Ivonio Barros Laboratório Feminista com mulheres camponesas no Brasil BRASIL - Iniciada a etapa presencial na segunda-feira (2/2/2026), o Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida se fortalece nos dias seguintes. Coordenado pelo CFEMEA e MST (Setor de Gênero do DF/Goiás/Minas Gerais), cumpriu agenda de muito trabalho no segundo dia ocupando o Centro de Educação Popular e Agroecologia Gabriela Monteiro. Hoje, 4/2/2026, o tema é Feminismos e a Teoria da Organização na Perspectiva Feminista Cfemea - 4/2/2026 As mulheres oriundas dos acampamentos Ana Primavesi, Pepe Mujica, El Shadai, 8 de Março, todos do Distrito Federal e o Keno, de Goiás, além de mulheres do Assentamento Canaã, participaram de várias atividades de chegança e aprofundamento dos laços que as unem. Todas demonstraram muita vontade em participar dos debates e superar as dificuldades de seu dia a dia. Para muitas, a chegança é uma novidade. Nesse momento as participantes do Laboratório, assim como as facilitadoras e as participantes da coordenação, falam, se quiserem, como estão chegando no Laboratório. A chegança é um exercício de escuta, não é diálogo, não há perguntas. Uma fala e todas escutam. Em um outro momento, foram apresentados alguns dos instrumentos que elas utilizarão bastante nos próximos dias, quando estiverem nas reuniões de grupos, nas atividades das comissões, nas assembleias e outras formas de organização coletiva. São eles: Plano de trabalho - PT Além disso, o plano de trabalho facilita o acompanhamento dos resultados, permitindo ajustes sempre que necessário e garantindo que as decisões sejam tomadas com base em critérios claros e objetivos. Em síntese, trata-se de um instrumento que sustenta a autonomia com responsabilidade, tornando a cooperação mais eficiente, consciente e verdadeiramente democrática. Informe e balanço crítico Outro instrumento de grande importância é o Informe e Balanço Crítico (IBC). A partir do monitoramento do plano de trabalho, serão elaborados os IBCs, que permitem acompanhar o andamento de cada Comissão, identificando suas dificuldades e facilidades na execução. Esse processo contribui para que nos tornemos pessoas mais objetivas, formadoras de opinião e aptas a oferecer sugestões e resoluções para as questões observadas de forma ponderada em nossas comissões. O que é o Informe e Balanço Crítico (IBC)? O Informe e Balanço Crítico é um tipo de relatório sucinto que ajuda a entender como está o trabalho de cada grupo (ou comissão) dentro da cooperativa. Ele é feito com base no plano de trabalho e mostra o que está dando certo, o que está difícil e o que precisa melhorar. Com esse instrumento, todos as membras podem acompanhar o andamento das atividades, pensar juntas sobre os problemas e sugerir soluções. Assim, o grupo se torna mais unido, consciente e preparado para tomar decisões com responsabilidade. Meu Diário Cada participante recebeu um caderno de capa dura para que possam anotar tudo o que quiserem sobre seu dia a dia, podem desenhar, eempre será dela. Se um dia quiser, poderá mostrar para as companheiras. Se quiser, poderá doar uma poesia ou desenho para a equipe do Livro Memória. Nos Laboratórios que tiverem condições de acesso a internet e a computadores ou tablets, o Diário é também um instrumento existente na Plataforma da ULFA. No caso deste Laboratório, como as participantes são oriundas, em sua maioria, de acampamentos que não têm acesso a internet e a computadores ou tablets, o Cfemea teve que buscar uma alternativa sem uso da internet e sem uso de computadores.screver uma poesia, fazer colagem. Enfim, se expressar como desejar. O Diário é de cada participante, que sempre será dela. Se um dia quiser, poderá mostrar para as companheiras. Se quiser, poderá doar uma poesia ou desenho para a equipe do Livro Memória. Nos Laboratórios que tiverem condições de acesso a internet