Chefes de Estado se reuniram para debater ações de reparação histórica propostas pela Resolução 80/250, que reconhece o tráfico de africanos escravizados como um dos crimes mais graves contra a humanidadeCompartilhe:
Ministério da Igualdade Racial
Publicado em 19/06/2026 18h05

Foto: Divulgação
Aministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Acra, capital de Gana, em África, na Conferência Consultiva de Alto Nível sobre os próximos passos da Resolução 80/250, que reconhece o tráfico de africanos escravizados como um dos crimes mais graves contra a humanidade. Além de discursar no evento, e participar das sessões, a gestora se reuniu com autoridades.
Em seu discurso, a ministra Rachel Barros destacou a responsabilidade que o Brasil ainda carrega em razão do tráfico transatlântico e relembrou a importância da resolução 80/250. “O Brasil copatrocinou essa resolução com convicção, porque essa afirmação não é apenas moral. É o ponto de partida para uma agenda internacional concreta de justiça reparatória”.
“O Brasil apoia as propostas de diálogo sobre reparações, de desculpas formais e de restituição de bens culturais. Apoiamos, sobretudo, o fortalecimento das estruturas multilaterais que são fundamentais para que essa pauta avance com consistência”, acrescentou.
Com o título “Declaração do Tráfico de Africanos Escravizados e da Escravidão de Bens Móveis Racializada de Africanos como o Crime mais Grave Contra a Humanidade”, essa resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre escravidão pressiona por justiça e reconhecimento global e impulsiona o debate sobre reparação histórica.
Proposta pelo presidente da República de Gana, John Mahama, a resolução foi aprovada por 123 países-membros, com 52 abstenções e três votos contrários. O instrumento representa um passo novo nos esforços do Continente Africano para buscar responsabilização pelas injustiças históricas cometidas por países colonizadores.
Agendas Bilaterais – Na capital africana, a ministra Rachel Barros participou, ainda, de reunião bilateral com comissário da Comissão de Direitos Humanos e Justiça Administrativa de Gana (CHRAJ), Joseph Akanjolenur Whittal, para aprofundar o diálogo entre o MIR e a CHRAJ. Dentre os tópicos da conversa, se destaca o intercâmbio de experiências sobre políticas públicas de promoção da igualdade racial e a possibilidade de cooperação técnica e de participação conjunta em fóruns internacionais, como o Fórum Permanente sobre Afrodescendentes da ONU e o Conselho de Direitos Humanos.
Em seu segundo compromisso com autoridades de alto nível do governo ganense, a ministra se reuniu com o Embaixador Ekwow Spio-Garbrah para tratar do desenvolvimento de políticas públicas de reparação a serem propostas no âmbito da ONU, bem como intercâmbio de boas práticas entre Brasil e Gana.
O encerramento da agenda foi um encontro com os demais ministros de Estado participantes que apresentaram suas observações sobre a Declaração do Tráfico de Africanos Escravizados e a Escravização Racializada de Africanos como o mais grave crime contra a humanidade.
Crime contra humanidade – A ONU declarou, em 25 de março de 2026, que o tráfico de pessoas africanas – cerca de 12,5 milhões de pessoas capturadas e vendidas para a escravidão nas Américas – foi o crime mais grave já cometido contra a humanidade. A resolução também exige reparações.
A decisão ocorreu em sessão especial da assembleia da ONU para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos.
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