gerações, territórios e saberes. Por isso, convidamos toda a comunidade universitária, movimentos sociais e o público em geral a participarem dessa grande celebração da ciência, da cultura e da democracia produzidas a partir do pensamento negro.

Norma Diana Hamilton é professora do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET/IL/UnB). Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UnB).
XIV Congresso Nacional de Pesquisadores Negros (Copene)
Universidade de Brasília08:00 – 16:00:0028/07/2026 – 31/07/2026
Brasília será palco de um dos mais importantes encontros
da produção intelectual negra brasileira e internacional
A Universidade de Brasília (UnB), por meio de seu Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UnB), em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e o Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS), convida pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e do exterior, ativistas, movimentos sociais, educadores(as), estudantes, pessoas de notório saber e todos(as) os(as) interessados(as) na construção de uma sociedade democrática, antirracista e socialmente justa para participarem do XIV Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) – COPENE Nacional.
O evento será realizado entre os dias 28 e 31 de julho de 2026, no campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, reunindo milhares de participantes em torno do tema: “Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira”.
Reconhecido como o maior e mais importante congresso da área de estudos afro-brasileiros e das relações raciais do país, o COPENE constitui um espaço estratégico para a divulgação da produção científica, o fortalecimento de redes de pesquisa, a valorização dos saberes afro-diaspóricos e a formulação de propostas voltadas para a promoção da equidade racial e da justiça social.
A programação do XIV COPENE contará com conferências, mesas-redondas, painéis temáticos, sessões de trabalhos acadêmicos, minicursos, oficinas, seminários nacionais e internacionais, lançamento de livros, Feira Afro de empreendedores e expositores, além de apresentações artísticas e culturais que evidenciam a riqueza das expressões afro-brasileiras e afrodiaspóricas. Entre os destaques estão a Conferência de Abertura, a Conferência Magna, atividades voltadas à Educação Escolar Quilombola e espaços de diálogo entre universidade, movimentos sociais e gestores públicos.
A realização do congresso na Universidade de Brasília reafirma o compromisso histórico da instituição com a promoção da diversidade, da inclusão e da produção de conhecimento comprometida com a transformação social. Em um contexto de desafios à democracia e de persistência das desigualdades raciais, o evento propõe uma reflexão coletiva sobre as contribuições do pensamento afrodiaspórico para o fortalecimento das instituições democráticas, dos direitos humanos e da cidadania.
O XIV COPENE Nacional será também um espaço de celebração das trajetórias de luta, resistência e produção intelectual da população negra, fortalecendo o intercâmbio entre pesquisadores(as), lideranças comunitárias, estudantes e representantes de organizações da sociedade civil.
Visite o site e confira a programação: https://www.copene2026.abpn.org.br/
Siga no Instagram: @copenenacional @neabunboficial

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