e a computadores ou tablets, o Diário é também um instrumento existente na Plataforma da ULFA. No caso deste Laboratório, como as participantes são oriundas, em sua maioria, de acampamentos que não têm acesso a internet e a computadores ou tablets, o Cfemea teve que buscar uma alternativa sem uso da internet e sem uso de computadores. Em outros Laboratórios o conjunto das participantes podem decidir dividir a tarefa do Meu Diário com a elaboração de Crônicas, que são pequenos ensaios, artigos, poemas ou escritos das participantes que desejarem se expressar ao conjunto das companheiras. Assembleia A Assembleia é a reunião de todas as participantes da Cooperativo (da Associação ou do Coletivo). É o momento mais importante da gestão e organização da Cooperativa. Deve ser preparada com atenção e cuidado para que expresse a horizontalidade, a autogestão, e o respeito à divergência. Na Assembleia são decididas as questões gerais e mais importantes da Cooperativa. As participantes da Assembleia precisam saber com antecedência o que será debatido e quais as decisões que serão tomadas. No caso do Laboratório Feminista, as Comissões são a base da Assembleia. É nelas que a Assembleia começa a ser organizada. A Comissão a qual fica a atribuição de organizar a Assembleia, já sabe do cronograma da Cooperativa e, dessa forma, sabe que a Assembleia será realizada no dia tal e no mês tal. Assim começa a preparar a Assembleia com antecedência, procurando saber das Comissões quais as sugestões de pauta elas têm, quais as decisões que precisam que a Assembleia tome. Cooperativa Por fim, a grande roda (todas as participantes) se reuniu para discutir qual Cooperativa (ou empresa autogestionária) desejam organizar e quem participará das Comissões criadas. Foi sugerido que tivessem cinco Comissões. Depois de um amplo debate, resolveram criar a COOPERATIVA FEMINISTA PARA A SUSTENTABILIDADE que se organizará a partir das seguintes comissões: 1) Comunicação e Memória, 2) Formação e Autocuidado, 3) Logística, 4) Administração e Finanças, 5) Infraestrutura. A partir desse momento a cooperativa foi criada e organizada. Todos os dias as Comissões irão se reunir orientadas por uma Pauta preparada pelas participantes, as primeiras reuniões (se não a primeira reunião) produzirão um Plano de Trabalho que será atualizado e acompanhado até a próxima Assembleia, serão elaborados os Informes com Balanço Crítico e os demais instrumentos. No encontro dessa quarta-feira (4/2/2026), além da reunião das Comissões, inicia a Trilha Formativa sobre “Feminismos e a Teoria da Organização na Perspectiva Feminista”. Essa Trilha tem como objetivo pensar-sentir, refletir e debater os feminismos, partilhando conhecimentos e experiências entre as ativistas do MST que estão participando do Laboratório Organizacional Feminista, se apropriando de estratégias feministas e criando possibilidades coletivas de sustentação da vida. A proposta é fazer uma aproximação ao feminismo crítico/antissistêmico (como o feminismo camponês popular, o feminismo antirracista), sem a pretensão de promover uma abordagem teórica aprofundada, mas sim promover a troca de conhecimentos, vivências e reflexões sobre os feminismos e suas elaborações críticas a respeito da organização das mulheres, da economia feminista e da sustentação da vida. A Trilha sobre Feminismos e Teoria da Organização na Perspectiva Feminista foi traçada para ser percorrida durante 3 dias. Os conteúdos serão desenvolvidos em cinco atividades que irão envolver vivências e questões provocadoras a partir de materiais para ler, ver, ouvir e criar. LEIA TAMBÉM Um dia importante para as mulheres sem terra e camponesas do DF e Entorno Laboratório Feminista do DF inicia nova etapa dia 2 de fevereiro Próximo artigo: Chimurenga Maitũ - Feminismo africano decolonial e as vidas revolucionárias de três mães do Quênia Próximo